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2. Cadre théorique

2.2. Le sentiment de présence

2.2.5. Evaluations du sentiment de présence

2.2.5.2. Les mesures comportementales

Na subcategoria Mudanças sociais, pretendemos saber quais as mudanças que, neste domínio, o idoso sentiu quando se aposentou e que valor atribuiu às mesmas.

Relativamente às questões “Está reformado(a)/aposentado(a)?”, “O que mudou na sua vida, em termos sociais, quando se reformou/aposentou?”, os participantes referiram que, quando se aposentaram, em termos sociais, as amizades (P6) e o convívio com as pessoas (P2) mantiveram-se. Por outro lado, o P8 afirmou que depois de aposentado, dedicou o seu tempo a educar e a acompanhar o crescimento do seu neto, como podemos verificar nas seguintes afirmações:

- “(…) continuei a fazer tudo na mesma, que remédio tinha (…) os amigos continuaram os mesmos. Depois de reformada, continuei a trabalhar, o dinheiro fazia falta, tinha que me desenrascar.” (P1);

- “Sim (…) socialmente ainda continuo com as amizades, todos os dias telefonemas, todos os dias a conviver com pessoas, adoro estar aqui [centro de dia] porque convivo com as pessoas, gosto. E gosto de poder ajudar, deitar uma mão.” (P2);

- “Sim. Continuou igual quando me reformei, sempre tive amizades, participava no coro da igreja.” (P6);

- “Sim(…) eu vivi a minha vida como funcionário público (…) e aposentei-me aí no topo da carreira. Antes de me aposentar tinha mais contatos sociais, mas muito limitados à minha profissão (…) depois de aposentados, eu e a minha mulher resolvemos (…) auxiliar o nosso filho mais velho com o nosso neto. Vivemos aquele velho adágio que é “Ser avô é ser pai duas vezes.” (P8).

A reforma é um acontecimento que marca o início de grandes mudanças na vida dos indivíduos, seja nas rotinas ou nos papéis que assumem na sociedade. Torna-se pertinente que o idoso encontre as potencialidades deste novo papel, o de reformado, e

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crie novas rotinas (Fernández-Ballesteros e Izal, 1993, citados por Teixeira, 2010). Contudo, para alguns indivíduos, a aposentação não significa o fim da atividade. No estudo realizado por Cabral e Ferreira (s.d.), os autores verificaram que nem todas as pessoas inquiridas deixaram de trabalhar quando se aposentaram e registaram como principais motivos o facto de o dinheiro da reforma ser insuficiente, para se manterem ocupados, o gosto pela atividade que desempenhava e, por último, o sentimento de utilidade.

Na nossa investigação, o testemunho da primeira participante vem confirmar os resultados do estudo anterior quando esta revelou que, após a aposentação, continuou a trabalhar pelo facto de o dinheiro da reforma não ser suficiente.

Algumas das participantes referiram que após a reforma, notaram poucas diferenças, principalmente no que diz respeito ao contacto social com os amigos, que se manteve. Inclusive uma das participantes reconhece a importância dessas amizades na sua vida e da gratificação que sente em prestar auxílio às pessoas que estão consigo no centro de dia.

Tal como referimos anteriormente, com a aposentação, um participante referiu que dedicou o tempo disponível a educar e a cuidar do neto, o que lhe permitiu recordar o papel de pai, como refere no seu testemunho. Desta forma, as relações intergeracionais assumem um papel preponderante, na medida em que promovem a partilha de experiências e são potenciadoras do desenvolvimento pessoal da criança e do idoso. É ainda importante relembrar que, nesta interação, o idoso experiencia diferentes papéis, tornando-se numa experiência gratificante para si.

Relativamente à questão “Atribui um valor positivo a essa mudança? Porquê?”, todos os participantes atribuíram um valor positivo às mudanças sociais que surgiram após a aposentação, especialmente, o P2 e o P8 que afirmaram que a reforma lhes possibilitou uma maior disponibilidade para realizarem atividades que lhes dão prazer, como podemos evidenciar nos excertos destacados:

-“Sim foi bom, porque depois fiz-me sócia do Inatel e então viajava muito (…) portanto só quem sabe o que é a vida do Inatel é que dá valor, poder correr o país, correr o estrangeiro (…) conviver com as pessoas, isso é muito bom, para mim é (risos).” (P2);

- “Foi, porque dinheiro naquela altura pouco havia e comecei a receber o dinheirinho. Se não fosse essa reforma não tinha como viver.” (P6);

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- “Acrescentou valor porque estávamos perto dos nossos filhos mais novos (…) e gasto o meu tempo lendo, pesquisando até e pronto.” (P8).

A aposentação pode ser vivenciada pelo idoso de diversas maneiras e a forma como entende e se adapta a esse acontecimento tem influência no seu bem-estar.

O facto do idoso ter mais tempo livre, não significa que encare o período de pós- reforma como um acontecimento positivo. Para alguns autores, encontrar novas rotinas pode ser difícil para o idoso, uma vez que este ainda está demasiado preso à gratificação que o trabalho lhe proporcionava, sendo o processo de adaptação complexo.

No sentido de minimizar as consequências psicológicas que poderão advir desse acontecimento, tem se investido na criação de espaços que promovam atividades dirigidas à terceira idade (Cunha, Cunha & Frazão, 1993).

Numa investigação realizada por Cabral e Ferreira (2014), os autores avaliaram a participação formal e informal de séniores. Os autores verificaram que, quanto à participação formal, os reformados destacaram-se pela participação em eventos promovidos pelo Inatel3.

Na nossa investigação, uma das participantes fez referência a essa fundação, pela oportunidade que esta lhe proporcionou de viajar e conhecer novas realidades quando se reformou, o que para si, foi gratificante. Nesta perspetiva, a existência de organizações dirigidas aos idosos é uma forma de estes ocuparem o seu tempo livre e encontrarem novas rotinas. Quanto ao testemunho do último participante (P8), este afirmou que podia passar mais tempo com os filhos e dedicar-se à leitura e à pesquisa. Através do testemunho destes dois participantes (P2, P8), podemos entender que percecionam o período pós-reforma como uma mais valia, na medida em que puderam dedicar-se a atividades que, quando exerciam a sua profissão, não o podiam fazer.

Por outro lado, há participantes que revelaram que a reforma constituiu-se como uma mais valia pelo carácter remuneratório que proporcionou (P6).

3 O Inatel, como referimos anteriormente, é uma fundação dirigida a jovens, trabalhadores, seniores, famílias e comunidade, que foi criada para desenvolver atividades de tempos-livres com vista ao desenvolvimento pessoal do público-alvo com quem intervêm. Acedido a 10.11.2015 em:http://www.inatel.pt/content.aspx?menuid=145

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