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lu 35 que l’on peut généralement observer chez les locuteurs « ordinaires » d’une

3. Définition des marques mixtes à partir des tests de perception

3.2. Nos résultats

3.2.2. Hésitations réelles et subjectives perçues

Os estudos que aplicam a tarefa de categorização às imagens de S&V (1980) têm, frequentemente, como principal propósito a análise das diferenças entre categorias. Especificamente, o contraste entre categorias de itens com elevada semelhança estrutural (ex. animais) e categorias de itens com baixa semelhança estrutural (ex. objectos inanimados; Gale, Laws, & Foley, 2006; Kiefer, 2001; Price & Humphreys, 1989; Laws et al., 2003; Lloyd-Jones & Humphreys, 1997b; Riddoch & Humphreys, 1987b). O enfoque destes estudos tem sido no impacto das variáveis semânticas e lexicais. Estudos que façam o cruzamento entre a tarefa de categorização e as dimensões estruturais discutidas na literatura não foram ainda realizados, daí a novidade e o interesse da presente experiência para o entendimento da importância das características estruturais dos objectos em tarefas semânticas. Além disso, o presente estudo não limita a análise dos resultados a diferenças entre categorias. Pelo contrário, o estudo investiga o papel de variáveis estruturais no processamento semântico num largo conjunto de itens, independentemente da sua categoria semântica.

Gerlach (2009) defende que em tarefas específicas, a semelhança estrutural facilita a resposta. Trata-se de tarefas semânticas onde é pedido aos sujeitos que decidam se os objectos pertencem ou não à mesma categoria sobreordenada. Neste tipo de tarefa espera-se que a resposta seja mais rápida para objectos que partilham características perceptivas com os outros membros da categoria (Riddoch & Humphreys 1987b). Assim, enquanto que numa tarefa de nomeação a semelhança estrutural provoca competição, uma tarefa de categorização pode levar a uma facilitação da resposta. Por exemplo, para nomear o objecto “tigre”, informação de vizinhos estruturais e semânticos como “leão” compete, dificultando a resposta. Em contraste, para categorizar o mesmo objecto como “animal” os seus vizinhos não competem, pois pertencem à mesma categoria, facilitando a resposta. Por conseguinte, a hipótese principal é a de que, ao contrário do que acontecia na nomeação, a competição não tenha um efeito prejudicial na rapidez e precisão da resposta. Espera-se também que características estruturais mais gerais, como os contornos dos objectos ou as suas partes (ex. cauda) tenham um papel mais relevante na decisão, facilitando os TR e precisão. Mas de reparar que as previsões serão diferentes se continuarmos a considerar como fundamento teórico o modelo em cascata, aí continuará a existir um efeito da partilha de características entre objectos mesmo que sejam da mesma categoria, sendo que cada

objecto terá que ser primeiramente reconhecido e para esse reconhecimento haverá sempre um efeito de competição entre o alvo e os seus semelhantes. Assim esta experiência pode responder a este paradoxo explicativo no que diz respeito à competição e à categorização.

Método:

Participantes

Participaram nesta experiência 26 alunos (do sexo masculino e feminino) do 1º ano do Curso de Psicologia, da Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa. Os alunos receberam créditos académicos por participarem na experiência. Todos tinham uma visão normal ou corrigida e o português como língua materna. A experiência teve uma duração de cerca de 30 minutos.

Material

Os estímulos consistiram num conjunto de 148 imagens, retiradas do conjunto de 212 utilizadas na experiência da nomeação. Foram excluídos os objectos pertencentes às categorias instrumentos musicais, mobiliário, veículos e vestuário, por serem de uma categoria mais ambígua. São objectos não-vivos, mas apresentam algumas características de objectos animados (ex. movimento no caso dos transportes). As imagens apresentadas correspondiam a objectos das seguintes categorias: animais, utensílios de cozinha, ferramentas, brinquedos, objectos manipuláveis, partes do corpo, frutos e vegetais. Os itens foram apresentados visualmente em monitores de computadores através do programa Superlab. Foi utilizada uma caixa de respostas para registar as respostas de cada sujeito.

Plano experimental

Foi utilizado um plano univariável intra-sujeitos em que a única manipulação efectuada foi o tipo de categorização que os participantes tinham que fazer. Numa condição foi-lhes pedido para decidir se os objectos apresentados pertenciam à animal

(condição Animal) e noutra condição era-lhes pedido para indicar se o objecto apresentado era um objecto inanimado (condição Objecto). As mesmas imagens de objectos foram apresentadas em ambas as condições. A ordem de apresentação das condições foi contrabalançada entre participantes. Em cada condição, os estímulos foram apresentados de forma aleatória.

Procedimento

Cada participante realizou a tarefa numa sala silenciosa, onde se encontrava sozinho com o experimentador. Metade dos participantes começou com a condição Animal, seguida da condição Objecto, enquanto que a outra metade realizou as tarefas pela ordem inversa. Na condição Animal, os sujeitos eram instruídos a responder o mais rápida e acertadamente possível se o objecto apresentado denotava um animal ou não. Na condição Objecto, os sujeitos eram instruídos a responder o mais rápida e acertadamente possível se o objecto apresentado denotava um objecto inanimado ou não. Em ambas as condições, os participantes tinham de carregar na tecla verde da caixa de respostas para responder sim (com a mão dominante), e na tecla vermelha para responder não (ver anexo IIIb).

Cada ensaio começava com a apresentação de um ponto de fixação (+) no centro do ecrã durante 500ms, seguido da apresentação da imagem do objecto durante 3000 ms, durante os quais os sujeitos tinham de responder. Um ecrã em branco era apresentado durante 2000 ms antes do início de um novo ensaio (ver figura 6).

Antes do início de cada tarefa, o experimentador relembrava ao participante a tarefa na condição em questão (Animal ou Objecto). Antes do início da experiência os participantes realizavam um conjunto de ensaios de treino, composto por 10 itens retirados do mesmo conjunto de S&V (1980), mas que não faziam parte da experiência

Para cada participante, registaram-se as respostas dadas e os respectivos tempos de resposta.

Figura 6: Ilustração da organização dos ensaios na tarefa de categorização, em ambas as condições (se Animal e se Objecto), com o ponto de fixação, a imagem e o ecrã em branco.

Análise Estatística:

Foram realizadas análises de regressão separadas para a condição em os participantes tinham que indicar se a imagem era ou não de um animal e para a análise onde indicavam se a figura era de um objecto (inanimado) ou não. Em ambos os casos, as variáveis independentes eram as quatro dimensões estruturais e a variável dependente a média do TR para cada item. Como a precisão das respostas foi muito elevada (98% na condição se é animal e 93% na condição se é objecto inanimado), esta variável não foi considerada no modelo de regressão.

A referir ainda que nesta tarefa foram excluídos 5 sujeitos da análise na condição se objecto inanimado, que tiveram menos de 80% de respostas certas, tendo sido analisados os dados de 21 sujeitos nessa condição e 26 na condição se animal.

Resultados:

No conjunto de imagens apresentadas, incluíam-se 45 animais, 70 objectos (inanimados) e 32 figuras de outros objectos (ex. partes do corpo, vegetais) que não

pertenciam claramente a nenhuma das duas categorias. Na tarefa em que os sujeitos tinham que indicar se o item representava um animal ou não, havia uma grande discrepância entre o número de respostas sim (n = 45) e não (n = 102). Para investigar a possibilidade dos sujeitos nesta condição responderem tendencialmente não a todos os itens, analisou-se a percentagem de RC separadamente para as respostas sim e não. Na tarefa em que era pedido aos participantes para decidir se o item denotava um objecto inanimado esta questão não se coloca de modo tão premente, pois o número de respostas de cada tipo estava mais equilibrado (i.e. sim = 70 itens, não = 77 itens).

Verificou-se que na condição Animal, a percentagem de RC foi de 98%, e que não houve diferenças significativas na precisão das respostas sim e não (t = -.78, p>.1), o que nos permite excluir a possibilidade de resposta tendenciosa nesta condição. Na condição Objecto, verifica-se uma média de 93% de RC (ver figura 7). Comparando as médias das percentagens de RC em ambas as condições aplicando um teste t de Student, chega-se à conclusão que as médias são significativamente diferentes (t = 5.26, p<.05). Relativamente aos TR (ver figura 7), (média na condição Objecto = 1191 ms, média na condição Animal = 1089 ms) e ao compararmos estas médias aplicando um teste t de Student, chega-se à conclusão que as médias são novamente significativamente diferentes (t = -11.64, p<.05).

Figura 7: Comparação da percentagem de respostas certa (à esquerda) e dos tempos de latência (à direita) nas duas condições (se animal e se objecto) da tarefa de categorização.

Quanto aos modelos de regressão, usando os TRs como variável dependente, para a condição Animal, modelo revelou uma componente estrutural como significativa (F (4, 147) = 3.37, p<.05). Trata-se da componente contornos do objecto (beta = .26, p<.01, ver tabela 3). Os mesmos resultados foram encontrados quando se procedeu à análise complementar (ver anexo IVc).

Na condição de decisão se a imagem é referente a um objecto inanimado, a componente contornos do objecto apareceu novamente como boa preditora do TR (F(4, 147) = 2.46, p<.05; beta = .19, p<.05). Neste caso a análise complementar indicou que a componente partes do objecto também tem algum poder explicativo no modelo (beta = - .05, p<.05, ver anexo IVc).

Tabela 3

Regressões lineares múltiplas com as médias dos tempos de reacção como variável dependente e as quatro componentes como variáveis independentes, na tarefa de Categorização – as duas condição, condição categorizar se animal e categorizar se objecto.

Valores do R2, valor F e os coeficientes das variáveis independentes.

Categorização (se

Animal)

Categorização (se Objecto)

Tempo de Reacção Tempo de Reacção

(n = 147)

(n = 147)

Componente 1 (partes) .05 -.13

Componente 2 (detalhes internos) .07 .05

Componente 3 (contornos) .26

**

.19

*

Componente 4 (var. representação) -.06 -.04

R2 múltiplo .09 .06

Valor F 3.37

*

2.46

*

Nota. *p<.05; **p<.01

Discussão:

A dimensão estrutural relevante desta tarefa e presente em ambas as condições diz respeito aos contornos dos objectos, que demonstram uma relação positiva com o TR. Relembrando, as variáveis com maiores loadings nesta dimensão estrutural, foram

dois tipos de contornos, os rectos e convexos. Um aspecto curioso desta componente é o facto de no estudo de Marques e Raposo (in press) os objectos com valores mais altos serem maioritariamente objectos redondos (ex. laranja) e as figuras com valores mais baixos nesta componente serem de objectos com contornos rectos (ex. casa). Assim podemos inferir que esta componente está relacionada com a forma, curvilínea ou recta do contorno. De reparar que esta dimensão não tem uma interpretação linear segundo o modelo em cascata, a não ser que os objectos com contornos curvilíneos sejam em maior número que os objectos com contornos rectos. Deste modo, o contorno curvilíneo poderia servir como factor que contribui para a competição entre objectos com a mesma forma. Esta é uma hipótese interessante que necessita de investigação adicional. Uma outra sugestão que pode ser feita a partir deste resultado está relacionada com a distintividade do contorno. Um contorno curvilíneo não é distintivo de nenhuma das categorias envolvidas na decisão (animal, não animal, objecto inanimado, não objecto inanimado). Portanto, tal como proposto nas previsões gerais, talvez os contornos rectos sejam de alguma forma mais fáceis de processar (Kosslyn et al., 1995) ou apresentam um efeito menos nefasto em termos de competição.

A considerar ainda, a natureza dos estímulos nesta tarefa que pode ter um efeito perverso nas respostas, já que desenhos coloridos tendem a ser nomeados mais rapidamente, particularmente no caso da categoria animal, onde a cor é uma característica informativa e distintiva (Price & Humphreys, 1989). Assim sendo, esta categoria pode ter sido mais prejudicada porque uma característica estrutural fundamental para o seu reconhecimento estava ausente no material utilizado. Em contraste, no caso dos objectos inanimados (ex. utensílios) a característica distintiva por eleição diz respeito a uma dimensão semântica, a função, que no caso destes itens e nesta tarefa estava presente via a forma dos objectos (que se correlaciona com a função dos mesmo). Uma análise futura relativamente a este aspecto, consistiria em comparar os TR e percentagem de RC entre as figuras que denotam animais e os figuras que representam objectos inanimados. Se a hipótese levantada estiver correcta, então esperar-se-iam TR mais longos e menor percentagem de RC para itens animais do que para itens inanimados, numa tarefa de reconhecimento.