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LES RELATIONS ENTRE LES PARTIES AU CONTRAT INDIVIDUEL DE TRAVAIL

PODER

Dois dos testes apresentados anteriormente se mostram bastantes e produtivos para determinar que a relação entre o verbo flexionado e o verbo não flexionado na sentença trate-se não de uma SV, mas de uma LV com o Vpoder. A negação de um ou de outro verbo está sendo vista aqui como tendo importância do ponto de vista apenas do sentido e em situações específicas.

Ao se considerar a estrutura sintática do verbo, isso não gera realizações linguísticas agramaticais. Do contrário, as sentenças geradas são plenamente aceitas em PB. Isso indica a não importância de negar o primeiro ou o segundo verbo, uma vez que a relação entre eles se mantém.

O primeiro teste é a concordância ou não de argumentos externos com os verbos envolvidos em uma mesma estrutura argumental: no caso apresentado em (245) os sujeitos são distintos: “O homems mandou [j] prender o ladrão”.

O segundo é a possibilidade de desdobramento do verbo, que se encontra no formato de oração reduzida de infinitivo, em oração finita ou desenvolvida: teste também confirmado para (245).

No entanto, aplicados esses critérios à estrutura sintática do Vpoder, tem-se:

a) que tanto o Vpoder quanto o verbo na forma infinitiva que o procede possuem argumentos externos idênticos. Esse argumento quase sempre é foneticamente realizado junto ao verbo flexionado e não realizado foneticamente junto ao verbo não flexionado.

O exemplo a seguir serve para comprovação de ocorrências desse tipo, como em (249). Nele os verbos envolvidos na estrutura argumental são controlados pelo mesmo SN sujeito: tensões, que assume a função de argumento externo tanto de “poderão” quanto de “explodir” (250).

249. Dessa maneira, acumulam-se tensões que poderão explodir quando menos se espera. (Jornal Folha de S. Paulo, agosto de 2008)

250. Tensões poderão [tensões] explodir...

b) que o verbo encontrado no infinitivo não admite a transposição para a forma finita, não se converte em oração desenvolvida provida de gramaticalidade. Ao que parece, essa transposição torna-se possível, geralmente, quando os dois verbos não comungam de um mesmo argumento externo. Isso é possível verificar também em (249), anteriormente apresentado. Nessa sentença, o verbo

explodir jamais admitiria o desdobramento em uma oração desenvolvida e

gramaticalmente aceita (249.a) e (249.b).

249. Tensões poderão explodir quando menos se espera. (JFSP2)

249.a. *Tensões poderão [que explodam] quando menos se espera.

Testes realizados indicam rejeição de (249.a) e (249.b) por falantes nativos do PB. Da mesma forma que não é percebida, em (249), ações distintas representadas pelo Vpoder e pelo verbo explodir. Na verdade, ocorre a aceitação de que a operação se dá em um único bloco significativo (LV): “Poderão explodir.”

Esses princípios absorvidos pelo Vpoder já seriam suficientes para decisão de que ele não se trata de um verbo com funcionamento pleno e sim como constituinte de uma perífrase, pois não subcategoriza em sua estrutura argumental um objeto em forma de oração reduzida de infinitivo.

No entanto, há outras características peculiares a esse verbo que precisam ser trazidas à tona e que engrossam a reserva de argumentos para comprovação da sua propriedade plenamente auxiliar. Duas são elas e poderão ser discutidas com base nos dados a seguir, extraídos da Folha de S. Paulo (agosto de 2008).

251. No caso do Brasil, esses problemas podem ser sumariados na tríade: 1) integração nacional e continental; 2) desenvolvimento geral; e 3) modernização tecnológica.

252. Que destino pode ter o homem contemporâneo a partir da morte de Deus?

253. Poderiam ter proibido o cruzamento de bancos de dados e a troca de informações privadas de usuários por empresas (como fez a União Européia) ou impedido a constituição de travas que bloqueiam o acesso legal a conteúdos.

254. ... o governo poderia remover integralmente os impostos sobre os produtos da cesta básica.

255. Ele julga que a sobretaxa imposta ao nosso etanol só poderá ser extinta quando o setor de energia alternativa estiver plenamente desenvolvido nos Estados Unidos.

256. O tema dominante foi educação -nem poderia deixar de ser, pois estavam presentes quatro reitores de universidades públicas e particulares.

257. Essa história pode parecer pueril, inverossímil, mesmo.

258. A solução desses dilemas não pode mais ser adiada.

259. A competição é essencial ao atletismo porque é só por meio dela que se podem fazer comparações.

260. No entanto, são pouquíssimas as pessoas que podem realmente avaliar os argumentos usados pelos dois lados.

É visível que, nas ocorrências acima (251 a 260), o Vpoder faz parte de uma estrutura sintática na qual se vincula a outro verbo – portanto estereotípica –, mesmo que esse verbo encontre-se elipsado ou em suspensão, como nos dados já discutidos antes. E

esse fenômeno se faz presente em todas as suas ocorrências verificadas nos dados colhidos na Seção “Tendências e Debates” da Folha de S. Paulo, publicados em agosto de 2008.

Em momento algum se registrou sua ocorrência isolada de outro verbo, ou seja, subcategorizando um SN para seu argumento interno restrito (v. transitivo) ou tão pouco com funcionamento na condição de verbo sem a exigência de um argumento interno (v. intransitivo).

O que se conclui disso é que Vpoder se constitui um verbo sem autonomia dentro de uma estrutura argumental, por isso nunca irá aparecer sozinho, sempre estará pareado com outro verbo, e nunca estará relacionado diretamente com um SN em função de seu argumento interno, mesmo que em forma de oração reduzida de infinitivo.

Os SNs que ocupam a função de objeto, em todos os exemplos, sempre estão sendo subcategorizados pelo verbo principal que os precede e do qual assume o papel de categoria funcional: modo, tempo, número e pessoa.

Esse mesmo verbo em outros contextos é autônomo, ocorre naturalmente isolado e em sentenças gramaticais – mesmo que subcategorize um SN ou SP –, sem a sua flexão estar sendo exercida por um auxiliar; ou não subcategoriza um SN, funcionado como verbo intransitivo. Comprova isso a redução da perífrase das orações (251) a (260) ao seu verbo principal em (261) a (270), pela admissão de apagamento do Vpoder, mas não do Vp.

261. No caso do Brasil, esses problemas [poderão ser sumariados] são sumariados na tríade...

262. Que destino tem [pode ter] o homem contemporâneo a partir da morte de Deus?

262.a. *Que destino pode o homem contemporâneo a partir da morte de Deus?

263. [poderiam proibir] Proibiriam o cruzamento...

263.a. *Poderiam o cruzamento.

264. ... o governo[poderia remover] removeria integralmente os impostos.

264.a. ... *o governo poderia integralmente os impostos.

265. Ele julga que a sobretaxa imposta ao nosso etanol só[poderá ser] será extinta.

265.a. *Ele julga que a sobretaxa imposta ao nosso etanol só poderá extinta.

266. O tema dominante foi educação –nem [poderia deixar de ser] deixariam de ser...

266.a. *O tema dominante foi educação –nem poderia de ser...

267.a. *Essa história poderá pueril, inverossímil, mesmo.

268. A solução desses dilemas [poderá ser] não será mais adiada.

268.a. *A solução desses dilemas poderá mais adiada.

269. ... só por meio dela que se [poderão fazer] farão comparações.

269.a. ... *só por meio dela que se poderão comparações.

270. ... as pessoas que [podem avaliar] realmente avaliam os argumentos usados pelos dois lados.

271.a. ... *as pessoas que podem realmente os argumentos usados pelos dois lados.

Essas sentenças (261 a 270) sofreram o cancelamento do auxiliar Vpoder e não perderam a condição de gramaticalidade. No entanto, o mesmo não ocorre com a aplicação do princípio de “apagamento” dos seus verbos principais, como demonstrado nas alíneas “a” de cada um dos dados (*A solução desses dilemas poderá mais adiada.), numa indicação da apenas funcionalidade possível de dispensa ao Vpoder, indicando que se tratam de construções de caráter LV e não de SVb.

CAPÍTULO 4

4. ELIPSE TOTAL DE SV, DE V E DE SN APLICADA AO VERBO PODER

É intenção da discussão proposta neste capítulo a aplicação das noções de elipse como estratégia para explicação de construções em torno do Vpoder, em que a finalização da sentença dá-se por esse verbo e junto a termos indicadores de indefinitude, comportamento que parece indicar a sua autonomia em ocorrências desse tipo.

O princípio da economia linguística é um dos fatores que motivam a essa investida, em torno dos diversos princípios nos quais se ancora a organização textual. É certo que esse nível de análise não interessa aos objetivos desta tese; no entanto, se faz necessário apenas para uma definição e distinção operacional das elipses aqui discutidas e que serão aplicadas na análise do fenômeno acima apresentado.

A opção em se debruçar sobre o Inglês não se deu pelo desinteresse em dedicar estudo à observação de funcionamento do Vpoder também no Espanhol e no Francês, mas pela falta de acesso a nativos parra testagem de dados nessas duas línguas.

Foi a produções da língua inglesa a que se teve acesso mais abundantemente, e, da mesma forma, a nativos com os quais se pudesse testar os dados oriundos dessa língua. Percebeu-se, mesmo assim, pelos poucos dados acessados que o Francês e Espanhol se constituem terrenos frutíferos para a verificação do comportamento do Vpoder em sua estrutura sintática.

Nesse sentido, pretende-se de forma mais aprofundada envidar estudos que descrevam em tom comparativo com o PB os mesmos fenômenos restritivos que se propõem estudar nesta tese para o Vpoder no Português do Brasil.

4.1. UMA APLICAÇÃO DA ANÁLISE DE OCORRÊNCIAS DA ELIPSE EM TORNO DO VPODER NO