PARTIE 1 : Immuno-évasion des cellules tumorales
4. La famille B7, protéines d’immuno-régulation
4.3. Focalisation sur l’axe PD-L1/PD-1 et son rôle immunitaire
4.3.3. PD-L1/PD-1 et Immuno-suppression
4.3.3.2. Mécanismes impliqués dans cette immuno-suppression
Charles Sanders Peirce desenvolve um projecto de semiótica distinto do de Saussure. Entre outras diferenças, Peirce não pensa, como Saussure, a semiótica a partir das reflexões da linguagem verbal, mas, como refere Rodrigues, a partir ―da consideração dos quadros lógicos do conhecimento‖ (2000, 95).
O signo é definido nos textos de Peirce de formas distintas e algo complexas, desde logo pela quantidade de tipos de signos que classifica e ainda pela sua percepção da dinâmica da semiose. Principiando por uma definição sucinta, o signo é postulado como um primeiro (representamen) que substitui um segundo (o objecto) dando lugar a um terceiro (o interpretante). Esta definição demarca-se da saussuriana pela percepção do signo como uma tríade e não pela sua concepção dicotómica. Ora, as divisões triádicas estão presentes em diferentes teorizações de Peirce. Destas, ocupar-nos-emos, em primeiro lugar, da que reporta aos modos de existência e de pensamento para, em
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segundo lugar, regressarmos à noção de signo e a uma das suas distinções, a saber, a classificação de ícone, índice e símbolo.
Para melhor compreendermos o modo como Peirce entende o signo, devemos começar por referir as três categorias universais da existência por ele definidas: a primeiridade (firstness), a segundidade (secondness) e a terceiridade (thirdness). Estas noções equivalem aos três planos de qualquer experiência humana da realidade ou, por outras palavras, aos três modos como as ideias se apresentam ao espírito humano. Como explica Nöth, a primeiridade é a categoria do sentimento imediato e presente nas coisas, sem nenhuma relação com outros fenómenos da realidade ou do mundo; é a categoria da mera possibilidade. A segundidade tem lugar quando um fenómeno primeiro se relaciona com outro fenómeno; trata-se do nível da acção, do facto e da realidade. Já a terceiridade é a categoria que liga um fenómeno segundo a um terceiro; estamos aqui ao nível da semiose e da comunicação (Nӧth 1995, 63-64).
Em síntese, o primeiro plano do pensamento é o da ideia ou da potencialidade e o segundo refere-se à existência, ao factual. A terceiridade reporta-se à lei, à generalidade, à validação de algo pela comunidade, a uma existência tornada cultura. Estes três planos ou etapas de pensamento estão subjacentes às distintas teorizações da semiótica de Peirce.
O filósofo norte-americano concebe o signo como uma tríade - a relação entre um representamen ou veículo de signo, um objecto e um interpretante:
Um Signo, ou Representâmen é um Primeiro, que se coloca numa relação triádica genuína tal com um Segundo, denominado seu Objeto, que é capaz de determinar um Terceiro, denominado seu Interpretante que assuma a mesma relação triádica com seu Objeto na qual ele próprio está em relação com o mesmo Objeto. (Peirce 1977, 63; itálicos no original)
Sem pretendermos aqui discutir todas as formulações de signo atribuídas a Peirce, consideraremos ainda uma segunda noção que clarifica a ênfase dada pelo autor ao processo de significação:
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Um signo, ou representâmen, é aquilo que, sob certo aspecto ou modo, representa algo para alguém. Dirige-se a alguém, isto é cria, na mente dessa pessoa, um signo equivalente, ou talvez mais desenvolvido. Ao signo assim criado denomino interpretante do primeiro signo. O signo representa alguma coisa, seu objeto. Representa esse objeto não em todos os seus aspectos, mas com referência a um tipo de idéia que eu, por vezes, denominei de fundamento do representâmen. (Peirce 1977, 46; itálicos no original)
Em síntese, o representamen é algo que serve de signo para quem o percepciona, é um veículo que comunica algo exterior à mente; o objecto corresponde ao referente ou à coisa material ou imaterial, imaginável ou inimaginável; e o interpretante é a significação do signo ou o efeito do signo. Como comenta Nöth, o signo não é uma classe de objectos, mas a função de um objecto no processo de semiose. Para o autor, o objecto de estudo de Peirce não é o signo, mas a semiose. O conceito de semiose caracteriza o processo dinâmico que é a interpretação de um signo. Esse processo é igualmente referido como a ―acção do signo‖ (1998, 70-72).
As classificações triádicas de Peirce abrangem igualmente os tipos de signos, os quais são divididos em três tricotomias: a primeira, que corresponde ao ponto de vista do signo em si, considera o signo como uma mera qualidade, como algo concreto ou uma lei (estes signos são designados de qualisigno, sinsigno e legisigno, respectivamente); a segunda, é pensada na relação do signo com o seu objecto (nesta divisão incluem-se o ícone, o índice e o símbolo) e, por fim, a terceira assenta no facto do interpretante representar o signo como possibilidade, como facto ou enquanto signo de razão, a que correspondem, respectivamente, as designações de rema, de dicissigno ou dicente e de argumento (Peirce 1977, 51-53).
A segunda tricotomia dos signos, considerada pelo autor como a mais importante (1977, 64), é que se nos afigura de maior utilidade para o campo de estudos da linguagem da publicidade.
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é um signo que se refere ao Objeto que denota apenas em virtude de seus caracteres próprios, caracteres que ele igualmente possui quer um tal objecto exista ou não. É certo que, a menos que exista um tal Objeto, o Ícone não atua como signo, o que nada tem a ver com seu carácter de signo. (Peirce 1977, 52)
A relação de semelhança entre o signo icónico e o objecto é ainda realçada por Peirce. O ícone, postulado pela semelhança com o objecto representado, é normalmente exemplificado através da fotografia (a qual, por sua vez, também é um índice, conforme explicitaremos no capítulo seguinte), mas, recorrendo aos exemplos de Peirce, o diagrama e a metáfora são igualmente signos icónicos. Pensando na mensagem publicitária, por exemplo, em anúncios da categoria de automóveis, o veículo que figure num anúncio, fotografado ou desenhado, é considerado, nesta classificação, um ícone.
Já o índice e o símbolo têm relações de natureza distinta com o objecto. Assim, um índice é um signo ou representação, uma vez que se reporta ao seu objecto, não por uma semelhança, como no ícone, mas ―sim por estar numa conexão dinâmica (espacial inclusive) tanto com o objeto individual, por um lado, quanto, por outro lado, com os sentidos ou a memória da pessoa a quem serve o signo‖ (Peirce 1977, 74).
Retomando o exemplo da publicidade a um automóvel, podemos imaginar um anúncio no qual o objecto publicitado não esteja representado iconicamente. Ainda assim, o criativo (termo empregue para designarmos o profissional que, integrado ou não numa agência de publicidade, desenvolve a peça publicitária, independentemente de ser responsável pela redacção, ou pela imagem) pode deixar no anúncio um signo visual que remeta para a sua existência. Seria o exemplo de uma mensagem cuja promessa assente na segurança do veículo, designadamente pela eficácia dos travões. Neste caso, as marcas de uma travagem deixadas no alcatrão constituem um signo que reporta para o veículo por uma relação de contiguidade.
Por último, o símbolo constitui-se em signo ―simplesmente ou principalmente pelo fato de ser usado e compreendido como tal, quer seja o hábito natural ou convencional, e
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sem levar em consideração os motivos que originalmente orientaram sua selecção‖ (Peirce 1977, 74). O símbolo, que classifica, por exemplo, as palavras de uma língua, devido à arbitrariedade apontada por Saussure ao signo, refere-se ao seu objecto pela força de uma lei. No caso do anúncio ao automóvel, o nome da marca e do modelo constituem signos desta terceira categoria. A divisão em ícones, índices e símbolos corresponde também aos planos da primeiridade, secundidade e terceiridade, na relação do signo com o seu objecto. Assim, Peirce defende o seguinte:
Um Ícone é um Representâmen cuja Qualidade Representativa é uma sua Primeiridade como Primeiro. Ou seja, a qualidade que ele tem qua coisa o torna apto a ser um representâmen. Assim, qualquer coisa é capaz de ser um Substituto para qualquer coisa com a qual se assemelhe‖. (1977, 64)
Um signo por primeiridade só pode, como refere Peirce, ser uma ideia ou uma imagem do objecto. Já o índice situa-se no plano da secundidade: ―o seu carácter Representativo consiste em ser um segundo individual‖ (1977, 66). No índice existe uma conexão real entre o representamen e o objecto. Por sua vez, o símbolo situa-se ao nível da convenção ou da lei; ele está ―conectado com seu objeto por força da ideia da mente- que-usa-o-símbolo, sem a qual essa conexão não existiria‖ (1977, 73).
A revisão efectuada a respeito das teorias de Saussure e Peirce tem a sua pertinência neste trabalho por nos facultarem os primeiros conceitos e reflexões que, para além da sua aplicabilidade ao campo da publicidade e a outros domínios da comunicação, viriam a influenciar o desenvolvimento da semiótica, nomeadamente o da semiótica da publicidade. Principiaremos por notar essas influências justamente na semiótica de Hjelsmlev e de Barthes, pensadores de que nos ocuparemos de seguida.