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Chapitre 2 : Une étude linguistique en contexte insulaire créole et créolophone

2.7. L’acquisition de la spatialité et les logiques spatiales

As alterações paleoclimáticas verificadas desde o final do Terciário estarão relacionadas com a atual distribuição dos núcleos de P. sylvestris com origem autóctone no território ibérico. Fernandes et al. (2015) relatam que Teixeira (1944) e Gaussen (1950) admitem a expansão de P. sylvestris e de outras espécies de “clima frio” no final do Pliocénico. A história paleoambiental da P. sylvestris na Península Ibérica tem sido revista e aprofundada por vários autores, combinando as modificações paleoclimáticas com a localização de áreas de refúgio, a existência de barreiras biogeográficas e a influência da atividade humana (Figueiral e Carcaillet 2005, García-Amorena et al. 2007, Benito-Garzon et al. 2008, Gomez- Orellana et al. 2012). Várias fontes paleobotânicas (madeiras e pinhas fósseis, grãos de pólen) indicam a presença constante de pinheiro-silvestre como um dos elementos arbóreos principais, desde finais do último período glaciar (Wurm) até à atualidade (Fernandes et al. 2015).

Península Itálica e os Balcãs terão constituído áreas de refúgio para espécies vegetais do norte e centro da Europa, as quais se difundiram novamente a partir dessas áreas, à medida que as condições climáticas se tornaram mais favoráveis (Figueiral e Terral 2002, Cheddadi et al. 2006, Gomez-Orellana et al. 2012). É também admitida a existência de critpo-refúgios em latitudes mais elevadas, durante as fases glaciares, sendo detetáveis variações na dimensão das áreas de refúgio e na duração do confinamento das espécies vegetais (Stewart et al. 2010). A elevada diversidade de mitótipos presente na atualidade, sugere que as populações ibéricas de P. sylvestris representam relíquias do Terciário. Durante os ciclos glaciares plistocénicos, as populações ibéricas mantiveram-se isoladas no interior do território ibérico, formando uma linha evolutiva independente do processo de recolonização holocénica além-Pirenéus (Sinclair et al. 1999).

Durante o último período glaciar, um número de espécies e comunidades vegetais de origem boreal expandiram-se até à Península Ibérica, entre as quais o pinheiro-silvestre que chegou a estar presente nas áreas litorais portuguesas (Teixeira 1944 cit in Fernandes et al. 2015) e que ainda hoje se mantém presente em áreas tão a Sul como a serra Nevada.

Segundo Figueiral e Carcaillet (2005) há evidências da presença ao longo dos tempos de Pinus tipo sylvestris em Portugal em áreas da atual região da Estremadura desde 23.900 AP, atingido a faixa litoral próxima da atual Leiria, e mesmo mais a sul, durante o Pliocénico e a glaciação de Wurm. Segundo os mesmos autores, a abundância de vestígios antracológicos sugere a existência de uma área de refúgio em altitudes baixas, na região central de Portugal, onde a espécie permaneceu até ao Tardiglaciar (16.000-10.000 AP). Através de técnicas de antracologia (fragmentos de carvão vegetal), Figueiral e Carcaillet (2005), reuniram registos que revelam essa presença em vários locais a Norte do Tejo, com as primeiras evidências referentes ao Paleolítico Superior (28/27000 14C / 12000 AP) em locais na Estremadura. Já no período Epipaleolítico - Mesolítico (12000/9500 - 8000/6000 AP) dois locais arqueológicos registam a sua presença, na Estremadura e Alto-Douro, como Redinha e São João da Pesqueira. No período do Neolítico (8000/6000 - 4500/4300 AP) foram assinaladas outras presenças em locais na Estremadura e em Trás-os-Montes, nomeadamente em Murça e Mirandela. Durante o Calcolítico (4500/4300 - 3700/3500 AP) / Idade do Bronze (3700/3500 - 2700/2500 AP) foi registada a presença em Trás-os-Montes (Este e Oeste), como em Mogadouro e em Mairos. No período final da Idade do Bronze (4000/3800 - 2700/2600 AP) / Idade do Ferro (2700/2 600 - 2200/2000 AP) é detetada a presença da P. sylvestris em Baião (Douro Litoral) e em Trás-os-

Montes (Este). Os últimos registos recorrendo à antracologia foram referentes ao período compreendido entre a Idade do Ferro (2700 /2600 - 2200/2000 AP) / Romano (após 163 AC - séc. IV DC), estando localizados em Trás-os-Montes (Murça) e entre Douro e Minho.

A presença ubíqua de Pinus ao longo do Holoceno sugere a existência de um andar montano mediterrâneo com vegetação autóctone de Pinus (provavelmente P. sylvestris), não tendo esta presença resultado da invasão das áreas de carvalhos e faias pelo pinhal devido à ação humana, tal como é considerado nos mapas de vegetação potencial (Blanco et al. 1997).

Segundo Santos et al. (2000), nas serras do Noroeste da Península Ibérica (Estrela, Gredos, Gata, Gerês e Segundera), os diagramas palinológicos mostram uma grande importância dos pinhais ao longo de todo o Holoceno, sendo muito recente a sua regressão ou desaparecimento. Outros autores citados por Santos et al. (2000) sugerem que a floresta de Pinus das últimas glaciações desapareceu com o início do Holoceno, sendo substituída por floresta de caducifólias.

Do Pós-glacial ao Holoceno, é provável que as mudanças de vegetação observadas possam estar mais correlacionadas com as mudanças climáticas do que com o impacto humano, pois as novas condições climáticas favoreceram a disseminação de espécies mediterrâneas, algumas delas já a crescer localmente, durante o Paleolítico Superior (Figueiral e Carcaillet 2005).

Assim, a deslocação destes pinhais tanto para latitudes setentrionais, como em altitude, em consequência do aquecimento pós-glacial e das novas condições xerotérmicas, levou à formação de maciços nalgumas montanhas Ibéricas, como as serras de Guadarrama ou do Gerês, que persistiriam até a atualidade, ao contrário da serra da Estrela (Gaussen 1950 cit in Fernandes et al. 2015), permitindo uma expansão progressiva das florestas de carvalho, faia e floresta mista. De facto, com as alterações climáticas do início do Holocénico, os registos de P. sylvestris tornam-se esporádicos, refletindo o seu declínio no novo quadro fitoclimático, que favoreceu competitivamente espécies como os Querci (Fernandes et al. 2015).

Adicionalmente, a competição com outras gimnospérmicas e outras espécies de pinheiros, como a P. pinaster, poderá ter contribuído para o declínio dos pinheiros mediterrâneos de alta montanha (Figueiral e Carcaillet 2005). Das várias circunstâncias que levaram a este declínio contam-se ainda as transformações neolíticas do uso do solo e a recorrência de incêndios de origem antropogénica, que poderão ter contribuído para o seu declínio regional. Embora alguns núcleos de P. sylvestris tenham sobrevivido próximo de áreas habitadas, pelo menos até há

2000 anos atrás, é possível que os seus últimos representantes se encontrem confinados à serra do Gerês (Figueiral e Carcaillet 2005).