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RÉSEAU DE DISTRIBUTION D’EAU

Dans le document Recherches pour un atlas de Constantine (Page 134-139)

Na bacia hidrográfica do Sado, a área ocupada por unidades industriais corresponde a menos de 1%, encontrando-se muito dispersas, em contraste com a zona envolvente do estuário, em particular na sua margem direita, junto a Setúbal (figura 2.13).

Das fontes pontuais de poluição identificadas na BHS, 93% (contra 7% do domínio urbano) correspondem a actividades industriais, (Hidroprojecto, 1999-2003). Das unidades industriais em laboração na actualidade, o sector pecuário (suiniculturas, boviniculturas e aviários) destaca-se com uma representação de 28%, em paralelo com os 21% do sector agro- alimentar (lagares de azeite, adegas e destilarias, fábricas de conserva e outras). As suiniculturas e boviniculturas estão bem representadas na margem direita do estuário e na zona NE da bacia (figura 2.13), constituindo uma fonte poluente importante.

Considerando os dados obtidos no inventário nacional de saneamento básico elaborado em 1994 (Hidroprojecto, 1999-2003), a actividade industrial na BHS era caracterizada por uma situação de saneamento ainda menos eficaz que a actual, com 65% das unidades a procederem a descargas directas nas linhas de água, contra os 44% à data da elaboração do plano da BHS. Há a considerar ainda que, dos restantes 35% ligadas a sistemas de água residuais (SAR), muitos resíduos industriais chegam ao estuário sem tratamento, uma vez que em 2000, 13% dos efluentes das SAR’s não sofriam tratamento nas ETAR’s, já para não referir que em muitos casos estas estações procedem a tratamentos ineficientes.

Na margem direita do estuário localiza-se um grande número de unidades industriais potencialmente poluidoras, as quais descarregaram os seus efluentes directamente no estuário, durante décadas.

Figura 2.13 – Poluição pontual industrial na BHS (Hidroprojecto, 1999-2003). Quadrícula quilométrica do sistema de Hayford-Gauss

12 5. 0 15 0. 0 17 5. 0 20 0.0 22 5. 0 175.0 150.0 125.0 100.0 75.0 12 5. 0 15 0. 0 17 5. 0 20 0.0 22 5. 0 175.0 150.0 125.0 100.0 75.0

Para as unidades industriais por nós inventariadas em Março de 2006 (anexo 1), a situação actual apresentada é bem diferente da verificada num passado recente (Catarino et

al., 1987 – anexo 1). Com excepção de uma pequena unidade industrial, actualmente todas canalizam os seus resíduos domésticos para estações de tratamento de águas residuais (ETAR) e todos os resíduos industriais (perigosos ou não) são seleccionados, armazenados e regularmente recolhidos por empresas certificadas, com destino à sua valorização, destruição ou depósito em aterro.

Em todo o tipo de indústrias visitadas, na zona entre o limite Oeste da cidade de Setúbal e o fim da estrada da Mitrena (margem norte do estuário do Sado), há actualmente uma preocupação com as questões ambientais, mais propriamente com o destino dos resíduos sólidos e líquidos, não só por imposição da legislação, como também pela necessidade do cumprimento da mesma para financiamentos comunitários e certificação das empresas.

Das unidades industriais instaladas nesta zona, destacam-se as referenciadas na tabela 2.1, pela sua dimensão, proximidade ao estuário, impacte paisagístico e provável impacte na qualidade das águas estuarinas. A selecção das unidades industriais aqui destacadas tem ainda em consideração a emissão de gases para a atmosfera e a vulnerabilidade dos processos de transporte de materiais perigosos.

INDÚSTRIA ACTIVIDADE

Maurifermentos Produção de fermentos e leveduras

Transminas

Transvase de concentrado de Cu (ramal ferroviário – armazém – navios)

Transvase de fuel óleo (navios – oleoducto)

EDP Produção eléctrica

Matadouro Abate de animais

Sapec Terminais Portuários

Transvase de agro-alimentares, cimentos e granéis líquidos (ácidos sulfúrico e fosfórico, soda cáustica e melaço) Sapec Agro Produção de fitofarmacêuticos

Sopac Produção de adubos

Portucel Produção de pasta de papel

Lisnave Reparação de navios

Setefrete/cimenteiras Secil e Cimpor

Transvase e armazenamento temporário de clincker e

petcoque

Eco-oil Recepção e tratamento de misturas e águas oleosas da lavagem de navios

Tanquisado Transvase e armazenamento de produtos petrolíferos Tabela 2.1 – Estabelecimentos industriais potencialmente mais

Nos últimos anos tem-se assistido ao encerramento de várias unidades industriais na BHS e em particular na zona industrial de Setúbal o que, em paralelo com o melhoramento do sistema de saneamento básico e introdução de medidas minimizadoras de impacte ambiental pelas indústrias instaladas, terá conduzido a uma redução nas descargas de poluentes nas águas do estuário.

Pelas características particulares que exibem, as explorações mineiras abandonadas na BHS (figura 2.14 e anexo 2) assumem especial relevância no contexto da poluição das linhas de água, devido à lixiviação das escombreiras e/ou galerias, originando efluentes contaminados por metais pesados. A própria água da mina pode causar impacte no ecossistema circundante, devido aos baixos valores de pH que frequentemente exibe, factor que contribui para o aumento da capacidade de dissolução e transporte de elementos químicos, sob a forma de lixiviados, por vezes a distâncias consideráveis da sua origem (Oliveira et al., 2002).

Embora as explorações mineiras imprimam, de uma forma geral, um forte impacte no meio envolvente, a área afectada pelos efeitos poluentes sobre os ecossistemas é muito inferiores à afectada pelas actividades agrícolas (dados da Agência Europeia do Ambiente, in Oliveira et al., 2002). No entanto, ao nível dos metais pesados, as concentrações que podem ser originadas pela actividade mineira supera aquelas que são produzidas pela actividade agrícola.

Do diagnóstico ambiental das principais minas abandonadas e/ou inactivas do país, realizado por Oliveira et al. (2002), 11 estão dentro do limite da BHS (figura 2.14), não estando consideradas as minas de Aljustrel, por ainda se encontrarem em actividade (manutenção). Neste diagnóstico, constatou-se que a influência dos materiais resultantes da actividade mineira se faz sentir no meio envolvente, mesmo depois do abandono da exploração, constituindo as escombreiras a maior fonte de contaminação. Assim, as águas de escorrência das escombreiras, originadas pela infiltração das águas das chuvas no material acumulado no exterior da mina, bem como as águas que contactam com as frentes expostas das explorações, exibem concentrações anómalas dos metais explorados, resultado de processos químicos de dissolução.

Todos os casos avaliados neste estudo apontam para o efeito poluente dos sulfuretos, que sendo muito vulneráveis aos agentes atmosféricos, em resultado do seu baixo potencial de oxi-redução, se transformam facilmente em presença do oxigénio dissolvido nas águas pluviais. A oxidação dos sulfuretos implica a diminuição dos valores de pH das águas de

escorrência, situação que favorece a estabilização dos metais em solução (permitindo o transporte), para além de induzir um maior poder dissolvente.

Das 172 ocorrências minerais na BHS (figura 2.14), destacam-se as minas de Aljustrel (figura 2.15), Lousal (figura 2.16) e Caveira (figura 2.17), pela amplitude dos trabalhos mineiros aí desenvolvidos durante décadas que, tendo contribuído em larga escala para a carga poluente em metais pesados drenada nas linhas de água da bacia, também deixaram impresso nas populações que delas dependiam um valor cultural incontestável, razão pela qual são alvo de estudos para futura musealização, processo já iniciado na área mineira de Lousal.

Figura 2.14 – Ocorrências minerais exploradas na BHS.

Ocorrências minerais exploradas (abandonadas ou em manutenção). Ocorrências minerais abandonadas com estudo de impacte ambiental.

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Sedes de Concelho

Mina de Lousal

Figura 2.15 – Minas de Aljustrel (couto mineiro de Feitais): aspecto da exploração abandonada (em cima à direita) e águas ácidas da lixiviação das escombreiras (em

cima à esquerda e em baixo).

Figura 2.16 –Mina de Lousal: aspecto das escombreiras e instalações da mina abandonada (à esquerda) e águas ácidas da lixiviação das escombreiras a direita).

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