• Aucun résultat trouvé

No que diz respeito aos métodos de recolha de dados, aplicados na presente investiga- ção, estes foram a entrevista, o inquérito por questionário, a observação direta e a análise do- cumental.

Tal como lembra Nelson Traquina (2000), os métodos de recolha de dados mais tradi- cionais, como a entrevista ou o inquérito por questionário, começaram a ser utilizados no con- texto da investigação do jornalismo nos anos 1950. Ainda segundo o mesmo autor (Traquina, 2000), os mencionados métodos de coleta de dados continuam a ser usados nas investigações do jornalismo, designadamente nos estudos acerca da comunidade jornalística.

A fase de preparação dos instrumentos de recolha de dados é crucial para o êxito da in- vestigação, visto que determina toda a pesquisa de campo, contribuindo para a coleta de dados que tem de ser fiável para tornar a investigação num processo válido e reconhecido pela comu- nidade científica (Sousa e Baptista, 2011).

3.5.1. Entrevista

A entrevista é um método que recolhe os dados através de conversas orais, individuais ou de grupos, com diversas pessoas cuidadosamente escolhidas (Ketele e Roegiers, 1998). Esta é uma técnica qualitativa que explora um tema a partir da procura de informações, perceções e experiências de informantes para analisá-las e apresentá-las de forma estruturada (Duarte, 2005). Assim, através deste método de recolha de dados, o investigador pode obter informa- ções e elementos de reflexão muito ricos e matizados, desde que as entrevistas sejam bem pre- paradas e conduzidas e feitas às pessoas certas (Quivy e Campenhoudt, 1998). Nas entrevistas instaura-se uma verdadeira troca, durante a qual o entrevistado exprime as suas perceções de um acontecimento ou de uma situação, as suas interpretações ou as suas experiências, ao passo que, através das suas perguntas abertas e das suas reações, o investigador facilita essa expres- são, evitando que ela se afaste dos objetivos da investigação e permite que o entrevistado aceda a um grau máximo de autenticidade e de profundidade (Quivy e Campenhoudt, 1998).

Na entrevista semiestruturada (Lopes dos Reis, 2010; Sousa e Baptista, 2011), igual- mente designada por semidiretiva ou semidirigida (Quivy e Campenhoudt, 1998) ou semiaber- ta (Duarte, 2005), o investigador segue um conjunto de questões, seguindo ou não uma ordem pré-determinada, oriundas de um quadro teórico, de forma a aprofundar a evolução da popula-

ção em estudo (Lopes dos Reis, 2010). Neste tipo de entrevista, o investigador dá liberdade ao entrevistado, mas não o deixando desviar dos objetivos da investigação. Aliás, o investigador dispõe de uma série de perguntas-guias a propósito das quais é imperativo receber uma infor- mação da parte do entrevistado (Quivy e Campenhoudt, 1998).

Seguindo as recomendações anteriores, prepararam-se os diversos guiões para serem seguidos nas entrevistas semiestruturadas a realizar aos diretores de informação ou diretores adjuntos, chefes ou coordenadores dos editores de imagem, chefes ou coordenadores dos re- pórteres de imagem, formadores dos jornalistas na área da edição de imagem, docentes do en- sino superior e formadores do CENJOR.

3.5.2. Inquérito por questionário

Quando o investigador recorre ao inquérito por questionário, é necessário que tenha em consideração três pressupostos (Foddy, 1996). Primeiro, o investigador define claramente a informação que pretende obter. Segundo, os inquiridos são detentores dessa informação. Ter- ceiro e último pressuposto, os inquiridos podem disponibilizar essa informação no contexto em que a investigação se desenvolve.

Por outra parte, o recurso ao inquérito por questionário é particularmente adequado quando se pretende analisar um fenómeno social que se julga poder compreender de uma for- ma mais adequada a partir de informações fornecidas pelos indivíduos da população em análise (Quivy e Campenhoudt, 1998). Para além disso, comparativamente com outros métodos de coleta de dados, o inquérito por questionário apresenta uma grande vantagem, isto é, a possibi- lidade de quantificar uma diversidade de dados e de proceder a inúmeras análises de correlação (Quivy e Campenhoudt, 1998).

No âmbito da presente investigação, começou por ser preparado um questionário para ser aplicado aos jornalistas da redação central da SIC (Anexo 1).

3.5.2.1. Pré-teste do questionário

Quando o investigador dá por terminada a redação do questionário é indispensável ga- rantir que este instrumento de recolha de dados seja de facto aplicável com êxito e que, sobre- tudo, responda aos problemas colocados na investigação (Ghiglione e Matalon, 1997; Sousa e

Baptista, 2011). Para isso, antes de aplicar o questionário à população ou a uma parte dela, o investigador deve testá-lo previamente em condições reais, ou seja, deve fazer um pré-teste (Foddy, 1996; Ghiglione e Matalon, 1997; Quivy e Campenhoudt, 1998; Hill e Hill, 2002; Novelli, 2005; Sousa e Baptista, 2011). Neste contexto, o pré-teste compreende uma série de verificações realizadas, de forma a confirmar que o questionário é efetivamente aplicável com sucesso, no que se refere a dar uma resposta real aos problemas levantados pelo investigador (Sousa e Baptista, 2011). Por outro lado, o pré-teste do questionário tem por objetivo corrigir possíveis distorções e erros (Novelli, 2005). Neste seguimento, Raymond Quivy e LucVan Campenhoudt (1998) recordam que o questionário é, habitualmente, lido e preenchido pela pessoa inquirida. Deste modo, é fundamental que as questões sejam claras e precisas, isto é, formuladas de tal modo que todos os inquiridos as interpretem da mesma maneira. Consequen- temente, o questionário deve ser testado em termos de clareza, ou seja, se os inquiridos irão perceber as questões e se irão conseguir responder; em termos de abrangência, ou melhor, se as questões e as respostas serão capazes de alcançar toda a população; e, por último, em termos de aceitabilidade, quer dizer, no caso de as questões abordarem temas delicados, se esta abor- dagem será a mais adequada (Quivy e Campenhoudt, 1998). Como salienta Ana Novelli (2005), o pré-teste deve ser aplicado a indivíduos da população selecionada nas mesmas con- dições previstas para a realização da investigação. Por sua vez, Manuela Magalhães Hill e An- drew Hill (2002) lembram que o investigador, antes de aplicar o questionário, o deve mostrar a uma pessoa que conheça bem o tipo de pessoas que fazem parte da população que se pretende investigar e, além disso, deve solicitar a sua opinião sobre a relevância das questões. Os auto- res opinam que, por vezes, este procedimento permite eliminar questões desnecessárias, bem como formular perguntas mais pertinentes (Hill e Hill, 2002).

Assim, foi pedido aos jornalistas Luís Loureiro (RTP) e Pedro Coelho (SIC), que para além de jornalistas, são docentes do ensino superior e investigadores, que realizassem um pré-

teste ao questionário. Após a receção das sugestões e recomendações enviadas pelos mencio-

nados jornalistas, bem como pelos professores orientadores, o questionário foi aperfeiçoado. Relativamente ao seu desenho, foi verificado o correto ajustamento entre os objetivos da presente investigação e o questionário, bem como identificadas as questões que respondem a cada um dos objetivos. Foi igualmente efetuada uma revisão da consistência entre as pergun- tas e as categorias de resposta e da sequência lógicas das mesmas. Por outra vertente, o pré-

teste teve como objetivo principal detetar eventuais erros de preenchimento ou ausência de

Deste modo, tendo por base o questionário a ser distribuído pelos jornalistas, foram criados mais dois questionários, um para ser aplicado aos repórteres de imagem (Anexo 2) e outro para ser preenchido pelos editores de imagens (Anexo 3).

3.5.3. Observação direta

Num sentido restrito, a observação direta é um método de recolha de dados baseado na observação visual (Quivy e Campenhout, 1998). Para Raymond Quivy e LucVan Campenhout (1998), os métodos de observação direta são os únicos métodos de investigação que registam os comportamentos no momento em que eles se produzem, sem a mediação de um documento ou de um testemunho, enquanto nos outros métodos utilizados, a entrevista e o inquérito por questionário, os acontecimentos, as situações ou os fenómenos investigados são reconstituídos a partir dos depoimentos dos atores.

Dado que a observação direta é uma técnica de recolha de dados que se baseia na pre- sença do investigador no local (Sousa e Baptista, 2011) e, uma vez que o investigador iria estar presente nas redações centrais da SIC e da TVI, ainda que por pouco tempo, aproveitou-se a oportunidade para se recolher mais alguns dados complementares aos coletados pela realização das diversas entrevistas e pela aplicação dos questionários. Desta forma, através da observação direta planeou-se:

- observar os jornalistas a editarem em vídeo conteúdos noticiosos televisivos;

- ter conhecimento dos equipamentos audiovisuais disponibilizados aos jornalistas para montarem os seus conteúdos informativos televisivos;

- ter acesso ao software de edição de vídeo usado pelos jornalistas da SIC e da TVI; - conhecer as diversas salas de montagem e respetivos equipamentos audiovisuais; - ter acesso ao software de edição de vídeo utilizado pelos editores de imagem da SIC e

da TVI.

3.5.4. Análise documental

A análise documental é um dos métodos de coleta de dados aplicados na investigação em ciências sociais e humanas (Lopes dos Reis, 2010). Como esclarece Felipa Lopes dos Reis (2010: 80), este método «permite recolher dados e informações que podem ser cruzados com

os resultados de outros instrumentos, como as entrevistas, questionários e observações, que ajudam a confirmar factos observados e respostas fornecidas». Neste sentido, no tocante às causas e às consequências de os jornalistas afetos à redação central da SIC e da TVI editarem em vídeo, optou-se por recorrer a este método de modo a complementar e/ou a verificar os resultados obtidos com a aplicação dos outros métodos de recolha de dados.

Por outra vertente, o uso deste método passou pela recolha e pela análise dos planos de estudos dos cursos superiores examinados, assim como das fichas das unidades curriculares que estão direta e indiretamente relacionadas com o ensino da edição de imagem de conteúdos noticiosos televisivos para jornalistas. Igualmente, no que respeita à formação profissional, os planos dos cursos e/ou ações de formação promovidos pelo CENJOR foram alvo de análise.