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Chapitre I - Encapsulation sous vide de dispositifs et de microsystèmes

2. Mécanismes physicochimiques de l’interaction gaz-solide Pour un solide, les interactions possibles avec d’autres atomes vont dépendre notamment du fait

3.1. Modèles de base de l’adsorption et de la désorption

60 AC

Mendonça (1758) descreve a ocorrência de um sismo com alteração do mar, por volta de 60 AC, que afectou as costas de Portugal e Galiza, da seguinte forma:

“Por estes anos succedeu na Costas de Portugal, e Galiza, hum Terremoto horrivel, que arruinou muitos edificios, e lugares inteiros. O mar excedendo os seus ordinarios limites cobriu muitas terras, descobrindo tambem outras o retiro das suas agoas. A gente se retirou a habitar nos campos, e montanhas.”

Tabela I: Listagem dos tsunamis que afectaram a costa Algarvia. D – Desconhecido; TI/K – intensidade do tsunami. Adaptado de Baptista e Miranda (2009).

Localização da fonte Data (hh mm ss) Hora Latitude Longitude H (km) TI Sieberg Ambraseys K Imamura Papadopoulos Run- up (m) Amplitude máxima (m) 60AC D 36.00 -10.70 - 4 VII 382DC D 36.00 -09.50 - 4 VI 27 Dezembro 1722 17:30:00 37.02 -07.48 - 3 VI 1 Nov. 1755 09:40:00 36.70 -09.80 - 6 XI >10 25 Novembro 1941 18:04:00 37.42 -19.01 25 1 II 0,10 (Lagos) 28 Fevereiro 1969 02:40:32 36.01 -10.57 25 2 III 0,30 26 Maio 1975 09:11:51 35.90 -17.50 15 1 II 0,30 (Lagos) 382 DC

Brito (1597) descreve um sismo e um tsunami que afectaram a ilha de Sicília, Grécia, Palestina e Espanha no ano de 382 DC e descreve os seus efeitos no Cabo de S. Vicente, referindo-se à destruição de uma antiga ilha, da qual ficaram apenas alguns vestígios.

“ouue hum terremoto vniuersal cõ que se fundirão muitas cidades, & o mar saydo de seu curso natural, alagou algumas terras, que antes se pouoauão, & deixou descubertas outras q soião ser pégo nauegauel; Laymundo faz grande fundamento desta inundação do mar, referindo quasi as formais palauras do monge Eutropio, & acrecenta (…) Quasi dizendo, que não foi o dano do terremoto so em Sicilia, Grecia, & Palestina, mas tambem pelas terras maritimas de Espanha, sobuerteo acrecente do mar alguma terra forme, & cubriu algumas ilhas, que antigamente pouoarão, das quais ficarão no meo do mar algumas rochas, que o mar deixou descarnadas da terra, as quais se vê, ou perto ou dentro do mar Oceano, principalmente no cabo S. Vicente, onde ficarão huns piquenos sinais de certa Ilha antiga, & outros pella, mesma costa do mar Oceano, como vay discorrendo pera o norte.”

27 de Dezembro de 1722

Tanto Mendonça (1758) como Lopes (1841) fazem referência a um sismo sentido no Algarve no dia 27 de Dezembro de 1722, que deu origem a um tsunami observado entre Faro e Tavira.

“Em 27 de Dezembro, às 5 para as 6 horas da tarde, padeceu o Reyno do Algarve hum Terremoto fatalissimo, que durando pouco mais espaço, que o de huma Ave Maria, forão tão grandes os abalos, que causou muitos estragos (…) Todo este grande abalo da terra procedeu de impeto, com que rebentou huma grande quantidade de fogo no mar, entre Faro e Tavira; porque muitas pessoas virão subir as chamas dentre as agoas, que bramirão como violentadas de alguma tormenta“ (Mendonça, 1758).

“(…) Os males fisicos vierão tambem augmentar os males moraes do Algarve! Os fataes terremotos de 6 de março de 1719, de 27 de Dezembro de 1722, e 1.º de novembro de 1755 acabárão de prostrar de todo o Algarve. (…) O 2.º começou das 5 para as 6 horas da tarde no cabo de S. Vicente; foi-se estendendo pelo resto do reino, vindo a soffrer mais as povoações de Portimão, Lagos, Albufeira, Loulé, Faro, e Tavira: morrerão muitas pessoas; e desabarão innumeraveis edificios, ou ficaram inhabitaveis. No rio de Tavira affastárrão-se as aguas, de forma que huma caravela, que hia sahindo barra fóra, ficou em sêco por muito tempo, dando logar a que a tripulação sahisse para terra a pé enxuto. Suppõe-se acontecer tão formidavel abalo da terra por causa d’huma grande quantidade de fogo que rebentou no mar entre Faro e Tavira, porque muitas pessoas vírão subir as chamas d’entre as aguas, que fizerão estrondo como impellidas por huma violenta tempestade” (Lopes, 1841).

Apesar de Mendonça (1758) não fazer referência a um tsunami, a descrição de Lopes (1841) refere um recuo das águas no rio de Tavira. Adicionalmente, a parte final de ambos os relatos faz referência a chamas que subiram por entre as águas fazendo um estrondo como uma tempestade. A semelhança entre a parte final dos dois relatos apresentados para o sismo e tsunami de 1722 indica claramente uma fonte bibliográfica comum, que não foi possível detectar.

1 de Novembro de 1755

O famoso sismo e tsunami de 1 de Novembro de 1755 foi descrito por vários autores como o mais destrutivo que ocorreu na Europa. Os seus efeitos foram sentidos em Portugal, Espanha, Marrocos, França e muitos outros países Europeus (Mendonça, 1758).

A compilação de relatos históricos efectuada por Sousa (1919) permitiu ao autor criar uma carta de isossistas (Figura 1), atribuindo intensidade de X-XI (escala de Mercalli) à maior parte do sul do Algarve.

Figura 1: Carta de isossistas do sismo de 1755 no Algarve, efectuada por Sousa (1919). Retirado de CCDR (2004).

Campos (1991) identificou relatos de várias ondas de tsunami que sucederam ao sismo e atingiram a costa de Cádis e de Ceuta em maré alta, maximizando a altura de inundação, referindo também que, nalguns locais, a primeira manifestação do tsunami foi o recuo do mar em mais de 2km. Segundo a autora, três violentas ondas invadiram a costa em muitos locais, tendo ocorrido oscilações do nível do mar que duraram cerca de 24 horas. As alturas de onda do tsunami alcançaram máximos de 18-20m em Cádis e 11m em Tarifa (Espanha), e geraram inundações em Ayamonte, bem como em todas as pequenas ilhas e praias daquele litoral.

Baptista et al. (1998a, b) estimaram os parâmetros deste tsunami com base na análise de obras escritas entre 1755 e 1759 e, principalmente, com base nas respostas ao inquérito do Marquês de Pombal. De acordo com estes autores, os registos históricos da inundação do tsunami de 1 de Novembro de 1755, referem ondas com 5m em Lisboa, mais de 10m no Cabo de S. Vicente, 15m em Cádis e 1,2m no Porto.

“(…) Pouco depois das nove horas e meya da manhã (…) começou a terra a abalar com pulsação do centro para a superficie, e aumentando o impulso, continuou a tremer formando hum balanço para os lados de Norte a Sul, com estrago dos edificios (…) A estes impulsos da terra se retirou o mar, deixando nas suas margens ver o fundo ás suas agoas nunca de antes visto, e encapellando-se estas em altissimos montes, se arrojarão pouco depois sobre todas as povoações maritimas com tanto impeto, que parecia quererem sumergillas extendendo os seus limites. Tres irupcoens mayores, álem de outras menores, fez o mar contra a terra, destruindo muitos edeficios, e levando muitas pessoas involtas nas suas agoas. (…) Todo o Reyno do Algarve padeceu grandes estragos com o Terremoto por ser uma Cósta do Oceano sugeita aos seus effeitos, como tem experimentado em outras ocasioens. (…) O mar daquella Costa sobiu tantas varas sobre a sua ordinaria superficie, que innundou muitos Campos, e quando retrocedeu desfez algumas das Fortalezas, que nella havia, e toda a Villa de Albufeira, deixando nos matos grande numero de peixes. (…) O movimento das agoas, foi hum dos effeitos estupendos do Terremoto, apparecendo primeiro em huns portos o retrocesso das agoas da praya, que deixou descuberta em Cadiz mais de meya legoa; e vindo o fluxo do mar em outras partes sem este refluxo. No porto de Santa Maria (Porto de Santa Maria em Cádis) inundárão tres legoas de distancia. Nas costas de Portugal, e do Algarve penetrárão muito e causárão muitas mortes, e ruinas de edifficios. (…) Mais de oito dias depois do primeiro de Novembro não tiverão as marés o seu curso regular. Humas vezes tardarão, outras vezes se adiantárão. Huns dias houve sette, e oito horas de enchente, outros menos horas que as ordinarias. As agoas dos rios apparecerão turbadas. Alguns maritimos observarão no mar variedades no seu fluxo por alguns mezes. Já no

dia antecedente ao Terremoto, se observou tardar a maré duas horas do seu curso ordinário.“ (Mendonça, 1758).

“(…) o mar recolheu-se em parte mais de 20 braças, deixando as praias em

sêco; e arremetendo immediatamente para a terra com tamanho impeto, que entrou por ella dentro mais de huma legua, sobrepujando as mais altas rochas; tornando a retrahir-se e romper por tres vezes dentro de poucos minutos, arrastando no fluxo e refluxo enormes massas de penhascos e edificios; e deixando por isso arrazadas quasi todas as povoações maritimas (…) (Lopes,

1841).

Das descrições anteriores, pode-se retirar que após o terramoto, ocorreu uma rápida descida do nível médio do mar, seguindo-se então três inundações tsunamigénicas das zonas baixas.

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