• Aucun résultat trouvé

MARCHES NUMERIQUES DU TRAVAIL

1. Dynamique d’une architecture de MNT

1.2. Un modèle de structuration horizontale

Enquanto fenômeno de intercâmbio complexo, envol- vendo devotos e divindades nos estudos do turismo religioso (OLIVEIRA, 2001, 2004), o foco permanece embasando o que entendemos por santuário: um espaço-representação que, a partir de uma forma (ícone) básica, conecta um campo sim- bólico máximo, de comunicação e mobilidade. Em termos topológicos, consideramos, pela ordem, os espaços naturais,

a territorialidade rural e as paisagens metropolitanas os três principais campos dessa simbolização dos santuários turísticos. Neste sentido, seriam “campos atrativos” das metrópoles para os espaços naturais e “campos emissivos” dos naturais e tradi- cionais para as paisagens metropolitanas o que fortalece nosso entendimento sobre o papel estratégico e indispensável da me- tropolização na compreensão do turismo contemporâneo.

Contudo, um quarto modelo de santuário (caracteri- zadamente luido) tende a traduzir, com maior propriedade, o êxtase coletivo das manifestações devocionais. Trata-se do santuário festivo, capaz de desaparecer nos tempos “de baixa” e, paradoxalmente, cristalizar a vitalidade geográica dos de- mais santuários. Nestes termos, as festas populares como ex- pressões sacroprofanas do corpo social, mobilizam condições muito peculiares de conexão mística (devoto/divindade), ao mesmo tempo em que fortalecem tais conexões nos santuá- rios ixos ou topológicos.

O estudo empreendido em Andaluzia demarcou, direta- mente, a investigação dos vínculos entre os santuários festivos (a peregrinação de Pentecostes), tradicional (representação local/regional da Virgem) e natural (o âmbito patrimonial do espaço Doñana). Entretanto, o fortalecimento ou a amarração patrimonial desse processo – base para a constituição de toda e qualquer prática de Educação Patrimonial – exige o reco- nhecimento da dimensão metropolitana neste horizonte de articulações. Há que se vislumbrar, portanto, um quarto ele- mento-síntese para movimentar a triangulação dos santuários demarcados, principalmente, no que concerne à vitalidade efe- tiva do santuário festivo.

Sevilha, a capital andaluza (que veremos adiante), apresenta-se como um lugar simbólico articulador dos três san-

tuários focais, mediante sua plena capacidade de fortalecer o papel do vetor político-turístico. Isso não retira das outras sete capitais de províncias, muito menos das metrópoles nacionais espanholas (Madri e Barcelona), suas relevantes contribuições à estruturação festivo-devocional do espaço protegido de Doñana. Apenas indica o quanto Sevilha, em seu posicionamento de re- lativa proximidade-distanciamento, consegue estabelecer todo o conjunto de referenciais necessários à projeção dos santuários “em cena”. E sem projetá-los devidamente (nos parâmetros exi- gidos pelo que denominaremos aqui por cultura turística) a pa- trimonialização desse conjunto de bens icaria inviabilizada.

Antes de cuidar dessa metrópole-santuário como espaço estruturante dos demais modelos de espacialidade turística, é preciso convidar o leitor a perceber que uma relação complexa de três variáveis – pouco ou nada harmônicas – permanece re- quisitando a participação de um quarto objeto mesmo quando amplia a projeção de tensões. Neste caso, a observação da i- gura composta a seguir pode auxiliar o entendimento da tríade dos Santuários (natural, tradicional e ritual), desaiada perma- nentemente por esse “tensor” territorial que o espaço metro- politano fomenta e representa.

Ao observar a conjunção dos quatro modelos de san- tuários turísticos, com os quais trabalhamos, procuramos, na Figura 4, reposicionar a proximidade daqueles lugares simbó- licos tidos como metropolitanos com a face (ou lado) de pro- jeção dos vetores. A ideia aqui é reconhecer que a demanda metropolitana – polaridade da qual partem os processos turís- ticos – indicam o ponto de referência (mancha de intersecção da quadratura) que projeta a interação dos demais modelos. O estudo aqui desenvolvido não nos permitiu uma veriicação mais detalhada da dimensão metropolitana, interagindo com

os modelos tradicional, natural e ritual (desaio de outro es- tudo). No entanto, com base na percepção dessas demandas modernas, cujo arranjo centraliza a promoção de diferentes formas patrimoniais, pode-se deduzir que a vinculação dos santuários não corresponda a uma simbólica inocente ou es- pontânea. O lugar simbólico, que move a quadratura, vem da metrópole e, de alguma forma, tende a um retorno ao seu corpo geográico ampliado.

Figura 4 – Quadratura dos Santuários e suas Forças Motrizes

Fonte: Elaboração de Oliveira (2012).

Nesses termos, não se trata de reduzir os demais santuá- rios a uma situação de espaço secundário ou periférico do sis- tema. Muito pelo contrário. Trata-se de demonstrar, pelo jogo ilustrativo, a densidade contemporânea dos demais santuários como nichos indispensáveis para a gestão metropolitana de todo e qualquer patrimônio geográico, seja ele tangível em sua expressão “natural”, seja histórico/artístico/arquitetônico

em sua marca “tradicional” identitária, ou mesmo intangível (imaterial) na vitalidade de suas manifestações rituais. Aqui sintetizadas no valor simbólico das festividades que trans- forma o El Rocío (santuário ritual) em religiosidade cristã contemporânea (santuário tradicional) e ambiência susten- tável do parque Doñana (santuário natural).

Mas em que momento a base sensível e relacional da “geograicidade”, do pertencimento ao lugar/terra, qualiica- dora de nossos vínculos culturais com o espaço, faz “mover” a quadratura e projetar esse mesmo pertencimento como “en- cenação”? Ainal, por que os santuários que emergem de um princípio sagrado (pelo esquema proposto) vão requerer um arranjo exterior tão teatral?

A quadratura é nesta racionalidade um processo de co- esão teórica da realidade teatral. A “encenação”, portanto, ex- pressa a capacidade geográica de diferentes comunidades de se mobilizarem nos quatro santuários, de forma a promover a fusão de dois eixos, aparentemente, inconciliáveis: o ver- tical, da materialidade (santuário ritual x santuário natural, sobre o qual mais nos dedicaremos) e o horizontal, da mu- tabilidade (santuário tradicional x santuário metropolitano). Nesta tendência paradoxal de materializar/mudar os campos de forças vetoriais, vão criando um lugar simbólico, expres- sivo aos sentimentos e intuição, porém nunca racionalizável pela topologia local das cartograias mais óbvias: demarcar onde está o “tal” lugar!

A geograicidade requerida pela densidade das quatro formas patrimoniais só permite “demarcar” como o lugar compõe a cena/cenário, enquanto esta se realiza. Sem reali- zação – encenação de fato – não há lugar simbólico algum. Neste caso, os santuários podem se limitar à sua concepção

teológica, afastando-se do mundo, essencialmente compre- endido como a verdadeira casa da divindade. Mas também eles podem se autodiscriminarem na competitividade, que os apontam como plenos da verdade (natural, tradicional, mági- co-ritual, ou urbana), independentemente de qualquer divin- dade, em uma concepção ilosóica. Extremos que não educam, em qualquer das duas direções. Preferimos a quadratura em concepção artesanal, tecnocientíica, compatível com a aplica- bilidade de metodologias sempre duvidosas, próprias ao vetor político-turístico. Ainal, uma concepção artesanal não des- carta antecipadamente a interação religiosa/ecossitêmica dos vetores mais incidentes no movimento da quadratura. E não descartando, constrói correlações – chamemo-las de “etapas” de conversão à encenação. Comunicá-las ixa o próximo item.