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Le th´ eor` eme de Stone-Weierstrass

Dans le document Le cours de Jean-Yves Chemin (Page 43-49)

Ao longo dos pontos anteriores foram abordadas algumas características do realismo mágico e do real maravilhoso, bem como a distinção entre as duas terminologias. Neste momento, gostaríamos de ressalvar alguns aspectos que dizem respeito os preceitos teóricos dos termos em estudo. Posteriormente, iremos comparar os conceitos de realismo mágico e de fantástico.

Verificámos que existe um número elevadode autores que se debruçaram sobre a problemática do realismo mágico. Desde os teorizadores pioneiros na Europa e na América (que já referimos) até aos dias de hoje, encontramos uma amálgama de ideias e de linhas de análise. Na actualidade, destacamos a visão do crítico literário norte- americano Seymor Menton. Sobre o conceito de realismo mágico precisa:

Según la vision mágicorrealista del mundo, la realidad tiene una cualidad de ensueño que se capta con la presentación de yuxtaposiciones inverosímiles con un estilo muy objetivo, ultrapreciso y aparentemente sencillo. (…) es predominantemente realista con un tema cotidiano, pero contiene un elemento inesperado e improbable que crea un efecto extraño, dejando asombrado al espectador o al lector. (Menton 1998: 36- 37).

Tendo em conta os pressupostos referidos, parece que estamos próximos do conceito de fantástico. Aliás, tanto o fantástico como o realismo mágico são caracterizados por dois níveis de realidade: o nível racional/real e o nível mágico/meta- empírico. Mas existem, efectivamente, diferenças entre os dois conceitos.52

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Aspas do autor. Efectuámos a tradução do artigo em inglês: «Modernism and postmodernism in African Literature in Portuguese.»

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Muitos autores apresentam diferenças entre os dois modos: o fantástico e o realismo mágico. Vejamos o que nos diz Roger Bozzeto:

Por um lado, nos textos fantásticos, os dois níveis de realidade são opostos, dicotómicos e causam, como vimos, uma certa desorientação do leitor (de acordo com Bellemin-Noel). Ao mesmo tempo, esses textos do fantástico causam no leitor um sentimento de “astonishment” (Rabkin 1976: 41) e de “désarroi” (Vax 1965: 60), ou, na acepção todoroviana, de “hesitação”. (Todorov 1970: 32).

Por outro lado, no texto mágico-realista, o narrador e as personagens reagem de modo a aceitar, inequivocamente, o mágico. Tanto o real como o mágico são integrados no mesmo nível, ou seja, “they do not react to the magical categories of reality as if they were strange or disturbing.” (Walter 1993: 19). Efectivamente, o insólito, na óptica racional, deixa de ser o «outro lado», o desconhecido, para incorporar-se no real: “a maravilha é (está) (n)a realidade. Os objectos, seres ou eventos que no fantástico exigem projecção lúdica de duas probabilidades externas (…), são no realismo mágico destituídos de mistério, não duvidosos quanto ao universo de sentido a que pertencem.” (Chiampi 1980: 59.)

Podemos então afirmar que o leitor não questiona, não hesita, não coloca em dúvida a representação ficcional. Dá-se, assim, uma integração harmoniosa do nível real e do nível mágico/meta-empírico. De facto, “in contrast to the fantastic, in magical realism the antinomy between the two levels is resolved.” (Walter 1993: 20).

Paralelamente, não podemos deixar de referir que o narrador, no realismo mágico, adopta o ponto de vista de uma personagem que acredita no mundo mágico, implicando, desde logo, o leitor que é levado a acreditar (sem hesitar) na dimensão mágica. Outro aspecto importante na comparação entre o fantástico e o realismo mágico prende-se com aquilo a que Roland Walter chama de authorial reticence:

whereas in fantastic authorial reticence serves as a literary device to maintain the contradictory levels of reality, in magical realism it helps to create a fictional

Le «reálisme» fait référence au vraisemblable du quotidien. Le fantastique européen

se comprend comme l’irruption «scandaleuse» de la Surnature ou de l’irrationnel dans le monde de la normalité dont le réalisme a instauré la représentation. Le «real maravilloso», lui, demeure composite. On peut soutenir que le fantastique européen a pris naissance à l’époque où les idéaux du romantisme ont été douloureusement confrontés à la réalité prosaïque du monde bourgeois conquérant. Le «real maravilloso», lui, semble naître de la rencontre entre une réalité singulière, aux strates multiples et mystérieuses, avec un modèle réaliste antérieur et importé, tout en se souvenant de la liberté apportée à l’artiste par le surréalisme. Où le fantastique européen subvertit le code de la représentation mimétique – miroir do quotidien bourgeois de son époque – le «real maravilloso» le déplace dans l’imaginaire et le travail sans le subvertir totalement, mais en le déformant, ou plutôt en lui donnant une nouvelle forme, qui dans une certaine mesure le rend «étrange». (Bozzeto 2002: Internet). Aspas do autor.

universe that is characterized by a coherent interplay of the real and the magical categories of reality, a universe in which magical standards of reality are just valid as the realistic ones. (Walter 1993: 20).

Estamos, então, perante a denominada “imagem de uma realidade total” (Chiampi 1980: 66), onde tudo o que é real pode tornar-se mágico e vice-versa, onde o impossível é tão válido como o possível. Assim, no realismo mágico aceita-se o irreal, o estranho, o misterioso, o facto inexplicável como “real entities” (Walker 1993: 21).

A terminar este tópico, acreditamos que a escrita mágico-realista teve maior sucesso nos países latino-americanos e, desde os anos 80 do século XX, em África, porque os leitores autóctones têm maior facilidade em aceitar o mágico, o insólito, sem sentir a dúvida entre a explicação racional e o fenómeno meta-empírico. Este faz parte das crenças53 em que acreditam e que têm sido transmitidas de geração em geração.

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Fernando Alegría aponta a importância das crenças de dada colectividade, ou melhor, das fábulas colectivas e a sua relação com a imaginação consagrada nos textos do realismo mágico: “el arte de trascender el primer plano de los hechos históricos para revelar la carga de imaginación y fabulas colectivas que en ellos va poniendo el hombre através de las generaciones. Su mundo es mágico porque es real.” (Alegría 1974: 300).

Dans le document Le cours de Jean-Yves Chemin (Page 43-49)