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LE RESEAU : OUTIL DE LECTURE DE LA STRUCTURATION DE L’ESPACEET DIMENSION ORGANISATIONNELLE DES TERRITOIRES

XI. LE SYSTEME URBAIN : UNE STRUCTURE DYNAMIQUE

A etapa da execução da metodologia de projeto concretiza a realização, colocando em prática tudo o que foi planeado. Esta fase assume uma importância significativa para o participante do projeto dado que possibilita a realização das suas vontades através das ações planeadas (Percursos nº15, 2010).

Para Tavares (1990) estratégias são o conjunto de ações, processos ou comportamentos didáticos, organizados, escolhidos pelo formador, tendo em conta as caraterísticas dos formandos direcionadas para as aprendizagens específicas. É a forma de organizar, concretizar as experiências e, ou atividades de aprendizagem tornando o processo dinâmico e interativo ou possível de aumentar a motivação e a capacidade de aprender.

Desta forma, após observar os diferentes métodos de colheita de dados, vantagens e desvantagens, escolheram-se os que se seguem: entrevistas de intervenção, visitas domiciliares e a sessão psicoeducativa.

- Intervenção com os jovens e família

Depois da recolha de informação, iniciamos a implementação das atividades planeadas. Foram contatados por carta registada, todos os jovens e os seus pais ou responsáveis parentais (sinalizados no ano de 2011), solicitando a sua comparência na CPCJ da Margem Sul do Tejo.

Esta amostra foi constituída por 24 jovens com processo reaberto por abandono e absentismo escolar.

Foram realizadas várias entrevistas de acolhimento aos jovens/famílias sendo, uma das fases importantes para desenvolver uma relação de ajuda com estes, de modo a existir uma relação de confiança mútua. Dos 24 jovens em abandono e absentismo escolar que se encontravam no momento da pesquisa com processo reaberto, só 10 compareceram à entrevista. Tendo a nossa população sido constituída por 4 raparigas e 6 rapazes, com idades compreendidas entre os 13-18 anos. Em termos das famílias dos jovens compareceram as 10 mães e apenas 2 pais.

Inicialmente, começamos por entrevistar os jovens em conjunto com os pais, e depois a nível individual, de forma a poder intervir mais diretamente sobre cada um dos jovens e cada pai/mãe ou responsável legal.

Ao percebermos que tantos os jovens, como os pais demonstravam alguma renitência para a nossa intervenção quando se encontrarem todos juntos, começamos por intervir individualmente. Assim, fomos capazes de concretizar esta intervenção, pois cada indivíduo conseguiu desta forma expressar-se sem receios (tal como alguns deles referiram). Deste modo, conseguimos perceber e auxiliar na resolução do problema.

Contudo, desenvolver confiança com estes jovens e família não foi tarefa fácil, pois a resistência perante o nosso acompanhamento foi um dos pontos difíceis de trabalhar. Estas famílias encontravam-se de tal forma enraizadas nas suas rotinas, no seu estilo de vida e nas leis da sociedade onde estavam inseridas, que estabelecer outros objetivos com vista a modificar os seus hábitos e regras estava praticamente desconsiderado.

No entanto, com muito esforço e também desenvolvendo um clima de confiança e de motivação para a mudança, conseguimos a adesão destes 10 jovens e da sua família a nossa intervenção psicoeducacional.

A psicoeducação foi uma das áreas desenvolvidas durante os atendimentos aos jovens/famílias. De acordo com Felicíssimo (2009, p. 24) constitui “um conjunto de

abordagens orientadas em: ajudar os doentes e seus familiares a aprender o que precisam sobre a doença mental e a dominar novas formas de lidar com ela e com os problemas do quotidiano; reduzir o stress familiar e providenciar suporte social e encorajamento, permitindo uma maior esperança no futuro mais do que um remoer mórbido no passado.”.

Deste modo, foram realizados quatro encontros na CPCJ com cada jovem e família, com um mês de intervalo entre cada sessão de intervenção, de modo a percebermos quais as mudanças que já se tinham conseguido concretizar nas rotinas destas famílias.

Muitos destes jovens já apresentaram um diagnóstico de distúrbio do desenvolvimento psíquico, tendo sido acompanhados na consulta de Psicologia ou de Pedopsiquiatria. O mesmo se passou com alguns pais. Em alguns casos deixaram de comparecer às consultas. Para ultrapassar este obstáculo foram realizadas diligências de modo a retomarem um acompanhamento mais específico, de maneira a estabelecer uma dinâmica familiar saudável.

Outro dos grandes objetivos destes atendimentos foi o apoio emocional ao jovem/família em crise. Phaneuf (2005, p. 461) refere que “o suporte à família é um

conjunto de intervenções da enfermeira que visam levar apoio emotivo aos próximos da pessoa doente, ajudá-los a atravessar este momento penoso, a compreender o problema de saúde e a enfrentá-lo calmamente.” As intervenções desenvolvidas durante estes

atendimentos tiveram por base o suporte psicológico e emocional, de modo a ajudar na diminuição da ansiedade, do medo e do stress; a comunicação de informações; o auxílio na adaptação ao problema de saúde e o encaminhamento necessário tanto para o jovem como para a família.

Também alguns dos jovens atendidos por abandono e absentismo escolar, que nunca tinham sido encaminhados pela escola, para uma ajuda mais específica, por apresentarem distúrbios no desenvolvimento, tanto físico, como mental (os maus tratos na infância trazem muitas sequelas, que por vezes não são visíveis a curto prazo), foram

encaminhados para a consulta de psicológica ou pedopsiquiatria, conforme os sintomas apresentados.

Percebeu-se que muitos dos jovens que abandonaram a escola ou que se encontravam em absentismo estavam em sofrimento, necessitando de ajuda imediata para conseguirem ultrapassar os obstáculos e apresentarem um desenvolvimento físico e mental saudável.

- Visitas domiciliares

Dentro das atividades desenvolvidas durante o projeto, a visita domiciliar foi um dos métodos utilizados, promovendo a aproximação do enfermeiro com os membros da família e favorecendo um espaço privilegiado de intervenção. Foram realizadas a cada uma das famílias da amostra pelo menos uma visita domiciliar, de modo a perceber as condições socioeconómicas em que viviam e o funcionamento do seio familiar. Ocorreram também encaminhamentos de algumas destas famílias para o apoio social, pois encontravam-se desempregadas e sem comida, para alimentar os filhos. Outras, destas famílias, encontravam-se em crise, a viver em condições “lastimáveis”, necessitando da ajuda de alguém fora do contexto familiar (CAFAP), para os acompanhar e ajudar a adquirir novamente as competências parentais.

Segundo Brasil (2007) desenvolver atividades de promoção da saúde, de prevenção das doenças e de vigilância, por meio de visitas domiciliares e de ações educativas individuais ou coletivas nos domicílios e na comunidade, mantém a equipa informada, principalmente a respeito das situações de risco ou perigo.

Ao entrarmos em contato com o ambiente domiciliar, não encontramos necessariamente uma família tradicional composta pelo pai, pela mãe e pelos filhos; encontramos também tios, cunhados, sogro(a), sobrinhos ou mesmo um grupo de amigos que convivem e vivem como o que denominamos, por família.

Na atuação da enfermeira, nas visitas domiciliares considera-se que é preciso resgatar uma assistência e um cuidado que não descodifique apenas as questões biopsíquicas, mas que resgate valores de vida, condições sociais e formas de enfrentar os problemas, indo além dos sinais e sintomas, mas também vendo a maneira de “andar na vida” (Fracolli & Bertrolozzi, 2001).

- Intervenção com os professores

Quanto ao papel dos professores, daqueles que mais sinalizam, é valioso na medida em que identificam situações, encaminham, ouvem e acolhem a família, começando assim, uma atuação interdisciplinar (Cruz Neto & col., 1993; Santos e Ferriani, 2007). Entretanto, esse facto nem sempre é contemplado, visto haver medo por parte de alguns destes profissionais em se envolver em “conflitos particulares”, sofrer represálias e por outro lado, o não-conhecimento do seu papel no problema (Assis, 1991). Baseado nessas premissas, este projeto objetivou também realizar uma sessão de sensibilização para os professores alertando-os para a ocorrência de maus tratos e suas consequências no desenvolvimento da criança, verificando o conhecimento e a perceção que estes tinham sobre o tema.

Assim sendo, tivemos a oportunidade de realizar uma sessão de sensibilização, dirigida a todos os professores que trabalhavam no PIEF, tendo em vista que esses profissionais desempenham um papel fundamental na sinalização destas situações, por ter contato direto e diário com os jovens. Sendo também, estes profissionais que se deparam com jovens com uma história de vida difícil, que apresentam um percurso escolar com muitos insucessos, pois muitos são obrigados a continuarem na escola devido a serem menores de idade.

Foi também escolhido a realização de psicoeducação com estes profissionais pois são estes que contatam com turmas diferentes a começar pelo nome, PIEF - sigla que identifica Programa Integrado de Educação e Formação. Mais do que aulas, estes jovens têm lições de vida. Para além, do apoio e conforto que lhes falta muitas vezes em casa. Quem ali anda são adolescentes provenientes de famílias carenciadas e desagregadas, que abandonaram a escola precocemente engrossando as estatísticas do trabalho infantil.

Podemos dizer que estes docentes apresentam um olhar diferente perante o ensino, pois apresentam um trabalho muito enriquecedor, pelo seu carácter humano, sobretudo com jovens com dificuldades, mas que estão ali para as superar.

Por isso, realizou-se no dia 6 de junho de 2012 uma sessão calendarizada, com o tema “Maus Tratos a Crianças e Jovens e Reflexos do Comportamento…” para todos os professores das escolas PIEF, que decorreu no Auditório de uma das escolas do agrupamento.

Ocorreu uma adesão elevada por parte destes docentes, tendo participado 23 destes. Surgiu muito mais inscrições, mas devido a falta de espaço no auditório, não foi possível participarem.