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Chapitre III - Techniques expérimentales

2. Techniques d’élaboration et d’analyse des films getter en salle blanche

2.3. Mesures de la résistivité en fonction de la température 1. Présentation des bancs de mesures du C2N et de la technique

2.3.2. Mesures électriques de films minces d’yttrium

A avaliação da influência das características geomorfológicas dos locais estudados na preservação de assinaturas sedimentares de inundação por eventos de alta energia, foi feita através da utilização de algumas das variáveis seleccionadas com base na existência/ausência e características dos depósitos tsunamigénicos identificados.

Em total foram encontrados e caracterizados depósitos com características de inundação e sedimentação de eventos de alta energia, associados ao tsunami de 1755, em quatro locais (Martinhal, Barranco, Furnas e Boca do Rio) do troço litoral com cerca de 30km de comprimento, que se estende entre Sagres e a Ponta da Piedade.

A Boca do Rio apresenta o depósito tsunamigénico mais extenso correspondente à unidade B, essencialmente arenoso, que atinge uma distância de 1000m à linha de costa. Segue-se a unidade C do Martinhal, também esta essencialmente constituída por areias, atingindo uma distância de 400m à linha de costa. Na depressão do Barranco foi identificado e caracterizado um depósito composto por blocos, burgaus e areia, parcialmente intercalados nos lodos aluviais, que atinge pelo menos 300m de distância à linha de costa. A unidade arenosa, de origem marinha, identificada na parte superior da sequência sedimentar que preenche a depressão do Zavial encontra-se a profundidades reduzidas e com extensão circunscrita. O depósito menos extenso foi o constituído por blocos e burgaus de origem marinha, existente na depressão das Furnas, que atinge 250m de distância à linha de costa. Tentar-se-á definir as variáveis geomorfológicas que condicionaram a existência destes depósitos, tendo em conta as incertezas referidas.

Umas das variáveis geomorfológicas que se considerou de extrema relevância na preservação de assinaturas sedimentares de inundação tsunamigénica foi a dimensão da planície aluvial inundada, que pode ser medida com base na área da sua superfície. Neste caso, a superfície que se encontra abaixo de 10m (NMM) representa o espaço disponível para acomodar sedimento injectado, e

controla a dispersão da massa de água, minimizando assim a erosão causada pela ressaca.

A altura das dunas frontais, e sua relação com a altura da planície aluvial, representa não só a robustez ou ausência de uma barreira arenosa capaz de oferecer obstáculo ao galgamento como também constitui uma fonte proximal de sedimento. A razão entre a largura do vale na planície aluvial e na praia (PA/P) representa uma medida da forma do vale, medindo especialmente se o mesmo alarga ou estreita na foz.

A largura do vale na planície aluvial é representada pela largura da planície aluvial e corresponde à maior largura possível até uma distância máxima de 1000m da linha de costa. A largura do vale na praia é representada pelo comprimento da praia, excepto nos locais de Zavial e Figueira, que apresentam praias que parcialmente se desenvolvem no sopé de arribas ou vales suspensos, estendendo-se assim para leste e/ou oeste dos vales principais. Nestes casos, foi medida a distância entre as vertentes que limitam o vale a jusante. Quanto mais elevada for a razão PA/P, mais baixo deveria ser o afunilamento, e consequentemente, a probabilidade de erosão do material depositado pela inundação, causada pela ressaca.

A taxa de sedimentação das planícies aluviais influencia a possibilidade de preservação de sedimentos marinhos eventualmente depositados por um evento abrupto. As taxas de sedimentação encontradas nas zonas baixas estudadas dependem principalmente da área das bacias hidrográficas e marginalmente dos valores de precipitação. As taxas de sedimentação variam ao longo dos locais estudados, apresentando valores muito elevados na Boca do Rio (3,26mm/ano), seguidos de valores mais baixos (com a mesma ordem de grandeza) nas planícies aluviais do Martinhal e Barranco (0,52mm/ano e 0,43mm/ano); finalmente, os valores mais baixos foram obtidos nas planícies aluviais de Zavial, Furnas e Figueira (entre 0,02mm/ano e 0,06mm/ano).

A direcção da linha de costa deveria ser um factor relevante, que condicionaria a inundação tsunamigénica nas depressões, devido a diferentes exposições das mesmas à direcção de incidência da onda de tsunami. No entanto, o sector

costeiro em análise apresenta uma direcção idêntica (E-W) ao longo de todo o seu comprimento, sendo razoável assumir que, para este local, a direcção da linha de costa é irrelevante na determinação de contrastes de exposição das depressões à inundação tsunamigénica.

A Tabela XX apresenta um sumário dos resultados obtidos para os índices e variáveis geomorfológicas, discutidos em cima, considerados como mais relevantes na deposição e preservação de assinaturas sedimentares de eventos de alta energia.

Tabela XX: Índices e variáveis geomorfológicas mais relevantes no potencial de deposição e preservação de uma assinatura sedimentar de um evento de alta energia.

Locais Martinhal Barranco Zavial Furnas Figueira do Rio Boca

Praia 630 210 100 210 110 115

Largura do vale

(m) Planície aluvial 320 115 85 55 75 200

PA/P 0,50 0,55 0,85 0,25 0,68 1,74

Duna – planície aluvial

(m) 10,11 5,00 1,25 - 1,7 9,8

Área da planície aluvial (m2) (abaixo de 10m

NMM)

93 419 74 377 52 535 18 754 25 600 392 900 Taxa de sedimentação

(mm/ano) 0,52 0,43 0,06 0,04 0,02 3,26 As depressões com maior probabilidade de preservação de uma assinatura sedimentológica de inundação tsunamigénica são as que apresentam: a) índice de PA/P elevado, representando vales com formas que minimizam o efeito de afunilamento, minimizando assim a erosão pela ressaca, de sedimentos depositados pela inundação; b) maiores valores da diferença entre cota máxima da duna frontal e mínima da planície aluvial, representando maior disponibilidade de sedimentos para serem transportados e maior probabilidade de existência de uma barreira arenosa após inundação tsunamigénica que poderá reter sedimento depositado, canalizando a ressaca e minimizando a erosão resultante da mesma; c) maior área da planície aluvial, representando o espaço de acomodação sedimentar e um factor de controlo da dispersão da massa de água. No cálculo do segundo índice descrito acima, não foram consideradas dunas trepadoras, uma vez que estes dois tipos de dunas (frontal e trepadora), presentes nas depressões estudadas, apresentam volumetrias sedimentares diferentes para a mesma cota apical. Adicionalmente, as dunas

trepadoras não produzem o mesmo efeito de retenção de sedimentos nas planícies aluviais, que as dunas frontais produzem, actuando como barreiras.

A altura da duna frontal da Boca do Rio, considerada no cálculo dos índices, foi de 11m (NMM), obtida com base na modelação da duna efectuada por Oliveira

et al. (2009).

A Boca do Rio apresenta uma combinação de índices mais favorável, evidenciando maior probabilidade de preservação de uma assinatura sedimentar de um evento de alta energia, seguido do Martinhal, Barranco, Zavial, Figueira e finalmente Furnas. A ordem de probabilidade de preservação calculada está, de facto, associada à extensão dos depósitos conhecidos e possivelmente originados pelo tsunami de 1755, sugerindo um controlo geomorfológico da inundação e deposição de sedimentos nas depressões do troço mesocenozóico da costa sul Algarvia.

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