• Aucun résultat trouvé

«PRÊCHE LA PAROLE»

Dans le document Td corrigé 1923 - La Sainte Bible pdf (Page 126-129)

A história do design, como a de qualquer campo da arte no mundo Ocidental, é repleta de fluxos e refluxos, ondas de negação que rompem o estilo anterior em troca de algo moderno ou que, inversamente, pretendem recuperar algo perdido em outras épocas.

Nos últimos anos, emergiu no desenvolvimento de produtos da cultura digital a ideia de flat design, ou “desenho plano”, se traduzirmos literalmente. Trata-se de um estilo que pretende remover qualquer elemento supérfluo para deixar apenas o essencial, o mais importante: a mensagem. A abordagem tem se tornado popular depois que grandes organizações como

Microsoft e Apple passaram a adotá-la na interface de seus produtos. Consequentemente, a filosofia se espalhou para o desenho de aplicativos e de sites.

Figuras 83 e 84 - Exemplos de pôsteres da escola suíça de design, também conhecida pela nomenclatura Internacional Typographic Style. Fonte: Cas (2012)

A estética do flat design recupera, no mínimo, 80 anos de história do design gráfico. Sua inspiração é capturada nas ideias dos designers da Bauhaus, do movimento suíço (Figuras 83 e 84) e do design minimalista (TURNER, 2014). Todos esses movimentos procuravam também romper com o padrão anterior, baseado na ampla utilização de ornamentos e aspectos que nada acrescentavam na funcionalidade de qualquer objeto de design. Não é sem razão o envolvimento do designer de informação nessa estética, pois o estilo de pictogramas é flat.

O estilo tipográfico suíço, dominante nas décadas de 1940 e 1950, voltou-se principalmente para o desenho funcional, com a implantação rígida dos grids, em tipografias sem serifas e na hierarquia limpa dos elementos. A composição das peças muitas vezes era baseada em grandes fotografias, que ofereciam o impacto visual necessário, com tipografias simples e minimalistas. A tipografia Helvetica, admirada até hoje pela comunidade de designers, surgiu dentro deste movimento, em 1957.

Turner (2014) também afirma que há confluências do flat design com o movimento de design minimalista, em voga nas artes plásticas norte-americanas no final dos anos 1960 e início

dos anos 1970. Nomes como Donald Judd, John McCracken, Agnes Martin, Dan Flavin, entre outros, realizaram obras nas quais era necessário aparar todas as arestas, deixando apenas elementos necessários como formas geométricas, cores brilhantes, linhas limpas. A série The Epoch Blue, de Yves Klein, é um exemplo dessa abordagem. Os quadros atingiram o mais alto minimalismo ao recorrerem a apenas uma cor azul sólida, ocupando quase a totalidade da tela. O minimalismo atingiu também outras áreas como a música e a literatura (vide o estilo direto e resumido da narrativa dos livros de Ernest Hemingway).

Retornando ao flat design, trata-se de um desenho livre de qualquer detalhismo tridimensional ou efeito como sombras, gradientes de cor e texturas. Assim como nos movimentos anteriores que inspiraram o estilo, há um foco na tipografia e nas cores. Para os atuais webdesigners e desenvolvedores de aplicativos, paira um ar de frescor e modernidade ao adotar tal estilo.

Figura 85 - Interface do Windows 8. Fonte: Court (2013)

Cabe notar que há uma oposição direta ao rich design, que poderia equivaler a movimentos como o Art Nouveau e o Arts and Crafts de William Morris, cuja finalidade é adicionar ornamentos, sombras, detalhismos estilísticos. Não é necessariamente o mesmo que o “skeumorphismo”, cujo objetivo é desenhar algo de forma semelhante a seus equivalentes físicos, para criar um sentimento de familiaridade para o usuário. É o exemplo da metáfora do desktop das interfaces do usuário.

No mundo digital, o flat procura superar a necessidade da metáfora, como se usuários não necessitassem mais olhar na tela objetos do dia a dia para poderem se comunicar com o

computador. Na prática, trata-se de uma descontinuidade, de um paradigma desde a popularização dos computadores pessoais e da rede mundial de computadores. Na teoria, sabemos que é o mesmo fluxo e refluxo de movimentos que vigora desde o modernismo nas artes visuais. Só que na versão digital.

Podemos considerar a emergência do fenômeno do “desenho plano” a partir da interface trazida pelo tocador de música digital Zune, lançado pela Microsoft em 2006, para se opor ao popular iPod, da Apple (Figura 86). A estética da interface do Zune não trazia nada de semelhante aos demais produtos da Microsoft, como o popular sistema operacional Windows. Foi uma mudança drástica e uma aposta duvidosa, à época. O estilo apresentava menus amplos, tipografia sem serifa e grandes imagens que ocupavam o fundo da tela. A interface e a aparência física do produto traziam essa experiência integrada de simplicidade de elementos.

Figura 86 - A primeira versão do Zune e sua interface. Fonte: Miller (2006)

Se o player (descontinuado em 2011) não chegou a ameaçar o iPod, o projeto de interface contaminou os demais produtos da Microsoft, principalmente, quando o estilo, agora batizado de Metro, foi utilizado no sistema operacional para smartphones Windows Phone 7, em outubro de 2010, e posteriormente no Windows 8 (Figura 85). Ambos mantiveram o mesmo grid rigoroso para organização dos elementos na interface, tipografias sem serifa em tamanhos maiores, cores fortes e sólidas e imagens ocupando o fundo desses módulos. O mesmo estilo também foi ampliado para o console Xbox 360 e para os sites da companhia.

A Apple também tinha outra carta na manga e decidiu apostar no flat design a partir do lançamento de seu sistema operacional móvel, o iOS7, em 2013 (Figura 87). Com isso, abandonou o “skeumorphismo” que tanto defendera anos antes. A marca, conhecida por

produzir ícones do design, modernos e atraentes, parece ter tornado o estilo popular da noite para o dia, quase que instantaneamente. O estilo do iOS7, também com desenhos simplificados, cores sólidas, tipografia grande e sem serifa, influenciou fortemente a concepção de sites e de aplicativos. O “skeumorphismo” e a metáfora do desktop pareceram ter envelhecido.

Figura 87 - Comparação entre os sistemas iOS6 e iOS7, antes e depois do flat design surgir na interface do

sistema operacional. Fonte: Moura (2013)

Conforme assinalamos, a estética plana também foi adotada na criação de sites, de forma mais ampla no responsible design (ou desenho responsivo), cuja finalidade é desenvolver uma estrutura de página capaz de se adaptar a diversos dispositivos e formatos de tela. A necessidade de ter essa adaptação também requereu eliminar detalhes estéticos para tornar mais eficiente o carregamento das páginas.

Ao tentar descrever o futuro do flat design, Turner (2014) aposta que seja uma moda passageira, assim como os demais estilos anteriores que passaram na história do design e na internet. O autor crê que tal filosofia ainda apresente seus problemas, como a eliminação de algumas pistas visuais que ajudavam o usuário, por exemplo, a saber se algum ícone está clicado ou não (pois não há mais sombras). Necessita-se também de atualizações, a exemplo da proposta do Google para o seu material design50, uma espécie de evolução do flat design com algumas possibilidades para manter sombras e gradientes de cor, de maneira a não perder a ideia de tridimensionalidade, mesmo sendo simples no recurso estilístico.

Dans le document Td corrigé 1923 - La Sainte Bible pdf (Page 126-129)