STRUCTURE ORTHOTROPE RAIDIE DANS DEUX
III. A. Vers une structure orthotrope raidie dans deux directions
A gestão da iniciativa era essencialmente feita a partir do escritório, por e-mail, telefone ou presencialmente, mediante reuniões, encontros de debate e workshops. O Gestor A passava grande parte do tempo no escritório d’O Nosso Km², sendo que a presença do Gestor B e C não tinha uma regularidade com dias e horários certos. Havia uma reunião de equipa em que cada um apresentava as suas atividades à equipa de gestão. O Gestor D esteve grande parte do tempo ausente, em licença de maternidade.
Intrínseca à gestão estava o conceito GovInt, que se expressa “(…)num gradiente de menor a maior
integração, da simples partilha de informação, à cooperação, à colaboração e até, nalguns casos, à fusão. Não é um caminho simples, nem fácil, mas parece ser o modelo mais adequado à sociedade em rede e aos seus problemas complexos.” (Marques et al, 2013: 6). Sendo ainda de destacar a ideia
preconizada pelos autores de que “Este modelo organiza a sua abordagem em torno de temas, territórios, públicos‐alvo ou serviços integrados (…)” (Marques et al, 2013: 6), sendo a promoção da
participação essencial, assim como a coordenação de diversas organizações. A mudança para a GovInt ensina‐se, aprende-se, estimula-se e treina-se, ocorrendo por isso de forma vantajosa e com contributos para todos os que se interessem, sendo também por isso as tecnologias de informação e comunicação essenciais. (Marques et al, 2013: 7-9). Como principais bloqueios à GovInt estão identificados pelos autores a “(…) cultura burocrática e dificilmente desmantelável, a que se acresce a
proteção da «minha quinta», do «meu orçamento», o medo de perder poder ou a falta de conhecimento sobre uma visão global dos problemas complexos. Também a desconfiança militante, a gestão de interesses e o espaço de expressão de protagonismos não facilitam.” (Marques et al, 2013: 6-7)
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As redes
Construir pontes e relações, criar, desenvolver e manter redes eram terminologias recorrentes do dia- a-dia. É dado um exemplo de um diagrama de uma das redes abaixo.
Como é possível verificar, a rede desenvolve-se em torno de uma ação. Os pontos de maior destaque referem-se à criação da Passa Sabi, à implementação do Festival da Ponte, à criação do Centro Empresarial do Rêgo (CER) e à candidatura do Bip Zip. Todos estes projetos serão explicados individualmente mais à frente.
Legenda: Diagrama representativo das relações institucionais criadas a partir da atividade d’ O Nosso Km² 58
Por agora é importante atentar no fato que as redes não se desenvolvem em torno dos problemas a gerir, nem do território, mas sim em torno de ações e projetos criados. O Festival da Ponte e a candidatura Bip Zip [COM]unidade são efemeridades na sua execução, embora tenham como objetivo a apropriação pela população. Assim a questão da ação concertada entre atores no âmbito de projetos deste género não quer efetivamente dizer que exista uma rede formal orientada por valores comuns e partilhados, considerado essencial no desenvolvimento de uma cultura de território, sendo pelo contrário um grupo de trabalho organizado em prol da implementação de determinado projeto. No final do projeto não é garantido que se perpetue a colaboração, nem que essa passe a ser a forma de atuação do e no território.
Quando se entra no detalhe da rede do Festival da Ponte, observa-se que a rede é construída tendo em conta as contribuições de cada uma das organizações para a implementação do mesmo.
58 Fonte: Relatório Intercalar 1º Semestre 2015, de 6 de julho de 2015, sendo que na página 2 no âmbito do
ponto 1.2 Abrangência é referido: Este relatório relata as atividades desenvolvidas no âmbito do projeto O Nosso Km2, organizando‐as pelos problemas sociais que se pretendem trabalhar: Isolamento e solidão dos idosos; Desemprego jovem e feminino; Insucesso e absentismo escolar e a conflitualidade interétnica e intergeracional. Sendo um projeto piloto do GovInT, dá‐se uma especial atenção à criação de redes e ao seu funcionamento integrado.
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Legenda: Diagrama representativo das relações institucionais criadas a partir da atividade d’ O Nosso Km² 59
A opinião do Colaborador 1, relativamente às redes e aos diagramas apresentados é clara: “(…) isso
para mim só vejo manchas, são coisas que eu não consigo perceber (…) fez-se uma reunião faz-se um risco (…) isto para mim não é rede (…)60
Ainda relativamente às redes, foi levado a cabo um estudo pela Logframe61 para averiguar qual a
perceção existente nos parceiros da iniciativa, no que toca ao trabalho em rede e às redes em si. A FCG responde à minha observação sobre o assunto da forma descrita abaixo:
Entrevistador: “Eu tinha alguma curiosidade relativamente ao trabalho do Consultor 162 porque esta
questão da rede é uma coisa que me passa completamente ao lado. Portanto eu não sei com quem é que eles conversam ou falam diariamente.”
Colaborador 1: “ (…) com quase ninguém. A conclusão do Paulo é que eles não falam com quase ninguém (…)”63
Veja-se que muito do que é descrito no âmbito da GovInt parece estar presente, mas a operacionalização de como a própria rede vai sendo construída parece resultar num conjunto de atores que não reconhecem a GovInt como uma forma permanente para a ação coletiva e não momentânea.
59 Fonte: Relatório Intercalar 1º Semestre 2015, de 6 de julho de 2015 (manuscrito não publicado).
60 Fonte: Entrevista não estruturada concedida pela FCG, [jun. 2015]. Entrevistador: Raquel Ortas Rodrigues.
Lisboa, 2015. 1 arquivo. wma (75 min.)
61 A Logframe é uma empresa de consultoria e formação dedicada ao setor social, contratada pela FCG para
fazer o estudo relativo às redes, no âmbito da iniciativa.
62 Em substituição do nome verdadeiro.
63 Fonte: Entrevista não estruturada concedida pela FCG, [jun. 2015]. Entrevistador: Raquel Ortas Rodrigues.
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Colaborador 2 do Promotor 2: “(…) nas palavras do Gestor A nós não temos ação direta nós criamos
relações entre as organizações, mas depois não se focam nas relações com as organizações (…)”64 Já no âmbito de uma conversa informal com o Consultor 1, autor/coordenador do estudo em questão num café em Campo de Ourique, e também via telefónica foi referido que, depois de ter sido feito o levantamento de informação, a conclusão a que chega é que não existe uma noção de rede nas entidades com quem a equipa gestora trabalha ou a capacidade de identificar a que rede poderão pertencer.