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CARACTERISTIQUES SPECIFIQUES

I. A. Conception générale du piano

Está intrínseco no discurso de Rittel e Webber (1973), Weaver (1948), e ainda Hieronymi (2003) que os problemas são sistemas, sendo que Bertalanffy (1968: 33-34) definiu um sistema como “(…) complexos de elementos que estão em interação (…)”, mencionando ainda que os métodos da ciência

clássica foram apropriados para fenómenos cujas variáveis eram passíveis de isolar ou de trabalhar por meios estatísticos, mas que o modo de pensar da ciência clássica falha em casos de interação de um grande e limitado número de elementos ou processos, já que esses problemas têm intrínsecas noções de wholeness, de organização, e que por isso exigem novas formas de interpretação e de pensar. A contribuição de Parsons (1991: 3) é importante porque permitirá um enquadramento dos problemas perversos enquanto sistemas sociais de ação, ao definir inicialmente o que é sistema social23 e colocando-o como uma das partes de um sistema social de ação.

Ou seja, se por um lado Bertalanffy acrescenta e refere que o pensamento sistémico consegue lidar com problemas caracterizados pelas relações estabelecidas entre as suas variáveis, Parsons coloca- nos na antecâmara de interpretar esses problemas como sistemas sociais de ação, por referir que é essencial a existência de um contexto, de um sistema cultural comum e de atores motivados, sendo esse sistema relacional o sistema social de ação (Parsons, 1991: 364).

A grande importância desta ideia de Parsons prende-se com a possibilidade dos problemas perversos serem interpretados como sistemas sociais de ação: ou seja, como o próprio problema ser a solução.

E neste ponto é possível reportarmo-nos a algumas das ideias de Rittel e Webber (1973), no que diz respeito às características dos problemas perversos. Vejamos que os autores referem que a compreensão e a resolução de um problema perverso é concomitante e só quando se o tenta definir e

23 De acordo com Parsons (1991: 3) um sistema social consiste numa pluralidade de atores individuais em

interação uns com os outros, numa situação em que pelo menos existe um aspeto físico ou contextual e atores motivados, cuja ação para as suas situações se vão incluindo uns aos outros sendo essa ação mediada e definida em termos do seu sistema cultural estruturado por símbolos partilhados.

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se vão encontrando algumas das causas do mesmo é que se compreendem que são essas as causas da diferença entre o “ser” e o que “deveria ser” (Rittel e Weber, 1973: 161).

Para além disso “(…) A informação para compreender o problema depende da ideia de cada um para o resolver (…)” (Rittel e Webber, 1973: 161). Logo, também o processo de formular o problema e de

conceber a solução (ou resolução) são idênticos, uma vez que a especificação do problema é também a especificação encontrada pelo(s) analista(s) para a solução.

Assim, se um problema perverso é um problema de complexidade organizada e um sistema social, é também ele um sistema social de ação, até porque na “(…) teoria da ação o ponto de referência de

todos os termos é a ação de um ator individual ou de um coletivo de atores (…) a pluralidade organizada de tais orientações de ação constitui um sistema de ação.” (Parsons, 2007: 4-5)

Resumindo, o que até aqui foi descrito, conduz à ideia da existência de uma estrutura relacional organizadora de múltiplas variáveis num todo, o que é a principal característica que diferencia os problemas perversos dos problemas lineares, que são por isso problemas de complexidade organizada (Weaver: 1948).

Esta ideia conduz à ideia de organização e à noção do todo, em que as variáveis, por se relacionarem e não estarem isoladas, não são passíveis de retirar do todo, de abordar isoladamente e voltar a colocá- las no todo. Logo, quando se fala em problemas perversos/complexidade organizada, fala-se de sistemas constitutivos (Bertalanffy: 1968).

Nestes sistemas as variáveis são os atores em si e as relações são então as relações sociais estabelecidas no âmbito do sistema. Desta forma os problemas perversos são sistemas sociais. Esta ideia de problema perverso enquanto sistema social já estava implícita no discurso de Rittel e Webber (1973: 160), sendo que o sistema social é um sistema em que o que o define são os problemas advindos das relações sociais entre atores (Parsons: 1991). Estes atores, em constante relação uns com os outros, apesar de serem parte do mesmo sistema social, têm a sua própria conduta de ação, sendo a sua ação perante determinada situação dirigida de acordo com essa conduta.

Porém se a ação for concertada e se existirem princípios, ou um sistema cultural comum e partilhado, que direcione todos os atores em relação para uma ação concertada, mais do que um sistema social, o problema pode ser um sistema social de ação. Isto porque quando num sistema social existe um sistema cultural, ou seja, quando existem princípios, ou valores comuns entre atores que direcionam a ação de todos estaremos perante um sistema social de ação.

Segundo a perspetiva de Parsons (1991: 182), um sistema social de ação caracteriza-se por ter “(…)

um sistema de processos de ação interdependentes (…)” cujo foco está nos processos equilibrantes

das suas relações num determinado contexto ou situação, sendo que todas as relações sociais são de importância primordial. Para tal acontecer é necessário que exista uma cultura partilhada e absorvida por todos os atores, que permita o equilíbrio. “É este sistema relacional que é o sistema de ação (…)” (Parsons, 1991: 408).

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Ou seja, se um problema perverso é um sistema social, mediante um sistema cultural comum e partilhado parece poder ser um sistema social de ação. Parece, que no problema está a sua própria solução.

Parsons (2007: 56-57) refere ainda que são três os componentes no quadro de referência da teoria da ação. Este quadro envolve: (1) atores, (2) a situação de ação e (3) a orientação do ator nessa situação, sendo essa orientação do ator o tal sistema de valores, cultural.

Estas ideias e estes três componentes são facilmente identificáveis nas características dos problemas perversos descritas por Rittel e Webber.

Vejamos, por exemplo, que não é possível compreender o problema sem se conhecer o seu contexto; não se consegue procurar significativamente informação sem a orientação de uma conceção de solução; não se pode primeiro entender e depois resolver. Logo na primeira característica encontramos os três componentes.

Mas, imediatamente mais à frente, é evidente a questão da estrutura relacional quando Rittel e Webber referem que o processo de solucionar um problema é idêntico ao processo de compreender a sua natureza, porque não existem critérios suficientes para uma compreensão plena e porque não há um fim na cadeia causal que liga as variáveis no sistema. Como em todas as relações, se for feito um esforço, poder-se-á sempre operar mudanças, cabendo ao ator parar quando considerar que se atingiu um estado aceitável (1973: 161-162).

Um problema perverso enquanto sistema social de ação terá intrínseco um sistema de valores e princípios comuns que têm o mesmo significado para todos os atores e serão o meio para a comunicação e ação entre os diferentes atores.

Quando isto acontece pode-se falar de uma cultura que faz parte do sistema de ação dos atores relevantes para a situação (Parsons, 1991: 46), sendo que apenas quando os “(…) sistemas de

interação de uma pluralidade de atores individuais estão orientados para uma situação e onde o sistema inclui um entendimento comum do sistema cultural de símbolo.”, é que estamos perante um

sistema de ação.

Assim, e mesmo que os problemas perversos sejam sistemas sociais de ação porque na descrição das suas características reúnem todos os elementos e ideias até aqui descritas, não passarão de sistemas de ação em potencial, se não reconhecerem uma cultura comum através da qual conduzir a sua ação.

Vejamos, por exemplo, que enquanto o IEFP encarar como sua principal função aferir e “policiar” que todas as pessoas que estão em situação de desemprego e a receber o subsídio de desemprego efetivamente enviaram o número mínimo de currículos, em determinado período de tempo, a probabilidade do número de pessoas em situação de desemprego diminuir poderá não sofrer alterações.

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Os problemas perversos como problemas de complexidade organizada, como