Paragraphe 1. L’échantillon et la construction de la base de données
B. L’audience correctionnelle
1. La nature des violences
O Twitter31 surgiu em 21 de março 2006 como um projeto da empresa Odeo, nos EUA, a partir de ideia inicial dos seus fundadores de criar uma espécie de "SMS da Internet" com a limitação de caracteres similares a de uma mensagem de celular (como acontecia nos aparelhos da época). Jack Dorsey, Biz Stone, Evan Willians e Noah Glass criaram um site de rede social popularmente denominado de microblogging, que permite aos seus usuários que sejam escritos textos de até no máximo 140 caracteres a partir da seguinte pergunta: “o que você está fazendo?”. O Twitter é estruturado com seguidores e usuários a seguir, sendo que a cada mensagem (“tweets”) o usuário pode tanto escolher quem deseja seguir como passar a ser seguido por outros usuários do site. Há também a opção de enviar mensagens privadas para outros membros, além de mensagens direcionadas a partir do uso do caractere “@” antes do
nickname do destinatário. Além disso, cada página pessoal pode ser personalizada a partir da
construção de um pequeno perfil (RECUERO, 2008, p.186). O Twitter também permite conectividade com diversas redes sociais, entre elas o Facebook, o que torna possível que todo conteúdo postado no Twitter seja compartilhado no Facebook e vice-versa. Abaixo, seguem as ferramentas disponíveis no sistema:
a) retweet: consiste em replicar determinada mensagem de um usuário para a lista de seguidores, dando crédito a seu autor original;
b) Twitter list ou lista do Twitter: permite ao usuário criar listas compartilháveis de usuários, otimizando a leitura dos tweets;
c) trending topics (TTs) ou assuntos do momento: são uma lista em tempo real das frases mais publicadas no Twitter pelo mundo todo (valem para essa lista os marcadores, também conhecidos como hashtags, (#) e nomes próprios).
Assim, para encerramento desta análise, apresenta-se os resultados do mapeamento das ritualidades específicas do Twitter:
(1) divulgação de conteúdo próprio: refere-se à criação e divulgação de conteúdo
próprio na rede; diferentemente das demais redes sociais, o Twitter é um canal cujo texto sobrepõe a imagem, que fica em segundo plano (apesar do limite de 140 caracteres por mensagem);
(2) sofisticação de conteúdo: ao ter em vista que o Twitter é um canal muito mais textual
do que imagético, esta ritualidade diz respeito à inclinação de seus usuários em se empenharem muito mais na elaboração do conteúdo para postagem do que nas demais redes sociais (cujo principal vetor de visibilidade é a imagem – fotos e/ou vídeos);
(3) criação e preservação de personas32: configura-se como expressão de várias facetas
32 Embora também existam perfis fakes no Facebook, esta ritualidade assume-se como típica do Twitter devido
às exigências (restrições) do Facebook em relação à abertura de um perfil em sua plataforma: o número de vezes em que o usuário pode alterar seu nome/sobrenome é limitado, além de, muitas vezes, o site pedir confirmação de identidade (ao desconfiar que o perfil não é real), o que não acontece no Twitter, tornando, portanto, a criação e preservação de personas uma ritualidade muito presente no Twitter.
da personalidade do sujeito na rede, representada pela criação e preservação de novas identidades/fakes (que podem ser perfis de celebridades, políticos, animais de estimação, desenhos animados etc).
Apesar de tanto o Facebook quanto o Twitter serem redes sociais, e, portanto, apresentarem ritualidades comuns (conforme descritas no tópico 3.3.3 Ritualidades nas redes
sociais), ambas as ferramentas possuem diferenças técnicas. Nesse contexto, constata-se que a
maneira como a página do Facebook é organizada favorece a comunicação entre os usuários via bate-papo (entre dois ou mais usuários) ao contrário do Twitter, que limita as conversas por número de caracteres. Além disso, outro exemplo que mostra como a estrutura do
Facebook está focada em relações está no fato de que vários usuários podem participar de
uma discussão (postagem), sem precisar usar o "@" para se comunicar com o outro (o que dificulta a interação). Em suma, o que é possível concluir, após o estudo da estrutura de ambas as redes sociais, seguidas do mapeamento das suas ritualidades, é que enquanto o
Facebook se apresenta como um canal de relacionamentos, o Twitter surge como uma
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente pesquisa, dividida em três capítulos, defende a tese de que as ritualidades presentes no ciberespaço rememoram mitos profanos, completamente despidos do vinculo com o sagrado – que representam vetores essenciais de ordenação da experiência coletiva –, a fim de compreender o modo como a comunicação com o outro se estabelece no século XXI. Ritualidades, por sua vez, são compreendidas como formas de especificação de processos repetitivos, laudatórios, cíclicos, que estabelecem sentido às práticas culturais, em determinado espaço e tempo. Ao partir do pressuposto de que os processos de ritualização são imanentes ao modus vivendi do social-histórico do gênero humano, e estão entrelaçados por relações sociais de alta complexidade, conclui-se que, na cibercultura, as ritualidades exercem a mesma função de agregação simbólica (isto é, de vincular o indivíduo ao coletivo). Desvelar o modo pelo qual os processos de comunicação e ritualização são estabelecidos no ciberespaço significa desvendar a fronteira pela qual a sociedade atual redefine as noções de tempo e espaço, natural e artificial, real e virtual, público e privado, próximo e distante, ficção e realidade, e assim por diante. Essa explanação tem a máxima importância para a compreensão do modo pelo qual os vínculos sociais são estimulados e fortalecidos, o parâmetro de sentido coletivo, construído, e os valores, constituídos, uma vez que ciberespaço e cotidiano são termos inseparáveis na era pós-moderna.
A argumentação desenvolvida ao longo do Capítulo I – Comunicação e cultura incide na função do ritual, condicionando definições e aspectos temáticos a serem utilizados na reflexão de sequência, focada nos rituais contemporâneos. Neste capítulo, consta o texto de referência para sustentação dos conceitos-chaves da pesquisa, isto é, a base para o conteúdo que permeará os demais capítulos. Dessa forma, a pesquisa realizada apontou que, em toda a história da humanidade, não se encontrou o sujeito isolado, o que
significa que a coletividade preexiste à individualidade e que a sociabilidade não se trata de um acaso ou de simples tendência, mas da própria definição de natureza/condição humana. Nessa esteira, a sociabilidade leva à irrupção da comunidade, que criam mitos e rituais para supressão da ansiedade (porque oferecem previsibilidade) decorrente da consciência da morte. Vale ressaltar que a exploração do conceito de ritual não foi feita por mera especulação teórica, mas porque é fundamental o entendimento rigoroso da sua origem para compreender com maior precisão a argumentação que foi desenvolvida logo adiante. Nesse sentido, é importante fixar que a finalidade do ritual (a de apaziguar a ansiedade devido à consciência da morte e estabelecer ritmo para o cotidiano) não sofreu modificação com o passar do tempo, o que mudou (e que também é essencial que seja compreendido) é aquilo que o ritual representa, que não é mais sagrado e sim profano. Em seguida, a proposta foi demonstrar que as ritualidades prescindem o mítico, isto é, existem para além do mítico e, portanto, estão presentes mesmo em uma sociedade desencantada. Destaca-se, neste momento, o ineditismo deste trabalho, uma vez que as pesquisas sobre o tema continuam a associar os rituais contemporâneos à ideia de transcendência religiosa. Finaliza-se o capítulo fazendo a passagem do conceito de ritual para seu mapeamento dentro da rede, justificando a importância do entendimento das ritualidades para compreensão do ciberespaço e dos seus impactos na vida cotidiana.
Em síntese, o Capítulo II – Processos sociomediáticos contemporâneos mostra que o glocal está relacionado com cultura mediática, a fragmentação com a cultura pós-moderna, e a velocidade com a cultura dromocrática. O processo de glocalização inicia-se no final do século XIX, a era mediática no inicio do século XX, e a pós-modernidade em meados do século XX. A condição pós-moderna advém do projeto moderno e designa fundamentalmente as crises ideológicas das sociedades ocidentais e a condição sociocultural prevalecente no capitalismo contemporâneo, após o final da Segunda Guerra Mundial e o colapso da Guerra
Fria, simbolizado pela queda do Muro de Berlim em 1989. Enquanto a modernidade era uma época histórica marcada pela crença de que a transformação do social só seria possível com a adesão de uma visão de mundo essencialmente vinculada à revolução de massas, a pós- modernidade segue caminho inverso, sugerindo uma sensibilidade confusa, sem caminho, órfã de qualquer luta de emancipação. Sendo assim, o pós-moderno é uma reflexão crítica cuja maior imagem é a de uma civilização sem rumos, marcada pelo consumo. Neste momento, vale lembrar que todo ritual comemora aquilo que o mito rememora para com que, assim, não caia no esquecimento, e que enquanto os dois mitos definidores da modernidade eram a crença na libertação através do conhecimento e a crença nos fios condutores, no caso da época em curso, a pós-modernidade, seu grande mito definidor é o da perda das metanarrativas ou falência dos metarrelatos. Com a morte da função narrativa, ocorre também o desmoronamento dos fios condutores e das categorias universais (tais como: o Homem, a Humanidade, o Ser), e o saber contemporâneo passa a ter a mesma relevância que qualquer outra mercadoria. Se a modernidade designa uma época histórica marcada pela busca do progresso por intermédio das metanarrativas da ciência positivista, do marxismo e do estruturalismo, já a pós-modernidade é reconhecida pela desfuncionalização dos objetos técnicos (no sentido de que o objeto ganha status, valor sígnico, acoplamento humano/máquina, mas não é valorizado pela técnica envolvida), espetacularização e esvaziamento da política, neutralização sistemática das dialéticas (neutralização da classe trabalhadora), recusa de narrativas longas, crença na razão e na vida administrada. Nesse contexto, a cibercultura é tida como categoria de época, nomeando, portanto, a fase contemporânea da civilização tecnológica, fincada nas tecnologias do virtual e em redes interativas.
Neste ponto da reflexão, adentra-se o Capítulo III – Vida cotidiana e ritualidades
no ciberespaço. Ao considerar que, com a perda das grandes narrativas, diversas micro-
ritualidades contemporâneas, consequentemente, também refletem a lógica vigente, e apresentam-se como fragmentárias, aleatórias precárias e mutantes. Nessa esteira, a pesquisa revelou que a estrutura básica das ritualidades contemporâneas é formada a partir da delimitação espaço-temporal virtual (em detrimento ao presencial) – regida pela instanteneidade e pela eternização do presente –, da construção da realidade (que se manifesta por intermédio da visibilidade mediática em contexto glocal), além da conectividade entre os atores (cujas conexões são formadas a partir de laços frágeis e quantitativos, que vivenciam relações líquidas) e da manipulação dos símbolos (que se traduzem em textos, fotos e vídeos publicados).
Assim, reconhece-se que a tecnologia define a sociedade, e o foco de atenção recai sobre o impacto das redes sociais nas relações estabelecidas entre os sujeitos na contemporaneidade. Se, por um lado, a tecnologia é produto de intenções pré-determinadas, por outro, o modo pelo qual a sociedade apropria-se dessas tecnologias é capaz de reinventar suas funções originais. Isso significa que é completamente insuficiente fazer uma análise crítica e reflexiva sobre redes sociais e avaliar exclusivamente aspectos tecnológicos ou propósitos iniciais, embora seja imprescindível considerar a complexidade do sistema como um todo, que mescla aspectos humanos e tecnológicos aliados ao momento vigente, uma vez que as redes interativas ocupam eixo prioritário nas profundas mudanças experimentadas em diversos aspectos da vida social cotidiana. Nesse sentido, as redes sociais devem ser reconhecidas como agrupamentos complexos, formados por interações sociais, apoiadas em tecnologias digitais, que desenvolvem padrões de conexão (comunicação). Esses padrões de comunicação uma vez mapeados, permitem que se reconheçam e sejam mapeados os grupos de ritualidades contemporâneas no ciberespaço, que visam apaziguar a ansiedade humana através da rede. Dessa forma, as ritualidades mapeadas foram divididas em três categorias distintas: (1) ritualidades na era digital, (2) ritualidades no ciberespaço, e (3) ritualidades nas
redes sociais. A argumentação realizou uma definição mais cuidadosa das ritualidades encontradas em cada uma das categorias, entre as quais, destacam-se:
(1) ritualidades na era digital: fobia da desconexão em tempo real, uso simultâneo de mídias, síndrome do toque fantasma, imediatismo do enquadramento depreciativo. (2) ritualidades no ciberespaço: dispersão hipermediática, pressuposição do acesso
imediato, compulsão do acesso, delonga compulsiva na rede, efeito google, hipocondria digital, compulsão por jogos online.
(3) ritualidades nas redes sociais: voyerismo hiperinterativo, publicização recorrente de momentos da vida privada, selfies, visibilidade social compulsória, cyberbullying em tempo real, melancolia do único, sensibilização social hipermediática.
Estreitando ainda mais a análise, depara-se com o corpus da pesquisa: o Facebook e o
Twitter, cujas ritualidades peculiares foram descritas e analisadas ao longo da argumentação,
mas neste momento serão apenas citadas como efeito conclusivo do que fora descoberto: Ritualidades típicas do Facebook: validação obsessiva da identidade verdadeira, validação obsessiva da identidade construída, depressão de Facebook.
Ritualidades típicas do Twitter: divulgação de conteúdo próprio, sofisticação de conteúdo, criação e preservação de personas.
Apesar das diferenças técnicas no que se refere à estrutura de ambas as redes sociais, o mapeamento realizado apontou para um diagnóstico comum no que tange os valores mais comumente associados aos sites de redes sociais. Tanto o Facebook (cuja estrutura de sua página se apresenta como um canal de relacionamentos) quanto o Twitter (que surge como uma plataforma de divulgação de conteúdo pessoal) apresentam suas ritualidades estruturadas sob o
princípio da visibilidade mediática, da popularidade (fama difusa), da melancolia do único, da reputação e da autoridade, independentemente desta manifestação ocorrer por texto ou por imagem (fotos e/ou vídeos). Constata-se, portanto, que a interatividade tornou-se uma exigência da época em curso, de tal modo que existir é sinônimo de aparecer, e que aparecer é sinônimo de poder, exprimindo, assim, a sensação de que a vida, na contemporaneidade, só tem validade (sentido) quando passada por redes sociais, e que a existência atual está, fatalmente, vinculada a esse tipo de visibilidade.
Destarte, o estudo desenvolvido ao longo dos últimos quatro anos de pesquisa investigou os rituais cotidianos, acenando para uma abordagem interdisciplinar de problemas do mundo tecnológico avançado, principalmente no que concernem às macrorrelações entre o ciberespaço e seus impactos socioculturais. Foram privilegiadas, nesses recortes, relações tensionais entre ritualidade, cultura digital e organização da vida cotidiana (valores e comportamentos que se processam na época em curso), a partir do conhecimento analítico e crítico dos processos comunicativos e semióticos em questão. A argumentação procurou identificar as principais ritualidades que se evidenciam na cultura pós-moderna, e definir, do modo mais preciso possível, o conceito de ritual compatível com o ciberespaço, a fim de, por esse movimento de identificação e definição, apreender as consequências sociais e culturais dos principais paradigmas do ritual na cultura digital. Tratou-se, portanto, de uma contribuição crítica para a diversidade da produção de conhecimento no campo de estudos da comunicação e da cibercultura. Nesse amplo espectro temático, o objeto de estudo residiu, especificamente, no recorte da organização dos rituais cotidianos no ciberespaço.
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