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Immédiat comme temps et espace du langage

Dans le document Maurice Blanchot et son écriture (Page 53-66)

A versão teatralizada da história de Tristão e Isolda, que dá início ao longa- metragem, possui traços similares com a produção de Joseph Bédier, utilizada nesse estudo como obra base. No conjunto de suas representações, a narrativa clássica é contada por meio de recortes em Romance. Esses fragmentos são espalhados na trama do filme a partir de diferentes suportes comunicativos.

No início, a costura da trama se dá em voz over, com Pedro e, mais à frente, com as leituras feitas por ele que apresentam os elementos centrais da narrativa de forma introdutória. Logo após os créditos iniciais, uma série de imagens nos oferece uma visão de algumas representações de Tristão e Isolda no campo das artes plásticas, por meio de pinturas, xilogravuras e desenhos, como analisaremos a seguir.

Figura 112 Figura 213

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WILLIAM WATERHOUSE, John. Tristan and Isolde sharing the potion. Disponível em: <http://www.johnwilliamwaterhouse.com/pictures/tristan-isolde-potion-1916/>. Acesso em: 14 jan. 2013.

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VICTOR DELVILLE, Jean. The love of souls. Disponível em: <https://pinterest.com/pin/224828206368907150/>. Acesso em: 14 jan. 2013.

Parte das imagens contidas no filme compõem um acervo de obras de artistas diversos que representam diretamente Tristão e Isolda e que se somam às falas de Pedro para ilustrar a história, como é o caso da Figura 1, pintura de John William Waterhouse, de 1916. Outras traduzem imageticamente uma forma menos específica (para o filme) de recontar o amor por meio da representação de casais apaixonados, como na Figura 2, obra de Jean Victor Delville, de 1900.

Encarando um texto artístico também como um enunciado (STAM, 2000, p.72), podemos compreender que, a partir do momento em que o filme de Guel Arraes instaura essa permuta de linguagens e procedimentos estéticos, a obra consolida a estruturação desse processo dialógico. Além disso, essas trocas não se restringem apenas ao teatro e ao audiovisual, mas podem também ser percebidos quando da inserção, na trama, do quadro O beijo, de Gustav Klimt, de 1908, em uma das cenas produzidas para enfatizar o viés romântico do filme.

Romance mantém, assim, um trabalho em vários níveis de significância se

aproximando das artes plásticas, ao estabelecer esse paralelismo entre o casal protagonista do longa-metragem e as imagens que são inseridas na narrativa a partir de efeitos de transição e animação gráfica.

Figura 314

Figura 415

O agrupamento de linguagens enquanto investimento estético em Romance angaria outras frentes das artes plásticas e inclui obras especialmente feitas para o filme de Guel Arraes. No caso, os desenhos de José Aguiar. Segundo o próprio artista plástico,

14 O amor entre personagens e também entre os atores do filme. Fonte: Romance, 2008. 15

KLIMT, Gustav. Der Kuss. Disponível em: <http://www.klimt.com/en/gallery/women/klimt-der-kuss- 1908.ihtml>. Acesso em: 14 jan. 2013.

os trabalhos utilizados no longa-metragem são “inspirados em desenhos do início do século XX com um pouco de Art Nouveau” (JOSÉ AGUIAR, 2013). A morte de

Tristão, de 2008 (Figura 6), possui claros indícios de que esse elo tenha sido

estabelecido com a obra The Death of Tristan, de Mac Harshberger, de 1927 (Figura 5). A seguir, as três representações para o mesmo fato se desenvolvem a partir de um lastro de entrecruzamento discursivo. As releituras produzidas acompanham um efeito cascata e se caracterizam pela liberdade criativa frente aos objetos adaptados. Esse procedimento está nas composições de Tristão e Isolda para o teatro e o audiovisual e também ganha força nos traços contemporâneos do quadrinista José Aguiar, que, como em todo processo artístico, traz elementos estéticos de suas referências artísticas para elaborar sua própria obra.

Figura 516

Figura 617

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HARSHBERGER, Mac. The Death of Tristan. Disponível em: <http://www.lib.rochester.edu/camelot/images/MHDeath.htm>. Acesso em: 14 jan. 2013.

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JOSÉ AGUIAR. A morte de Tristão. Disponível em: <http://joseaguiar.com.br/blog/?tag=romance>. Acesso em: 14 jan. 2013.

Figura 718

A proposta de unir cultura popular nordestina à cultura erudita é um dos pilares do Movimento Armorial, que tem como seu maior expoente o escritor paraibano Ariano Suassuna. Guel Arraes, que já adaptou O Auto da Compadecida para o cinema, apresenta elos com a proposta do Movimento e fortalece ainda mais essa perspectiva quando observamos elementos confluentes entre A história do amor de Fernando e

Isaura e a versão criada por Romance.

Com isso e como empreendimento dialógico, a composição do filme de Arraes parte de uma iniciativa que acompanha o diretor no conjunto de suas obras para cinema e TV, ganhando força e forma diegeticamente. Romance acaba expandindo a concatenação de enunciados e traz, a partir da adaptação feita para o especial de televisão, outras inserções, como a xilogravura. No caso, ela apresenta-se trabalhada no sentido de estabelecer um correspondente no medieval.

Figura 819 Figura 920

18 Ana e Pedro ensaiando a morte de Tristão. Fonte: Romance, 2008. 19

CODEX MANESSE. Reinmar der Fiedler. Disponível em: <http://digi.ub.uni- heidelberg.de/diglit/cpg848/0619>. Acesso em: 14 jan. 2013.

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Imagem captada diretamente do filme, em print screen, assim como as demais cenas de Romance expostas anteriormente. Fonte: Romance, 2008.

A Figura 8 integra o manuscrito Codex Manesse que se trata de “uma expressão artística e histórica de uma forma específica de tradição das Belas-Artes: a formação de uma coleção de obras pessoais reunidas, orientadas e patrocinadas pela sociedade de corte”, e que procura, por meio de iluminuras21, “registrar através de imagens (e da ordenação delas) a própria hierarquia da nobreza medieval teutônica” (COSTA; GONÇALVES, 2013).

Na Figura 9, temos a obra Cantadores de Viola, de 2005, do artista pernambucano José Francisco Borges, que vive até hoje em Bezerros, no mesmo município onde nasceu, e de lá escreve, ilustra e publica seus folhetos de cordel (MACHADO, 2013). Os laços entre trovadores e cantadores, reforçada com o apelo imagético que o filme utiliza, trabalham de modo semelhante ao decorrer do tempo, no ato de contar histórias, tendo a música como meio propagador do processo artístico- cultural.

Dans le document Maurice Blanchot et son écriture (Page 53-66)