MARCHES NUMERIQUES DU TRAVAIL
1. Dynamique d’une architecture de MNT
1.3. Un modèle de structuration verticale
Falamos de concepção “artesanal” para essa relação de três conceitos, como se o que entendemos por “artesanato” já seguisse padrão de interdependência. Não é de bom termo compreender o artesanato em questão por esse viés. Reconhe- cemos a existência de formas de comunicação “mais espontâ- neas”, digamos, em todas as culturas, assim como na cultura religiosa especíica de cada localidade, a im de adaptar, nas tensões do cotidiano, a dialogicidade entre homens e deuses. Entretanto, para tomar tal adaptação como “artesanato”, é pre- ciso interpretar a arte como uma – se não a mais poderosa – dimensão interna dos procedimentos técnico-cientíicos. Seja no exercício emergente das emoções que criam uma esté- tica para diversos sentidos, seja no enquadramento lúdico das criações mais infantis, a “arte” pode ignorar sua transposição
epistemológica à tecnologia. Mas o contrário, não é possível, apesar da ampla maioria das comunidades cientíicas perma- necerem “devotas” da ignorância desse vínculo.
A metodologia de acompanhamento comunicacional que contempla o fazer artístico como fundamento de um per- curso cientíico (geográico, no caso) vai requerer a adoção da proposta de Lucrecia Ferrara (2008), na leitura do espaço como mediador de etapas artesanais na “cultura” dos lugares simbólicos. A prática da mediação demarca um acúmulo de experiências na distensão dos problemas. Geralmente forma padrões aproximativos para concretizar a melhor solução ao convívio com processos espaciais que devem permanecer no tempo como valor além do tempo. Tal “dever” alimenta uma ética, cuja mais sutil forma de comunicação dá-se no exercício estético da “permanência”. Conceito estratégico no estabeleci- mento de uma linguagem; um padrão comunicativo.
Trata-se de uma lógica paradoxalmente invertida. E para exprimi-la, não faltam exemplos: a) um mundo em explosivas mudanças tende a valorizar-se mais pelas marcas do que repre- senta como permanente; b) a sustentabilidade das economias industrializadas demanda uma constante “exportação” de in- dústrias para as “distantes” economias não industrializadas; c) a qualidade de vida, pautada em critérios artiiciais de um bem-estar “natural” só é assegurada, entre os indicadores cien- tíicos, quando as experiências do sofrimento são mitigadas ou abolidas da própria vida. Portanto, tal lógica comunicativa de buscar o tempo além do tempo (os santuários além dos lugares simbólicos, em nossos termos), corresponde à demonstração precursora insuiciências ambientais. Que tipo de “insuici- ência” vem motivar essa triangulação proposta? E por que o ambiental a adjetivá-la?
Comecemos pelo primeiro vértice do triângulo, a insu- iciência ecológica da conservação. O arranque das políticas ambientalistas, sob a apocalíptica ameaça do desaparecimento das condições de vida e/ou biodiversidade na Terra, vem de- cretando, em escala global, um olhar progressista (revolu- cionário) sobre a ideia de “conservação”. Portanto, ao lermos mais adiante sobre as etapas de criação e ampliação do Parque Doñana, constataremos o resultado político dos avanços de- mocráticos na gestão do meio ambiente. Os recursos do sis- tema natural, no caso de reservas ambientais, precisam per- manecer vivos e, industrialmente, mais intocados que nunca. Isso revoluciona a compreensão contemporânea do que seja recurso natural. Não elimina nem abdica de suas práticas ex- trativistas de aproveitamento, mas acrescenta as possibilidades de aproveitamento convivente, ou seja, conservacionista.
A incompletude dessa convivência inicia-se pela cons- tatação dos limites da conservação, cujas articulações ad- ministrativas – consideram-se as áreas conservadas sempre reprimidas pelas culturas de seus entornos – não garante a preservação dos bens naturais inventariados. Ocorre que a avaliação, como construção de provas e indicadores, requer a edição atualizada dessas garantias. Se o preço do desenvolvi- mento é a aceleração das mudanças e processos, seus custos recaem também na falseabilidade mais rápida do que há muito pouco tempo fora “comprovado”. Entra em cena, nesse caso, a primeira parceria do triângulo comunicativo, a im de ampliar os mecanismos do processo de conservação ambiental pelo ca- minho da inovação tecnológica.
O convívio estratégico, no aproveitamento dos recursos naturais, requer o aparato técnico-cientíico estruturado em níveis superiores aos habituais da região até porque a gestão
conservacionista desprovida desse aparato, amiúde se traduz em um movimento rápido de devastação/degradação, como denotam os chamados crimes ambientais. Por essa razão, a insuiciência tecnológica da inovação, como segundo vértice comunicativo, vai preencher os esquemas de segurança pos- síveis na iscalização e controle dos meios de conservação ao mesmo tempo em que, por intermédio de seus aportes inves- tigativos (públicos ou privados), tende a municiar a sociedade civil, empresas e instituições diversas na construção de uma interdependência técnica-operacional. A materialidade da “inovação” tende a ser a criação de uma necessidade técnica, geralmente traduzida pelo consumo de meios que imitam o papel dos computadores pessoais em nosso cotidiano. Aliás, da mesma forma que outros ícones industriais coroaram os avanços da revolução industrial, as gerações dos informáticos representam a inovação da tecnologia contemporânea, me- diante sua alta capacidade de povoar nossos cotidianos com a mínima transformação possível de nossas bases culturais. Ainal, evidencia-se uma grande defasagem entre a rápida in- corporação das novas tecnologias de produção, gestão e comu- nicação frente a baixa mutação das estruturas sociais, políticas e comportamentais que ixam nossas culturas. Claro que essa airmação, para um leitor desavisado, tende a aparecer como uma espécie de “cegueira” na observação das sociedades atuais. Entretanto, o “desaviso” não resiste à escala em foco, quando o questionamento das inovações ousa veriicar suas contribui- ções diretas nas áreas cheias de “ruídos” culturais. Corrupção, nepotismo, intolerância religiosa, tráico de inluência, ra- cismo, machismo, homofobia, corporativismo, idolatria etc. continuam povoando as mentes e atitudes de latino-ameri- canos e europeus, sem qualquer sinal de que sua alfabetização
tecnológica reduza ou substitua tais cultos comportamentais. E isso, sob certo ângulo político-ideológico, pode ser consi- derado plenamente reacionário, apesar de toda combatividade exigida dos seus “membros”. A inovação tecnológica, neste sentido, limita-se por sua fragilidade cultural explícita. Os meios de segurança ambiental são os mesmos (em natureza e avanços) que viabilizam a degradação.
Uma postura mais pedagógica, promovendo os avanços da conservação e restringindo a ingenuidade da inovação, apareceria no exercício turístico da visitação. Aí encontramos o terceiro vértice do triângulo comunicacional, fazendo com que a correspondência de suas insuiciências ambientais (eco- lógica e tecnológica) dialogue com outras matrizes educativas. Matrizes menos formais e mais artesanais.
Contudo, a insuiciência turística da visitação concentra traços idealistas de projetos ecoturísticos, cujo ponto de par- tida é a fragilidade/excepcionalidade de um recorte da natu- reza. Nestes termos, um conjunto severo e restritivo de norma- tivas, que reduza o uso direto das unidades de conservação a um padrão, torna-se o elemento decisivo das políticas de ma- nejo. O turismo permanece como um recurso educativo muito bem-vindo, desde que direcione sua prática exclusivamente aos caminhos de aprendizagem estabelecidos pela gestão de cada unidade os quais são conservadores, inovadores e, con- sequentemente, defasados da geograicidade requerida pelos processos culturais mais sutis. Em outras palavras, pode-se airmar que a prática turística em espaços naturais deve res- ponder à insuiciência dos vértices que a demandam, de forma eicaz e oicial (patrimonial) o que favorece a colaboração pla- nejada, e em escala global, do turismo como motor de ino- vação e conservação, nos santuários naturais do planeta o que
não é pouca coisa no avanço temático de uma prática social excessivamente condenada à inferioridade no rol das priori- dades humanas.
Contudo, a lógica que condiciona um conteúdo ético a um valor estético e que faz emergir o artesanato das interações desse triângulo, nos lembra o quanto tal visão sobre a visitação também se mantém na insuiciência. Quem visita o Parque Doñana, visita uma natureza sem cultura, portanto não visita; somente executa um passeio em tempo-espaço pré-moldado por uma intenciona- lidade oicial. Na visitação de uma casa, sem a presença do dono, capturamos o cenário, mas temos que imaginar a encenação. E quando a encenação não é vivenciada, mas apenas imaginada, balançamos em uma rede de informações mas metaforicamente não tecemos e nem conduzimos rede alguma.
Como ultrapassar a arte desse desaio, dessa insuiciência?
1.5 Rotação Simbólica: Há que se Fazer Giraldas para