correspondendo a 33,3%,que afirmam que, ao mesmo tempo em que o professor se dispõe a fazer as tarefas propostas, acreditam que o professor da história está realizando um papel educativo, ensinando os alunos; ou as respostas em que os professores se prontificam a fazer as tarefas, mas acham errado executá-las; ou seja, o nível II, mais uma vez, identifica as respostas ambíguas, hesitantes ou que interpõem alguma condição.
(O que você pensa a respeito? O que acha disso?) Professor aí tá sendo mais
uma mãe do que professor, mas eu acho que, até então, se o professor tiver tempo... eu não acho que teria problema, porque você taria dando uma atenção que a criança não tem em casa... principalmente eu acho essas crianças de creche que muitas são deixadas às seis da manhã e os pais só pegam a noite. (Você acha que o professor deve fazer essas tarefas?) Acho que sim... é lógico que tem que ter ajuda da família, mas eu acho que, se tiver um tempo, a gente pode fazer isso, sim. (Como resolver estes
problemas?) Pedir ajuda aos pais, falar com eles (A1).
(O que você pensa a respeito?) É complicado, né, porque aí no caso, você
tem que parar pra pensar numa sala de aula que tem mais de 20 alunos, quanto tempo vai ter pra fazer isso e quanto tempo vai te sobrar pra fazer o restante? Aí eu acho que pra o professor assumir esse compromisso teria que ser um pouco antes da entrada [...] a responsabilidade é da família, família não faz, professor que tem essa consciência vai tentar de alguma forma suprir e ajudar o aluno nessa parte, né? Tem que chamar a mãe, explicar o motivo pelo qual a criança precisaria vir a escola mais limpa com as unhas aparadas, é uma formação, é uma questão difícil, difícil, fazer não é o problema, o problema é conseguir fazer isso sempre com regularidade sem afetar o rendimento da atividade escolar [...]. é complicado, né? Que que tá virando o ensino? (Você acha que o professor deve fazer essas
tarefas?) Deveria no sentido de tentar conscientizar [...] mas eu acho que
essa atividade não poderia ser contínua, porque isso não faz parte do nosso, do nosso... trabalho. (Como resolver estes problemas?) Eu acho que teria que ser bem nesse esquema: ‘Oh, vou pedir pro aluno trazer uma toalha, um sabonete e mostrar pra ele como ele se sentiria melhor depois de um
(O que você pensa a respeito?) Bom, eu acho que a escola tem essa função
de estruturar, de fornecer essa educação primeira aí, de noções de higiene, noções básicas, eu acho que isso aí não tá sendo contra os princípios da profissão. Acho que vale a pena até por uma educação, até se os pais não tem como fazer isso, acho que a escola aí não teria problema em fazer, acho que o professor poderia dar esse banho, ensinar, educar e verificar, se esse pai não tá fazendo, acho que tem que chamar, conversar numa reunião, explicar e até ensinar os próprios pais como fazer, porque às vezes os pais não tiveram esse tipo de informação... (Você acha que o professor deve fazer
essas tarefas? Como resolver estes problemas?) Eu acho que ele pode fazer...
ah... (pensou) eu acho que é porque não tá indo contra o que é da profissão, não tá indo de encontro, um lado negativo, acho que tudo que a gente puder ajudar na parte de informação dessas pessoas, acho que é válido (C1).
Nível III - Neste nível, seis professores (M1, M2, G1, G2, H1, H2), ou seja, 50% do
grupo, entendem que não faz parte de seu trabalho cuidar dos alunos do mesmo modo que o protagonista da história, e assim se recusam a realizar tarefas que acreditam não fazerem parte de sua profissão.
(O que você pensa a respeito? O que acha disso) Eu acho que é função da
gente orientar, mas ter que cortar unha de aluno como eu já vi professor fazendo... eu acho um absurdo. Mas noções de higiene eu acho que não custa, eu tava comentando com ela, eu sou matemática, não tem nada a ver com isso, mas eu faço isso daí porque tem dia que você entra na sala e não agüenta, nossa, tem dia que você chega na sala de manhã e é insuportável o mau hálito, sabe, criança cheirando xixi, urina, (...) é porque eu não sei, acho que é um pouco falta de mãe em casa que sai para trabalhar o dia inteiro, então, não tem orientação, eu acho que isso não vai cair um pedaço não, isso aí faz parte (Você acha que o professor deve fazer essas tarefas?) Não... não, orientar sim, mas chegar ao ponto de dar banho... não... (Os
envolvidos alegam que as condições das crianças atrapalham o trabalho em sala de aula... Como resolver estes problemas?) É o que eu faço, você tem
que orientar, mas como que eu vou dar banho num aluno... não tenho nem, não tem nem condição, mas que tem hora que dá vontade de levar lá fora e falar para eles: vamos escovar os dentes? Isso tem. Vamos lavar os pés? [...] é falta de pai e mãe, é, mas é falta dele também, né, só que ele não foi orientado, então hoje não pode cobrar... é culpa dele? Não é (M2).
(O que você pensa a respeito? Você acha que o professor deve fazer essas tarefas?) Eu acho que a educação tem que educar. Eu acho que tem que
mostrar e não fazer. Tem que mostrar o que tá errado e nunca na frente das outras crianças, nunca deixando o aluno numa situação ruim. Seria interessante você tá ensinando, mas não fazendo. (Os envolvidos alegam
Não, eu acho que não. (Como resolver estes problemas?) Eu não sei como, mas eu ir dá banho no aluno, não é por aí... (H2).
Na penúltima história, questionávamos sobre uma situação em que o professor de uma determinada disciplina substitui o professor de uma disciplina diferente. Perguntávamos o que o entrevistado pensava sobre a situação e se concordava com essa medida. Caso a resposta fosse negativa, contra-argumentávamos que o aluno iria ficar sem aula e pedíamos a solução para o problema.
Foi possível estabelecer os três níveis obedecendo aos seguintes critérios: