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■ SECURITE

Dans le document formation secteur industriel (Page 124-132)

O sistema centrado na lógica capitalista hegemônica dominante na contemporaneidade, produz-se e reproduz-se com base no crescimento e no progresso da posse ilimitada dos bens materiais – ancorados na competitividade e no individualismo - como meio indispensável para atender às necessidades de todas as pessoas que vivem no planeta terra, com vistas à supressão da carência de recursos de base econômica como fator de desenvolvimento social e humano.

Esse sistema mantém seu funcionamento à base da exclusão social da maioria da população e pela exploração violenta da natureza por uma cultura apoiada no mito do desenvolvimento econômico, que apregoa que o crescimento econômico, engendrado na acumulação de capital, é a solução para o progresso das sociedades, em termos de uma boa qualidade de vida, do ponto de vista do atendimento das necessidades materiais e das necessidades subjetivas. Mito esse que tem conduzido a uma má qualidade de vida para a maioria da população mundial, ao invés de promover uma vida boa para todos. Isso se evidencia pelo predomínio da competição que sufoca a cooperação entre os seres humanos e desses com a natureza.

Esta ausência de cooperação é decorrente do modelo de desenvolvimento capitalista adotado pelos países do Norte global e que exploram os países do Sul global, impondo a esses a subserviência política e econômica - evidenciada pela espoliação dos seres humanos e da natureza desses países do Sul –, a qual mantém a opulência dos povos da região do Norte global centrada no desperdício e no consumo desmedido.

Portanto, esse mito é insustentável, tanto do ponto de vista sócio-ambiental como do ponto de vista físico. Do ponto de vista sócio - ambiental, porque o desenvolvimento é sempre pensado em termos da aquisição do maior lucro possível para quem detém o capital às custas do arrocho salarial e da utilização da natureza a bel-prazer.

Já do ponto de vista físico, a insustentabilidade ocorre devido ao fato de que o planeta Terra não disporá de recursos suficientes – caso se mantenha o ritmo de crescimento atual - para manter o padrão de consumo dos países desenvolvidos, bem como estender esse padrão aos países em desenvolvimento e aos países subdesenvolvidos.

Nesse sentido, Furtado (1996, p.11) escreve que - se esse ritmo de crescimento se mantiver - “A pressão sobre os recursos não-renováveis e a poluição do meio ambiente seriam de tal ordem (ou, alternativamente), o custo do controle da poluição seria tão elevado que o sistema econômico necessariamente entraria em colapso”.

Com efeito, esse colapso também se estenderia para o conjunto da comunidade da vida no planeta Terra, em função de que este planeta possui recursos finitos para suportar a exploração irrefreada do crescimento ancorada na falta de cuidado com a vida, a qual pode nos levar a situações críticas em termos da manutenção das condições indispensáveis para a existência dos seres vivos. A esse respeito, Latouche (2009, p.06) nos adverte: “Para onde

vamos? De cara contra o muro. Estamos a bordo de um bólido sem piloto, sem marcha ré e sem freio, que vai se arrebentar com os limites do planeta”.

O motor desse bólido, que propulsiona as nossas vidas, é a economia de mercado, a qual move e regula as relações sociais numa perspectiva da obtenção de mais e mais dinheiro com a finalidade de adquirir um maior lucro possível para os detentores do capital, que se realiza, conforme Latouche (2009, p. 04), “com consequências desastrosas para o meio ambiente e a humanidade”.

Neste sentido, no dizer de Milton Santos (2008), o dinheiro atua como um poder ilimitado sobre todos os entes que há no mundo. Transforma tudo e todos em mercadoria deformando a própria economia e as pessoas, que se tornam alienadas pela tirania desse poder.

Este poder é construído sob o amparo da competitvidade voraz, em que cada indivíduo e demais organizações sociais lutam por seu espaço numa lógica fundada no pressuposto de que os mais competentes são aqueles que vencem a concorrência. E, para os perdedores, que sobram do processo competitivo, recomendam-se medidas de ajuste - em suas maneiras de planejar e atuar na vida social, para que se tornem mais preparados para atender as prescrições do mercado em que se busca o lucro, a todo custo, pelo aumento da produção-consumo e à diminuição das despesas. (SINGER, 2002; LATOUCHE, 2009).

Estas prescrições estão assentadas em mecanismos forjados pelo conservadorismo econômico que faz com que o indivíduo seja configurado, na nossa época, segundo Milton Santos (2002, p.33) como: “cidadão imperfeito e consumidor mais-que-perfeito”. Como consequência, o referido autor afirma que o consumo passa a ser o ópio do povo.

Essa cultura do consumo elimina a cidadania pelo seu despotismo e pela força do império da informação, que induz à compra de produtos supérfluos pelos consumidores, através de artifícios que vendem ideias pela repetição massiva de slogans “encantadores”, cujos conteúdos são eivados de uma publicidade que, na maioria das vezes, é enganosa.

Os conteúdos da publicidade anestesiam a capacidade crítica desses consumidores, tornando-os “toxicodependentes” dessa cultura do consumo, na qual se “fabricam” os indivíduos que vão adquirir os produtos, antes mesmo da produção destes, imposta pela sociedade de crescimento. (MILTON SANTOS, 2008).

Enfim, o consumo – associado à competitividade - passa a ser o “senhor absoluto” que governa todas as ações dos seres humanos na vida cotidiana. Nesse sentido, Milton Santos (2008) exclama que:

O consumo é o grande emoliente, produtor ou encorajador de imobilismos. Ele é, também, um veículo de narcisismos, por meio de seus estímulos estéticos, morais e sociais; e aparece como o grande fundamentalismo de nosso tempo, porque alcança e envolve toda a gente. Por isso, o entendimento do que o mundo passa pelo consumo e a competitividade. (MILTON SANTOS, 2008, p.49)

Esse fundamentalismo acaba por destituir as solidariedades orgânicas entre os seres humanos, pois a cultura do consumo não favorece as relações humanas embasadas na solicitude entre os seres humanos, mas sim, suscita relações fundadas na disputa entre esses, isto é, essa cultura não alimenta, conforme Frank (2002, p.423), “a fusão do ego individual com a comunidade numa simbiose de amor”. Dessa forma, instauram-se no seio das sociedades: o anonimato, a solidão e o egocentrismo. Segundo Berdieaff (1935, p.37), este egocentrismo: “é a reclusão sem saída, o abafamento, a loucura de si, o pecado original”.

Portanto, a cultura do consumo impede a presença do diálogo entre os diferentes devido à vivência de apenas um estilo de vida: o estilo ligado ao culto do mercado. Isso faz com que se elimine a diversidade de pensamentos e, consequentemente, a eliminação da criação e a recriação cultural em torno de uma vida fundamentada em atitudes político- pedagógicas forjadas na comunhão entre as pessoas. Em direção convergente, Ricoeur (1968) enfatiza que:

O triunfo da cultura de consumo, universalmente idêntica e integralmente anônima, representaria o grau zero da cultura de criação; isso seria o ceticismo em escala planetária, o niilismo absoluto no triunfo do bem-estar. É preciso reconhecer que tal perigo é pelo menos igual e talvez mais provável que o da destruição atômica. (RICOEUR, 1968, p.285).

O consumo e o modelo de crescimento econômico ilimitado se alimentam dialeticamente. O ato de crescer sempre mais depende do ato de consumir sempre mais, assim como somente é possível se manter o consumismo exacerbado com base em um crescimento ilimitado.

Assim, para que se mantenham a sociedade de consumo em simbiose com a sociedade de crescimento é necessário que cada uma delas atue de forma sincronizada em

torno dos fatores como: a incitação ao consumo, a expansão da oferta de crédito e a fabricação de produtos de pouca durabilidade. A esse respeito Latouche (2009) diz que:

Três ingredientes são necessários para que a sociedade de consumo possa prosseguir na sua ronda diabólica: a publicidade, que cria o desejo de consumir; o crédito, que fornece os meios; e a obsolescência acelerada e programada dos produtos, que renova a necessidade deles. Essas três molas propulsoras da sociedade de crescimento são “verdadeiras incitações ao crime. (LATOUCHE, 2009, p.17)

Esse modelo baseado na sociedade de crescimento como esteio para emancipação política da humanidade é profundamente reducionista, pois considera apenas o progresso econômico – medido pelo produto interno bruto - como um fator a ser considerado no desenvolvimento da sociedade de um determinado país em detrimento de outros aspectos, tais como: educação, saúde, liberdade política, democracia participativa, oportunidades sociais e conservação do meio ambiente.

Ao acentuar o produto interno bruto como indicador de desenvolvimento, o qual representa, segundo Korten (1995, p.38), “a nossa taxa de transformação em lixo”, esse modelo esconde aspectos importantes para aferição de um nível de desenvolvimento coerente e que atenda às condições indispensáveis para a realização de uma humanização voltada aos valores indispensáveis a uma vida digna para todos, pois esse indicador contabiliza apenas a soma de dinheiro total de um país sem expressar de como foi distribuída a quantidade de investimentos realizados em setores prioritários para os cuidados com a população, a saber: saneamento básico, saúde, educação e seguridade social. Nessa mesma trilha Hathaway e Boff (2012) denunciam que:

Um dos principais problemas com a economia focada em crescimento é a maneira pelo qual este é medido. O produto interno bruto (PIB), a principal medida de crescimento econômico, é um indicador seriamente defeituoso. Basicamente, o PIB, é a soma do valor de todos os bens e serviços produzidos pelo país, incluindo todas as atividades econômicas envolvendo dinheiro. Assim, o alto custo das operações de descontaminação, a produção de bombas nucleares, ou o custo do trabalho envolvido no desmatamento de uma floresta é adicionado ao PIB e é interpretado como um benefício econômico. Ironicamente, outras atividades econômicas que não envolvem dinheiro, como a agricultura de subsistência (a produção de alimentos para a família ou a comunidade), trabalho voluntário ou a educação dos filhos não fazem parte desse indicador. Dirigir o carro por um quilômetro contribui para o PIB, mas caminhar ou andar de bicicleta a mesma distância não, mesmo que estas últimas não causem danos ao meio ambiente. (HATHAWAY E BOFF, 2012, p.70-71).

Assim, quando se afere o desenvolvimento pela média do produto interno bruto (renda percapita) são desconsiderados aspectos importantes relativos ao índice de bem estar um determinado país, como a desigualdade na distribuição de renda da população, a contaminação e a poluição do meio ambiente, os níveis de violência contra as espécies vegetais estampadas na mortandade e na aceleração da extinção dessas espécies, os problemas sociais decorrentes da expulsão de seres humanos de áreas ocupadas por grandes empreendimentos econômicos (por exemplo, a instalação de barragens que faz desaparecer cidades por inteiro) e os problemas graves de saúde ocasionados pelo consumo de alimentos industrializados, como é o caso do aumento da obesidade, da hipertensão e do diabetes.

Esse desenvolvimento - centrado na prevalência nos valores do capital sobre os valores do cuidado e da responsabilidade com os seres humanos, especialmente com aqueles que sucumbem à competitividade e com a sustentabilidade do planeta - tem um efeito desagregador do ponto de vista sócio-ambiental, já que tanto os seres humanos e a natureza são atingidos pelo desequilíbrio ecológico ocasionado pela ação predatória irresponsável de uma parcela desses seres humanos, que se evidencia pela exclusão imposta dos que detém o poder aos mais pobres e pela exaustão dos ecossistemas.

Dessa maneira, a forma que se dão os processos produtivos – na lógica do capital - entra em rota de colisão com a capacidade que a biosfera dispõe de prover a demanda exigida pelos seres humanos, especialmente daqueles provenientes das nações ricas do Norte global, já que o ritmo da produção e do consumo são incompatíveis com o tempo necessário para que a natureza precisa para se renovar. Isso faz com que se evidenciem problemas ambientais de variados graus devido ao ritmo incessante do produtivismo mercantil do capitalismo. A esse respeito, Leff (2010) escreve:

Estudos demonstram que a escassez e esgotamento dos recursos deve-se sobretudo às formas de produção e aos padrões de consumo dos países industrializados e dos grupos privilegiados da sociedade. Commoner mostrou assim como as inovações do sistema capitalista para alcançar incrementos marginais na taxa marginal de lucros induzem uma exploração crescente dos recursos naturais e o consumo de energia. Ao mesmo tempo, as estratégias das multinacionais transferem a poluição aos “países subdesenvolvidos”. (LEFF, 2010, p.70).

No âmbito do convívio social das comunidades, o ideário da lógica do capital se instaura nas relações sociais, cada vez mais, pela divulgação de falácias, via meios de comunicação, a favor da competitividade como um fator indispensável para que as empresas e

demais organizações sociais consigam - mediante essa competitividade – melhorar os serviços ofertados à população e, que por outro lado, as pessoas deveriam também competir entre si, de maneira incessante, para galgarem postos de trabalhos melhores, tendo como referencial os pressupostos centrados, exclusivamente, na ideia de que a competência profissional está diretamente relacionada à capacidade profissional em atender ao imperativo do mercado.

Isso gera sociedades que privilegiam apenas aqueles que conseguem a inclusão pela via da exploração ou da competitividade, ou seja, não se levam em consideração aqueles que foram excluídos do processo de concorrência (os perdedores), mas sim os supostos “ganhadores” da competição engendrada por essa lógica, a qual induz a vantagens aos “ganhadores” em detrimento dos perdedores. A respeito desta lógica que poucos saem “ganhando” e muitos saem perdendo, Singer (2002) diz:

A apologia da competição chama a atenção para os vencedores, a sina dos perdedores fica na penumbra. O que acontece com os empresários e empregados das empresas que quebram? E com os pretendentes que não conseguem emprego? Ou com os vestibulandos que não entram na universidade? Em tese, devem continuar tentando competir, para ver se saem melhor da próxima vez. Mas na economia capitalista, os ganhadores acumulam vantagens e os perdedores acumulam desvantagens nas competições futuras. (SINGER, 2002, p.08)

Dessa forma, essa competição produz uma sociedade apartada, do ponto de vista social, que se estrutura sob a égide da ganância no seu estado mais genuíno, em prejuízo de uma sociedade do bem viver erguida nos fundamentos da convivialidade e que se engendra pela cooperação entre as pessoas. Essa sociedade é edificada por uma novo modo de se relacionar na política, na cultura, na educação e na economia com vistas à inauguração de um modelo alternativo de um mundo mais humano e solidário no lugar do mundo utilitarista do neoliberalismo, que vigora hegemonicamente na contemporaneidade

Diante desse quadro social, moldado na competitividade, necessitamos com urgência da assunção de pessoas, na sociedade, que coloquem as suas existências a serviço de uma vida justa em contraposição a perversidade da lógica competitiva da globalização neoliberal. Nesse caminho, Brandão (2005) afirma que:

Precisamos ter a coragem de começar a dizer que já não necessitamos tanto de agentes-competitivos. Eles saturam as filas dos desempregados de “alto nível” com seus diplomas de “alto nível” com seus diplomas de MBA debaixo dos braços. Precisamos de pessoas coerente-cooperativas, capazes de pôr em prática a ideia de que não fomos feito apenas para produzir bens e serviços em mu mundo de ganhos- e-perdas, entre os custos-e-benefícios de uma vida injusta, impessoal e excludente. Fomos feitos para criar um nosso outro mundo. Fomos feitos para criar o mundo humano do primado da pessoa e da vida. Fomos feitos para construir este lugar feliz, pouco a pouco, na vida de cada dia e de maneira irreversível, por nossa conta e em nome do afeto do amor que nos une e da felicidade de todos e sempre, que é o nosso destino humano. E acreditamos que tudo isso é, a cada dia, mais urgente e importante sobretudo agora, na aurora dos tempos da “consciência”, mas também tempos de uma era em que quase tudo pode ser tornado uma utilidade prática de valor financeiro, uma boa mercadoria, uma qualidade medida pelo seu teor de quantidade aproveitável. (BRANDÃO, 2005, p. 24-25).

Logo, a emergência dessas pessoas coerente-cooperativas é uma das condições para a recuperação do humano em todos os espaços da sociedade, através do estabelecimento de práticas pedagógicas ancoradas em relações do tipo eu-tu, as quais se caracterizam pela comunicação verdadeira e pelo reconhecimento recíproco entre os participantes dos encontros.

Portanto, nesse caso, ocorre a responsabilidade entre os sujeitos da relação no sentido da constituição de um mundo comum, em termos da garantia de oportunidades para todos com o objetivo de construir uma sociedade geradora de um ensino e de aprendizagens fundados no diálogo crítico e na ética em prol da emersão da pessoa inserida na e com a comunidade local, nacional e global em torno do estreitamento de relações interpessoais.

Estes relacionamentos interpessoais devem ser engendrados em condutas das pessoas focadas para a inauguração de novos pontos de vistas, com a finalidade de substituir o desenvolvimento econômico quantitativo - medido exclusivamente pelo capital ilusório do acúmulo do dinheiro auferido, por uma minoria dos atores sociais, mediante o esmagamento da maioria dos atores sociais do total da população do mundo - por um desenvolvimento qualitativo sustentado no capital verdadeiro representado pela satisfação do bem-estar das pessoas de modo comunitário, em que cada uma dessas pessoas atue não em função somente de seu bem-estar, mas principalmente, levando-se sempre em conta o bem-estar dessas outras pessoas e da comunidade da vida da Terra em seu conjunto.

Como possibilidade para a emersão desse desenvolvimento regulado por uma abordagem qualitativa, cujo fundamento reside na mudança do Produto Interno Bruto (PIB) para outros indicadores de desenvolvimento humano e ambiental, que considerem, em

primeiro lugar, as atividades humanas não medidas por valores em moeda corrente como, por exemplo, aquelas ligadas à solidariedade, à responsabilidade e ao cuidado com os seres humanos e ao meio ambiente e ao respeito à diversidade cultural desses e a diversidade dos ecossistemas.

Um dos indicadores que poderia ser utilizado, ao invés do PIB, é o Índice de Progresso Genuíno (IPG), que acentua como aspectos mais importantes a serem contabilizados para efeito do cálculo desse índice, as ações e os projetos em torno de empreendimentos voltados para a sustentabilidade das comunidades, tanto do ponto de vista social como ambiental, isto é, empreendimentos que desenvolvam a produção e o consumo dentro de uma ótica de uma política e de uma economia geridas e estruturadas pela cooperação, em que todos os seres ajam em prol de uma nova ordem embasada, conforme Hathaway e Boff (2012, p.106), “na igualdade, na justiça, no empoderamento e na saúde ecológica”. Segundo os mesmos autores , o IPG:

Diferencia as atividades sustentadoras da vida das atividades destruidoras da vida. As primeiras são contabilizadas como produtivas, as segundas como custos. Todas as atividades, incluindo aquelas que não envolvem transações monetárias, estão incluídas nesse indicador. Isto permite uma melhor avaliação do progresso econômico real, que é baseado em fatores qualitativos ao invés do crescimento quantitativo. (HATHAWAY E BOFF, 2012, p.72).

Assim, uma humanidade na e pela cooperação pode ser (re) construída através de um processo educativo forjado no diálogo por intermédio do pensamento com a finalidade da formação de comunidades, que tenham como objetivo a implantação de um desenvolvimento humano qualitativo, enfatizando uma nova ordem propugnada por práticas que suscitem a formação de comunidades sustentáveis em todo o mundo, cujos princípios estejam balizados na defesa da vida em sua totalidade, que conforme Hathaway e Boff (2012, p.106) esses princípios são organizados nas seguintes assertivas:

“A vida é solidária e cooperativa; os seres humanos são seres de muitas possibilidades [e se organizam] a partir da cooperação; [os seres humanos] amam a vida [e] defende os direitos de todos; [há um] equilíbrio entre o masculino e o feminino”.

Desse modo, essas comunidades devem ser constituídas por encontros intersubjetivos engendrados pelo princípio da colaboração, construído em torno da emergência do nós em detrimento do eu solitário, isto é, em torno da colaboração recíproca em que ambos os polos

se reconheçam mutuamente como pessoas historicamente responsáveis pela criação - em comunhão - de processos políticos e pedagógicos necessários à ascensão de uma sociedade plenamente humana com base na assunção da igualdade, tendo-se em conta o respeito à diversidade cultural das pessoas. A respeito desse princípio da colaboração, Fiori (2005) aponta que:

Se o mundo é o mundo das consciências intersubjetivadas, sua elaboração

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