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Equation de migration d’une substance miscible dans le milieu souterrain souterrain

TEMPORAIRE OU DÉFINITIF DES SOLUTÉS EN MILIEU SOUTERRAIN

II.2 Migration des solutés en milieu souterrain

II.2.4 Equation de migration d’une substance miscible dans le milieu souterrain souterrain

Alguns autores têm vindo a abordar a percepção de bem-estar psicológico de um ponto de vista geral, ou seja, não se debruçando particularmente em aspectos específicos do funcionamento psicológico, mas sim estudando os efeitos do envolvimento em comportamentos de bullying e de vitimização, no bem-estar geral dos alunos (Due, Holstein & Jorgensen, 1999; Karatzias, Power & Swanson, 2002; Wilkins-Shurmer et al., 2003).

Os resultados têm demonstrado uma relação estatisticamente significativa entre ser vitimizado e níveis de bem-estar na adolescência. Verificou-se que as vítimas de comportamentos de bullying apresentavam baixos níveis de bem-estar comparativamente aos colegas, ao mesmo tempo que alunos com baixos níveis de bem-estar se encontravam associados a uma tendência crescente para serem vitimizados (Due, Holstein & Jorgensen, 1999; Wilkins-Shurmer et al., 2003).

Em contrapartida, Karatzias, Power e Swanson (2002), não encontrando diferenças significativas entre os agressores, vítimas e não envolvidos, relativamente aos níveis de bem-estar geral, verificaram contudo que, quando agrupando num só grupo os alunos com envolvimento em comportamentos de bullying (agressores e vítimas), e comparando-os com os não envolvidos, os níveis de bem-estar são significativamente mais baixos nos alunos envolvidos.

Numa abordagem mais específica, outras investigações têm privilegiado o estudo de sentimentos de felicidade e tristeza em alunos envolvidos em comportamentos de bullying. No âmbito dos sentimentos de felicidade, o genérico dos autores, abrangendo alunos do 4º ao 10º ano de escolaridade, tem verificado que os alunos vitimizados pelos colegas manifestam uma maior infelicidade (Boulton & Underwood, 1992; Fekkes, Pijpers & Verloove-Vanhorick, 2004; Matos & Carvalhosa, 2001 b; Slee, 1995). Apenas nos resultados de Slee (1995) se observou igualmente uma correlação significativa entre alunos agressores e infelicidade, ao passo que nos restantes trabalhos, os níveis de felicidade dos agressores não diferem significativamente dos alunos não envolvidos.

Ao nível da tristeza, Berthold e Hoover (2000), observaram no seu trabalho que os alunos vitimizados manifestavam sentimentos de tristeza três vezes mais do que os seus colegas. A tendência para estes alunos serem significativamente mais tristes foi igualmente confirmada por Williams et al. (1996) numa amostra de alunos do 4º ano de escolaridade.

Uma vez que alguns sentimentos de menor bem-estar parecem encontrar-se significativamente associados a alunos envolvidos em comportamentos de bullying, nomeadamente na pré-adolescência e adolescência, Hodges e Perry (1999) numa amostra de alunos do 3º ao 7º ano de escolaridade, procuraram estudar algumas variáveis que pudessem assumir-se tanto como antecedentes da vitimização como consequentes. Os problemas internalizantes (especialmente crianças tristes, com predisposição para chorar, ansiosas e socialmente retraídas) surgiram como preditivos da vitimização, uma vez que esses comportamentos indicam que a criança será incapaz de se defender eficazmente a si própria, se atacada ou provocada pelos colegas. De um modo geral, alegam os autores, as crianças com problemas internalizantes são provavelmente menos capazes do que as outras, para planear e executar contra-ataques organizados e assertivos, que afastem os agressores. Essa postura indefensível permite, por sua vez, uma relação de desigualdade de poder numa interacção conflituosa com um colega, o que facilmente se transforma num episódio de vitimização.

Os alunos agressores esperam determinadas respostas das suas vítimas, incluindo sinais de dor, sofrimento e submissão. Estas respostas, mais prováveis entre crianças com problemas internalizantes, servem por sua vez para reforçar o agressor pelos seus ataques (Perry, Williard & Perry, 1990), correndo-se o risco de se instalar um ciclo vicioso.

Concebendo igualmente a auto-estima e o auto-conceito como indicadores de saúde e bem-estar psicológico (Harter, 1983), inúmeros estudos têm vindo a demonstrar que os alunos agressores, vítimas e não envolvidos em comportamentos de bullying, diferem nos seus níveis de auto-estima e de auto-conceito.

No âmbito da auto-estima, tem-se observado uma grande semelhança ao nível dos resultados obtidos pelos diferentes autores, em diferentes países e com faixas etárias que oscilam aproximadamente entre os 7 e os 16 anos de idade. Geralmente,

os alunos vítimas manifestam níveis de auto-estima significativamente mais baixos que os restantes colegas (Baldry & Farrington, 1998; Boulton & Smith, 1994; Boulton & Underwood, 1992; Byrne, 1994 b; Due, Holstein & Jorgensen, 1999; Engert, 2002; Matsui et al., 1996; Muscari, 2002; Neary & Joseph, 1994; Salmivalli et al., 1999; Slee & Rigby, 1993 b).

Um número mais restrito de trabalhos, tem observado que tanto alunos agressores quanto alunos vítimas, partilham baixos níveis de auto-estima quando comparados ao grupo de alunos não envolvidos em comportamentos de bullying (Karatzias, Power & Swanson, 2002; Mynard & Joseph, 1997; O’Moore, 2000).

Outros autores ainda, têm verificado que os alunos não envolvidos em comportamentos de bullying manifestam de facto os níveis mais elevados de auto- estima, sendo esses valores significativos apenas quando comparados com os alunos envolvidos em comportamentos de vitimização, mas não quando comparados com os alunos agressores (Boulton & Underwood, 1992; Duck, 2005; Kokkinos & Panayiotou, 2004; Slee & Rigby, 1993 b). Assim sendo, com base nestas investigações, os alunos agressores manifestam níveis de auto-estima semelhantes aos alunos não envolvidos. Slee e Rigby (1993 b) sugerem que o facto dos níveis de auto-estima dos agressores serem elevados, se deve ao sentimento de poder que estes alunos sentem ao dominarem e humilharem os alunos mais fracos do que eles. No fundo, estabelece-se uma relação positiva entre os seus níveis de auto-estima e os seus objectivos de dominância.

Em suma, o envolvimento em comportamentos de bullying (seja como agressores, vítimas ou vítimas-agressivas) parece constituir um risco no sentido do desenvolvimento de uma baixa auto-estima, sugerindo a grande maioria dos estudos que o grupo de alunos vitimizados apresenta o risco mais elevado enquanto que os alunos agressores apresentam o menor risco.

Contrariamente a todos estes resultados, Salmon, James e Smith (1998) e Seals e Young (2003), não encontraram nos seus trabalhos, diferenças significativas no âmbito da auto-estima entre alunos agressores e vítimas.

Estando cientes da influência de outras variáveis, que não apenas o envolvimento em comportamentos de bullying, outros autores estudaram a correlação

entre auto-estima, comportamentos de bullying e género sexual (Owens, Slee & Shute, 2000; Rigby & Cox, 1996).

Na investigação de Rigby e Cox (1996), a correlação entre auto-estima e alunos agressores mostrou-se inconsistente entre os sexos. Enquanto que para os rapazes agressores uma baixa auto-estima não pareceu associar-se aos comportamentos de bullying, nas raparigas agressoras a baixa auto-estima surgiu correlacionada aos comportamentos de bullying. Uma vez que a auto-estima se assume, em grande medida, como reflexo da forma como se é julgado pelos seus pares, estes autores sugerem que a explicação para estes resultados reside na diferente atitude que rapazes e raparigas têm perante os agressores. Numa pesquisa anterior, Rigby e Slee (1991), demonstraram que entre os rapazes existe um nível significativamente superior de aprovação face aos agressores, do que entre as raparigas, o que parece consistente com a perspectiva defendida por outros autores, sobre os objectivos de dominância no género masculino (Crick & Grotpeter, 1995; Slee & Rigby, 1993). Entre as raparigas, a condenação dos agressores é significativamente maior, o que ajuda a perceber os níveis de baixa auto-estima, associados às raparigas agressoras, mas nãos aos rapazes agressores (Rigby & Slee, 1991).

Também os resultados obtidos na investigação de Owens, Slee e Shute (2000), ao avaliarem os efeitos da agressão indirecta em raparigas adolescentes, se podem compreender à luz desta perspectiva, uma vez que as raparigas vítimas de agressão indirecta manifestam, entre outros sintomas, uma baixa auto-estima.

Partindo da evidência que uma baixa auto-estima se relaciona com o envolvimento em comportamentos de bullying, o genérico dos trabalhos não estabelece, contudo, uma relação de causalidade.

Manifestando a preocupação em perceber se os baixos níveis de auto-estima antecedem ou procedem a vitimização, Matsui et al. (1996), verificaram que a vitimização se correlaciona com uma baixa auto-estima, apenas nos alunos que manifestavam uma baixa auto-estima anteriormente à vitimização. Estes autores enfatizam o ciclo vicioso que se pode gerar nestes alunos, o qual tem sido salientado igualmente por outros estudos (Egan & Perry, 1998; Hodges & Perry, 1999).

Egan e Perry (1998), estudaram a auto-estima dos alunos envolvidos em comportamentos de bullying, considerando-a como um factor que contribui ou potencializa a vitimização, nomeadamente porque o aluno se sente desvalorizado, incapaz e, como tal, não afirma ou reclama as suas necessidades, nem se defende durante episódios conflituosos. Assim sendo, alunos com uma baixa auto-estima podem manifestar sinais de tristeza, circunspecção, e esses sinais poderem transmitir alguma vulnerabilidade aos colegas agressores.

Os resultados obtidos por Sharp (1996) parecem, aparentemente, contradizer esta perspectiva, dada a verificação de que tanto alunos com elevada auto-estima como alunos com baixa auto-estima, vivenciam comportamentos de vitimização. Contudo, os alunos que evidenciam uma menor auto-estima associada a um estilo de resposta passiva e incapaz face à vitimização, são os que, na realidade, são mais frequentemente vitimizados assim como os que vivenciam um maior stress em consequência. Estes resultados parecem suportar a hipótese de se gerar um ciclo vicioso, em alunos com uma baixa auto-estima e incapazes de se defender activamente perante a vitimização.

Ao nível do auto-conceito, são igualmente semelhantes os resultados obtidos por vários autores, que confirmam a existência de diferenças significativas entre os alunos envolvidos em comportamentos de bullying, particularmente entre alunos agressores e vítimas (Boulton & Smith, 1994; Engert, 2002; Mynard & Joseph, 1997; Salmivalli, 1998), o que se traduz numa diferenciação significativa na auto- percepção de competência dos alunos, em diferentes domínios.

Avaliando os domínios de auto-conceito académico, social, atlético, físico e comportamental, tem-se verificado consistentemente que os agressores manifestam uma elevada percepção de competência atlética, comparativamente às vítimas, que evidenciam uma baixa percepção (Boulton & Smith, 1994; Engert, 2002; Mynard & Joseph, 1997).

Diferenças significativas no âmbito do auto-conceito académico, foram igualmente encontradas. Uma associação positiva entre vitimização e uma baixa percepção de competência académica, foi encontrada nos trabalhos de Engert (2002), Mynard e Joseph (1997) e Neary e Joseph (1994), sendo que semelhante associação entre os alunos agressores, se verificou apenas no estudo de Mynard e Joseph (1997).

No âmbito do auto-conceito de aparência física, observou-se que os alunos vítimas tendem a manifestar níveis mais baixos, comparativamente aos restantes colegas (Engert, 2002; Mynard & Joseph, 1997; Neary & Joseph, 1994; Salmivalli, 1998), sendo que os alunos agressores tendem a manifestar um auto-conceito físico elevado (Salmivalli, 1998).

Relativamente ao auto-conceito social, os autores são unânimes quanto à relação estabelecida entre vitimização e baixos níveis de aceitação social (Engert, 2002; Mynard & Joseph, 1997; Neary & Joseph, 1994; Salmivalli, 1998), ao passo que entre os alunos agressores, a tendência verificada é no sentido oposto, ou seja, observa-se uma elevada percepção de aceitação social por parte dos seus pares (Salmivalli, 1998).

O único domínio do auto-conceito, onde o mesmo se verifica significativamente mais elevado entre os alunos vitimizados e mais baixo entre os alunos agressores, refere-se ao auto-conceito comportamental (Engert, 2002; Mynard & Joseph, 1997; Salmivalli, 1998).

Salmivalli (1998) defende que os alunos agressores manifestam um baixo auto-conceito comportamental, devido ao facto de se encontrarem cientes de que se comportam contra as normas, ao passo que os alunos vítimas evidenciam um baixo auto-conceito social, por constituírem o grupo mais afectado pelo abuso sistemático dos pares e, consequentemente, não se sentirem socialmente aceites.

Em síntese, verifica-se a tendência para os alunos agressores manifestarem níveis elevados de auto-conceito social, físico e atlético, comparativamente a baixos níveis de auto-conceito comportamental, ao passo que os alunos vítimas tendem a manifestar níveis baixos de auto-conceito social, físico e atlético, comparativamente a elevados níveis de auto-conceito comportamental.

Esta diferenciação de auto-percepções, juntamente com as diferenças observadas ao nível da auto-estima, dos sentimentos de tristeza e de infelicidade, leva-nos concluir que a percepção de bem-estar psicológico é significativamente divergente quando nos debruçamos sobre alunos agressores ou alunos vítimas. De facto, a vitimização parece associar-se a baixos níveis de percepção de bem-estar quando comparada com os níveis vivenciados pelos alunos agressores, o que sugere um risco psicológico superior.