LANÇAMENTO
Para que o vídeo “IRENE” pudesse ganhar corpo e contar a sua história era necessário estabelecer algumas parcerias que permitissem uma edição e finalização adequadas à proposta do grupo. Esta parceria acontece por intermédio do professor Dr. João Alegria, gerente de Programação, Jornalismo e Engenha- ria do Canal Futura, Fundação Roberto Marinho, que disponi- biliza os recursos necessários para a montagem do curta-me- tragem. Assim, após terminar a captação das imagens para o filme, Daniel Oliveira, editor de imagem contratado pelo Canal Futura, começou a montagem e finalização do vídeo. Essas etapas foram coordenadas por mim, de forma a garantir a fideli- zação da narrativa quanto à concepção audiovisual do grupo. A narrativa do curta-metragem “IRENE” foi imaginada através da metáfora entre o texto de Ítalo Calvino, “As Cidades e o
Nome” e a Comunidade Santa Marta. O encadeamento das
imagens em movimento contava o dia a dia da comunidade, as atividades diárias, o trabalho, a brincadeira, o ir e vir dos mo- radores e o projeto arquitetônico que caracteriza a comunidade. Fiel ao texto de Ítalo Calvino, a narração do texto deu à história, a unidade idealizada pelo Núcleo de Mídia, traduzida também através da trilha sonora e da interpretação dos personagens principais, IRENE, vivida por Jeane Oliveira e Marco, por David Castro, ambos moradores da comunidade Santa Marta.
A culminância do projeto aconteceu com o lançamento de “IRE- NE” em outubro de 2010. O evento ocorreu na quadra do Grupo Recreativo Escola de Samba Mocidade Unida do Santa Marta, com a presença de moradores da comunidade; do diretor do Canal Futura, João Alegria; de representantes do Instituto Edu- cação, idealizadores executivos do projeto e convidados. O cartunista, chargista, dramaturgo, escritor, e jornalista brasileiro, Ziraldo, foi o convidado especial da noite. Em conjunto com João Alegria, Ziraldo foi responsável por entregar os certificados aos participantes e provocar um diálogo com o grupo sobre o trabalho desenvolvido. Diante do público presente, foram analisadas as principais questões que envolvem a concepção e elaboração de uma narrativa audiovisual, desde a criação do roteiro até a sua finalização. O objetivo do encontro era dar visibilidade à produção do grupo,
com a exibição do curta-metragem e também, propor uma reflexão avaliativa ao processo de construção da narrativa. Durante a discussão os estudantes expuseram suas ideias ao conceber o vídeo, as principais dificuldade e conquistas. A im- portância do envolvimento e construção de significados durante o processo criativo foi debatido principalmente com o escritor Ziraldo e o funcionamento de um canal televisivo, assim como as etapas para a construção de um produto audiovisual com o diretor e professor João Alegria. Mediados pelos convidados, por mim e pelo compositor André Lamounier, os participantes falaram das etapas vivenciadas, ouviram opiniões, indagaram curiosidades da vida profissional das personalidades presentes e avaliaram a intervenção na comunidade.
Considerações Finais
A intervenção pedagógica vivenciada na Comunidade Santa Marta nos meses de janeiro a outubro de 2010 permitiu, atra- vés da experiência, refletir sobre a capacidade interativa, o grau de envolvimento, o desenvolvimento do pensamento crítico e a percepção do erro/acerto dos participantes durante o progresso das atividades propostas.
Na tentativa de entender de que forma o uso da linguagem audiovisual pode contribuir para a formação da identidade dos jovens no espaço comunitário, e em que condições a aprendizagem se processa, tendo o uso do vídeo como ferramenta pedagógica, objeto de estudo e mediação do conhecimento, foram analisados a conduta, o grau de
envolvimento e o desenvolvimento do pensamento crítico dos participantes durante os debates.
A primeira percepção deste estudo refere-se à sensibilização do grupo para o desenvolvimento do projeto. Estimular jovens, entre 11 e 15 anos idade, a participarem de oficinas midiaedu- cativas durante o verão carioca não foi tarefa fácil. Tradicional- mente, o primeiro mês do ano no Rio de Janeiro caracteriza-se por férias escolares (férias de verão), e nenhum jovem está predisposto, neste período, a se envolver em atividades que os remetessem à escola. Por isso, era necessário cativá-los de for- ma que eles não apenas se interessassem em integrar o grupo, mas também, tivessem o desejo de permanecer na equipe até o fim do projeto.
A tática utilizada para que houvesse maior engajamento dos jovens no desenvolvimento das oficinas de vídeo na comuni- dade foi deixar claro aos participantes o objetivo da oficina, a metodologia empregada durante as atividades e a finalidade do
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projeto (desenvolvimento de um produto audiovisual). A trans- parência durante a abordagem com o grupo deu ao projeto, a credibilidade necessária para intervir na comunidade.
Outro ponto importante para o sucesso da ação estava na con- cepção do tema que embasaria a produção do vídeo. Estava claro, desde o início da intervenção, que não era possível de- terminar um tema para a produção audiovisual, cujo interesse estivesse muito aquém das perspectivas do grupo. A decisão encontrada foi dar ao próprio grupo a autonomia para a con- cepção da ideia e argumento do filme, garantindo a construção de sentido, a emancipação do pensamento reflexivo e a capaci- dade de expressão e comunicação.
Tendo como base essas premissas, foi possível estabelecer um plano de ação que priorizasse a autonomia dos participantes durante as atividades, o convívio amigável, voltado para a troca de experiência, a unidade grupal e o trabalho em equipe. A primeira ação foi dar ao grupo um nome que os
identificasse e os unisse em prol de um objetivo. Assim, os participantes do projeto passaram a responder pelo nome de Núcleo de Mídia Santa Marta. Essa estratégia garantiu importância e pertencimento aos integrantes, o que facilitou o desenvolvimento das atividades.
A iniciativa na comunidade a partir daí, teve como característi- cas: o trabalho em equipe; a troca de ideias constantes; a coo- peração; a autonomia; a integração; e a mediação pedagógica baseada na interlocução comunicacional. Nos momentos de falta de estímulo, cabia ao próprio grupo criar estratégias, junto ao mediador pedagógico, para garantir a partilha de ideias e o bom desenvolvimento das tarefas.
Ao avaliar a intervenção na comunidade Santa Marta, algumas condições foram percebidas como necessárias para a formação da identidade dos jovens no espaço comunitário, tendo o uso da linguagem audiovisual como meio de comunicação, expres- são de ideias e construção de sentido. São elas: a) imersão b) interatividade; c) ética; d) simulação.
a) imersão: a imersão refere-se ao grau de envolvimento emocional e intelectual dos estudantes durante as tarefas. Ao dar ao grupo a autonomia para a escolha do tema da narra- tiva audiovisual, garantimos a sensação de pertencimento e damos a importância adequada a cada um dos integrantes no desenvolvimento das atividades. Além disso, o caráter lúdico e prático que caracteriza a captação de imagens e a construção da narrativa audiovisual torna a tarefa prazerosa, divertida e carregada de sentido, sendo capaz de promover o envolvimen-
to emocional – fator fundamental para que o conhecimento não seja efêmero e se mantenha ao longo do tempo, valorizando-se a curiosidade, a autonomia e a atenção permanentemente.
b) interatividade: a interatividade e sua natureza participativa facilitam a aprendizagem baseada na convivência. Ao produzir um produto audiovisual, o estudante aprende a trabalhar em equipe e constrói novos significados a partir da reflexão crítica acerca do que vê, ouve e sente durante o processo comunica- cional. Isso acontece porque está, justamente na capacidade relacional do sujeito com o saber, a construção do sentido, a transformação da informação em conhecimento e a aprendiza- gem significativa. O saber, como resultado de um processo co- municacional, amplifica e complexifica o olhar dos sujeitos acer- ca do mundo. Motivados pelo desejo de aprender, interlocutores relacionam-se entre si, com o mundo que os cerca e consigo mesmo em busca de sentido para suas indagações e reflexões. Conjugam, em uma Sociedade em Rede, a ideia de democra- cia participativa, no qual o processo relacional fundamenta-se no poder dissociado, diluído em rede e comum a todos.
c) ética: ao provocar a reflexão dos conteúdos inseridos nas produções audiovisuais e propagados pelos meios de co- municação, o pensamento autônomo e crítico é estimulado, a sensibilidade é desenvolvida, assim como também o é, o sentido ético e estético, a responsabilidade pessoal, a imagi- nação, a criatividade, a iniciativa e o crescimento integral da pessoa em relação à inteligência. O uso do vídeo na formação dos estudantes, nas perspectivas midiaeducativas, fornece as condições necessárias para que o estudante exerça a ética e se posicione crítica e competentemente frente às mais diversas situações do cotidiano.
d) simulação: através da simulação é possível examinar a informação adquirida, testar hipóteses, experimentar novas possibilidades, viajar em busca de soluções, acertar e errar sem medo, buscar, na vivência essencial para a aprendizagem baseada no fazer, o confronto entre teoria e prática. O uso do vídeo no processo formativo permite a experimentação reflexi- va; o contato com o novo e o aprender a fazer.
Conclui-se com este estudo que o uso do vídeo nos processos formativos, quando usado na perspectiva instrumental,
reflexiva e produtiva, pode promover a aprendizagem, o desenvolvimento do pensamento crítico e a formação da identidade dos jovens no espaço comunitário. Entretanto, para que isto aconteça, é necessário garantir um espaço
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colaborativo e participativo durante o desenvolvimento das tarefas, o envolvimento, a experimentação de hipóteses, o testar das ideias e a interação com o meio em busca do conhecimento construído, do pensamento crítico-reflexivo e da atitude cidadã. Também foi possível observar que para a construção de uma identidade comunitária é importante fomentar ao grupo a sensação de pertencimento. Somente através desta sensação é possível resgatar a autoestima, o estímulo para o aprender, o desejo de afetar (no sentido de provocar, instigar, buscar, descobrir), o respeito, o pensamento crítico e o convívio de forma solidária.
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Resumo
Abstract
Desenvolvido em 2010 pelo Núcleo de Mídia Santa Marta, no qual atuava como coordenadora, o curta-metragem “IRENE” foi concebido numa perspectiva pedagógica idealizado pelo Instituto Educação em parceria com o Canal Futura – Fundação Roberto Marinho. A intervenção aconteceu de janeiro a outubro de 2010 e envolveu jovens da Comunidade Santa Marta, no Rio de Janeiro. Tendo como objetivo analisar a utilização dos meios
de comunicação de massa como dispositivos educacionais e mediadores do conhecimento em uma perspectiva mídia educativa, esta pesquisa buscava entender de que maneira os jovens construíam sua identidade no espaço comunitário e de que forma o percebiam diante de um universo interativo e dialógico extremamente veloz, como a atual sociedade em que vivemos. Baseado no texto de Ítalo Calvino, “As Cidades e o Nome”, o projeto permitiu a reflexão sobre os aspectos sociais que envolviam a vida em comunidade e fomentou a produção do curta-metragem IRENE. O uso do vídeo, como dispositivo capaz de contribuir para o desenvolvimento de um pensamento crítico e reflexivo acerca do cotidiano de uma vida em comunidade, foi investigado através de oficinas que exploraram a linguagem audiovisual e seus mecanismos de produção, capacitando os jovens na construção de uma identidade comunitária. Este trabalho permitiu compreender que o uso dos meios de comunicação de massa configuram-se como poderosos artefatos para a construção de significados, quando orientados por uma prática pedagógica que ultrapassa o uso instrumental dos meios e os percebe como dispositivos propulsores da reflexão, produção e intervenção social.
Developed in 2010 by media Core Santa Marta, which it was acted as coordinator, the short film “IRENE” was conceived in a pedagogical perspective designed by Education Institute in partnership with the Futura – Fundação Roberto Marinho. The intervention took place from January to October 2010 and involved young people in the community Santa Marta in Rio de Janeiro. The aiming is to analyse the use of mass media as educational devices and mediators of knowledge in a media education perspective, this study sought to understand in which way the youngsters built their identity in the community space and how they perceived their identity in the face of an interactive universe and dialogic extremely fast, as the current society we live in. Based on text by Ítalo Calvino, “Cities and the Name”, the project allowed for reflection on social aspects involving the community life and fostered the production of the short film IRENE. The use of video as a device capable of contributing to the development of a critical and reflective thinking about the daily life of a community life was investigated through workshops that explored audio-visual language and the
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mechanisms of production, empowering young people to build a community identity. This work made it possible to understand that the use of the mass media constitute themselves as powerful artefacts for the construction of meanings, when guided by a pedagogical practice that goes beyond the
instrumental use of the media and see it as reflection thrusters, production devices and social intervention.
Artista-Bailarina, Coreógrafa, Jornalista, Escritora, Documen- tarista, Fotógrafa e Mídia Educadora. No Brasil, desenvolveu ações nas áreas educacional, cultural e social, através da Fundação Roberto Marinho, tendo viajado por todo o território nacional como Consultora Educacional e Técnica em Projetos.
Biografia
Arte, território
e diferença
A experiência do
Laboratório de
Estudos e Pesquisa
Arte, Corpo e
Terapia Ocupacional
da Universidade de
São Paulo
Eliane Dias de Castro
Universidade de São Paulo, Brasil
Elizabeth Maria Freire de Araújo Lima Universidade de São Paulo, Brasil
Erika Alvarez Inforsato
Universidade de São Paulo, Brasil Isabela Umbuzeiro Valent Universidade de São Paulo, Brasil Renata Monteiro Buelau Universidade de São Paulo, Brasil
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1. TRANSFORMAÇÕES NO CENÁRIO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS BRASILEIRAS DE SAÚDE E CULTURA A PARTIR DA DÉCADA DE 1980
Os movimentos sociais em torno da desinstitucionalização da loucura e da construção dos direitos das pessoas com deficiência configuraram um novo campo de práticas de terapia ocupacional voltadas às complexas demandas das populações atendidas, com o objetivo de ampliação da participação sociocultural.
A década de 1980, no Brasil, marcou o início de um período de grandes modificações no cenário político e social com o fim da ditadura militar e o fortalecimento de importantes movimen- tos democráticos e em defesa dos direitos da população, que culminaram com a promulgação de uma nova constituição em 1988. Entre esses movimentos, aqueles voltados para a me- lhoria da atenção à saúde fortaleceram ações interdisciplinares e produziram novos sentidos em suas práticas. No campo das políticas públicas no Brasil, tem se intensificado nos últimos anos a elaboração de legislações, programas e ações voltados à participação sociocultural e produção artística de populações em situações de vulnerabilidade, decorrentes de um novo cená- rio político e social.
No campo da saúde, destacam-se o Movimento da Reforma Sanitária que culminou na criação do Sistema Único de Saúde (SUS), modificando a compreensão de saúde, estabelecida como direito fundamental. As novas práticas compreendem a saúde de forma ampliada, fortalecendo ações interdisciplinares envolvendo a vida cotidiana das comunidades. A organização das pessoas com deficiências reivindica e também assegura oportunidades de acesso aos potenciais criativos, artísticos e intelectuais para todos os cidadãos. Também, o Movimento da Luta Antimanicomial e a Reforma Psiquiátrica, no âmbito da saúde mental, propuseram ações que visam garantir direitos fundamentais de pessoas com transtornos psíquicos, a partir de ações no território que implicaram a necessidade de inter- venções em composição de dispositivos que envolvem a esfera social e cultural e necessitam para sua efetivação a integração dos usuários desses serviços em espaços socioculturais e comunitários (Brasil, 2004; 2010). Práticas artísticas passaram a compor essas ações gerando possibilidades de troca com outras instituições e grupos artístico-culturais (Castro, Inforsato, Buelau, Valent, & Lima, 2015).
No campo das políticas públicas de cultura começa-se a de- senvolver ações em parceria com o campo social, da saúde e
da educação. Destaca-se o Programa Cultura Viva – Cultura, Educação e Cidadania, que foi criado em 2004 pela extinta Se- cretaria de Programas e Projetos Culturais do MinC, durante a gestão do Ministro Gilberto Gil. Constitui-se como uma política pública de cultura que visa garantir o acesso dos cidadãos aos direitos culturais. A perspectiva compreende a produção de cul- tura como um processo e não como um produto. Efetivamente funciona através de convênio firmado entre governo e organi- zações da sociedade civil que produzem cultura, criando assim uma rede de pontos de cultura. O programa inclui o financia- mento público das atividades do ponto de cultura com gestão compartilhada 101(Lima, 2013; Turino, 2010).
Em decorrência desses fatores, atualmente, no Brasil, há uma marcada presença de ações culturais, atividades artísticas e práticas corporais que dinamizam o campo da reabilitação e a própria desinstitucionalização, intensificando a produção de saúde especialmente em espaços tradicionalmente não desig- nados para este fim. Essas atividades participam do conjunto de estratégias voltadas à construção de projetos de vida, à invenção de outras formas de participação social, promoção de espaços de troca e experimentação de modos inusitados de produção de valor.
2. CONSTRUINDO NOVAS PERSPECTIVAS DE
ATENÇÃO NA INTERFACE ARTE, SAÚDE E CULTURA: A EXPERIÊNCIA DO LABORATÓRIO DE ESTUDOS E PESQUISA ARTE, CORPO E TERAPIA OCUPACIONAL
A experiência do Laboratório de Estudos e Pesquisa Arte, Corpo e Terapia Ocupacional102, iniciada há quase 20 anos,
tem acompanhado e alimentado a implantação dessas políticas públicas voltadas às populações em situações de vulnerabilidade. Inserido numa perspectiva de resistência à marginalização de grupos sociais e de construção de direitos, este Laboratório constituiu-se em 1996 no entrecruzamento dessas lutas e a partir do encontro de terapeutas ocupacionais interessadas em pesquisar o cuidado no campo de interface das artes, da saúde e da cultura. As ações daí decorrentes vêm construindo redes e produzindo tecnologias socioculturais através de práticas de intervenção social que ocorrem no território da cidade de São Paulo.
Atualmente, a equipe do Laboratório é constituída por docentes e terapeutas ocupacionais, estagiários de graduação em Terapia Ocupacional, estudantes de pós-graduação, artistas,
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arte-educadores, entre outros. A formação da equipe é interdisciplinar, destacando-se o diálogo com o pensamento e as práticas em saúde mental, assistência social, artes, filosofia, cultura e educação.
A aproximação dos campos das artes, da saúde e da cultura, e a possibilidade de intensificar a produção de acessos a univer- sos socioculturais colaboram para a construção de respostas às complexas demandas dos participantes desses projetos. Essas respostas são também atravessadas pelas questões sociopolíticas do país de modos cada vez mais significativos. Na efervescência de todas essas dinâmicas, as intervenções do Laboratório promovem uma experiência articulada de ensino, pesquisa e extensão universitária, com ações voltadas à comunidade que se coletivizam e criam condições para o desenvolvimento de um conhecimento inovador no âmbito da universidade e dos equipamentos públicos de saúde e cultura da cidade de São Paulo, o que favorece a estruturação de polí- ticas públicas mais democráticas no país.
As metodologias desenvolvidas pelo Laboratório acentuam as possibilidades de experimentação criativa, cultural, clínica e de formação em terapia ocupacional e artes no campo assistencial e na formação de profissionais para atuar no trabalho e ensi-