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Les plumbarii

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 118-124)

Esclaves et affranchis publics employés dans les services techniques et de production

2. Les publici dans des fonctions de production

2.1. Les plumbarii

No tópico anterior, mencionamos que a autorreferência basal – caracterizada pela produção e reprodução de comunicações apenas em sua própria rede – ao estabelecer o limite dos sistemas sociais e proporcionar o fechamento operacional, realiza sua autopoiesis. A comunicação, desse modo, se configura como um acontecimento emergente (LUHMANN, 1998, p. 143) pelo qual são diferenciados os sistemas sociais de seus respectivos entornos.

Porém, o conceito de entorno não deve ser entendido como uma categoria marginal, mas sim, como uma diferença constitutiva para a formação dos sistemas, como uma condição prévia para sua identidade (LUHMANN, 1998, p. 172-173). A diferença entre sistema e entorno se entende enquanto uma forma, um caso particular de aplicação do cálculo geral das formas (LUHMANN, 2007, p. 42), em que ambos figuram como lados opostos de uma distinção realizada por um observador e que se pressupõem mutuamente.

Neste caso específico, a distinção é realizada pelo próprio sistema, ou seja: é uma diferença autoproduzida, que ordena todos os temas de comunicação segundo o esquema interno/externo, quando relacionadas respectivamente com uma auto-observação e uma observação externa (LUHMANN, 2007, p. 174-175). Desse modo, para a observação realizada internamente é válido tudo o que a partir do processo comunicativo se converta em tema. Por outro lado, a observação de sistemas psíquicos participantes representa uma observação externa (LUHMANN, 1998, p. 175).

Uma vez que os sistemas sociais são compostos apenas por comunicações, todas as demais composições altamente complexas – macromoléculas, células, sistemas nervosos e psíquicos – fazem parte do entorno (LUHMANN, 1998, p. 177). Essas ordens são entendidas enquanto condição de possibilidade para a operação dos sistemas sociais e se constituem a partir de interdependências próprias, sem a anulação dos limites sistêmicos (LUHMANN, 1998, p. 174).

Constata-se, portanto, o entorno como portador de uma complexidade mais elevada em relação ao sistema (LUHMANN, 1998, p. 176), tornando impossível para este, por mais refinadas que sejam suas estruturas temáticas e por mais complexas que sejam as possibilidades de linguagem, comunicar sobre a totalidade do entorno. Com isso, a relação entre sistema e entorno se constrói sempre de forma assimétrica, constituindo um gradiente de complexidade (LUHMANN, 1998, p. 177).

Na dimensão temporal, o gradiente de complexidade pode entendido enquanto identidade de instantes para sistema e entorno, ou seja: um fluxo regular no tempo

(LUHMANN, 1998, p. 179). A simultaneidade necessária das relações, por outro lado, não implica na identidade temporal entre os respectivos passados e futuros. O conceito de simultaneidade apenas estabelece que o presente seja idêntico para sistema e entorno. Os horizontes de passado e futuro apenas podem ser integrados enquanto horizontes de mundo (LUHMANN, 1998, p. 180), permanecendo como um resultado próprio do sistema.

Para o manejo do gradiente de complexidade, o sistema desenvolve uma sensibilidade seletiva, regulada por suas estruturas (LUHMANN, 1998, p. 177) que permite a restrição ou amplificação de sua posição frente ao entorno na forma de contatos (LUHMANN, 1998, p. 189). Esta sensibilidade, não é entendida como um problema relativo ao controle do trânsito de elementos entre sistema e entorno, mas sim um problema constitutivo da reprodução sistêmica e de auto-identificação (LUHMANN, 1998, p. 193). Nesse contexto, a autonomia representa a capacidade de seleção dos aspectos pelos quais o sistema estabelece laços de dependência com o entorno (LUHMANN, 1998, p. 195), utilizando operações próprias e referência a suas próprias estruturas. Ainda como expressão do gradiente de complexidade está o fato de que cada diferenciação posterior deverá ser atribuída a um de seus lados (LUHMANN, 1998, p. 181). Para tanto, os sistemas desenvolvem estratégias – esquematismo igual/desigual ou abstração dos sistemas no entorno em uma topologia científica – para seu ordenamento (LUHMANN, 1998, p. 182).

Diferenciações internas e externas utilizam procedimentos completamente diferentes: enquanto a externa se utiliza de um esquema de observação do entorno pelo sistema, a outra é entendida como o processo de reprodução autopoiética – uma reconstrução de acontecimentos reutilizáveis (LUHMANN, 1998, p. 182). A diferenciação interna, especificamente, tem como referência os limites de sistemas já diferenciados, de modo que apenas podem reproduzir internamente outros do mesmo gênero – sistemas vivos produzem outros sistemas vivos, funcionando o mesmo princípio para os sistemas sociais (LUHMANN, 1998, p. 183). Como exemplo, temos a diferenciação interna da sociedade em sistemas parciais pela especificação funcional, onde os sistemas se localizam nos entornos internos uns dos outros. “A diferenciação de sistemas é, portanto, a repetição da formação de sistemas nos sistemas em direção ao aumento e normalização da improbabilidade” (LUHMANN, 1998, p. 183)

A partir dessas considerações quanto à conceituação da diferença sistema/entorno, entenderemos o mundo enquanto unidade desta diferença (LUHMANN, 1998, p. 198). Em sua autopoiesis, os sistemas o produzem apenas enquanto atualidade, ao empregar e constituir sentido (LUHMANN, 1998, p. 197-198). Isso significa que em cada presente simultâneo da relação entre sistema e entorno, seus horizontes de passado e futuro se integram enquanto

horizontes temporalizados do mundo, sendo este também uma construção interna, sem correlatos no entorno. Para cada diferença estabelecida entre um sistema de sentido em relação ao seu respectivo entorno, haverá um mundo diferente, ou seja: o mundo é multicêntrico (LUHMANN, 1998, p. 198).

O mundo representa, enquanto a unidade de uma diferença, uma unidade inapreensível (LUHMANN, 1998, p. 198). Todas as observações significam a aposição de uma distinção e a indicação de um de seus lados, cuja unidade da diferença é o terceiro excluído (LUHMANN, 2007, p. 48). Dessa forma, tanto a observação de um sistema – que significa a indicação de sua distinção em relação a um entorno – assim como em todas as pretensões de observar o mundo, ao se procurarem por essa realidade última, encontram apenas paradoxos (LUHMANN, 2002a, p. 87). Nada pode ser observado sem uma distinção. Ao mesmo tempo, a distinção, em si não se localiza em nenhum de seus lados, podendo ser distinguida apenas a partir de outra distinção. Em uma frase: “o mundo é observável porque é inobservável” (LUHMANN, 2002a, p. 87).

O tópico seguinte tem por temática a relação dos sistemas sociais com os sistemas psíquicos pertencentes a seu entorno. Nessa ocasião, o relacionamento sociedade/consciência será discutido a partir dos conceitos de interpenetração e acoplamento estrutural, assim como observaremos a condição de co-evolução entre os sistemas envolvidos.

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