STRUCTURE ORTHOTROPE RAIDIE DANS DEUX
III. D. Rayonnement acoustique d’une structure raidie
Em 1999 a passagem de nível que unia as duas partes da então Freguesia de Nossa Senhora de Fátima divididas pela linha férrea, foi substituída por uma passagem pedonal sobrelevada para os peões e por um túnel para os veículos.
Esta passagem pedonal é sentida como uma barreira não apenas física, mas também social, tendo sido este o mote para o Festival da Ponte.
O Festival da Ponte foi uma ideia do Externo B, do PARCEIRO 1 e apresentado pelo mesmo à FCG.
De acordo com o Gestor A o Festival da Ponte foi o que permitiu dar um salto qualitativo no projeto.
“(…) Depois o Externo B67 teve a ideia genial de se fazer o primeiro Festival da Ponte (…) o Externo B
teve esta ideia como um momento agregador, de fazer funcionar a relação entre as pessoas, entre as instituições, etc, etc, etc, foi num mês e meio que nós montamos, foi uma loucura completa, mas foi assim um salto qualitativo gigante em termos de qualidade relação com as instituições, qualidade relação com as pessoas (…) mas as pessoas de repente perceberam nós estamos cá para trabalhar com elas, para fazer coisas giras com elas (…) quiseram logo fazer o dia do cigano (…) portanto essa visão que o Externo B teve que é preciso assim um elemento que empurrasse, motriz de criar e consolidar relação foi fabuloso (…) de facto deu um salto qualitativo enorme e do Km² estar imerso na
66 Respostas de Luigi Martignetti dadas por e-mail a 19 de outubro de 2015. 67 Em substituição do nome da pessoa em questão.
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população e na freguesia. O segundo foi 10 vezes melhor, porque quer dizer a tendência é vir a crescer e qualquer dia estamos a fazer no Campo Pequeno…”68
A ideia do Festival não partiu da comunidade e, com conhecimento desse facto por parte da FCG, a ação foi aprovada. Do ponto de vista simbólico o Festival fazia todo o sentido para a FCG, mas com a noção que esta iniciativa não é O Nosso Km², trata-se apenas de uma iniciativa:
“(…) Ele veio aqui quando eu lhe pedi para pensar no assunto, ele veio aqui e apresentou-me essa ideia. Como sendo uma ideia que tinha um simbolismo e que seria um bom ponto de partida para fazer eco de uma ideia de projeto e portanto chamar um conjunto de entidades em torno de uma festa. E eu para mim isso podia fazer sentido. E na altura fez todo o sentido (…) Então vamos arrancar (…) em vez de fazermos uma sessão de lançamento aqui na FCG com três discursos, fazemos uma coisa na rua, uma coisa virada para as pessoas tentando envolver as organizações todas possíveis e imaginárias e fazia todo o sentido. A ideia da ponte era a ligação. Era criar uma ponte entre pessoas entre organizações. Portanto tudo simbólico (…) mas para mim isto era um pretexto de arranque e depois até se podia ser institucionalizado mas não era o Projeto. Isto não é o projeto. Isto é uma coisa menor (…)”69
Este seria o mote do Festival da Ponte, já que a realidade da freguesia e do Bairro de Santos ao Rêgo também mudou muito desde a inauguração desta Passagem Pedonal, em 1999. O Bairro cresceu em dimensão física e, sobretudo, em novos desafios e novas sociabilidades. Os novos moradores trouxeram com eles e acrescentaram novas preocupações, mas também novas possibilidades de enriquecimento da vida do bairro, dos seus residentes.
“(…) O Festival da Ponte, nesta primeira edição, sintetizou a vontade de uma equipa, moradores, instituições, entidades públicas e privadas em mostrar o talento de se darem a conhecer, de serem capazes de partilhar saberes, muitos talentos, de aproximar dois lados motivados, a ultrapassar barreiras.”70
Tive a oportunidade de experienciar esta enorme organização, que mobiliza um grande número de entidades, assim como conhecer os seus colaboradores e utentes. Para citar alguns exemplos, o agrupamento de escolas e os seus alunos, os centros de dia, o Movimento em Defesa da Vida (MDV), o Instituto Condessa de Rilvas (Rilvas) e seus utentes, a PSP, o Refood, entre muitas outras.
A coordenação realizada pela equipa de gestão foi exemplar e a equipa em si incansável. Graças a isso, o Festival da Ponte foi um momento alto de colaboração entre organizações.
68 Fonte: Entrevista não estruturada concedida Gestor A, colaborador do Parceiro 1, [jul. 2015]. Entrevistador:
Raquel Ortas Rodrigues. Lisboa, 2015. 2º de 3 arquivos. wma (28 min.)
69 Fonte: Entrevista não estruturada concedida pela FCG, [jun. 2015]. Entrevistador: Raquel Ortas Rodrigues.
Lisboa, 2015. 1 arquivo. wma (75 min.)
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Depois do festival houve uma reunião com algumas das organizações envolvidas, visando a avaliação do Festival. No entanto, após essa reunião, raramente vi, ouvi ou falei com os intervenientes na organização do Festival da Ponte 2015. Para além disso, também não tive acesso ao trabalho de
backoffice levado a cabo pela equipa de gestão, desconhecendo a existência ou natureza de outros
trabalhos ou colaborações eventualmente em curso.
Após o Festival da Ponte 2015
Após a iniciativa fizeram-se duas visitas ao mercado. Numa delas fui sozinha e conversei livremente com os comerciantes e com um funcionário da Junta de Freguesia das Avenidas Novas. Na segunda visita fui juntamente com o Gestor B, que levava perguntas pré-definidas para colocar aos comerciantes.
Na minha visita a sós, disseram-me que estavam felizes por terem visto tantas pessoas no mercado, porém referiram que gostariam também de ter tido a oportunidade de nesse dia fazer um pouco mais de negócio, coisa que não foi possível por haver comida e bebida a ser vendida no âmbito da festa. Este fato acabou por prejudicar o negócio dos comerciantes do mercado. No entanto, no geral a avaliação veiculada foi de que correu bem e foi bom. Referiram ainda que, dando sequência, outras atividades poderiam e deveriam ser pensadas, tendo sido pedida ajuda para dinamizar os Santos Populares no mesmo local. Referi que não sabia o que podia ser feito, mas que iria averiguar e voltaria com uma resposta.
Aquando da visita com o Gestor B, o tempo de conversa foi mais curto e mais incisivo nas perguntas previamente estabelecidas. Todos disseram que a iniciativa tinha sido muito boa e que mais deveriam ser feitas.
Mais tarde, expliquei a iniciativa ao técnico de RST®, sendo que a resposta foi:
“De facto, esta é uma iniciativa muito interessante para informar os cidadãos das atividades das instituições; e por isso, merece toda a atenção.
Ainda assim, existem muitas iniciativas informativas por toda a Europa, mas que nada têm a ver com a RST®. Como sabes, para se dar início a um processo RST®, primeiro devem-se conhecer quais os valores dos cidadãos e de acordo com os mesmos e depois validar se as iniciativas vão ao encontro desses valores.
O Festival pode ser, no âmbito de uma abordagem RST®, um evento público no qual – neste caso – uma autoridade pública em que o mesmo vai ao encontro do que são os valores da população da Freguesia.”71