Ancrage mythique du film d’ascension
Section 2 Le paradis perdu
Por ser um produto natural do sistema biológico das plantas a madeira apresenta grande diversidade e variabilidade nas suas propriedades. Ninguém sabe ao certo o número de espécies de árvores que há no mundo, mas estima-se que haja em torno de 30.000, sendo que a grande maioria pode ser encontrada nas regiões tropicais (PANSHIN & DE ZEEUW, 1980; TSOUMIS, 1968; SCHNIEWIND, 1989).
Esta variabilidade ocorre, tanto dentre, como entre árvores, em parte devido a padrões naturais de crescimento, que tornam as propriedades dependentes da posição radial e altura do tronco (SCHNIEWIND, 1989). Tal variabilidade deve ser considerada para melhor aproveitamento das propriedades e uso posterior.
A madeira também é um material altamente anisotrópico, ou seja, suas propriedades variam conforme sua orientação longitudinal, radial ou tangencial. A direção longitudinal é paralela ao eixo de crescimento da árvore e também é referida como a direção paralela à grã, uma vez que a maioria dos elementos xilemáticos está alinhada paralela a este eixo. As direções radial e tangencial são aquelas normal e tangencial, respectivamente, aos anéis de crescimento, na seção transversal (JANKOWSKY et al, 1986; SCHNIEWIND, 1989). A madeira pode ser um material altamente durável devido à sua composição primária: celulose, hemicelulose e lignina. A celulose, devido a sua cristalinidade parcial é resistente ao ataque microbiano. A lignina é um polímero heterogêneo e é altamente resistente a alguns fungos degradadores (SCHEFFER & MORRELL, 1998). Como exemplo da
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durabilidade da madeira, podem-se citar os móveis embutidos encontrados em túmulo de Faraós com aproximadamente 4.000 anos. Até mesmo no Japão, com seu clima úmido, há templos construídos em madeira com 1.300 anos. A chave para a durabilidade é a utilização adequada e o entendimento dos fatores que a destroem (SCHNIEWIND, 1989). A madeira é um material biodegradável por natureza. Isto é uma vantagem quando a madeira em uso se torna inutilizável e deve ser descartada. Por outro lado se torna uma desvantagem quando ocorre sua biodeterioração. A chave para a preservação é criar condições desfavoráveis para os organismos que a degradam, principalmente fungos e insetos (SCHNIEWIND, 1989; PANSHIN & DE ZEEUW, 1980).
Como um material higroscópico, a madeira perde ou ganha umidade, dependendo da temperatura e umidade relativa do ambiente. Mudanças no teor de umidade abaixo do ponto de saturação das fibras, ponto em que as paredes das células estão saturadas com água de absorção e não há água livre presente nas cavidades celulares, tem efeitos em todas as propriedades da madeira (KOLLMANN & CÔTE, 1968; SKAAR, 1988; SCHNIEWIND, 1989).
3.7.2 A importância do estudo anatômico de madeiras
A madeira é um material heterogêneo, composto por diferentes células do xilema, que podem desempenhar diferentes funções tais como sustentação, condução e armazenagem de substâncias. Também é um material anisotrópico, com propriedades e composição anatômica distintas nos três diferentes eixos da madeira. Estas diferenças afetam as propriedades deste material e são resultado da composição, orientação, tipos de célula, distribuição e relativas proporções na qual tais células estão presentes (PANSHIN & DE ZEEUW, 1980; TSOUMIS, 1968; KOLMANN & CÔTE, 1968; BURGER & RICHTER, 1991).
Considerando tais fatos, a caracterização anatômica de espécies madeireiras é fundamental, principalmente, quando análises sobre o comportamento tecnológico para produzir um produto com melhor qualidade e menos desperdício de material são necessárias para orientar o uso mais adequado de uma determinada espécie (BURGER & RICHTER, 1991).
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Sales-Campos et al. (2001), estudaram a influencia da estrutura anatômica de Brosimum
rubescens Taub. no processo de microdistribuição do CCA-A e observaram que embora os
vasos sejam considerados de maior importância em relação à condução, as fibras obtiveram um papel relevante do processo de distribuição do preservante.
Downes et al. (2002), pesquisaram a relação entre a anatomia e a resistência de painéis da madeira de Pinus radiata obtidas de dois tratamentos e os resultados mostraram em geral que a madeira de áreas fertilizadas apresentaram baixa densidade, ângulo microfibrilar maior e rigidez ligeiramente inferior.
Queiroz (2002) estudou o efeito das características anatômicas e químicas na densidade da madeira e na qualidade da polpa de clones de híbridos de Eucalyptus grandis x urophylla, e encontrou correlação entre a densidade e as características anatômicas e não à composição química das madeiras.
Brancheriaus et al. (2006), relataram que o conhecimento da mecânica e da anatomia da madeira é essencial para determinar os fatores da qualidade acústica de madeiras. Com isso os autores analisaram a relação entre a classificação perceptiva, parâmetros de sinais e características anatômicas de espécies tropicais usadas na fabricação de xilofones.
Lima et al. (2007), procuraram encontrar correlação entre as características anatômicas e teor de extrativos de clones de Eucalyptus com a qualidade de juntas coladas, encontrando resultados positivos entre a frequência e tamanho dos vasos condutores, parênquima radial e teor de extrativos totais, com a porcentagem de falha na madeira e resistência ao cisalhamento na linha de cola.
Marques (2008) buscou agrupar espécies madeireiras para secagem baseado nas características anatômicas e físicas e de acordo com os coeficientes de correlação obtidos foi observado que a largura do lúmen das fibras foi a que mais se relacionou com as características de secagem.
Poubel et al. (2011) avaliaram a estrutura anatômica e propriedades físicas da madeira de
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o aumento da largura dos raios e com a redução do comprimento dos vasos, sendo pouco afetada pelos demais elementos anatômicos.
Longui et al. (2012) avaliando a estrutura anatômica do lenho de Plathymenia reticulata com propriedades físicas e mecânicas encontrou correlações positivas entre a densidade e a frequência de raios, além de relações negativas entre a densidade aparente e o lume das fibras, entre a velocidade de propagação do som e a frequência dos raios e entre o módulo de elasticidade dinâmica e a frequência dos vasos.