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SOUTHEAST ASIAN REGIONAL SECURITY OF RADIOACTIVE SOURCES PROJECT

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4. SOUTHEAST ASIAN REGIONAL SECURITY OF RADIOACTIVE SOURCES PROJECT

Quando o processo de desenvolvimento da linguagem de uma criança ocorre de maneira natural, até por volta de 5 anos, ela percebe quais os sons usados em seu ambiente e como eles estão organizados; já possui, portanto, o sistema completo de contrastes de sons, conseguindo produzi-los de maneira adequada. Mas, muitas vezes, esse desenvolvimento acontece de forma atípica, causando muita preocupação aos pais e professores.

Yavas, Hernandorena e Lamprecht (1991) afirmam que a publicação da obra clássica de Ingram (1976) motivou o interesse por estudos sobre desvios de fala em crianças com base em uma perspectiva linguística. Segundo Ingram (1976), os termos usados para designar os problemas fonológicos que afetam essas crianças foram: ‘desordem’, ‘desvio’, ‘inabilidade’, ‘disfunção’.

Redução dos Encontros Consonantais Redução da Consoante Final Redução da semivogal Elisão das Sílabas Fracas Confusão das Líquidas Confusão das Fricativas Ensurdecimento Anteriorização Confusão das Laterais Redução do /r/ Palatalização Fonética Glotalização Oclusivização Assimilação Reduplicação Supernazalização Confusão das Vogais Médias

Período normal de ocorrência Período máximo de ocorrência 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5 5 Estágio I (1;6 - 2;0) Estágio II (2;0 - 2;6) Estágio III (2;6 - 3;0) Estágio IV (3;0 - 3;6) Estágio V (3;6 - 4;0) Estágio VI (4;0 - 5;0)

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Para Teixeira (1990), o termo ‘dislalia’, amplamente utilizado até meados da década de 60 do século passado na Europa e nos Estados Unidos, caiu em desuso por ser utilizado de forma indiscriminada para classificar todo tipo de desordens articulatórias não orgânicas. Mas, com o surgimento dos primeiros estudos linguísticos, “os ‘erros’ de fala passaram a ser descritos em termos de padrões sistemáticos, e a patologia recebeu novos rótulos, tais como ‘desordem lingüística do tipo fonológico’ (Pollack ; Rees 1972), ‘desordem fonológica’ (Panagos 1974) e ‘desabilidade fonológica’ (Ingram 1976)” (TEIXEIRA, 1990, p. 212-213).

Segundo Grunwell (1981), desvio fonológico é uma desordem linguística que se manifesta pelo uso de padrões anormais na fala, afetando o nível fonológico da organização linguística e não a mecânica de produção articulatória da fala. A autora enumera algumas características presentes na fonologia com desvios: fala espontânea ininteligível numa criança com mais de 4 anos, audição normal para a fala, ausência de anormalidades anatômicas ou fisiológicas nos mecanismos de produção da fala, compreensão e capacidades intelectuais adequadas, léxico e sintaxe dentro da normalidade e exposição adequada à língua.

Melo (2010), em pesquisa sobre a interferência de processos fonológicos na escrita de crianças com dislexia, ressalta que as “inabilidades de fala que podem estar presentes em disléxicos não devem ser consideradas como simples desvios fonológicos, pois fazem parte de um distúrbio constitucional, que envolve uma ampla sintomatologia além daquela manifestada na fala” (MELO, 2010, p. 34). A autora afirma, também, que “a existência da disfunção neurológica nos disléxicos constitui-se em um critério de exclusão para o diagnóstico de desvio fonológico” (MELO, 2010, p. 34).

Com o objetivo de apresentar uma descrição concisa das características da fonologia com desvios e das diferenças entre o desenvolvimento fonológico normal e com desvios, Stoel-Gammon (1990, p. 26-28) apresenta, no inglês, uma lista das características encontradas usualmente nas fonologias de crianças identificadas como tendo desvios, como segue:

a) Conjunto restrito de sons da fala – caso em que uma criança com cerca de 3-4 anos produzirá só consoantes oclusivas, nasais ou glides e um conjunto limitado de vogais;

b) Estruturas limitadas de sílabas e de palavras – as restrições mais típicas quanto à estrutura silábica são a falta de encontros consonantais e de consoantes finais, deixando V (vogal) e CV (consoante-vogal) como os tipos de sílabas predominantes;

c) Persistência de padrões de erros – quando se trata de crianças com desvio, os processos fonológicos de apagamento de consoante final, reduplicação, anteriorização de

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velares, apagamento de sílaba átona, sonorização pré-vocálica e assimilação labial, velar e nasal persistem muito além das faixas etárias apropriadas;

d) Desencontro cronológico – embora haja uma sequência razoavelmente regular para o desaparecimento de tipos de erros, há casos de crianças com desvios fonológicos que apresentam um sistema fonológico avançado em alguns aspectos, mas atrasado em outros, como produzir uma série completa de encontros consonantais em posição inicial sem ter consoantes finais;

e) Tipos incomuns de erros – considerando que, no momento da pesquisa, esse tópico necessitava de mais estudo, a autora explica que são tipos de erros que só ocorrem raramente na fala de crianças com desvios fonológicos e, na criança normal, por um breve período de tempo. Ex.: substituição atípica ou padrões de apagamento, como o apagamento de consoante inicial, substituições glotais, erros persistentes nas vogais;

f) Variabilidade ampla; porém, falta de progresso – “em sujeitos com desenvolvimento normal, esse fenômeno é associado, geralmente, com avanço fonológico, à medida que o sistema é reorganizado, ou com melhoramento na acuidade, à medida que formas incorretas mais antigas variam com formas novas, mais corretas” (STOEL- GAMMON, 1990, p. 28). Em crianças com desvios fonológicos, a variabilidade ocorre sem nenhum avanço aparente nos níveis fonético ou fonológico, casos em que a variabilidade parece ser um traço inerente aos sistemas fonológicos dessas crianças.

Ingram (1976) já fizera referência, por exemplo, ao “desencontro cronológico” para explicar que crianças com padrões fonológicos desviantes podem também utilizar processos não encontrados na aquisição normal. Dessa forma, o sistema da criança com desvio pode diferir do sistema de uma criança com desenvolvimento fonológico normal.

Yavas, Hernandorena e Lamprecht (1991) estudaram, em língua portuguesa, alguns desses processos que não são encontrados na aquisição normal e que crianças com desvios podem apresentar:

a) Nasalização de líquida – ocorre quando há substituição de líquidas por nasais. Ex.: GARRAFA  [kanaf];

b) Africação – ocorre quando há substituição de uma fricativa por uma africada. Ex: AÇÚCAR  [atuk];

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c) Desafricação – ocorre quando há substituição de uma africada por uma fricativa. Ex.: TIA  [i];

d) Plosivização de líquida – ocorre quando há substituição de uma líquida (lateral ou não lateral) por uma plosiva. Ex.: RELÓGIO  [xegu];

e) Semivocalização de nasal – ocorre quando há substituição de uma nasal por uma semivogal. Ex.: CAMA  [ky].

Ressalta-se, também, a tese de doutorado de Teixeira (1985) como o primeiro trabalho a utilizar os processos para realizar análise dos desvios fonológicos no português, bem como os trabalhos de Valenzuela (2007) e Oliveira (2009), que abordaram, respectivamente, o diagnóstico diferencial entre desvio fonético e desvio fonológico e a avaliação da consciência fonológica em portadores de desvios fonológicos.