CHAPITRE I : L’imposition traditionnelle
Section 2 Les principes directeurs
Pesquisas como a de Rêses (2008); Gutierres; Ely; Mota; Vieira (2012) revelam que os alunos de Pedagogia geralmente são aqueles que prestaram vestibulares para outros cursos e que não obtiveram pontuação suficiente para serem aprovados, ou seja, a escolha do curso dá-
se em função da “falta de opção”, como muitos deles revelam logo no primeiro dia de aula na
faculdade.
Outra peculiaridade que merece destaque é que a maioria dos alunos que cursam
Pedagogia são do sexo feminino, “[...] o número de mulheres que procuram cursos de
formação de professores, principalmente nos níveis da Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental, é maior do que o número de homens. (FERREIRA; CARVALHO, 2006; UNESCO, 2004). Tal situação pode ser perfeitamente justificada pelo contexto histórico nacional, tendo em vista que no período da expansão das Escolas Normais, a mulher era destinada, exclusivamente, aos trabalhos domésticos e educacionais. Assim, a docência era uma das atividades extradomésticas aceitas pela sociedade da época, muitas vezes sendo vista, também, como uma preparação para o casamento. (RÊSES, 2008).
Com a evolução dos tempos e da sociedade, os homens, mesmo em quantidades menores, também passaram a versar os currículos dos cursos de Pedagogia, mas uma pesquisa realizada pela professora André, em 2002, revelou que:
[...] há autores que discutem sobre os conflitos existentes entre os alunos (moças e rapazes) e, até mesmo, entre as professoras, que consideram os rapazes inteligentes, mas desprovidos de jeito com as crianças. Já em relação às moças, têm que ser meigas, gentis e atenciosas (ANDRÉ, 2002, p.194).
Portanto, a partir destes dados pode-se compreender a razão de os cursos de licenciatura apresentarem uma quantidade superior de mulheres em relação aos homens.
Além da autora supracitada, outros teóricos também já investigaram acerca desse assunto:
[...] a imagem do profissional para a educação infantil por intermédio da mulher
“naturalmente” educadora nata, passiva, paciente, amorosa, que sabe agir com bom
senso, é guiada pelo coração, em detrimento da formação profissional (ARCE, 2001, p.182).
Devido ao fato de esta discussão não ser recente percebe-se que se tem buscado com frequência a explicação para tal fenômeno no princípio da afetividade por meio da maternidade, ou seja, pelo fato de a mulher ser mãe, esta habilidade em educar passou a ser encarada como algo naturalmente condicionado à mulher.
Mas existem alguns estudos que revelam outra face desta situação, como, por exemplo, Demartini e Antunes (1993) apud André (2002) ao afirmarem que há um determinado período de tempo na história em que o magistério era uma profissão exclusivamente masculina. Isto se deveu ao fato de que nessa época, no período colonial (1800), a mulher deveria ser mantida afastada das atividades escolares. Porém, com o passar
do tempo, esta adquiriu o direito à educação e foi nesse contexto que o sexo feminino passou a versar o quadro de docentes no Brasil. Mesmo a mulher fazendo parte do mesmo universo de trabalho masculino, ainda assim havia discriminação em relação à hora de trabalho da mulher em comparação à do homem, ou seja, aquela recebia um salário inferior ao deste, e foi nesse ínterim que o homem passou a ocupar os cargos mais elevados no âmbito educacional – diretor, supervisor, coordenador, professor da Escola Normal – enquanto que a mulher continuaria sendo professora primária.
Silveira (1994) apud André (2002), ao analisar uma obra que possui ligações com a docência, percebe que o magistério apresenta vantagens interessantes às mulheres de uma época remota à atual – 1893 a 1895 –, principalmente para as que não tinham a pretensão de casar logo cedo, ou aquelas que não queriam ficar dependentes financeiramente do pai, ou mesmo, se fosse o caso, do marido. O estudioso percebeu, ainda, que a busca pela docência por parte dessas mesmas mulheres se concentrava nas séries primárias, ou seja, estas não se interessavam pelos níveis mais elevados do ensino, nesse caso, os homens eram os professores.
Lopes (1991) apud André (2002) em pesquisa também realizada em torno da feminização do magistério, revela que a docência possui uma estreita relação com a maternidade devido ao fato de esta, assim como a arte de ensinar, necessitar de profissionais mais afetivos, atenciosos, cuidadosos, características estas que destoam dos cargos exigidos pela sociedade econômica da década de 60, período em que o referido estudo fora realizado. Nesses moldes, o homem passaria, então, a ocupar os cargos que exigiam menos delicadeza, como, por exemplo, operar máquinas, enquanto que as mulheres passariam a ocupar os cargos onde a afetividade seria valorizada.
A estudiosa em questão, munida dos princípios da Psicanálise, percebe que a busca pela docência em maior quantidade ser por mulheres, devia-se ao fato de estas encontrarem no exercício do magistério momentos em que abdicam de suas próprias vontades em prol das vontades do outro se dedicando, portanto, inteiramente ao fazer docente, característica esta específica das mulheres.
Mas não se deve descartar a ideia de que é necessário que haja uma mudança deste panorama, tendo em vista que ao construir estereótipos em relação ao magistério está-se marginalizando este ou aquele sexo (SAYÃO, 2005). A tarefa da educação está muito além disso, uma de suas funções é, portanto, incluir e não excluir tanto discentes, quanto docentes.
Outro fator a ser elencado diz respeito à condição civil e ao número de filhos. Os alunos que já são pais ou mães, geralmente possuem apenas um filho, ou seja, percebe-se que existe um adiamento da maternidade em função dos estudos. Com relação ao estado civil, a maioria dos alunos são casados e já possuem famílias. (GATTI & BARRETO, 2009).
Com relação ao grau de escolaridade dos pais, percebe-se que a maioria possui apenas o ensino fundamental menor, quando muito, o ensino fundamental maior. As mães geralmente são donas de casa ou professoras do ensino fundamental. Com relação à classe social, esta, por sua vez, encontra-se incluída na classe baixa. (BRAÚNA, 2008). Vale ressaltar, ainda, que parte desses alunos são oriundos da rede pública de ensino.
Pode-se perceber que o curso de Pedagogia, em sua maior parte, é composto por mulheres em função de todo um contexto social e econômico. Em relação à classe tem-se alunos com características bem semelhantes ao da população brasileira em geral, ou seja, são pessoas que pertencem à classe média baixa, são frutos das escolas públicas, em alguns casos optaram pelo curso em questão por não terem sido aprovados em outros cursos, sentem-se marginalizados social e economicamente, uma vez que não estão satisfeitos com os rendimentos destinado à categoria, por esse motivo vêm na sobrecarga de trabalho uma alternativa para melhores condições de vida. Todas essas características influenciarão diretamente em sua conduta profissional.