D - LA METHODE AUDIO-VISUELLE (S.G.A.V.) 16
B. L’enseignement du vocabulaire 34
A crescente expansão do uso de livros didáticos nas escolas, nos mais diversos níveis, tem pressionado professores e educadores a utilizá-los nos processos de ensino e aprendizagem. É comum, no entanto, que a falta de familiaridade dos professores com as boas
práticas de utilização desse recurso os limite frente à grande diversidade de usos que se podem fazer deles. Surgem então as questões: como avaliar o uso que está sendo feito destes livros? Que critérios considerar?
É indiscutível o fato de que a ampla distribuição de livros didáticos trouxe novas perspectivas para o ensino, possibilitando a melhoria dos processos de ensino-aprendizagem. De qualquer modo, tanto na utilização dos livros quanto na sua seleção, é imperioso que os educadores saibam reconhecer e avaliar características relavantes, que possam atestar a qualidade desses livros ou refutá-la. Lembramos que se para o estudante, o livro é um início, para o professor, é a condensação e o tratamento didático de um conhecimento. Sua utilização em sala – por professores e alunos – é um caminho que precisa ser mais bem compreendido.
Cremos que a relevância do estudo das representações e usos que se faz do livro didático seja ainda mais justificável, uma vez que ele é utilizado em diferentes níveis escolares, mas, especialmente, com alunos do ensino fundamental e médio. Para estes estudantes, qualidades como funcionalidade, eficiência e confiabilidade são de extrema importância. Mas, em se tratando de um produto para uso educacional, a definição e adequação da perspectiva epistemológica e sua facilidade de utilização tornam-se fatores fundamentais. Para isso, o livro didático deve dispor de recursos para avaliar a carga cognitiva inerente a um produto educacional.
A avaliação do uso que se pode fazer dos livros didáticos envolve a análise de diversos critérios. Nos próximos tópicos passaremos a descrever os critérios que propomos para avaliar a usabilidade dos livros da coleção História: Das Cavernas ao Terceiro Milênio.
3.1. Iconografia e densidade imagética
A avaliação da iconografia do livro didático tem um papel de grande importância na identificação de sua qualidade como instrumento de aprendizagem. Uma iconografia variada e bem selecionada pode ter uma influência positiva tanto na usabilidade do livro (facilidade de uso) quanto em sua eficiência nos processos de aprendizagem.
De acordo com o princípio da representação múltipla, é melhor apresentar uma explicação por meio de textos e ilustrações do que apenas pelos textos. No entanto, Oliveira também aponta que o uso de poucas imagens associadas a um texto mais conciso pode aumentar a eficiência do processo de aprendizagem (OLIVEIRA, 2001, p. 4).
Os livros didáticos exploram a imagem como forma de linguagem, valendo-se de recursos diversos, tais como o jogo de cores, seus recortes, montagens, etc. recursos esses que propiciam que a imagem signifique per se sem vir ancorada ao verbal, não atuando como mero cenário ou ilustração, pois a imagem é componente intrínseco da textualidade que compõe o texto (AUMONT, 2001, p. 67).
As imagens utilizadas nos livros da coleção são em grande quantidade e permitem-nos algumas considerações a seu respeito. De acordo com Martine Joly,
o livro didático veicula imagens que dependerão das experiências de mundo dos estudantes para ser interpretadas. Cada aluno terá uma visão própria sobre o que é apresentado, pois um mesmo ícone pode dar lugar a todos os tipos de representações visuais à riqueza infinita da experiência de cada um (JOLY, 1996, p, 117).
Outro ponto a ser analisado diz respeito às categorias de imagens (fotografia, pintura, charge, mapas, etc.) utilizadas na coleção; visando compreender seu sentido semiótico e procurando identificar como ampliam ou dirigem a apreensão do fato histórico, por intermédio do texto-escrito. Para definir as categorias das imagens da coleção, apoiamos-nos nos trabalhos de Michèle Lagny e Marie-Claire Wuilleumier, que conseguiram associar leituras temáticas aos aspectos teóricos da representação imagética (WUILLEUMIER, 1970, p, 97). As imagens presentes nos livros da coleção foram classificadas em três grandes categorias iconográficas:
Mapas: nesta categoria, estão incluídos quaisquer tipos de representações geográficas da superfície do planeta: mapas geográficos, históricos, políticos, etc.; sejam antigos ou atuais.
Ilustrações: nesta categoria, incluímos as imagens pictóricas, geralmente, figurativas, utilizadas para acompanhar, explicar, acrescentar informação, sintetizar ou simplesmente decorar um texto. Exemplos de ilustrações são: desenhos, pinturas ou colagens, diagramas, charges, gráficos, desenhos, iluminuras e litografias.
Fotografias: nesta categoria, incluem-se fotografias de pessoas, eventos, situações, lugares, etc. Apesar de fotografia também ser um tipo de ilustração, optamos por categorizá-la à parte.
A tabela e o gráfico, a seguir, sintetizam, didaticamente, os números encontrados, resultado da contagem e categorização das imagens (mapas, ilustrações e fotografias) veiculadas pelos quatro livros da coleção:
Ano Mapas Ilustrações Fotografias Total Sexto 28 191 79 298 Sétimo 34 243 96 372 Oitavo 27 180 75 282 Nono 36 265 103 404 Coleção 124 879 353 1356
Tabela 1 – Quantidade de imagens por categoria iconográfica nos livros da coleção
Como podemos verificar, a quantidade de imagens por livro é equilibrada, sendo o número de ilustrações muito superior. Ainda neste capítulo, analisaremos o item iconografia e, então, faremos algumas observações mais aprofundadas sobre o assunto.
Figura 6 – Categorias iconográficas por livro
No gráfico anterior, vemos que as imagens da categoria ilustrações estão em maior número que as das demais. Um motivo que aventamos para isso é que essa categoria engloba diversos tipos de elementos pictóricos, desde desenhos, charges e gráficos até tabelas e iluminuras; ao passo que as categorias fotos e mapas incluem apenas um tipo de elemento.
Para identificar se um livro didático obedece aos princípios de utilização de imagens, buscamos verificar se estas são empregadas com fins decorativos ou se são utilizadas, sobretudo, na ilustração de explicações. Observamos, também, se a presença excessiva de imagens não pode gerar uma sobrecarga cognitiva que possa prejudicar a aprendizagem dos estudantes. Para verificar a distribuição das imagens no texto, utilizamos como medida a densidade imagética, que corresponde à relação entre número de imagens e o número de páginas.
Para calcular a densidade dos livros e da coleção, foram contados todos os elementos iconográficos encontrados no livro (mapas, ilustrações e fotos), em seguida, dividimos este
28 191 79 34 243 96 27 180 75 36 265 103 0 50 100 150 200 250 300
Mapas Ilustrações Fotos