2.4 Contrôle de la taille par patterning du phospholipide
2.4.1 Patterning par micro-contact printing
Alguns projetos iniciados recentemente nos grupos pesquisados vêm mobilizando significativamente as famílias. Entre estes uma modalidade de ‘agroturismo ecológico’, o Acolhida na Colônia, idealizado originalmente pela Rede Accueil Paysan (atuante na França desde 1987) que tem a proposta de valorizar o modo de vida no campo. No Brasil existe desde 1998. Em Santa Catarina o núcleo Planalto Serrano da Ecovida é o primeiro a se integrar à proposta, que prevê uma relação do turista com as famílias, em seu cotidiano. Os preços são menores do que os praticados no ‘turismo rural’, que geralmente utiliza de fazendas. Na modalidade de agroturismo ecológico a proposta é acolher o turista em hospedagens simples com direito a conversas na beira do fogão a lenha e passeios pelo campo (Acolhida na Colônia, 2008).
A prefeitura de Urubici foi a iniciadora do projeto, que faz parte de um plano de valorização do turismo na região, que junto com a cidade de São Joaquim é roteiro conhecido pelas belezas naturais e pela neve. Por meio da sua secretaria de turismo, ela vem tentando investir na integração de um tipo de turismo que valorize as belezas naturais da região e a produção agroecológica. Os contatos foram realizados diretamente com o coordenador do grupo Renascer do núcleo Planalto Serrano, Jozete Nieheus. O desenvolvimento do programa se deu após a viagem desse coordenador com mais dois agricultores, para conhecerem as experiências realizadas na cidade de Santa
Rosa de Lima, primeiro município no Brasil a entrar no programa Acolhida na Colônia. Em contatos realizados em fevereiro de 2008 com o grupo Renascer e o Secretário de Turismo, essas pesquisas estavam em estágio inicial, contudo, em julho de 2008, pôde- se verificar que o programa estava bastante adiantado, inclusive com a veiculação de materiais de divulgação em Florianópolis, em mídia impressa e televisiva durante feiras e congressos que ocorrem na cidade. Sete famílias pertencentes ao grupo Renascer decidiram participar do programa, e para isto precisarão investir em reformas nas casas para viabilização de quartos para hóspedes, e tomar parte em cursos para atendimento ao turista. Um requisito obrigatório é que a família tenha produção própria para oferecer alimentos orgânicos aos turistas.
Outro projeto em desenvolvimento, também na região serrana é a extração planejada de produtos florestais. Ligado à Fundação Slow Food, o grupo Renascer será o primeiro de um projeto piloto, denominado Fortaleza do Pinhão de Santa Catarina, que poderá ser replicado em outras comunidades da Serra Catarinense.51
Os trabalhos começaram em 2008 com o processamento do pinhão, e pretendem colaborar com a defesa do ecossistema tradicional através de campanhas de sensibilização da opinião pública, de modo a fortalecer e qualificar o consumo do pinhão e demonstrar a importância da conservação da Floresta de Araucária. A Fundação Slow Food irá apoiar os produtores do Grupo em uma unidade de processamento e na produção de transformados tradicionais à base de pinhão para promover no mercado local e nacional.
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O Slow Food é uma associação internacional sem fins lucrativos fundada em 1989 como resposta aos efeitos padronizantes do fast food; ao ritmo frenético da vida atual; ao desaparecimento das tradições culinárias regionais; ao decrescente interesse das pessoas na sua alimentação, na procedência e sabor dos alimentos e em como nossa escolha alimentar pode afetar o mundo (Slow Food, 2008).
Pinhão no fogão a lenha – tradicionalmente consumido na região serrana/SC
Outro espaço produtivo recentemente explorado por esse núcleo é a agroindústria para produção de pães e geléias. São três agricultoras de duas famílias envolvidas nessa atividade. Entre a 1ª. visita realizada em fevereiro/2008 e julho de 2008 no Planalto Serrano, a casa onde funciona a panificação foi totalmente reformada, com cozinha industrial e área para alimentação onde os turistas, além de comprarem pães e biscoitos, podem se servir de lanches.
Sede do grupo Renascer e da Panificação/Urubici-SC em fevereiro/2008.
No litoral catarinense um projeto de inovação de espaços produtivos é a tecelagem manual no grupo de Três Barras. Envolve mulheres de seis famílias, que são capacitadas com cursos para a confecção de toalhas, colchas, blusas e outros produtos. Com apoio financeiro de uma empresa francesa, foram comprados equipamentos e organizadas viagens para conhecimento de trabalhos similares. As mulheres envolvidas já conseguem bons resultados em termos de qualidade do produto, mas não há ainda forma satisfatórias para a realização das vendas.
Como exposto, outro tema relevante é o crédito e financiamento. Vários aspectos relativos a problemas de financiamento da produção, problemas com bancos, produção e questões da comunidade local também foram mencionados nas entrevistas. Na região do núcleo planalto Serrano, há uma cooperativa de microcrédito considerada como determinante no sentido de apoiar os agricultores. Em julho/2008, durante uma das viagens para realização de pesquisa de campo, estava ocorrendo uma discussão entre agricultores do município de Urubici a respeito de ampliar a atuação dessa financiadora, incluindo lojistas e pequenos comerciantes locais como associados. Este é um dos assuntos apontados pelas famílias do grupo Renascer como questão pela qual eles precisam se responsabilizar e que tem gerado movimentação e debate.
Os temas de interesse funcionam muitas vezes como o elemento que define a difusão da rede, sua expansão ou concentração. No caso em estudo, o que parece ocorrer é que alguns temas transversais funcionam de modo a aumentar as relações sociais e a participação política dos agricultores. Não aparecem como fatores definitivos pela opção e permanência na rede, mas geram um sentido de pertencimento com outros núcleos e na rede em geral. Além destes, de maior amplitude, outros de interesse mais específico são desenvolvidos localmente, e funcionam como meios de circulação de
informação, diluindo os agrupamentos locais, agregando agricultores de diversas regiões, nos encontros nacionais e regionais, ou nas reuniões programadas para debate dos temas propostos.
4.5 Temas locais e Grupos de Trabalho – GT
Na Rede Ecovida, os grupos de trabalho têm sido sugeridos por agricultores e pelos grupos, ou se originado de projetos capitaneados pelo Governo Federal, como o Grupo de Trabalho de Sistema Agroflorestais, que foi se formando com base no resultado de discussões em um projeto que contava com 16 instituições públicas e civis. Os GTs mais permanentes são: educação, questões de gênero, atuação dos jovens, meio ambiente e desenvolvimento, sistemas agroflorestais, comercialização e diversos assuntos técnicos originados localmente, conforme as prioridades regionais, como o desenvolvimento de técnicas para produção de combustível a partir da transformação de óleo de cozinha. Tais linhas de debate podem ter duração definida,dependendo da conclusão das propostas discutidas.
Como definido por Aguiar (2007) em relação à organização em formas coletivas de trabalho, os grupos de trabalho – GTs temáticos funcionam como uma “espécie de divisão do trabalho”, por meio de listas de discussões eletrônicas e da realização de oficinas de trabalho, considerados “espaços onde são discutidas e formuladas análises e propostas de intervenção das entidades a fim de colocar em prática planos estratégicos. Para Aguiar (2007:20), a organização dos grupos de trabalho pode gerar “uma competência técnica e operacional que é transmitida tanto oralmente, [...] em encontros, seminários e atividades de capacitação quanto através de documentos de livre circulação ou da troca de idéias e experiências em listas e grupos de discussão”. Na Ecovida, pode-