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L’hypothèse de l’autonomie des codes orthographiques

CHAPITRE 1 :L’INFLUENCE DE L’ORAL SUR L’ECRIT

4. Une orthographe peut-être pas si dépendante de la phonologie que cela…

4.2. L’orthographe accessible sans un recours obligatoire à la phonologie

4.2.1. L’hypothèse de l’autonomie des codes orthographiques

A segunda Guerra Mundial marcou o início da ciência da Resiliência, centrando a atenção do mundo na imensidão de crianças em situação difícil afetadas pela devastação (Werner, 2000. cit por Masten, 2014). Apesar de este conceito pertencer a diversas áreas do conhecimento, a sua definição sofre alterações de acordo com a especificidade do contexto em que é aplicado. Se, por exemplo, na Física, a Resiliência diz respeito à propriedade que alguns materiais possuem de, uma vez submetidos a “stress”, do qual resulte deformação momentânea (que poderá ou não configurar, posteriormente, uma deformação residual) e não atingindo um ponto de rutura, retomarem a sua forma original, já na Psicologia refere-se a um processo de carácter transacional mediado pela interação entre o indivíduo e o ambiente “cujo resultado varia em função da sinergia formada por diversos atributos e subprocessos” (Jaffee, Caspi, Moffitt, Polo-Tomas & Taylor, 2007; Masten & Obradovié, 2006). No fundo, este conceito apresenta-se enquanto um recurso psicológico que possibilita ao sujeito enfrentar e adaptar-se positivamente nas situações adversas de intenso sofrimento e stresse (Rutter, 2000; Master,2001; Bonnano, 2004; Werner, 2005).

O conceito de Resiliência encontra-se, inevitavelmente, associado às noções de risco e proteção. Não obstante, revela-se enquanto algo mais do que a mera interação entre estes dois fatores (Reppold, Mayer, Almeida, & Hutz, 2012). De acordo com Rutter, as conceções tradicionais de risco e proteção partem da premissa implícita de que os seus respetivos impactos serão bastante similares entre diferentes indivíduos, sendo atribuída a variabilidade dos resultados encontrados ao grau de equilíbrio e relação existente entre esses fatores, em cada caso em particular. Já o conceito de resiliência, para o autor, parte do reconhecimento de que há uma grande variabilidade na forma como os indivíduos se comportam e respondem a experiências e situações semelhantes (Reppold, Mayer, Almeida, & Hutz, 2012). Relativamente à influência do risco, pesquisas com crianças de alto risco cedo revelaram variações nos resultados esperados, conduzindo, assim, a novas pesquisas com crianças que “se saiam bem na vida”, independentemente das adversidades e do risco (Cicchetti, 2013; Evans, Li, & Whipple,

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2013; Masten, 2013). Destas e de outras investigações, pode concluir-se, entre outras coisas, que o simples indicador de risco não reflete a realidade da exposição à adversidade nas crianças (Masten, 2014). O estudo de deVries (cit. por Masten, 2014) provou que crianças difíceis sobreviveram a condições mais severas melhor do que os “bebés fáceis”.

Ao longo dos anos a conceptualização do constructo tornou-se mais dinâmica refletindo uma transformação sistémica mais ampla no domínio da ciência desenvolvimental. Segundo Masten (2014), a resiliência de um indivíduo ao longo do ciclo do seu desenvolvimento depende do funcionamento de sistemas adaptativos complexos, que estão continuamente em interação e transformação. Nomeadamente, nas crianças, este constructo reflete sistemas adaptativos moldados para a evolução biológica e cultural (Masten, 2001, 2007 cit. por Masten, 2014). Estes sistemas adaptativos incluem relações próximas, sistemas de recompensa, motivação dominadora, inteligência e funções de execução, bem como integram sistemas de crenças culturais e tradições de várias formas, incluindo religião (Masten, 2014).

No modelo socioecológico de Ungar (2011), o autor coloca o foco no contexto e no papel da cultura na Resiliência. Theron, Theron e Malindi (2012), observaram a importância de alguns aspetos em jovens identificados como resilientes, em investigações levadas a cabo numa comunidade da África do Sul. Caraterísticas tais como, flexibilidade e determinação (atributos comuns reportados em jovens considerados resilientes em várias culturas), bem como uma boa conexão com os sistemas de suporte da comunidade e respeito pelos respetivos valores culturais mais importantes, foram reconhecidas nestes jovens. Nesta sequência, os investigadores conceptualizaram a importância dos rituais culturais na Resiliência, defendendo que parecem ter um papel poderoso na aceitação e recuperação de pessoas novas que estão a lutar para ultrapassar experiências adversas (Theron, Theron & Malindi, 2012 cit. por Masten, 2014).

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2.2 Resiliência, Adolescência e Escola

No âmbito da adolescência, Zimmerman (2013) defende que a Resiliência ocorre quando fatores ambientais, sociais e individuais interrompem a trajetória do risco à patologia (Zimmerman, et al., 2013). Designam-se fatores protetores (Fergus & Zimmerman, 2005), porque se encontram associados a um desenvolvimento positivo e ajudam os jovens a ultrapassar a adversidade. Tusaie, Puskar e Sereika (2007) compilaram alguns fatores protetores, cognitivos e ambientais, identificados como potenciais modeladores da Resiliência individual, como sejam: competências ao nível da reformulação cognitiva, da resolução de problemas, otimismo, sensação de ter significado (sense of meaning), capacidades de narrativa coesa acerca do stressor, níveis de inteligência elevados, competências de leitura e desenvoltura na procura de suporte social, ter menos eventos de vida negativos, possuir histórias de competência e sucessos, vinculações positivas entre pais e criança, participação em atividades na escola e expansão do sistema de suporte para fora da família (Chang, 2001, Geanellos, 2005; Rutter, 1993; Scheir & Carver, 1987; Werner & Smith, 1992).

Tusaie, Puskar e Sereika (2007), do estudo que realizaram acerca dos preditores e moderadores da resiliência psicossocial na adolescência, concluíram, entre outras coisas, que os eventos de vida negativos foram a influência direta negativa mais forte, seguida da idade e que quando os adolescentes experimentam este tipo de eventos, o suporte de pares percebido foi o mais poderoso moderador deste modelo (Tusaie, Puskar & Sereika, 2007). Os autores também constataram que o otimismo reduz significativamente os efeitos dos acontecimentos de vida negativos e converteu para níveis mais elevados a Resiliência psicossocial dos adolescentes mais velhos, apesar dos efeitos negativos da idade nos níveis de resiliência.

Outros estudos salientaram que adolescentes com expectativas positivas acerca do futuro, se revelam menos angustiados face a eventos adversos e avançam mais ativamente do que aqueles que esperam piores resultados (Carver & Scheir, 1998). Muitas vezes, os acontecimentos de vida negativos não são previsíveis nem passíveis de ser prevenidos não sendo, assim, possível atuar na sua prevenção. Não obstante, segundo Seligman (1991) e Tusaie e Patterson (2006) as nossas perceções acerca dos eventos, bem como os tipos de coping podem ser modificados. De acordo com alguns autores, determinar os fatores individuais e contextuais que influenciam a resiliência

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durante a etapa evolutiva da adolescência é essencial para promover o ajuste dos adolescentes (Rodríguez-Fernandéz, Ramos-Días, Ros & Fernandéz-Zabala, 2015).

De acordo com a perspetiva atual, os alicerces fundadores da Resiliência não são meramente “fins” positivos de um contínuo com riscos, mas antes qualidades (biológicas e psicológicas) separadas, de Bem-Estar e saúde mental, que possibilitam uma adaptação com sucesso ou uma rápida recuperação das adversidades da vida.

Numa breve revisão dos três domínios associados, por vários autores, à Resiliência – vinculação segura, emoções positivas e sentido da vida – constatamos que estes podem ter impacto neste constructo ao aumentar a saúde mental no geral, por prevenir e atenuar perturbações ao nível da saúde mental, depois da exposição à adversidade ou por reforçar a recuperação de uma perturbação da saúde mental provocada por adversidades da vida (Rutten, et al., 2013).

A vinculação segura foi associada ao conceito de Resiliência (Atwool, 2006), considerando-se que tem um impacto duradouro neste conceito bem como no de Bem- Estar. Os modelos internos de representação das relações interpessoais que a criança desenvolve na relação com as figuras de referência, quando bem construídos, conduzem a uma autorregulação mais efetiva, à capacidade para inferir o estado mental próprio, bem como o dos outros, à capacidade para lidar com as relações interpessoais e para lidar de forma efetiva com vários stressores.

Estas experiências interpessoais precoces contribuem para a formação de neurocircuitos (Dent & Cameron, 2003), que capacitam a criança no que respeita à regulação afetiva das emoções (Siegel, 2001). Nomeadamente, maus tratos na infância interferem com o desenvolvimento do corpo caloso – estrutura essencial enquanto ponte entre os dois hemisférios cerebrais, para a integração das experiências emocionais, sensoriais e sociais na interpretação de um todo coerente (Siegel, 2001).

Num contínuo da vida precoce da criança, estudos recentes revelam a importância dos estilos educativos parentais para o ajustamento do adolescente (Gómez-Ortiz, Del Rey, Romera, & Ortega-Ruiz, 2015). Relativamente às emoções positivas, de acordo com Seligman, Steen e Peterson, (2005) estas são uma importante fonte de Resiliência. Alguns estudos referem que elas diminuem a experiência da dor e da “catastrofização” da dor (Zautra, Johnson & Davis, 2005; Ong, Zautra, Reid, 2010). Estudos recentes revelam ainda que, além da tendência para gerar emoções positivas, a tendência para manter elevados os níveis de emoções positivas (i.e. aumentar a duração da

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experiência), está também associada a melhorias ao nível da Resiliência (Rutten, et al., 2013).

No que concerne ao domínio do sentido da vida, Frankl (1979) propôs que qualquer situação pode ser a suficiente e “Aquela” na qual as pessoas encontram significado e um propósito para a vida, e que os problemas psicológicos ocorrem quando esta procura não tem sucesso (Frankl, 1979). Alguns estudos mais recentes vão ainda mais longe, revelando que a perda do sentido da vida, indiretamente, promove a mortalidade (Rutten, et al., 2013).

Nesta sequência, é sabido que, independentemente do traço de Resiliência, um ambiente social extenso apresenta um impacto significativo nos resultados ao nível desta capacidade. Respostas de suporte dos outros ajudam o indivíduo a ultrapassar dificuldades e a aumentar o crescimento após a adversidade. Assim, pais, família, pares e também as características da escola podem contribuir para resultados ao nível da Resiliência (Rutten, et al., 2013).

No que respeita precisamente à escola, ao ambiente escolar e aos desafios que lhes estão inerentes, Sugarman (1986) refere que as transições ao longo da vida envolvem mudanças significativas no papel do indivíduo e do ambiente, podendo representar-se enquanto um risco/azar ou uma oportunidade de crescimento (Allan, Mckenna, & Dominey, 2014). Bridges (2004) também referiu que, além de todas as mudanças inerentes à transição, elas também constituem graus de impacto variáveis, aspetos considerados importantes de salientar, uma vez que a população em estudo, se encontra, na sua maioria, ou acabada de sofrer uma transição de ciclo - do 9º para 10º ano – ou prestes a enfrentar uma nova transição – 12º ano para ensino superior ou 12º ano para o mercado de trabalho.

Segundo alguns autores o clima económico instável e apressado em que vivemos impele a que estudantes e profissionais orientadores de carreira precisem de adaptar- se continuamente a novos desafios de forma a facilitar um funcionamento produtivo ao longo do tempo (Bimrose, & Hearne, 2012). Esta “resiliência de carreira” parece implicar a combinação da capacidade motivacional do estudante, ao nível da autogestão, relativamente a transições difíceis (Richardson, 2002, cit. por Allan, McKenna, & Dominey, 2014) com a capacidade dos elementos de suporte académico, nomeadamente, ao nível da promoção desta força de crescimento (Bimrose, Brown, Barnes & Hughes, 2011, cit. por Allan J.F., McKenna & Dominey, 2014). Nesta linha de pensamento, a escola tem sido vista como um dos ambientes, por excelência, onde

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pode existir um enriquecimento da resiliência (Barbosa, 2007) uma vez que, esta pode propiciar o aumento e o fortalecimento de habilidades de resolução de problemas, bem como aprendizagem de novas estratégicas, tendo o professor um papel importante enquanto capacitador e auxiliador de jovens com dificuldades (Garcia, 2001 cit. por Peltz, Moraes & Carlotto, 2010).

Em suma, a Resiliência configura um conceito sofisticado, cuja complexidade, segundo Rutter (2006, 2007), se encontra caracterizada, entre outros aspetos já mencionados, também nos seguintes pontos (Reppold, Mayer, Almeida, & Hutz, 2012):  A exposição a determinados riscos pode ter efeitos paradoxalmente positivos (à semelhança do funcionamento do sistema imunitário, a exposição a condições adversas pode, em determinadas circunstâncias, aumentar a resistência do indivíduo a experiências semelhantes no futuro);

 Alguns elementos podem produzir efeitos protetores em determinadas circunstâncias de risco, mas podem configurar-se enquanto neutros ou, até mesmo, negativos perante a ausência de riscos contextuais;

 Os padrões de adaptação individuais podem variar em conformidade com diferentes tipos de adversidades ou de domínios adaptativos;

 A Resiliência, enquanto fenómeno dinâmico (Masten, 2013; Schoon, 2012), não é uma condição que possa ser considerada estável e constante ao longo do tempo.