b) Le renouvellement du capitalisme par intégration de la critique autogestionnaire :
1.5. Méthodologie et corpus :
1.5.1. Une démarche « déductive » et « inductive »:
3. Elaboração técnica; 4. Montagem; 5. Atividades pós-abertura; 6. Desmontagem.
Dentro das premissas, dois locais foram já intervencionados e analisados – um local comercial levado a cabo na cidade de Aveiro (Portugal) em 2013 e outro de cariz patrimonial realizada em 2014 na Cidade Velha (Cabo Verde), a primeira cidade colonial europeia nos trópicos e incluída na lista do Património Mundial da UNESCO. A intervenção expográfica da exposição “Identidades: Circunstâncias Transversais”, com vernissage no dia 29 de julho de 2013 no Centro Cultural e de Congressos de Aveiro, explorou a relação entre o lugar de criação da arte e o espaço onde ela fica exposta. Este edifício está profundamente ligado à cidade e é emblemático da arquitetura industrial e da indústria da cerâmica da região. No que tange ao circuito expositivo, foi pensado para convidar o visitante a tomar parte de um itinerário onde as relações entre as obras foram coordenadas através de múltiplas linguagens, iniciadoras da construção criativa de possíveis significados, atendendo a critérios de uma observação cómoda, uma iluminação adequada às suas características e atendendo às idiossincrasias da infraestrutura, que determinaram a localização das peças e criaram desafios estético-visuais. As “Combinações Genéticas Raras /<1,63/<1,73” de Patrícia Guerra, cujo objetivo era testar o patrão de altura médio do homem e da mulher portugueses, propiciou a interpretação da sua “Identidade” no interior de um elevador, proporcionando a experiência com uma instalação sonora.
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onde ia ficar exposta e contar a sua história, pelo que esteve alinhada com os pontos cardiais por forma a apontar para Cabo Verde, fator determinante da identidade do artista, sendo este o ponto focal e conceptual da sua obra.
A artista Glória Mendes teve duas obras expostas: “O Lugar Onde Estiveram os Teus Seios” e “Os Cestos do Piquenique”. A primeira foi exposta pela primeira vez há onze anos e desta vez já sem a estrutura metálica original de suporte porque a artista consumou uma transformação conceptual nessa obra. Segundo a própria, a remoção dessa componente não implicou uma alteração do conceito da obra mas efetivou uma reinterpretação da mesma. Assim, a reposição da obra levou em conta
o conceito de “Identidade” e resultou na sua suspensão, por forma a concretizar esta metamorfose identitária. O espaço ocupado pela obra – uma escadaria – é um lugar de passagem, de maneira que refletiu o aspeto conceptual da obra, o significado da luz, a transformação pessoal pela via artística e a elevação. O evidente impacto visual da obra “Os Cestos do Piquenique” foi multíplice e variada no acolhimento e interpretação – normalmente, como tendo o “propósito de impressionar e causar espanto” – e o seu posicionamento no interior do restaurante instigou a sua explicação, o seu significado e a sua importância.
A obra da Madalena Metelo, “Íntima – Eu e Tu”, foi um estudo sobre a interação do espaço e o público habitual do espaço comercial “Olá Ria”. Estava instalada nas mesas do terraço, proporcionando uma relação direta, deixada ao arbítrio do público, criando um espaço de intimidade e, dentro do seu processo de criação, a possibilidade de o público interagir com a obra era a intenção da artista. Um retrato esteve situado à porta do restaurante e a parceria firmava-se, necessariamente e de forma intimista, com quem recebia e entendia a sua mensagem.
A pintura da Alexandra de Pinho “Circuitos” foi colocada numa parede de transição entre a obra da Madalena Metelo e a da Glória Mendes com o propósito de fazer de ligação e narração entre as diversas obras. Outra obra desta artista, “Narrativas de Fuga I & II”, fechou o circuito expositivo, vislumbrando um ponto de reflexão sobre a “Identidade” da matéria em relação à essência da técnica pictórica, levantando considerações acerca da reapresentação simbólica da pintura.
A exposição “Identidades: Âncoras de Passagem” da Cidade Velha começou a ganhar forma com um prévio trabalho de campo efetuado em Cabo Verde, nas ilhas de Santiago e
São Vicente. As diligências conducentes à sua concretização iniciaram enquanto efetivava-se a pesquisa bibliográfica e foram efetuadas junto de instâncias responsáveis como o Ministério da Cultura de Cabo Verde e alguns dos seus organismos – a Direção Geral das Artes e a Alta Curadoria para o Sítio Histórico da Cidade Velha – e a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, localidade incluída na lista do Património Mundial da Humanidade da UNESCO. Além de assegurar a cedência de um espaço físico, custeio do transporte das obras, apoio logístico da montagem e a desmontagem, procurou-se fazer a recolha de subsídios para a viabilidade e sustentabilidade da iniciativa, o conhecimento e compreensão das identidades locais, e a identificação de parceiros e colaboradores para a implementação da exposição. Não constitui um detalhe de somenos o contacto com pessoas do lugar histórico e a perceção das origens culturais distintas da curadora e do público-alvo, visando incorporar este aspeto na linguagem e abordagem curatoriais, e proporcionar a aquisição de algum conhecimento especializado.
Dado que as exposições itinerantes costumam ser de índole temática, a escolha no caso do lugar de Cabo Verde recaiu, conforme os objetivos iniciais, num espaço histórico que encerre uma vertente patrimonial, por forma a concretizar as boas práticas da curadoria e reunir os vários aspetos relativos à “Identidade”, ponto focal da pesquisa. Assim, o espaço físico escolhido e cedido foi o Convento de São Francisco, mandado construir por volta de 1640 por uma rica proprietária de nome Joana Coelho, viúva do capitão Fabião da Veiga, natural da ilha de Santiago. Cedeu os seus bens para a sobrevivência dos padres franciscanos que também eram designados de capuchi- nhos. O edificado foi concebido para acolher os religiosos fran- ciscanos que foram substituir os jesuítas na missão em Cabo Verde. O espaço funcionava como centro de formação, pois era ali que os padres ministravam aulas e ensinavam alguns ofícios. Tinha um papel universitário da época, pois até os filhos dos reis católicos da África iam estudar em Cabo Verde e ainda era o único edifício que ostentava um relógio de fuso horário. Este monumento foi construído num local de extraordinária beleza mas os sucessivos ataques dos piratas deixaram-no num estado de abandono. O Convento foi restaurado em 2001 e encontra-se em razoável estado de conservação. A igreja, composta por uma nave, é utilizada atualmente para a reali- zação de diversas manifestações culturais (atividades sociais, concertos, conferências e galeria de arte esporádica). Após
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a cedência do Convento procedeu-se à recolha de elemen- tos auxiliares à planificação e expografia através de registro fotográfico e medição das suas dimensões. Este levantamento e a familiarização com o espaço físico permitiram definir as primeiras características da exposição e criar os seus primeiros documentos, nomeadamente, desenhos do conceito, rascunho do texto de sala, atividades educativas, relação do material de suporte técnico necessário para a montagem e desmontagem, esboço do orçamento e planos esquemáticos para a instalação final no espaço físico. O refinamento desta documentação de- sembocou na elaboração de um plano técnico e executivo dos diversos recursos. Deste plano constam o desenho do percur- so expositivo, desenhos construtivos focando a instalação no espaço e um guia de montagem.
A seleção dos artistas no cenário cabo-verdiano, foi distinto da abordagem do primeiro caso expositivo de Aveiro, porque no primeiro caso, foi uma integração direta e interativa com o lugar de trânsito, espaço comercial, entre as obras selecionadas algumas delas foram realizadas e direcionadas para o projeto, site-specific, outras tinham já sido expostas em outras exposi- ções. No caso expositivo de Cabo Verde, houve a necessidade de conjugar intervenções a diferentes níveis – cariz arquipelági- co, restrições operacionais, questões de ordem orçamental ou infraestrutural – e optou-se pela escolha de obras previamente realizadas. Assim, as obras pictóricas dos artistas cabo-verdia- nos selecionados obedeceram a quatro critérios. Em primeiro lugar, preferiu-se artistas contemporâneos cabo-verdianos com percurso assinalável a nível nacional e relativo reconhecimento além-fronteiras; segundo, as dimensões das obras deviam pro- porcionar harmonia à instalação pretendida; terceiro, levou-se em conta uma gama cromática alargada, evitando redundân- cias; por fim, a mensagem que as obras querem transmitir devia compor uma narrativa à volta da “Identidade”. Tais crité- rios emergiram da análise de casos de estudo que focaram a conceção para itinerância, o fenómeno da internacionalização, a história, funcionalidade do espaço expositivo e a construção e modelagem da exposição em observância da especificidade do local. Assim, a shortlist de artistas, previamente selecionados a partir da pesquisa feita, foi reduzida atendendo à qualidade artística, características do espaço que albergaria a exposição e, também, o facto de residirem em Cabo Verde. Na sequência de diversos contatos informais com artistas que integravam essa lista e demais que não constavam mas que as diligên- cias do trabalho de campo permitiram conhecer, e após uma
deslocação à ilha de São Vicente para contactos mais aprofun- dados com a realidade artística local, chegou-se à conclusão do processo de seleção dos artistas e das respetivas obras.
Em primeiro lugar, o artista Manuel Figueira contribuiu com duas obras: “Pacto Para Além da Morte” (acrílico sobre tela, 150x150 cm, 2003) e “Fernandim Nha Primeiro Amor” (acrílico sobre tela, 150x150 cm, 2003). Esta obra preludiu a abertura, criando a ponte no que concerne ao conceito da “Identidade” da tradição oral e tradição literária local.
Em segundo lugar, José Maria Barreto, com a sua obra o “Triun- fo Nacional” (técnica mista, 80x200 cm [x2], 1985) composta por 14 painéis, emoldurada pelo próprio artista, realizando assim a composição final em dois suportes, o primeiro dos quais com- posto por 7 painéis na parte frontal e os restantes 7 na parte posterior. A composição, de índole narrativa, nos conduz à “Identidade” da história e luta política cabo-verdiana. Em terceiro lugar, o artista Alex da Silva, apresentou dois trípticos: “Mirage” (óleo sobre tela, 140x170 cm [x3], 2005) e “No Title” (óleo sobre tela, 140x170 cm [x3], 2005). A primeira alude à crucificação e remete-nos para a “Identidade” religiosa do lugar e para uma “miragem” das provações e tribulações do quotidiano cabo-verdiano, enquanto a segunda pretende exaltar a materialidade física e artística da técnica utilizada na obra. Em quarto lugar, Nelson Lobo, explorou o aspeto dos olhares “Face a Face com Intromissão” (acrílico sobre tela, 182x158 cm, 2006) e procura elevar ao mais alto grau o aspeto singular da autenticidade e “Identidade” da mulher, no seu coletivo e no singular, a mulher cabo-verdiana, e daí surge a segunda obra do artista, na génese da mesma análise, apresentou a obra “Corpos Versus Corpos” (acrílico sobre tela, 182x158 cm, 2006). Por fim, Tchalé Figueira apresentou uma obra, que faz parte de uma série de trabalhos que partilham o mesmo tema. A serie denomina-se “Uma Breve História Colonial em África” e a obra apresentada na exposição intitula-se “Tratado de Berlim 1884/85” (acrílico sobre tela, 200x150 cm, 2013) e pretende analisar o aspeto histórico do continente africano, remetendo- -nos à questão identitária da tradição histórica local.
Todas as ações descritas anteriormente tiveram em vista um objetivo primordial: proporcionar uma exposição onde a criação de todas as obras conformaria uma nova criação artística e, através delas, elaborar uma representação expositiva única e identitária, que concilie a historicidade do espaço através da narração da “Identidade”, interligada com a simbologia do título da exposição, representada pela emblemática âncora, símbolo da segurança, estabilidade e esperança.
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Em ambas as exposições, tendo em vista a dinamização, am- pliação dos conhecimentos e difusão, este estudo promoveu a recolha em vídeo de informações e depoimentos através de entrevistas aos artistas. A recolha de informações junto aos artistas tinha sido feita ainda na fase de pesquisa, mediante contatos feitos por e-mail e videoconferência. Nessas entrevis- tas procurou-se levantar elementos relevantes para o projeto, nomeadamente a relação fruitiva, leituras e interpretações das obras, técnicas e materiais usados, recomendações sobre a montagem, manutenção, aprovisionamento e transporte, cons- tituindo-se valiosa contribuição para a estrutura e o plano de ação. Assim, foi possível adequar, adaptar e definir a proposta e o percurso de exposição, integrando a multiplicidade teórica e os fundamentos da investigação em curso. Ainda, para além do desenvolvimento expográfico, importa salientar que foram de extrema importância os contactos regulares, por e-mail e vide- oconferências, com artistas e parceiros pois ajudaram na boa execução de ambos os projetos e, no caso cabo-verdiano, redu- ziram a desconfiança e reforçaram o diálogo e a cooperação. O levantamento de campo mais acessível foi o da exposição de Aveiro no que toca ao acesso à informação. Em Cabo Verde foi indispensável um minucioso e meticuloso plano de trabalho de campo, pelo que a transposição dos resultados do trabalho de campo para a prática começou com o processamento das informações recolhidas (fotografias e medições feitas ao Convento) e que auxiliaram a modelação tridimensional do edifício no software AutoCAD e posterior conceção de uma maquete da exposição e das obras em escala 1/20 (com asnas de madeira balsa, paredes e cobertura em cartolina) com vista à organização do espaço disponível, circulação e aquilatar os dados antropométricos dos visitantes na disposição das obras. O principal foco de atenção do trabalho de campo, sem contudo negligenciar as demais questões pertinentes, esteve na preocupação com a forma como a exposição seria entendida pelo público, maximizando as relações espaciais e visuais, valorizando a ambiência enquanto espaço público e patrimonial, e comunicar a exposição arquitetonicamente.
No que tange às conjunturas à volta da comunicação, difusão e recursos tecnológicos, e para serem eficazes e atingirem o maior número possível de pessoas, as iniciativas utilizaram um conjunto de mecanismos onde se destacam o sítio web, as plataformas de redes sociais na Internet, material promocional impresso (convites, brochuras, desdobráveis, folhetos e cartazes) e notas de imprensa. No sítio web e nas
redes sociais foram publicadas a biografia, obras e vídeos dos artistas e, dentro de uma lógica de produção, disseminação e uso de informações nas novas tecnologias de informação e de comunicação digital. Procurou-se, também, a interação, algumas vezes em tempo real, com pessoas interessadas na exposição. Todo o material publicitário impresso da exposição de Aveiro foi criada pelo designer João Lopes, que recorreu à textura dos tijolos do Centro Cultural e de Congressos para definir o elemento identitário da composição gráfica. O apoio para a divulgação esteve a cargo da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e do Diário de Aveiro. No caso de Cabo Verde, a conceção do material publicitário impresso assentou nas características intrínsecas da exposição – identidade histórica do local – dado que o arquipélago, em particular a Ribeira Grande (também conhecida como Cidade Velha), foi um ponto de encontro de populações provenientes de várias regiões, sendo assim a simbologia da âncora quis aludir a esse trânsito. Esta ideia conceptual foi usada de forma transversal a toda a expografia, nomeadamente, o texto de sala incorporou a imagem da âncora para reforçar o conceito da “Identidade” em trânsito e salientar o facto das obras serem provenientes de ilhas diversas. Foram impressos em ambas as exposições, os códigos QR (sigla do inglês “Quick Response”) no texto de sala e noutros suportes de divulgação, por forma a facilitar o acesso à aplicação web do projeto.
Este percurso de investigação em torno do tema “Identidade” preconizou, de forma clara, a utilização dos projetos expositivo “Identidades: Circunstâncias Transversais” e “Identidades: Âncoras de Passagem” como veículo preferencial para pôr à prova conjeturas, conexões e conclusões decorrentes da investigação. Pôs, por conseguinte, no âmago da investigação as motivações, estratégias curatoriais e a avaliação das estratégias de apresentação e de mediação utilizadas. Ainda, confirmou que, no contexto da produção, as atividades que compõem um projeto de itinerância seriam tanto mais eficazes se fossem realizadas em simbiose com aquelas das instituições locais que, por seu turno, integra-as no calendário das suas atividades culturais. No caso presente, criou-se sinergias com várias instituições, nomeadamente, a IMPAR – Companhia Cabo-Verdiana de Seguros que custeou o seguro das obras; e a visibilidade à iniciativa veio através do Ministério da Cultura com as comemorações do “Dia Internacional dos Monumentos e Sítios” (criado pelo ICOMOS a 18 de abril de 1982 e
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66 Endereço web: http://www.conceitoitinerante.net/
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Resumo
O “Conceito Itinerante” é um projeto cujos processos, em trânsito de um lugar para o outro, estão num permanente estado de construção e reconstrução pela ação aglutinadora de artistas e lugares. Este binómio é criado através da análise das questões à volta da “Identidade”, trave-mestra desta investigação prática. Duas exposições foram já
desenvolvidas, implementadas e investigadas: a primeira em Aveiro, a partir da interpretação da Identidade/Circunstância (Identidade: Circunstâncias Transversais) e a segunda na Cidade Velha (Cabo Verde), a partir da Identidade/História (Identidade: Âncoras de Passagem). A formulação da terceira exposição problematiza a vivência/processo específico do lugar, a “Identidade” ligada ao processo de formalização e criação de uma identidade artística. O diálogo com o espaço expositivo criará o fio condutor, critérios de seleção de artistas, título e traçado expográfico da exposição. Do ponto de vista conceptual, cada exposição inclui “a memória” das exposições anteriores, ação esta que objetiva a criação de uma nova identidade e a expografia constrói, momento a momento, a própria identidade do conceito. Por definição, o “Conceito Itinerante” é um processo criativo sempre em aberto. A comunicação pretende partilhar a experiência do projeto “Conceito Itinerante” através do olhar artístico, social, “cultural”, As duas exposições deram contributos importantes para
a terceira exposição desta itinerância a realizar na Casa Museu Abel Salazar (Porto). Do mesmo modo, sustentaram as prioridades de investigação no âmbito destes temas e proporcionaram a aquisição de familiaridade e a identificação de necessidades e prioridades específicas, junto de vários artistas e pessoas ligadas aos mundos cultural e artístico, português e cabo-verdiano, procurando estabelecer redes de contactos na sequência. Estas redes foram promovidas a fim de responderem, de uma forma flexível e ágil, a eventuais necessidades que possam surgir e levantar informações que possam assegurar a melhor utilização possível do
financiamento à disposição e o conhecimento prévio do público que irá visitar a exposição, por forma a orientar a expografia, a utilização dos recursos técnicos e a linguagem a empregar. Naturalmente, em cenários com debilidades estruturais que afectam a organização de eventos, sobretudo, culturais, há riscos, incertezas e premissas que dependem de circunstâncias que podem, ou não, ocorrer. Assim, depreende-se que a aposta na coorganização de exposições garante que os custos e o esforço necessários são partilhados. Não é de somenos importância a escolha de parceiros baseada em critérios estreitos, nomeadamente, questões geográficas, a capacidade de partilhar o esforço de implementação de forma uniforme, o sucesso em eventos anteriores realizados em parceria e a capacidade curatorial e organizacional.
Conclui-se desta reflexão, da implementação e análise tendentes a aprofundar e alargar o entendimento sobre este modelo expositivo alternativo a modelos mais tradicionais, que é exequível replicar esta plataforma. Vinca-se o facto de que tal pode ser conseguido de forma eficaz, eficiente e financeiramente acessível, porém materializa-se numa experiência suscetível de aprofundamento e alargamento nas suas vertentes teórica e prática. É indubitável que este tipo de eventos culturais e as relações arte-exposição-história da arte são complexas e exigem um estudo composicional e interrelacional específico entre os vários lugares e eventos, por forma a dar resposta a questões essenciais levantadas no âmbito dos trabalhos conduzidos nas instâncias deste trabalho investigativo: qual é o papel da história da arte numa exposição; de que forma as novas expografias influenciam a formalização