• Aucun résultat trouvé

point  sur  les  différentes  méthodes  de  correction

CHAPITRE  3.   Variation  et  publics  adultes  FLM  et  FLE

3.   Aspects  didactiques  du  projet

3.3.   point  sur  les  différentes  méthodes  de  correction

Reconhecido o agente central, verificou-se quão importante era identificar com quais pessoas pertencentes a sua estrutura de trabalho ele/ela compartilhava conhecimento.

Levou-se em consideração inicialmente que, para ocorrer transferência de conhecimento, certo nível de confiança deve haver entre os parceiros (BECERRA; LUNNAN; HUEMER, 2008) e que a capacidade de o agente central aprimorar o seu conhecimento pode estar atrelada a uma habilidade de lidar com o conhecimento de outros, isto é, requer interatividade de um conjunto de conhecimentos (GRANT, 2011). Esse posicionamento também é encontrado na obra de Leonard e Sensiper (1998) quando apontaram que os processos baseados em troca e acúmulo de conhecimento raramente são empreendimentos individuais.

Sveiby (1997) chama a atenção para o modo como o conhecimento se apresenta e flui. Ao definir ‘rede social’, evidencia a sua constituição a partir de relacionamentos pessoais em determinado ambiente; o que Nonaka e Takeuchi (1997) trataram por socialização desenvolvida no espaço Ba (NONAKA; KONNO, 1998) que (grosseiramente traduzido do Japonês) significa ‘local’.

Plataforma chave para a criação do conhecimento, o Ba foi considerado pelos autores como um espaço de compartilhamento que serve para provocar a geração do conhecimento, bem como, aquisição e troca de conhecimento. Pode ainda ser capaz de confluir

56 O Anexo A apresenta a cópia de uma Portaria da 4ª Região onde se pode observar a quantidade de

95 conhecimentos tácitos entre diferentes atores sociais, saberes, visões de mundo, na busca da concretização de objetivos organizacionais ou individuais (LOUREIRO, 2002).

As interações que se dão sob a forma de encontros e debates informais (conversas) e formais (eventos de natureza interativa, como seminários, congressos) são em sua essência Ba onde são promovidos movimentos do conhecimento tácito caracterizado pelo compartilhamento. Pessoas e organizações, ao permitirem trânsito a seus conhecimentos tácitos, possibilitam transformações de conteúdos mentais, surgimento de novas ideias, inovação e melhor desempenho organizacional (LEMOS, 2000; SHOUKAT, 2012).

Dentre os subespaços que compõe o Ba, há um específico para o conhecimento tácito,

Originating Ba, conforme a figura 7, que cria atmosfera à socialização e permite o movimento social de experiências e modelos mentais. Este espaço tem por propósito promover a remoção de barreiras entre o indivíduo e os outros membros da organização. Dele, “emerge cuidado, amor, confiança e compromisso” (NONAKA; KONNO, 1998, p. 46). Na visão dos autores, o conhecimento tácito é o fundamento do conhecimento e propicia sua criação e acúmulo em nível individual.

Figura 7 – As quatro características do Ba

Fonte: Nonaka e Konno (1998, p. 46).

Na transferência de conhecimento, a intensidade dos laços (fortes/fracos) entre fonte e receptor depende da qualidade do relacionamento e da natureza do conhecimento (tácito ou explícito) a ser compartilhado (JASIMUDDIN, 2007 apud PETRIN, 2015) e aumentam

96 conforme a frequência da comunicação e da interação (ARGOTE et al., 2003 apud PETRIN, 2015).

Pela perspectiva de rede, Borgatti e Li (2009) visualizaram qualquer sistema como um conjunto de nós e atores inter-relacionados. Desenvolveram uma tipologia de laços (figura 8) entre diversos tipos de grupos. O primeiro nível separa os laços em Contínuos, laços que estão continuamente ligados, como esposo e esposa, e em Discretos, laços baseados em eventos discretos57, número de vezes que o indivíduo A envia email ao indivíduo B.

Figura 8 – Tipos de laços

Fonte: Borgatti e Li (2009, p. 3).

A segunda camada de níveis revela quatro grupos de laços, provenientes, dois a dois, de cada tipo do primeiro nível. Na bipartição do tipo Contínuos, são apresentadas as classes:

57 Em evento contínuo, o fenômeno pode ocorrer em qualquer instante de tempo. Em um evento discreto,

considera-se a ocorrência de um fenômeno apenas em determinados instantes de tempo dentro de um período, verifica-se o fenômeno a cada intervalo de 5 minutos, por exemplo (CHANIN et. al, 2005).

97  similaridades que representa relacionamentos interpessoais que os autores consideraram “pré-sociais” e classificaram em Co-localização (Co-location), levando em consideração a distância física; Co-membro (Co-membership), pertencentes aos mesmos quadros e Atributos Compartilhados (Shared

Attributes), relativos à raça;

 relações sociais que foi subdividida em Parentesco (Kinship); Outros Papéis (Other Role), “chefe de...”, “amigo de ...”; e Cognitivo-afetivo (Cognitive-

affective), quando apresentavam gostos e desprazeres semelhantes.

As classes vizinhas, Interações (Interactions) e Fluxos (Flows) pertencem ao tipo Discreto.

No que diz respeito ao compartilhamento de conhecimento tácito nos JEF, depreendeu-se, a partir de Borgatti e Li (2009) que o fenômeno ocorre de forma contínua e cada relacionamento (com pares, com ASJ e com servidores) segue um laço distinto.

No estabelecimento da RC, consideraram-se quais indivíduos ou grupos mantinham com o juiz maior frequência de comunicação. Foi proposto que o compartilhamento fosse avaliado segundo a frequência de interação do agente central (AC) com: os seus pares; com agentes externos (AE) e com a sua própria equipe de trabalho. Esse arranjo social foi tratado por Rede de Compartilhamento, conforme a figura 9.

Figura 9 – Rede de Compartilhamento (teórica).

Fonte: Do autor.

A interação entre os membros dessa rede se dá nas duas direções, do centro para as extremidades e das extremidades para o centro. O profissional atua como nó da rede. Redes que interligam pessoas cuja experiência e preparo facilitam o trabalho com o formato tácito de conhecimento, são facilitadores da execução dos serviços (SILVA, 2004).

Mesmo ciente de que é menos comum a troca externa de conhecimento tácito (FETTERHOFF; NILA; MCNAMEE, 2011), firmou-se a presença dos ASJ na RC com base no entendimento de que:

AC

Pares

AE Equipe

98 a) as fontes de conhecimento necessárias às atividades da organização podem

estar dentro ou fora da organização (LEMOS, 2000);

b) os bens intangíveis relevantes para a organização, os “ativos de mercado” (fornecedores, entes cooperativos ou alianças estratégicas), são parte do negócio (REZENDE, 2002); e

c) os fornecedores, consultores, parceiros de outras empresas, pesquisadores funcionam como “recursos do entorno”, apesar de externos à organização, influenciam nos resultados. (PENROSE, 2006, p. 15).

Para análise do laço juiz-equipe, o modelo de Lytras e Pouloudi (2006) – figura 10 – contribuiu para que também fosse avaliada, na relação social de compartilhamento de conhecimento tácito, a interação do indivíduo com equipes de trabalho.

Os autores destacaram dois tipos principais de atores integrantes do fluxo de conhecimento, (1) a pessoa que carrega experiências, habilidades, conhecimento e cognição e capacidade de aprendizagem; e (2) o grupo, a equipe, o time, que utiliza a sinergia dessa rede para atingir os objetivos da organização. Assinalaram, contudo, que esse fluxo dinâmico de conhecimento raramente acontece de forma explícita.

99

Figura 10 – Fluxo dinâmico em organizações intensivas em conhecimento58

Fonte: Lytras e Pouloudi (2006, p. 69).

A dinâmica do trabalho conjunto do indivíduo com sua equipe cria um ambiente contextual onde se desenvolve e acontece o fluxo de conhecimento. Esse fluxo pode ser tido como um mecanismo de transformação organizacional baseado em conhecimento.

A “capacidade de conhecimento”59 de cada indivíduo, dentro do grupo ou fora dele,

atua em prol de um constante compartilhamento sujeito-ambiente, sujeito-sujeito e sujeito- equipe.

Nos JEF, cercam-se os juízes de suas equipes de trabalho, assessorias e secretarias que contribuem com seu conhecimento tácito de forma individual ou coletiva para a elaboração das decisões e sentenças.

Traçando um paralelo com a RC teórica (Figura 9) com os laços percebidos nos JEF, tem-se: como agente central (AC), o juiz; como seus pares, outros juízes; como agentes externos, os ASJ; e como sua equipe, os servidores, conforme demonstra a figura 11.

58 No original knowledge-intensive organization. 59 No original, knowledge capacity.

100

Figura 11 – Rede de Compartilhamento aplicada aos JEF.

Fonte: Do autor.

Na constituição da RC e na análise dos laços interativos, levou-se em consideração: 1) a importância da avaliação da frequência de contato entre os juízes e seus pares, dada as similaridades que apresentam por pertencerem ao mesmo quadro e dividirem o mesmo local de trabalho (BORGATTI; LI, 2009).

2) O vínculo que se enxergou na figura do agente externo (ASJ) foi resultado de uma análise que considerou se havia e quem eram os principais sujeitos do processo de construção do conhecimento coletivo encontrados fora dos limites do Judiciário, pois, segundo Patokorpi (2006), peritos externos que possuem o conhecimento tácito relacionado às necessidades profissionais internas fazem parte da solução.

3.4.3 Etapa 3 – Mapeamento das possíveis dimensões e das variáveis explicativas,