• Aucun résultat trouvé

: LES MOTIVATIONS D’ORDRE ECONOMIQUE ET FINANCIER

SOUS-TITRE 1 : LES TONTINES

Section 1 : LES MOTIVATIONS D’ORDRE ECONOMIQUE ET FINANCIER

(...) devemos dizer o que temos que dizer e seremos ouvidos. Procure um meio de manifestar nossas idéias a todos que se disponham a ouvi-las.

Comandante Marcos

Milhares de megabytes abatendo a solidão, com a graça de Bill Gates viva a globalização.

Zeca Baleiro O meio é a mensagem.

Marshall McLuhan.

Como nos referimos no capítulo anterior, uma das principais características da sociedade contemporânea é a descentralidade proporcionada pela formação das redes autônomas informacionais de articulações de interesses econômicos, políticos e sociais que são frutos das mudanças estruturais proporcionadas pelas novas tecnologias.

Para Castells (1999) a sociedade está passando por uma transformação cultural de dimensão histórica através da interação de vários modos de comunicação em uma rede estruturada e articulativa de diversas formações identitárias.

A interação potencial de texto, imagens e sons no mesmo sistema – interagindo a partir de pontos múltiplos em uma rede global em condições de acesso aberto

– muda de forma fundamental o caráter da comunicação. E a comunicação molda a cultura. Como a nossa cultura é mediada e determinada pela comunicação (...) nosso sistema de crença e códigos historicamente produzidos são transformados de maneira fundamental pelo novo sistema tecnológico e serão ainda mais com o passar do tempo. (Castells, 1999, p. 354)

Esse é um dos fatores que nos permite falar de uma mudança fundamentada em rede numa dimensão ao mesmo tempo simbólica e material de interesses diversificados. Castells (1999) e Melucci (1996) demonstram o contexto de articulação da sociedade em rede e o processo de reestruturação política dos sistemas sociais. Ambos destacam o papel político das formações identitárias nesse processo. A relação entre sociedade complexa, informação, identidade e política forma um conjunto de questões fundamentais para o tratamento teórico sobre a democracia contemporânea, pois o ideário democrático através dessas questões contemporâneas visa manter a legitimidade da democracia no cenário de mudança da sociedade globalizada. Por exemplo, em termos da articulação entre os elementos: complexidade, democracia e governabilidade, o senador canadense Michael J. L. Kirby, do Estado de Ottawa, revelou sua preocupação quanto a essa questão em publicação dedicada à discussão sobre o aspecto prático da complexidade,

Parce que la communication est instantanée, les électeurs exigent des réponses immédiates à chacun des problèmes nouveaux qui se posent. Cet état de choses est encouragé par les médias, qui résolvent également les problèmes en mettant l’accent sur les personalités et les conflits plutôt que sur le fond des questions. Alors que ce dont on a besoin, c´est d’une amélioration de la communication entre les gouvernements et les gouvernés pour que les citoyens comprennent lés problèmes et la dificulté des arbitrages nécessaires pour les affronter, il arrive trop souvent que les médias présentent les problèmes d’une manière simpliste qui dissimule les difficultés réelles d’une question pour traduire en termes de gagnants et de perdants. Ceci ne sert qu’a compliquer davantage l’approche des questions déjà complexes. (Kirby, 1986. p. 383).

Esta complexidade em termos de relação política no contexto das redes informacionais da sociedade atual revela que a informação se torna um instrumento político, assim como o seu espaço de veiculação. Nesse sentido, o reconhecimento dos interesses identitários nas redes de relações interativas da sociedade informacional torna a mídia num espaço de veiculação e visibilidade de demandas políticas. Na visão de Rudiger (2002),

Os recentíssimos progressos tecnológicos verificados com o aparecimento das máquinas geradoras de realidade virtual e das redes de integração telemáticas estimularam o surgimento de uma reflexão teórica em que essas questões e seus pressupostos passaram a ser profundamente questionados. Na Internet, as pessoas estariam descobrindo a possibilidade de construir suas identidades se ajustando às outras. A tecnologia conteria o poder de transcender a consciência solipsística que funda o conceito moderno de sujeito. O processo em que ele se formava é descentrado, no momento em que os recursos com que se modela a ação cultural são pouco a pouco democratizados. (p.100)

Esse dado concreto das sociedades contemporâneas dá um caráter maior de complexidade e autonomia às formações identitárias, sobretudo no aspecto da cidadania e da articulação política da sociedade civil.

Informação e política, informação e poder e informação e identidade são combinações que instrumentalizam a sociedade em rede. Em termos de redes de relações podemos verificar que o papel da informação comunicativa na relação identitária tem, dentre outros, um caráter político na formação da opinião pública. Quanto a essa questão, Costa (1997) apresenta um comentário acerca do estudo de Schenk & Rössler, segundo ele: As conclusões do estudo são enfáticas no sentido de identificar a relevância das redes pessoais como ‘escudo’ que protege o público da influência dos media: tais redes constituiriam fonte fundamental para a formação da opinião pública política e para a atribuição de pesos (hierarquização) e reconhecimento da relevância dos diferentes temas. (1997, p.13)

Com a mesma linha de argumentação Costa apresenta, a partir da afirmação de Klein, a relação entre a mídia e os interesses identitários dos movimentos sociais no sentido de serem constituídos como um veículo de protesto no contexto de seus intercâmbios locais:

Apenas a comunicação interna produz, nos movimentos sociais, autolegitimação e coordenação além da clarificação de objetos comuns, das orientações e das interpretações de situações, necessárias à articulação de protesto (...). As ações e interações, no nível local, continuam sendo requisitos para as performances de transferência via mídia. (Klein apud Costa, 1997, p. 14).

A mobilização identitária dos movimentos sociais, embora esteja presente na mídia, deve ser também compreendida “em relação ao processo de difusão das redes de intercâmbio enraizadas localmente” (Costa, 1997, p.13). O que reforça a argumentação de que no processo de formação identitária há o caráter de sensibilização dos interesses localmente representados, que ganham força política no sentido da sensibilização e legitimidade pública da sociedade civil ampliada. Nesse sentido, a política é reconhecida como instrumento comunicativo da sociedade civil que funciona estruturalmente na articulação da diversidade contra hegemônica da esfera pública multi-identitária, que passa a funcionar assim como campo político.

Segundo Habermas (1997), as estruturas comunicacionais da esfera pública estão relacionadas a aspectos da vida social, no sentido de fazer com que a sociedade civil desenvolva uma maior sensibilidade para os problemas sociais, conseguindo captá-los antes do sistema político ou das mega-organizações. Ele afirma que isso pode ser comprovado

(...) através dos grandes temas surgidos nas últimas décadas – pensemos na espiral do rearmamento atômico, nos riscos do emprego pacífico da energia nuclear, nos riscos de outras instalações técnicas de grande porte ou de experimentos genéticos, pensemos na ameaça ecológica que coloca em risco o equilíbrio da natureza (...) no empobrecimento progressivo e dramático do Terceiro Mundo e nos problemas da ordem econômica mundial, nos temas do feminismo, no aumento da imigração, que traz conseqüência para a composição étnica e cultural da população, etc. Não é o aparelho do estado, nem as grandes organizações ou sistemas funcionais que tomam a iniciativa de levantar esses problemas. Quem os lança são intelectuais, pessoas envolvidas, profissionais radicais, etc. (...) os temas dão entradas em revistas e associações interessadas, clubes, academias, grupos profissionais, universidades, etc., onde encontram tribunas, iniciativas de cidadãos e outro tipo de plataformas; em vários casos transformam-se em núcleo de cristalização de movimentos sociais (...). E este, por seu turno, tem condições de encenar e dramatizar as contribuições, fazendo com que os meios de comunicação de massa se interessem pela questão. Pois para atingir o grande público e a grande ‘agenda pública’, tais temas têm que passar pela abordagem controversa da mídia. (p.116-117)

A formação dos interesses dos grupos sociais dentro do processo interacional das redes de articulação sociais (local-global) e informacionais caracterizam a complexidade das ações políticas da sociedade civil. Nesse sentido, o conceito de sociedade complexa expressa uma demanda pelo entendimento político dos reconhecimentos identitários.

Conforme argumentamos anteriormente, a sociedade contemporânea está se estruturando autonomamente por um sistema de rede de relações configurado por nouds flexíveis, porém esta autonomia é relativa pois é estabelecida entre o local e o global ou, como é criticamente referenciado, entre a globalização e a glocalização, entendendo esta última como caráter de efeito da primeira. E dentro desse contexto o discurso das articulações fragmentárias, dos movimentos sociais, e grupos identitários, tem adquirido espaço comunicativo e político nas redes sociais e comunicacionais.

Sobre isso Scherer-Warren (1999) apresenta uma discussão da cidadania através da desfronteirização comunicativa da sociedade contemporânea, em que as ações coletivas são formadas no processo de reconhecimento da globalização como cenário de articulação de interesses identitários e de politização da sociedade civil ampliada. Para articular a representação política dos atores no contexto da globalização a autora apresenta o conceito de rede, e a define como instrumento propositivo e articulador das formações identitárias de função política:

(...) Há pressupostos ideológicos para tal forma/estratégia de organização e relacionamento. Primeiro pressupõe a construção de uma nova utopia de democracia, em que as relações políticas seriam mais horizontalizadas, em que haveria maior reconhecimento e respeito à diversidade cultural e pluralismo ideológico. Por exemplo a possibilidade de se criar fóruns citadinos com participação de associações de bairros, grupos negros, de mulheres, pastorais, ONGs, sindicatos etc. Segundo aposta na possibilidade de conectar o local ou o específico com o global ou com o interesse mais geral de uma cidade, de uma região ou mesmo do planeta. Este é por exemplo, o caso de redes de ONGs e movimentos de bairros que se articulam com base em interesses locais, específicos das comunidades, em torno de um projeto citadino comum(...).Como o conhecimento propositivo de redes tem cunho ideológico e tem sentidos simbólicos diversos, cabe às Ciências Sociais interpretar tais sentidos e observar se na prática este ideal de democracia é efetivado. (1999, p.28-29)

O processo de complexidade social marcado pelo reconhecimento da diversidade cultural, afirmação política e formação identitária constitui um procedimento de construção democrática contextualizado agora nas redes de ações públicas e coletivas, que formam estruturas de esferas públicas políticas em favor da manutenção do ideário democrático. Segundo Rudiger a relevância política da sociedade em rede na era da globalização está no fato de que o desenvolvimento de mecanismos tecnológicos de interação e o surgimento de uma esfera pública virtual projetaram-nas em uma segunda

fase, em que se vê caducar o conhecido esquema comunicador-mensagem-receptor. Os participantes começam a transcender essa oposição, tornando-se usuários integrantes de redes abertas e sem centro, nas quais os sujeitos se tornam cada vez mais instáveis, múltiplos e difusos.” (2002, p.100).

O exercício político de grupos de resistência internacionais, apresentado através da mídia e da internet na luta pelo reconhecimento das identidades excluídas, vem sensibilizando a sociedade internacional no sentido de trazer para o debate público o caráter nem sempre positivo da globalização. A ação propositiva e de resistência dos veículos de mídia alternativa passa a fazer parte de um mesmo ideário político democrático no contexto da esfera pública global por parte da sociedade civil, o que proporciona atividades cada vez mais coletivas das formações identitárias.

Embora seja dado um enfoque maior ao aspecto de resistência em relação ao propositivo, a ação de resistência assim como a de proposição são partes de um mesmo contexto de processamento na esfera pública das sociedades complexas, sobretudo quando há uma estrutura informacional de comunicação que possibilita a articulação mais efetiva das redes de ação.

Como afirma Costa (1997),

(...) a intenção em si meritória de incrementar a participação das associações civis na revitalização da esfera pública não pode pretender confinar a ação destas às arenas institucionais – nem mesmo num novo contexto institucional mais poroso e democrático. O caráter renovador das ações dos movimentos sociais reside precisamente na sua institucionalidade distinta (mais flexível e informal) e em seu ancoramento nos processos primários de reprodução social. Sua contribuição para o revigoramento da vida pública encontra-se na possibilidade de tornar conhecidas demandas e questões que emergem nas franjas dos núcleos institucionais de discussão e deliberação. A distinção entre ‘cultura da resistência’ e ‘cultura da proposição’ (...) constitui uma falsa dicotomia: a única base possível de legitimação para a participação das associações civis no processo de proposição política (...) é seu enraizamento nas teias sociais de resistência. (Costa, 1997, p. 17)

Dentro desse contexto, a mídia pode atuar como meio de comunicação pública discursiva, no sentido de expressão simbólica, visando se contrapor à forma monológica de comunicabilidade da opinião pública. Ou seja, como um espaço dialógico de visibilidade política e de entendimento das justificações dos argumentos

dos atores sociais, dentro das lutas de resistência ou de proposição. Com base em Peters (1994), Costa afirma que:

“As formas de comunicação pública discursiva são caracterizadas, em distinção às formas homologatórias (de formato monológico) pelo seu conteúdo argumentativo. Na comunicação pública discursiva, a aceitabilidade de afirmações, julgamentos e reivindicações está fundada na apreciação dos argumentos que as justificam, admitindo-se a possibilidade de entendimentos comunicativos efetivos que podem levar até a revisões das posições iniciais. (1997, p. 14)

Representativo do que estamos tratando foi o diálogo virtual desenvolvido entre representantes do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, e do primeiro Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, apresentado pelas televisões e jornais de todo mundo, assim como pela Internet, no sentido de se estabelecer um entendimento simbólico entre as duas faces da globalização: o establishment (Davos) e os Outsiders (FSM)31. Trata-se

de um episódio somente possível na sociedade complexa, através da qual a rede de interesses possibilita um sistema de articulação das ações da sociedade civil política, agora munida de instrumentos eletrônicos e digitais para as orientações de suas ações.

Dentro desse contexto a mídia é fundamental para a compreensão dessa configuração social, assim como para o entendimento das mobilizações contra ou a favor dessa conjuntura. Thompson (1998) apresenta o papel relevante da mídia no que concerne a estruturação da informação simbólica e sua relação com a política nos processos de interação social dos atores.

O surgimento da comunicação de massa, e especialmente o surgimento da circulação em massa de jornais no século XIX e a emergência da difusão por ondas no século XX, teve um impacto profundo no tipo de experiência e nos padrões de interação característica das sociedades modernas. Para a maioria das pessoas hoje, os conhecimentos que nós temos dos fatos que acontecem além do nosso meio social imediato são, em grande parte, derivados de nossa

31 Utilizamos as expressões establishment e outsiders com base em Nobert Elias (2000). Os termos designam a

relação de estratificação entre grupos que ocupam posição de prestígio e poder e grupos que estão fora desta esfera simbólica e material. Frederico Neiburg na apresentação deste livro à edição brasileira define claramente os sentido atribuídos a estes termos: Um establishment é um grupo que se autopercebe e que é reconhecido como uma ‘boa

sociedade’ mais poderosa e melhor, com uma identidade social construída a partir de uma combinação singular de tradição, autoridade e influência: o establishment funda o seu poder no fato de ser um modelo moral para os outros. (...) os outsiders são os não membros da ‘boa sociedade’, os que estão fora dela. Tratam de um conjunto heterogêneo e difuso de pessoas unidas por laços sociais menos intensos do que aqueles que unem o establishment. Os outsiders, ao contrário, existem sempre no plural, não constituindo propriamente um grupo social. (Neiburg in

recepção das formas simbólicas mediadas pela mídia. (...). Do mesmo modo, nossa experiência dos acontecimentos que tiveram lugar em contextos que são, espacial e temporalmente, remotos, de greves e demonstrações até massacres e guerras, é, em grande parte, mediada pelas instituições da comunicação de massa; de fato, nossa experiência desses fatos como ‘políticos’, como constitutivos do campo da experiência que é vista como política é, em parte, o resultado de uma série de práticas institucionalizadas que conferem a ela um status de notícia. O papel da mídia é tão fundamental a esse respeito que seríamos, no mínimo, parciais se retratássemos a natureza da conduta política, a nível nacional e internacional, sem referência ao processo de comunicação de massa. (p.285).

Os movimentos de formação identitária contemporâneos, locais e globais, encontram eco para suas proposições e resistências políticas numa forma de publicização tanto de suas idéias como de suas condutas nos veículos de comunicação de massa. Isso não significa dizer que os meios de comunicação de massa, sejam estes públicos ou privados, estejam do lado desses movimentos ou que simpatizem com suas lutas, ou mesmo que sejam instrumentos deliberados de formação de consciência política. Nesse sentido, é a sua condição de equalização e propagação de sentidos, através de sua forma massificadora de comunicação e informação, que proporciona a eles o estatuto de ser uma caixa de ressonância de opinião dando-lhes assim uma condição de espaço público.

Os meios de comunicação de massa são veículos e mercados de informação e, como tais, veículos de proposições de bens simbólicos pagos com a moeda da audiência. Em outras palavras, a mídia não é isenta no que consiste à publicação das informações, estamos nos referindo ao tratamento dado às informações manipuladas por algumas emissoras tanto de rádio como de televisão pelo fato de difundir interesses simbólicos específicos, sobretudo no que consiste a transformação de informação em produto de consumo da sociedade.

A primeira característica da comunicação de massa é, então a produção e difusão institucionalizada de bens simbólicos. A comunicação de massa pressupõe o desenvolvimento de instituições interessadas na produção em larga escala e na difusão generalizada de bens simbólicos. Essas atividades são em ‘larga escala’ porque implicam a produção e difusão de cópias múltiplas ou a provisão de materiais para receptores numerosos. Isso se torna possível pela fixação em meios técnicos e pela capacidade de reprodução dessas formas. Fixação pode implicar processos de codificação através dos quais as formas simbólicas são traduzidas em informações que podem ser armazenadas num meio específico ou num substrato material; tais formas podem ser transmitidas como informações e então decodificadas para fins de recepção ou consumo. As

formas simbólicas difundidas através da comunicação de massa são inerentemente reproduzíveis, pois múltiplas cópias podem ser reproduzidas e tornadas acessíveis a numerosos receptores. (Thompson, 1998, p.289).

É nesse sentido que a incorporação da mídia como instrumento da luta pela democracia por parte dos atores políticos da sociedade civil, considerando ou não o seu sentido mercadológico, é feita pela sua multiplicidade de acesso aos receptores, o que agiliza o sentido de sensibilização da opinião de outros atores que passam a legitimar as lutas como suas. A mobilização dos vários atores da sociedade civil internacional contra a política de globalização foi um exemplo claro dessa questão. Durante os anos de 1999 até 2002 houve manifestações das mais variadas orientações ideológicas divulgadas pela grande mídia internacional, assim como pela internet, dos atores que enfrentaram policiamentos fortemente armados para protestarem, resistirem e proporem formas diferentes quanto ao processo de globalização democrática.

Estes processos mobilizaram a opinião pública de uma forma tal que o hegemônico discurso da globalização passou a ser tema de discussão crítica nas várias esferas públicas da sociedade.

A política propositiva e resistente desses atores que se mobilizaram em Seatle (1999), Washington (2000), Praga (2000), Zurique em conseqüência de Davos (2001), Porto Alegre (2001-2002-2003) e Quebec (2001), representam, dentre várias coisas positivas, a utilização do capital simbólico veiculado pelos meios de comunicação de massa como forma de sensibilização da opinião pública global, na medida em que suas propostas antiglobalização são instrumentos que buscam legitimidade para suas ações.