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Modélisation du transport en présence d’un effet d’eau immobile

parameters models)

II. 4.6.1.3 Les modèles à paramètres équivalents (equivalent parameters models)

II.5 Description du modèle conceptuel général

II.5.2 Modélisation du transport en présence d’un effet d’eau immobile

Os indicadores de stress psicológico mais comummente abordados na literatura sobre bullying, referem-se fundamentalmente a sintomas de depressão e ansiedade, bem como sintomatologia psiquiátrica mais grave como o risco de suicídio.

Alguns autores têm verificado que os alunos envolvidos em comportamentos de bullying são mais referenciados para consulta psiquiátrica do que os alunos não envolvidos (Kumpulainen, Rasanen & Henttonen, 1999; Kumpulainen et al., 1998), sendo a depressão o diagnóstico em cerca de 70% dos casos dos adolescentes vitimizados (Salmon et al., 2000).

Em inúmeros estudos com alunos dos 8 aos 16 anos de idade, a depressão encontra-se significativamente correlacionada com a vitimização (Baldry, 2004; Boivin, Hymel & Bukowski, 1995; Bond et al., 2001; Carvalhosa, Lima & Matos,

2001; Craig, 1998; Crick & Grotpeter, 1996; Engert, 2002; Fekkes, Pijpers & Verloove-Vanhorick, 2004; Glover et al., 1998; Haynie et al., 2001; Karatzias, Power & Swanson, 2002; Kumpulainen & Rasanen, 2000; Kumpulainen, Rasanen & Henttonen, 1999; Matsui et al., 1996; Muscari, 2002; Neary & Joseph, 1994; Owens, Slee & Shute, 2000; Rigby, 1998 a, 1999; Seals & Young, 2003).

Distinguindo dois grupos de alunos vitimizados, consoante a sua auto- identificação ou nomeação pelos pares, Engert (2002) verificou a existência de algumas diferenças ao nível das variáveis estudadas, entre as quais a depressão. Enquanto que os alunos vitimizados (identificados como tal pelos seus pares) não apresentavam diferenças significativas ao nível da depressão, por comparação aos seus colegas agressores, os alunos vitimizados (que se auto-identificaram como tal) correlacionaram-se com elevados níveis de depressão. A justificação para esta discrepância de resultados pode residir na explicação de Schuster (1999), ao identificar as “vítimas sensíveis” como aqueles alunos que se sentem vitimizados, logo, com razões para se deprimirem, ainda que esse estatuto possa passar despercebido aos colegas.

Podendo estudar os sintomas depressivos, numa dupla vertente, relacionada com os afectos positivos e os afectos negativos, outros trabalhos avaliaram a sua incidência nos vários grupos de alunos com envolvimento em comportamentos de bullying e sem envolvimento (Karatzias, Power & Swanson, 2002; Stamos, Pavlopoulos & Motti-Stefanidi, 2005).

Na investigação de Karatzias, Power e Swanson (2002), as vítimas manifestaram os níveis mais elevados de afectos negativos comparativamente aos agressores e não envolvidos, não se tendo observado diferenças significativas entre os três grupos relativamente aos afectos positivos. Semelhante padrão foi verificado quando a comparação foi feita entre dois grupos, o grupo de alunos com envolvimento (agressores e vítimas) com o grupo de alunos sem envolvimento, não havendo diferenças ao nível dos afectos positivos e sendo os níveis de afectos negativos mais elevados no grupo de alunos com envolvimento.

Stamos, Pavlopoulos e Motti-Stefanidi (2005), por seu lado, ao considerar quatro grupos de alunos (agressores, vítimas, vítimas-agressivas e não envolvidos) observou que os alunos vítimas-agressivas obtinham os níveis mais elevados de

afectos negativos, enquanto que os alunos não envolvidos manifestavam os mais baixos. Tanto as vítimas quanto os agressores obtiveram valores intermédios entre os dois grupos. Novamente não se observaram diferenças significativas ao nível dos afectos positivos.

Outros autores têm verificado igualmente uma relação entre sintomas depressivos e alunos agressores (Crick & Grotpeter, 1996; Kaltiala-Heino et al., 1999; Salmon, James & Smith, 1998; Roland, 2002; Slee, 1995) sendo que, por vezes, são os alunos com duplo envolvimento (as vítimas-agressivas) os que manifestam os níveis mais elevados de depressão, comparativamente aos restantes alunos (Kaltiala-Heino et al., 1999; Swearer et al., 2001; Fekkes, Pijpers & Verloove-Vanhorick, 2004).

Contrariamente, Haynie et al. (2001), verificaram na sua investigação que o grupo de alunos agressores evidenciava os menores sintomas depressivos, inclusivamente quando comparados com os alunos não envolvidos. Este dado poderá relacionar-se com o sentimento de poder destes alunos, realçado por Slee e Rigby (1993 b), que parece impedir uma diminuição da sua auto-estima.

Ponderando o efeito do género sexual, outros estudos têm verificado que a vitimização indirecta ou relacional, se assume como o factor de maior risco para o desenvolvimento de uma pobre saúde mental, particularmente nas raparigas (Baldry, 2004; Owens, Slee & Shute, 2000).

Outros trabalhos têm optado por uma metodologia longitudinal, com o objectivo de investigar a prevalência de sintomas de saúde em adolescentes de 16 anos, que se haviam envolvido em comportamentos de bullying aos 8 anos de idade (Kumpulainen & Rasanen, 2000; Sourander et al., 2000). Os resultados demonstraram que os alunos envolvidos em comportamentos de bullying pelos 8 anos de idade, apresentavam uma maior probabilidade de manifestarem sintomas psiquiátricos mais tarde, na adolescência, do que os alunos não envolvidos. Kumpulainen e Rasanen (2000) verificaram a associação entre sintomas depressivos e alunos vitimizados (vítimas passivas e vítimas-agressivas), ao passo que Sourander et al. (2000) verificaram a associação de sintomas depressivos tanto em alunos agressores como em alunos vítimas, defendendo que os elevados níveis de depressão na pré-adolescência podem reflectir uma baixa auto-estima, imaturidade e solidão, o

que, por sua vez, pode contribuir para a persistência tanto dos comportamentos de bullying como de vitimização.

Preocupado com o efeito da idade na manifestação de vários sintomas de saúde, entre os quais a depressão, Rigby (1999) realizou um trabalho com alunos do 8º e 9º ano e do 11º e 12º ano. Verificou que os alunos que referem ter sido frequentemente vitimizados vivenciam uma pobre saúde física e mental, apenas entre alunos a frequentarem o 8º e 9º ano, mas não no caso de alunos a frequentarem o 11º e 12º ano. O autor justifica a inexistência dessa associação entre os alunos mais velhos através de dois motivos, por um lado são menos frequentemente vitimizados (como se tem verificado noutros estudos, o “pico” dos comportamentos de bullying tende a ocorrer pelo 8º ano de escolaridade), por outro lado, devido à sua crescente maturidade, estes alunos tornam-se menos vulneráveis aos comportamentos de bullying dos colegas.

Ao nível de sintomas de ansiedade, são inúmeros os estudos que, entre outros sintomas, encontraram uma forte associação entre vitimização e ansiedade (Baldry, 2004; Bond et al., 2001; Craig, 1998; Fekkes, Pijpers & Verloove-Vanhorick, 2004; Muscari, 2001; Owens, Slee & Shute, 2000; Rigby, 1998 a, 1999; Salmon, James & Smith, 1998; Storch, Masia-Warner & Brassard, 2003). Nos trabalhos em que foram também considerados os alunos vítimas-agressivas, verificou-se que os seus níveis de ansiedade não diferiam significativamente do grupo das vítimas (Rigby, 1998 a; Swearer et al., 2001), à excepção dos resultados obtidos por Kaltiala-Heino et al. (2000), onde se observou os níveis mais elevados de ansiedade entre os alunos vítimas-agressivas, permanecendo os agressores e as vítimas com níveis similares e inferiores.

Storch, Masia-Warner e Brassard (2003), ao estudarem comportamentos de vitimização directos e relacionais, realçam que os adolescentes vitimizados de múltiplas formas (directas e relacionais) vivenciam mais ansiedade social do que os que são vitimizados apenas de um modo. A vitimização directa e relacional encontra-se positivamente associada a níveis significativos de ansiedade, incluindo o medo de ser negativamente avaliado e o evitamento social. Torna-se possível que, alertam os autores, um ambiente hostil no qual o jovem seja repetidamente vitimizado, se possa relacionar com o desenvolvimento de uma ansiedade social.

Finalmente alguns estudos têm-se debruçado sobre a relação entre alunos envolvidos em comportamentos de bullying e ideação suicida (Carney, 1997, 2000; Berenson, Wiemann & McCombs, 2001; Kaltiala-Heino et al., 1999; Owens, Slee & Shute, 2000; Rigby & Slee, 1999). Os resultados obtidos por Rigby e Slee (1999) indicam que o envolvimento em comportamentos de bullying na escola, se relaciona significativamente com a ideação suicida, nomeadamente em alunos com pouco suporte social. Nos resultados de Kaltiala-Heino et al. (1999), o risco mais elevado de ideação suicida foi observado entre os alunos vítimas-agressivas, seguido dos agressores, sendo o risco mais baixo entre as vítimas. Contudo, se a análise dos dados incluir os sintomas depressivos, o risco mais levado de ideação suicida observa-se no grupo dos alunos vítimas, seguido dos alunos vítimas-agressivas. Este aspecto pode facilmente ser compreendido se relembrarmos que o grupo de alunos vitimizados se associa mais frequentemente a sentimentos de solidão e menor número de amigos, o que se resume, no fundo, a um sentimento de menor suporte social.

Owens, Slee e Shute (2000) avaliaram os efeitos da vitimização indirecta em raparigas e, estando cientes dos objectivos de natureza social deste género sexual, observaram, entre outras consequências, que a dor e o sofrimento da vitimização indirecta se relacionava com pensamentos suicidas. Os trabalhos de Carney (1997, 2000) abordaram o risco de suicídio numa perspectiva fictícia, tendo recorrido a alunos vitimizados e alunos observadores passivos, e confrontando-os com um cenário fictício representativo de um episódio de vitimização. Ambos os grupos percepcionaram a vítima fictícia em risco severo de suicídio e exibindo elevados níveis de desamparo e ideação suicida.