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La condamnation des influences de clocher

II - L’épreuve du vote rural

2) La condamnation des influences de clocher

No eixo Socialização familiar, a possibilidade de ter a família perto foi considerado um ponto positivo tanto na fala dos jovens, como para seus pais e avós. A família numerosa e a boa convivência familiar tornaram possível a criação de uma rede de colaboração na educação e até mesmo, uma forma de controlar os jovens. Lívia foi a

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única a se sentir incomodada por se sentir “vigiada” pelas tias e avó, e por não ter um ciclo de relacionamentos além de sua família. Entretanto, João, Felipe e Pedro consideram positivo o fato de terem todos morando por perto. Devido à preocupação e apoio por parte da família, mais especificamente do seu avô, foi que João e sua família puderam sair do aluguel. Já Pedro, veio morar no distrito com o pai recém divorciado, que tomou a decisão de voltar ao distrito para contar com a ajuda, principalmente da mãe, na criação dos filhos, que eram cinco sob seu cuidado. A relação de solidariedade familiar muito presente nas falas, mostra como são criadas redes de ajuda entre as gerações, para suprir demandas que vão surgindo no dia a dia. Os avós ajudam quando pertinente e quando solicitados, como no caso da criação de Pedro e seus irmãos. Os irmãos, primos e outros parentes ajudam em tarefas e atividades escolares quando necessário, e no caso de Felipe, os membros da família revezam nos cuidados com a mãe.

Devido à proximidade familiar é possível encontrar os netos com frequência e quase todos os finais de semana, segundo o relato dos avós. Apesar de se sentirem próximos dos netos e demais familiares, os avós de forma geral disseram não interferir na educação deles. Nenhum dos avós entrevistados se tornou ao longo da vida responsável exclusivo pela criação dos netos. Mesmo Pedro e seu pai, Vicente, dizerem que ao retornar para o distrito a proximidade com dona Antônia foi fundamental para que ele pudesse educar os filhos. Os cuidados se tornaram uma ajuda importante, mas não transferiu essa responsabilidade a sua mãe. Desta forma, como corrobora Doll (2016, p. 12) “os laços entre avós e netos” seriam evidentes como um “suporte intergeracional” mediado pelo afeto, promovendo assim “atitudes de companheirismo e cooperação”.

A relação com os avós é marcada pelo afeto, carinho e principalmente pelo respeito que os jovens têm por eles. Em nenhuma das entrevistas os jovens reclamaram da relação com seus avós ou revelaram se sentir constrangidos pelos mesmos, e os avós dizem que não interferem no modo como os seus netos são educados pelos pais. Entretanto, é clara relação de proteção, suporte e apoio entre as gerações e, apesar de não interferirem diretamente na educação dos netos, os avós são solícitos quando há necessidade, como por exemplo a questão da moradia de João, que teve a casa cedida pelo avô. O senhor Benedito avó de João depois de viúvo decidiu morar sozinho em uma casa menor e ceder a casa em que morava para a filha e sua família, gosta da companhia dos netos, mas prefere morar sozinho;

91 Eu gosto de ficar com minha família, os meninos todos vêm aqui, sempre, sempre! Eu moro sozinho porque eu quero, eles sempre falam pra morar mais eles, mas prefiro que eles venham aqui [...] todo dia que eles chegarem aqui vai ter uma coisinha aqui pra comer, um almocinho, fico feliz deles comigo, me tratam com respeito, é importante! (senhor Benedito, avô de João).

Em relação aos netos tem o respeito deles, mas não exerce um papel autoritário, e nem gosta de se intrometer na educação dos mesmos. A senhora Antônia se viu depois de ter criado os filhos com a missão de ajudar a cuidar dos netos, depois do divórcio do seu filho, ele retornou ao distrito. Ela ficava com as crianças para que o pai pudesse trabalhar, até que os mais velhos tivessem condições de fazer o mesmo. Ficando mais evidente que os Senhor Benedito e a senhora Antônia, além de se prepararem para o enfrentamento da velhice, lidaram com questões que estiveram presentes em seu passado na condição de provedores e cuidadores de seus filhos, revivendo com seus netos as mesmas situações, havendo entre avós e netos um suporte intergeracional, que busca suprir demandas que os pais destes jovens não conseguiram suprir em alguma medida. A literatura demonstra, que o apoio e o suporte entre as gerações são fundamentais para as famílias, principalmente as de camadas populares, em momentos críticos como divórcios, separações, viuvez ou gravidez não planejada (RODRIGUES, 2006; RAMOS, 2012; DOLL, 2012). Pedro ao retornar ao distrito com os irmãos e o pai, teve a avó que os apoios no recomeço;

Quando meu filho voltou eu fiquei pensando como íamos fazer , mas Deus deu a força, os meninos não podiam ficar lá, eram muitos os problemas [...] quando meu filho voltou eu não podia virar as costas, mas não podia pegar pra criar os filhos dele[...] eu ajudei ele na época, ele deixava eles comigo todo santo dia e buscava a noite. Graças a Deus já está tudo criado (Antônia, avó de Pedro).

As senhoras Isabel e Joana, avós de Lívia e Felipe, respectivamente, não passaram por questões relacionadas a prover algo ou o cuidado direto dos seus netos. São solícitas, mas não interferem na educação e cuidado. Garantem apoiar e são felizes com as escolhas deles. Garantem ter proximidade com a família e ter sempre a presença dos filhos e netos em casa, principalmente nos finais de semana, mas preferem não interferir na educação dos netos para evitar conflitos com os pais conforme menciona Joana;

Cada um tem o seu jeito na criação, é bom ficar cada um no seu canto pra não dar confusão. Eu tenho o meu jeito o pai dele outro. Os dias de hoje, tá ficando mais complicado de criar os filhos. Gosto deles aqui

92 comigo, faço almoço todo domingo, esse dia é certo, vem todo mundo. Eles vem aqui sempre, fico feliz, mas corrigir, ensinar, essas coisas cada um tem seu jeito, fico quieta no meu canto (Joana, avó de Felipe).

Apesar do trabalho presente nas experiências de todos os entrevistados, vemos também que há uma preocupação dos pais em que os filhos tenham condições de vida diferentes, tranquilidade no futuro e maiores oportunidades. Sendo possível assim notar que apesar da proximidade e das facilidades de morarem próximos e poder contar com ajuda sempre que necessária. Deste modo os jovens conseguem “manter o eixo de referências simbólicas” representados por esta família na qual faz parte “Como lugar de apego, de segurança, como rede de proteção” (SARTI, 2004, p. 21). Tendo por perto pessoas que podem oferecer apoio e suporte quando necessário.

Para além das referências simbólicas, da segurança e da proteção que o grupo familiar oferece (ou deve oferecer), as relações familiares também trazem dissonâncias. É na família que as relações assimétricas de poder se concretizam, criando tensões, conflitos, transmissão e também aprendizado. Por isso, ao pensarmos as relações familiares precisamos reconhecer a complexidade da transmissão geracional no grupo.

É evidente uma preocupação dos pais em terem o controle da educação dos filhos mesmo que em algum momento precisem contar com a ajuda dos familiares, havendo assim também a avaliação do que deve ou não continuar sendo transmitido aos seus sucessores. Para (TOMIZAKI, 2010) o processo para herdar e transmitir fazem parte de um mesmo “movimento”, percebe-se o esforço dos pais, para que alguns aspectos presentes nas vivências deles não sejam reproduzidos e refletidos posteriormente na vida de seus filhos. Há assim, um filtro. nota-se o valor que se dá ao trabalho, a dignidade em ser trabalhador, mas a insistência de que busquem uma profissão, que estudem, que queiram ocupar cargos melhores, com maiores remunerações e garantias.