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La structure des préférences individuelles dans les choix modaux

Chapitre 2 - Les déterminants des choix modaux (étude 1)

3.  Résultats

3.2. L’importance perçue des qualités des modes dans les choix individuels

3.2.1. Contributions relatives des trois types de variables à l’explication du choix

3.2.1.2. La structure des préférences individuelles dans les choix modaux

Embora a vinculação tenha sido muito estudada, numa primeira fase, para explicar a relação da criança com os seus progenitores ou cuidadores, e posteriormente para compreender as relações íntimas na adolescência e início da vida adulta, recentemente começou a haver interesse em aplicar a teoria às relações na meia-idade e na velhice. Este crescente interesse pelas questões da vinculação na velhice está patente na publicação da edição especial da revista Attachment & Human Development (2004, vol. 6, no.4), dedicada a esse tema e da terceira edição do Handbook of Attachment (Cassidy & Shaver, 2016).

A suposição subjacente à aplicação da teoria da vinculação às relações da vida adulta entre progenitores e filhos é que a vinculação entre o filho e o progenitor permanece ao longo da vida, com base nos MID desenvolvidos na infância. Apesar desta suposição teórica, a nível empírico é necessária mais investigação sobre as relações de vinculação entre progenitores e filhos adultos, de modo a esclarecer se estas relações continuam a ser relações de vinculação.

Relativamente a esta questão, há duas posições. Por um lado, defende-se que à medida que a criança cresce em conhecimento e autonomia, a vinculação em relação ao progenitor desvanece gradualmente, o que se torna mais claro na transição da adolescência para a idade adulta (Weiss, 1982). A posição alternativa é que tal vinculação

permanece ao longo da vida, embora de uma forma diferente (Krause & Haverkamp, 1996). De facto, segundo Bowlby (1979), a vinculação em relação ao progenitor não acaba na infância ou adolescência, mas persiste ao longo da vida, juntamente com os sistemas comportamentais de exploração e proteção, com ela relacionados. Uma vez que a vinculação se refere a uma ligação emocional ou afetiva entre duas pessoas, que compreende a identificação e o desejo de estar com a pessoa, ela representa um estado interno ao indivíduo que pode ser inferido a partir de uma propensão consistente ao longo do tempo para procurar proximidade e contacto com a figura de vinculação, mesmo que os atuais comportamentos de procura de proximidade só surjam ocasionalmente ou não se verifiquem durante períodos alargados de tempo (Ainsworth, 1982).

Dentro desta segunda perspetiva, a questão que se coloca é então de que modo é que a vinculação em relação ao progenitor é mantida, ao longo do tempo e independentemente da distância geográfica?

A resposta a esta questão assenta no pressuposto de que a propensão para a procura de proximidade e de contacto permanece ao longo da vida, contudo ela varia na forma e na intensidade (Bowlby, 1979, 1980). Ora, se na infância o restabelecimento da

felt security se dá pela proximidade e contacto físico com a figura de vinculação, ao longo

da vida, ela restabelece-se, progressivamente, a um nível mais simbólico. Isto acontece na sequência do conflito que vai ocorrendo, à medida que a criança se desenvolve, entre o desejo pela proximidade física em relação à figura de vinculação e a separação exigida pelo processo de socialização. Na resolução deste conflito, a criança aprende a sentir a proximidade e o contacto a um nível simbólico, de modo que a vinculação pode ser mantida e os comportamentos de vinculação podem ocorrer, apesar da distância geográfica. Este funcionamento simbólico é possível devido ao desenvolvimento cognitivo.

Deste modo, a identificação com o progenitor é o mecanismo através do qual a representação simbólica é usada para estabelecer a proximidade e o contacto, a um nível psicológico. Ao identificar-se com o progenitor, ou seja, ao assumir as suas características e ao incorporá-las na sua própria personalidade, o filho consegue simbolizar mentalmente um determinado grau de proximidade e de contacto, restabelecendo assim o sentimento de segurança. Deste modo, a vinculação pode então ser mantida, na ausência dos comportamentos de vinculação típicos da infância, o que é corroborado por Cicirelli (1983b) – “for adults attachment can be defined as the propensity or tendency for psychological

closeness and contact, although this tendency may be only intermittently reinforced with physical closeness and contact” (p. 816).

Contudo, os comportamentos de vinculação continuam a ser manifestados ao longo da vida, sobretudo em alturas de stress, doença ou ameaça. Em situações de stress como o nascimento dos filhos, divórcio, desemprego, dificuldades económicas, o filho adulto

pode recorrer ao progenitor envelhecido para obter ajuda instrumental, financeira, conselhos, compreensão e apoio emocional (Blieszner & Mancini, 1987; Cicirelli, 1980), sendo que os seus comportamentos de vinculação se concretizam em proximidade residencial em relação aos progenitores, visitas periódicas, telefonemas, cartas, mensagens, e-mails, entre outros.

Assim, segundo Cicirelli (1983b) “attachment behavior in adulthood is defined as a

class of behaviors including the interaction of communication over distance to maintain psychological closeness and contact, in addition to periodic returns to the parent to re- establish physical closeness and contact” (p. 816).

A nível empírico, há estudos que realmente apontam no sentido da continuidade da vinculação aos progenitores ao longo da vida, mostrando que a maioria dos filhos adultos se sente próximo ou muito próximo dos seus progenitores envelhecidos, enquanto apenas uma pequena percentagem não se sente próximo dos seus pais e nenhum se sente dessa forma em relação às mães (Cicirelli, 1981). Além disso, a evidência sugere que os pais continuam a funcionar como base segura e refúgio de proteção para os filhos, mesmo na vida adulta, na medida em que proporcionam apoio emocional e instrumental (Levitt, 1991; Spitze & Logan, 1992). Também quando os progenitores morrem, a intensidade e duração do processo de luto suporta a importância da vinculação entre os filhos de meia-idade e os progenitores (Ainsworth, 1989; Cicirelli, 1991). De facto, as experiências passadas relacionadas com a vinculação, a separação e a perda parecem influenciar o modo como os filhos reagem à perda (Parkes, 1991).

Apoiando a hipótese de que a qualidade das relações precoces entre progenitores e filhos constrói MID que persistem ao longo do tempo, Pearson, Cowen, Cowen e Cohn (1993) encontraram um grau de continuidade significativo entre as recordações das experiências precoces e os relatos sobre a qualidade das relações atuais. No mesmo sentido, Whitbeck, Simons e Conger (1991), que investigaram a influência das relações precoces pais-filhos nas mesmas relações atuais, verificaram que adultos que recordavam experiências de rejeição pelos progenitores, na infância, tinham menos probabilidade de referir relações próximas com os seus progenitores envelhecidos.

Também os estudos acerca da “fixação parental” em idosos com demência apoiam a ideia de que a vinculação aos pais persiste ao longo da vida. Neste âmbito, Miesen (1993) sugeriu que a fixação aos pais, enquanto crença de que os progenitores estão vivos, quando, na verdade, já morreram, consiste numa expressão da necessidade de se sentir protegido e seguro, propondo mesmo tratar-se de um comportamento de vinculação. Partindo desta ideia, criou um procedimento denominado Standard Visiting Procedure, para avaliar os comportamentos de vinculação e de fixação aos pais, em indivíduos institucionalizados que apresentavam demência. Os resultados obtidos mostraram que os

comportamentos de vinculação ocorriam com mais frequência nos indivíduos em fases iniciais de demência, durante as visitas de familiares e no momento de irem para a cama; a fixação aos pais ocorria mais frequentemente nos indivíduos em fases posteriores da demência. Na interpretação destes resultados, Miesen (1993) postulou que, ao diminuir os sentimentos de segurança e de proteção, a demência conduz à ativação dos comportamentos de vinculação, como forma de recuperar essa segurança. Mas com o agravar da demência, e com a consequente incapacidade para reconhecer pessoas e lugares familiares, tais comportamentos deixam de fazer sentido. Em relação à fixação aos pais, esta ocorre nas fases posteriores da demência, quando a segurança proporcionada pelos outros significativos deixa de ser possível e o sentimento de insegurança se torna permanente, como comportamento de vinculação, na medida em que, assumir os progenitores como estando vivos pode proporcionar algum sentimento de segurança. Posteriormente, estes resultados foram corroborados e alargados com a inclusão de novas variáveis, por Browne e Schlosberg (2005) e por Osborne, Stokes e Simpson (2010).

Em suma, embora haja poucos estudos sistemáticos acerca da vinculação entre filhos adultos e progenitores envelhecidos, a investigação existente sugere que a ligação entre o progenitor e o filho adulto permanece efetivamente ao longo do ciclo de vida e desempenha um importante papel nas mesmas relações na vida adulta. De facto, mesmo quando o comportamento exploratório dos filhos os leva a sair de casa e a fixarem-se em diferentes lugares, a propensão para a proximidade e o contacto com a figura de vinculação permanece, embora agora possam ser alcançados ao nível simbólico. O filho adulto pode continuar a obter e experimentar sentimentos de conforto e segurança, representando, simbolicamente, o progenitor ausente, evocando memórias anteriores de proximidade, valores, objetivos, interesses partilhados. Esta representação simbólica de contacto é, periodicamente, reforçada pela comunicação direta com o progenitor através de visitas e telefonemas. Deste modo, a vinculação aos progenitores, na idade adulta, inclui não só o desejo de estar fisicamente próximo, mas também o desejo de estimular a proximidade através de pensamentos e imaginação (Cicirelli, 1991).

Enquanto os pais permanecem razoavelmente saudáveis e com recursos, eles continuam a apoiar os filhos até à adultez tardia, funcionando como figuras de vinculação. No entanto, esta situação pode ser posta em causa ou assumir outros contornos, quando a fragilidade dos pais transparece à medida que envelhecem. Neste âmbito, pode especular-se que, se os pais se tornam demasiado frágeis para proporcionarem segurança emocional ou psicológica ao filho adulto, a base para manter a vinculação fica em causa. Assim, pode prever-se que a vinculação decline, quando o progenitor deixa de funcionar como fonte de segurança e de conforto para o filho, embora seja difícil determinar o momento a partir do qual tal acontece (Cicirelli, 1991). A nível empírico, há de facto

evidência que mostra que quando os progenitores estão deprimidos e deixam de ser capazes de proporcionar o apoio emocional que os filhos esperam da relação, a vinculação se torna menos intensa (Crose, 1994). No entanto, esta hipótese não se confirma totalmente, pois há evidência que a contraria, ao mostrar que os progenitores, mesmo frágeis e com demência, continuam a responder às necessidades de segurança emocional dos filhos, através de comportamentos e expressões de afeto (por exemplo, abraçam e dizem aos filhos que os amam) (Blieszner & Shifflett, 1989).

Outra questão que se levanta no âmbito da vinculação aos progenitores envelhecidos é se a direção das trocas de apoio se inverte, à medida que estes mostram sinais de declínio e vulnerabilidade, no sentido de os filhos se assumirem, progressivamente, como figuras de suporte dos pais.

Nesta linha de pensamento, surge a noção de proteção da figura de vinculação, que tem subjacente o desenvolvimento do comportamento de proteção ou cuidados, o qual é distinto, mas complementar ao comportamento de vinculação, na medida em que tem como objetivo preservar a existência ameaçada da figura de vinculação, e não apenas manter ou restabelecer a proximidade (Bowlby, 1979, 1980). Deste modo, embora o desejo e o comportamento de protecção da figura de vinculação se comecem a desenvolver na infância, eles intensificam-se na idade adulta, à medida que os progenitores mostram sinais crescentes de vulnerabilidade e fragilidade (Bowlby, 1979). De facto, à medida que os pais envelhecem e enfraquecem, a sua impermanência torna-se mais real para os filhos, o que os conduz a procurarem preservar ou adiar a perda da figura de vinculação e da ligação emocional que os une, através de comportamentos de ajuda e suporte (cuidados) que procuram garantir a segurança e o conforto dos progenitores (Cicirelli, 1991). Assim, “as

vulnerability to loss the parent or other attachment figure through aging and death increases in late middle age, the adult child is motivated to protect the existence of the very person who continues to provide emotional security. Through caregiving and other forms of helping behavior, the adult child seeks to delay the loss of the parent for as long as possible. Thus a threat to attachment presented by the parent’s dependency arouses a motive to protect the attached figure that in turn elicits some form of helping or caregiving behavior. To conceive of helping or caregiving as a form of protective behavior is to imply a commitment by adult children no only to provide help but to provide sustained help” (Cicirelli, 1993b, p.

145).

Deste modo, assiste-se a uma mudança na direção dos cuidados: se até à idade adulta, a direção predominante se traduz no sentido dos filhos recorrerem aos pais, posteriormente e progressivamente, a direção inverte-se, passando os pais a recorrer aos filhos, à medida que o seu estado mental e físico declina, na velhice, e que o filho adquire conhecimento, experiência e outros recursos pessoais (Ainsworth, 1989; Doherty &

Feeney, 2004; VanTilburg, 1998). Neste sentido, Merz e cols. (2008) analisaram a direcção das trocas relacionadas com o cuidar e o receber cuidados nas relações entre filhos adultos e progenitores e verificaram que, efetivamente, esta direção dependia da idade. Especificamente, os jovens adultos veem os progenitores mais como cuidadores do que como alvos de cuidado e conselho, o que pode ser considerado uma extensão do papel dos progenitores como figuras de vinculação da infância. Mas esta direção muda depois de os filhos atingirem 40 anos de idade. Quanto mais velhos os filhos e os progenitores, mais os filhos mostram interesse pelas atividades e situações respeitantes aos progenitores, e mais os progenitores consideram os filhos como fontes de apoio (Zarit & Eggebeen, 2002).

Apesar disto, os progenitores envelhecidos que procuram os filhos para obter deles apoio e conforto, podem também desejar e sentir que devem ser cuidadores dos seus filhos, e não o contrário. Se estes filhos adultos e respetivos progenitores tiverem representações seguras das relações de vinculação, esta mudança na direção preponderante dos comportamentos de cuidados na relação pode não conduzir a problemas, uma vez que as representações seguras são caracterizadas por equilíbrio e flexibilidade (Main, Kaplan, & Cassidy, 1985). Contudo, se houver inconsistências, incompatibilidades e falta de ligação interna na representação desta relação de vinculação, tanto os filhos adultos como os progenitores envelhecidos podem ter dificuldade em lidar com esta mudança na direção do dar e receber segurança e cuidados. Neste caso, podem ser reativados sentimentos antigos de rejeição, negligência e ressentimento. Os processos psicológicos que os filhos podem ter desenvolvido para repelir estes sentimentos indesejados podem dificultar o processamento de perceções, sentimentos e experiências relacionados com o cuidado que podem provocar sobrecarga e stress, o que ocorre quando pais com representações inseguras da vinculação desenvolvem relações de vinculação inseguras com os seus filhos (van IJzendoorn, 1995). As relações inseguras reforçam processos regulatórios ilusórios que são restritivos e mal-adaptativos a longo prazo, na medida em que diminuem a capacidade de os filhos processarem a informação relacionada com a vinculação (Bretherton & Munholland, 1999). Contudo, e ainda relativamente à questão da inversão do sentido das trocas de cuidados, é importante compreender que os laços entre progenitores e filhos são de natureza recíproca, sendo que a partilha de ajuda e o cuidado evoluem a partir de uma longa história de interações e de partilhas entre ambos. Deste modo, os padrões de ajuda que emergem na idade adulta e velhice têm de ser compreendidos num contexto de reciprocidade e não como inversão de papel. Dito de outro modo, dado que a reciprocidade e o cuidado mútuo são centrais para as relações de vinculação intergeracionais, a direção da relação raramente será completamente revertida (Logan & Spitze, 1996; Zarit & Eggebeen, 2002). Daqui se depreende que, embora os filhos

adultos adquiram algumas das funções da figura de vinculação relativamente aos progenitores envelhecidos, os progenitores permanecem como figuras de vinculação dos filhos. No entanto, essa função dos progenitores como figuras de vinculação pode passar a penetrar em menos aspetos da vida do filho adulto, à medida que as suas capacidades declinam (Cassidy, 1999).

Em suma, há muita evidência de que os pais envelhecidos recebem ajuda e cuidado por parte dos filhos adultos. Deste modo, a questão não é se os filhos adultos cuidam dos pais, mas se a vinculação em relação ao progenitor está relacionada com tal cuidado.