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2 Slavic subjunctive as a clausal mood: Indicative vs. subjunctive clause types

2.4 Subjunctive CP as the embedded imperative CP

2.4.1 Common properties of imperative and subjunctive clauses

2.4.1.5 Anti-control

Heidegger faz desvanecer a nitidez dos limites que separam ética e ontologia ao lembrar que, em sua origem grega, a palavra “Ética” se referia à meditação sobre o lugar em que o ser humano habita157.

155 HEIDEGGER, Martin: Carta sobre o Humanismo. São Paulo: Centauro, 2005. P. 15.

156 STEIN, Ernildo: Diferença e Metafísica – Ensaios sobre Desconstrução. Porto Alegre: EDPUCRS, 2002. P. 120- 125

“Aquele pensar que pensa a verdade do ser como o elemento primordial do homem enquanto alguém que ex-siste, já é em si a Ética originária. Mas esse pensar não é apenas Ética, porque é Ontologia”158

O “ex”, separado por hífen, aponta para a um movimento para fora. Ex-sistir diz respeito, então, à possibilidade do ser humano ir além dos limites da consciência e de uma identidade e, assim, estar mais propriamente na diferença. A referência a o lugar em que habitamos quer nos fazer recordar do fato de que não nos encontramos diante dos objetos para dominá-los,159 estamos envolvidos com as coisas e com o ambiente em que nos encontramos. Pensar onde habitamos é entrar em contato com algo que, por estar tão próximo, tornou-se quase inacessível (sobretudo por estarmos ocupados consumindo conceitos abstratos e longínquos). Pensar o mais próximo na sua diferença é ontologia e, ao mesmo tempo, ética160.

Tal proposta não se encaixa nas categorias da tradição da filosofia ocidental, que separa ética e ontologia. Mais interessante que perpetuar tais classificações é, junto com Loparic, tentar compreender esta orientação ética, transgressora, que a hermenêutica quer fundar. Para Loparic, a ética, em Heidegger, ao invés de ser dirigida pela pergunta “o que devo fazer para ser digno de

felicidade”, questiona “como deixar, estando aí no mundo, o que tem que ser.”161 Não há vínculo com normas, mas com um chamamento. Para Heidegger, filosofar (e, de uma maneira geral, agir) não significa produzir efeitos segundo uma utilidade que o mundo oferece, é, antes, deixar surgir, sem se preocupar com os resultados. A obsessão moderna pela pergunta “para que serve?” perverte o sentido mais próprio do pensamento; este, quando está conectado à ética, torna-se uma espera desapegada de desejos e justificações racionais. Se a base não é voluntariosa é, portanto, um equívoco dizer que hermenêutica é sinônimo de decisionismo.162

158 HEIDEGGER, Martin: Carta sobre o Humanismo. São Paulo: Centauro, 2005. P. 74.

159 GADAMER, Hans-Georg: Hermenêutica em Retrospectiva v. I – Heidegger em Retrospectiva. Petrópolis: Vozes, 2007. P. 45.

160 A conexão entre ontologia, ética e também estética que subjaz à hermenêutica heideggeriana também é exposta por Vattimo em VATTIMO, Gianni: O Fim da Modernidade – Niilismo e Hermenêutica na Cultura Pós-Moderna. São Paulo: Martins Fontes, 2002. P. 185.

161 LOPARIC, Zejljco: Ética e Finitude. São Paulo: Ed. Escuta. 2004. P. 59-60.

162 BRUSEKE, Franz Josef: Heidegger como Crítico da Técnica Moderna. Disponível em http://www.filoinfo.bem- vindo.net/doc/htecnica.pdf . Acesso em dezembro / 2008. P. 5 e s.

Derrida, de maneira semelhante, fala da eticidade que reside na prática da desconstrução. A justiça derridiana segue o rastro radicalmente empirista de Levinas; excede o pensamento que calcula e antecipa163. Derrida sublinha, contudo, que não se deve simplesmente jogar fora um sentido de justiça historicamente alcançado:

“Esse excesso da justiça sobre o direito e sobre o cálculo, esse transbordamento do inapresentável sobre o determinável, não pode e não deve servir de álibi para ausentar-se das lutas jurídico políticas, no interior de uma instituição e de um Estado.”164

A justiça, segundo Derrida, deve ser instituída socialmente pela proteção de espaços para a expressão da diferença. Tal projeto envolve um direito à mobilidade e ao cultivo da fluidez histórica, um direito à memória165. Veremos, na conclusão deste trabalho, que é possível falar em universalidade de direitos humanos (será proposto que o direito à memória é um direito humano fundamental) a partir da universalidade do fenômeno hermenêutico e do sentido mais próprio de diferença.

Quando se pergunta, então, como acontece a escuta das palavras, qual a força e o sentido que os direitos humanos adquiriram no interior do jogo do direito-técnica, está se perguntando pela conexão entre direito e justiça.

Há carência de ética quando o direito é compreendido pelo pensamento que calcula

(rechnende Denke), de modo insensível ao seu acontecimento integral. A proximidade com a

diferença provoca estranheza para quem está acostumado a compreender o Ser a partir do mundo; a reação comum é a fuga do estranho. Estamos em fuga e persistimos assim por sermos incapazes de reconhecer a fuga como impulso de nossa trajetória

163 DERRIDA, Jacques: Força de Lei. São Paulo: Martins Fontes, 2007. P 55. Sobre a Justiça levinasiana Cf. LEVINAS, Emmanuel: Totalidade e Infinito .Lisboa: Edições 70, 1980. Apesar de não termos aprofundado o assunto, é preciso lembrar que Levinas é um dos maiores críticos da ontologia heideggeriana.

164 DERRIDA, Jacques: Força de Lei. São Paulo: Martins Fontes, 2007. P 55.

165 Krapp, Peter: “Amnesty: Between an Ethics of Forgiveness and the Politics of Forgetting”. In: German Law

Journal N. 1, janeiro de 2005. Disponível em http://www.germanlawjournal.com/article.php?id=548. Acesso em

Gadamer escreve que uma vez perguntaram a Heidegger: “Quando irás escrever uma ética?” 166 A resposta foi que não cabe perguntar desse modo, pois tal pergunta carrega a implicação de que a tarefa do filósofo é a de ensinar a alguém um ethos, como se fosse sua incumbência propor uma ordenação da sociedade ou projetar alguma formação de convicções públicas167. O conflito – insuperável - está no ser humano, que pergunta e equivoca-se.

Gadamer traduz a palavra grega ethos como modo de vida.168 Para ele, é um sinal de alarme ou de pobreza moral da sociedade atual ter que perguntar a outro – o filósofo - o que é digno e o que é humano e esperar dele uma resposta fora do tempo, como a determinação de uma hierarquia de valores abstratos. Esse tipo de demanda retira do questionamento ético o equivoco, os riscos, e as incertezas inerentes às peculiaridades de cada situação; em outras palavras, distancia a ética de suas origens (“modo de vida”). Segundo Gadamer, esta foi a desgraça da Alemanha na segunda guerra mundial: a imaturidade política de um povo habituado à subordinação.169