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IV. Second voyage au Sénégal

5. Le maillon douanes

A Barragem de Olho d’Água (Figura 3.1) é do tipo zoneada, formada por solos classificados segundo os critérios do Sistema Unificado de Classificação dos Solos (SUCS) como SC-CL (areia argilosa de baixa compressibilidade) e SC-SM (areia argilosa com silte), com altura máxima de aproximadamente 24 metros, e talude de montante com inclinação de 1(V):3(H), e de jusante com inclinação de 1(V):2,5(H).

Como sistema de drenagem interna, foi inicialmente projetado um filtro vertical combinado com um dreno horizontal, conectado ao rockfill. No projeto original da barragem, foi ainda prevista a execução de um tapete impermeável de montante, a fim de controlar o fluxo de água através do solo de fundação, composto basicamente por um solo de aluvião com espessura variando de 10 a 30 metros, conforme as sondagens de simples reconhecimento realizadas na fase de elaboração do projeto.

Concluída em 1998, a barragem sofreu uma série de modificações em relação ao projeto original, mudanças estas que incluíram a definição dos materiais utilizados no aterro compactado e até alterações mais significativas, tais como a redução do comprimento do

tapete impermeável de montante de 120 m para 16 m, sem que tenha sido feito qualquer registro com respeito às modificações realizadas e aos materiais efetivamente utilizados.

Como consequência destas alterações, no ano de 2009, apareceram os primeiros problemas na barragem, relacionados a um considerável fluxo de água através do solo de fundação, com elevadas surgências de água aparecendo no pé do talude de jusante, e diversos registros de ocorrência do fenômeno de areia movediça a jusante do barramento.

A partir dos problemas ocorridos, foram tomadas algumas providências, com o intuito de se ter uma melhoria no comportamento da barragem e de monitorar as condições de fluxo na estrutura. Estas medidas consistiram basicamente da execução de um dreno longitudinal e de vários poços de alívio a jusante da barragem, de forma a atenuar as poropressões devidas ao fluxo de água através do solo de fundação, diminuindo, em consequência, os gradientes hidráulicos atuantes.

Além disto, foram instalados vários medidores de nível de água e piezômetros ao longo do barramento, a fim de monitorar as poropressões no interior do maciço, obtendo, assim, informações que pudessem ser utilizadas na avaliação da estabilidade dos taludes. Informações mais detalhadas com respeito à Barragem Olho d'Água podem ser encontradas nos trabalhos de Dantas Neto e Carneiro (2013) e de Araújo (2013).

Figura 3.1 – Vista geral da Barragem Olho d’Água.

Araújo (2013) desenvolveu um estudo a respeito da avaliação da segurança da Barragem Olho d’Água, aplicando uma metodologia para avaliar a probabilidade de ruptura da barragem, levando em conta a gama de incertezas existentes no que se refere: (i) aos materiais utilizados na execução do maciço compactado; (ii) às propriedades dos materiais de fundação; e (iii) às alterações implementadas em campo em relação ao projeto executivo original.

Em seu trabalho, Araújo (2013) utilizou os resultados das retroanálises das condições de fluxo da barragem, feitas por Dantas Neto e Carneiro (2013), a partir do conhecimento de leituras piezométricas realizadas no barramento desde o ano de 2009. A Figura 3.2 mostra a seção transversal máxima considerada por Araújo (2013) em suas análises, também tomada como referência por esta pesquisa.

Figura 3.2 – Seção transversal considerada para a Barragem Olho d’Água.

Fonte: Araújo (2013).

De acordo com as informações levantadas por Araújo (2013), no projeto executivo da Barragem Olho d’Água, foram estudadas três jazidas de solo, destinadas à execução do maciço de solo compactado. Destas três jazidas, em amostras de apenas uma delas foram realizados dois ensaios de cisalhamento direto, para a determinação dos parâmetros de resistência ao cisalhamento dos materiais (coesão e ângulo de atrito).

Semelhantemente, para o solo de fundação, apenas dois ensaios de cisalhamento direto foram realizados, em amostras indeformadas, obtidas a partir da cravação no terreno natural de um amostrador de parede fina do tipo Shelby.

A Tabela 3.1 apresenta os parâmetros de resistência ao cisalhamento para as duas amostras ensaiadas do solo do maciço compactado, e as duas do solo de fundação.

2.5 1 16.00 m 44.52 m 3 1 2 1 1 1 2.5 1 320,40 334.76 NA 2 327.61 PZ 3 327.07 PZ 4 PZ 2 PZ 1 NA 3 355.40 331.7 332.25 333.56 324.74 COTA DE PROJETO = 350 m COTA MÍNIMA = 344.5 m NA 1 DAM (COMPACTED SOIL) DAM SOIL FOUNDATION 24.58 m 6.00 m 6.00 m 39.25 m 26.00 m 6.00 m SOLO DO MACIÇO SOLO DE FUNDAÇÃO

Tabela 3.1 – Propriedades geotécnicas dos solos do maciço compactado e de fundação.

Propriedade Maciço Compactado Solo de Fundação

Ensaio 1 Ensaio 2 Ensaio 1 Ensaio 2

′′′′ (kPa) 37,0 33,0 0,0 17,0 φ φ φ φ′′′′(graus) 31,5 27,3 31,9 40,5 Fonte: Araújo (2013).

Uma análise rápida com relação às informações existentes sobre o projeto e construção da Barragem Olho d’Água aponta prejuízos à confiança em qualquer resultado de análise de estabilidade de taludes que tenha sido realizada com base em metodologias determinísticas.

Nem mesmo as análises probabilísticas, como aquelas realizadas por Araújo (2013), são plenamente confiáveis, pois, de posse apenas de dois dados de ensaios de laboratório, torna-se difícil a definição satisfatória de grandezas estatísticas que permitam a geração de um conjunto de valores aleatórios segundo uma distribuição de probabilidades qualquer, tal como é necessário para a aplicação de metodologias probabilísticas empregadas em análises de estabilidade de taludes.

Daí a utilidade dos conceitos apresentados anteriormente em relação aos números fuzzy, uma vez que os mesmos podem ser criados a partir do conhecimento do especialista sobre valores coerentes e adequados para um dado universo em análise, sendo atribuídos, a todos os outros valores, graus de pertinência que expressam as incertezas envolvidas, conforme exemplificado anteriormente para o conjunto fuzzy que representava a coesão de um solo.