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LA GESTION DE L’EAU CONSOMMÉE PAR LES USAGERS DANS L’HABITAT

Tendo em conta os objetivos delineados para este estudo, relativamente às crenças facilitadoras da empregabilidade avaliadas, a presente amostra obteve resultados mais elevados na escala de Aceitação de Desafios e mais baixos na escala do Otimismo.

Segundo a descrição da escala Aceitação de desafios/riscos, este resultado permite prever que os participantes consideram ter capacidade para correr riscos e aceitar desafios, encarando-os como oportunidades de desenvolvimento. Por outro lado, o resultado baixo na escala de Otimismo revela que as expetativas dos mesmos face ao seu futuro profissional se demostram, tendencialmente, pouco positivas, quer no que respeita às suas capacidades, quer face ao contexto em que estão inseridos.

Em relação aos traços de personalidade, a dimensão da Amabilidade obteve a pontuação média mais elevada por parte da amostra de estudantes universitários.

Contrariamente, a dimensão do Neuroticismo foi a que obteve um resultado médio mais baixo.

Quanto às diferenças entre sexos observadas nas escalas do ICEB, verifica-se em primeiro lugar que as mulheres obtiveram resultados superiores aos dos homens em todas as dimensões avaliadas, exceto no Otimismo.

No que respeita às escalas do Esforço, Aceitação de Desafios e Autonomia, as diferenças em relação aos resultados obtidos pelos homens são estatisticamente significativas. Estes resultados traduzem, em relação ao Esforço/Realização, maiores níveis de resiliência, empenho, persistência e valorização do esforço nas tarefas e comportamentos que permitem atingir objetivos de carreira por parte das participantes; maior capacidade para correr riscos, aceitar desafios ou experienciar situações novas ou

profissional (Aceitação de Desafios/Riscos); e também maiores níveis de autonomia, incluindo mais confiança nas suas capacidades para desenvolver determinada

tarefa/trabalho de forma independente.

Dado este conjunto de resultados, supõe-se estarmos perante uma amostra de mulheres aparentemente preocupadas com o seu futuro profissional, dispostas a empregar esforços no sentido de garantir condições favoráveis à construção de uma carreira.

Poderão estes resultados ser produto da mudança sociológica no papel da mulher na construção da sua carreira? Possivelmente, dadas as mudanças geracionais que têm vindo a incentivar a uma construção ativa da sua carreira, a motivação das mulheres para a concretização dos seus objetivos de carreira pode torná-las mais direcionadas para pensamentos e comportamentos que facilitem a sua empregabilidade.

Analisando os resultados obtidos por ambos os sexos nas dimensões do NEO PI- R, as mulheres obtiveram resultados expressivamente superiores aos dos homens na dimensão do Neuroticismo e da Amabilidade, tal como era esperado. Os resultados médios obtidos nas restantes dimensões (Extroversão, Abertura à Experiência e Conscienciosidade) foram também superiores por parte do sexo feminino. Mas as diferenças obtidas não se mostraram significativas, pelo que, os resultados não

permitem apoiar a hipótese colocada de que as mulheres teriam maiores pontuações em Extroversão e Conscienciosidade do que os homens.

Quanto às diferenças encontradas nos resultados obtidos ao nível das facetas da personalidade, são novamente as mulheres que apresentam os níveis mais elevados. Mostram-se consideráveis as diferenças de resultados nas facetas da Ansiedade (N), Hostilidade (N), Autoconsciência (N), Impulsividade (N), Vulnerabilidade (N),

Gregariedade (E), Procura de Excitação (E), Emoções Positivas (E), Sentimentos (O), Ideias (O) e Retidão (A).

No que concerne às facetas da Ansiedade, Hostilidade, Autoconsciência, Impulsividade e Vulnerabilidade, dado o superior resultado obtido pelas mulheres na dimensão do Neuroticismo, eram expectáveis resultados também superiores nas facetas que a compõem.

Relativamente à Gregariedade, os resultados apontam para um maior gosto em conviver, ter muitos amigos e em procurar o contacto social, comparativamente aos homens. A faceta da Procura de Excitação reflete, novamente, a procura de riscos e estimulações fortes, congruente com os resultados obtidos pelo sexo feminino na escala de Aceitação de Desafios/Risco do ICEB.

Correspondente à mesma dimensão – Extroversão -, a faceta das Emoções Positivas carateriza o sujeito alegre, espirituoso e divertido, mostrando que, neste caso, as mulheres da amostra têm mais tendência a experienciar emoções positivas como a alegria, felicidade e amor, do que os homens.

As facetas dos Sentimentos e das Ideias compõem a dimensão da Abertura à Experiência. Em relação à primeira, não é surpreendente que as mulheres tenham obtidos resultados superiores aos dos homens, já que, não sendo muito distinta da de Emoções Positivas, esta faceta remete para a sensibilidade, empatia, valorização e recetividade aos sentimentos. Para além disto, também na faceta das Ideias as mulheres obtiveram resultados superiores, remetendo para uma procura ativa do conhecimento, bem como para a vontade e capacidade de considerar ideias novas. Este resultado sugere que as participantes da amostra são intelectualmente mais curiosas e teoricamente mais orientadas do que os homens.

Por fim, relativamente à faceta da Retidão (A), os resultados demostram que as mulheres da presente amostra tendem a ser mais frontais, francas, sinceras e naturais ao lidar com os outros, comparativamente aos homens.

Analisando os resultados dos cálculos das correlações entre as crenças e dimensões da empregabilidade avaliadas pelo ICEB e as dimensões e facetas da personalidade avaliadas pelo NEO PI-R, observaram-se relações significativas entre as variáveis.

Em primeiro lugar, ao nível das cinco dimensões da personalidade, verificou-se que o Neuroticismo se correlaciona negativamente com as escalas do Otimismo e da Flexibilidade do ICEB. Em relação à primeira, esperava-se este resultado, já que as escalas podem considerar-se antagónicas. Os indivíduos com maiores níveis de neuroticismo são tendencialmente pouco otimistas ou pouco esperançosos, pelo que, seria expectável que os estudantes universitários da amostra que obtiveram resultados superiores na dimensão do Neuroticismo demonstrassem expetativas pouco otimistas face ao seu futuro profissional. Para além disto, é previsível que tenham menor capacidade para flexibilizar os seus objetivos, adaptar-se a situações diversas como mudanças ou novas oportunidades.

O resultado obtido no Otimismo corrobora estudos anteriores que verificaram este mesmo tipo de relação entre o Neuroticismo e crenças positivas de adaptação à carreira (e.g., Langelaan, Bakker, Nilforooshan, & Salimi, 2016; Smillie, Yeo, & Furnham, 2006; van Doornen & Schaufeli, 2006), mostrando que indivíduos com elevados níveis de neuroticismo, com tendência a experienciar afetos negativos e sentimentos de incompetência, tendem a demonstrar crenças menos positivas em relação à sua empregabilidade a um nível global.

Pelo contrário, observou-se que a Extroversão se correlaciona positiva e significativamente com todas as dimensões e crenças de empregabilidade avaliadas. Indivíduos extrovertidos, para além de sociáveis, tendem a ser também afirmativos, otimistas, ativos, conversadores e a encarar as situações competitivas mais

favoravelmente do que os introvertidos (Costa & McCrae, 2000). Estas caraterísticas vão ao encontro das dimensões consideradas favoráveis à empregabilidade, dado que, pessoas com estes traços se mostram mais otimistas quanto ao seu futuro profissional e mais abertas a estabelecer relações próximas com os outros, expandindo os seus

conhecimentos e contactos, não só a nível social como também a nível profissional. Estes resultados foram ainda ao encontro dos resultados obtidos por Baay et al. (2014), que verificaram que níveis altos de extroversão estão associados a menos tempo no desemprego.

À semelhança desta dimensão, também a da Abertura à Experiência se correlaciona de forma positiva e significativa com todas as crenças de carreira avaliadas. Como era expectável, indivíduos com pontuação alta nesta dimensão são habitualmente otimistas, abertos a ideias, em quererem satisfazer a sua curiosidade intelectual e em apreciar experiências (Costa & McCrae, 2000).

A dimensão da Amabilidade apresenta correlações positivas e significativas com a escala do Esforço, Aceitação de Desafios e Flexibilidade. Os indivíduos amáveis tendem a ser altruístas, de bons sentimentos, benevolentes, dignos de confiança,

prestáveis e cooperativos (Costa & McCrae, 2000). Apesar da relação entre a dimensão da Amabilidade e as crenças facilitadoras da empregabilidade não ter sido contemplada nas hipóteses formuladas, os resultados obtidos sugerem que os indivíduos amáveis parecem valorizar o esforço e a resiliência para atingir objetivos de carreira, a

capacidade de correr riscos e aceitar desafios e apresentam competências de adaptação a situações diversas.

Por fim, foram encontradas significativas correlações positivas entre a Conscienciosidade e todas as escalas do ICEB, à exceção da Flexibilidade,

corroborando assim a hipótese de que os indivíduos conscienciosos apresentam maior acordo com crenças facilitadoras da empregabilidade, podendo isto ser explicado pelas caraterísticas das facetas que compõem esta dimensão.

Quanto às facetas, verificou-se que a Ansiedade (N), Acolhimento (E), Atividade (E), Emoções positivas (E), Estética (O), Sentimentos (O), Ações (O),

Altruísmo (A), Sensibilidade (A), Competência (C), Ordem (C), Dever (C), Esforço (C), Autodisciplina (C) e Deliberação (C) se correlacionam positivamente com a escala de Esforço do ICEB.

No que respeita à Ansiedade, sendo esta uma faceta que pertence à dimensão do Neuroticismo, pode assumir-se que esta correlação positiva é inesperada, já que, como foi anteriormente referido, esta dimensão se correlaciona habitualmente de forma negativa com as crenças facilitadoras da empregabilidade, e por isso, seria expectável que as facetas que a compõem seguissem esta tendência. Contudo, este resultado pode ser explicado pelos níveis elevados de preocupação normalmente exibidos pelos sujeitos ansiosos, o que pode levar à aplicação extra de esforços no sentido de concretizar

determinada tarefa ou na persecução dos objetivos a que se propõem.

Quantos às restantes relações encontradas com o Esforço, pode afirmar-se que todas vão ao encontro das hipóteses esperadas, já que são facetas que pertencem às dimensões da Extroversão, Abertura à Experiência, Amabilidade e Conscienciosidade, que, como foi anteriormente descrito, se correlacionam todas de forma positiva com esta escala. Por exemplo, indivíduos que apresentem resultados elevados nas facetas da

Ordem, Dever, Esforço, Autodisciplina e Deliberação (Conscienciosidade) têm tendência a ser determinados, escrupulosos, organizados, trabalhadores,

autodisciplinados e ambiciosos, o que implicará, por isso, um alto nível de empenho nas situações profissionais. Costa e McCrae (2000) referem mesmo que, associado a um C elevado, está o êxito a nível académico e profissional, justificados pela vontade de realização e força de vontade que caraterizam esta dimensão da personalidade.

Quanto às correlações com a escala da Aceitação de Desafios, são significativas as correspondentes às facetas da Impulsividade (N), Acolhimento (E), Gregariedade (E), Atividade (E), Procura de Excitação (E), Emoções positivas (E), Fantasia (O), Estética (O), Sentimentos (O), Ações (O), Valores (O), Altruísmo (A), Modéstia (A),

Sensibilidade (A), Competência (C), Dever (C) e Esforço (C).

Novamente, observa-se uma correlação positiva entre uma faceta do

Neuroticismo e uma crença facilitadora da empregabilidade, contrariando as hipóteses colocadas inicialmente. Neste caso, a Impulsividade pode, de alguma forma, ser percecionada como espontaneidade, decisão rápida ou envolvimento em atividades de risco, apesar de os autores do NEO PI-R alertarem para a distinção entre estes conceitos. Contudo, a relação que se observa com a Aceitação de Desafios pode partir

precisamente deste caráter temerário/precipitado subjacente à faceta da Impulsividade e que poderá levar ao engajamento em atividades novas e desafiantes.

Salientam-se também as correlações positivas entre as facetas da Fantasia, Estética, Sentimentos, Ações e Valores - todas correspondentes à dimensão da Abertura à Experiência – e a Aceitação de Desafios. Como já foi descrito acima, estas facetas caraterizam um indivíduo com tendência para a imaginação, apreciação da experiência estética, procura da novidade e variedade, de horizontes largos e “espírito aberto”, o que

No que respeita à escala do Otimismo, observa-se uma relação negativa com a faceta da Ansiedade (N), Hostilidade (N), Depressão (N), Autoconsciência (N) e

Vulnerabilidade (N), resultados estes congruentes com o que era esperado, uma vez que pertencem à dimensão do Neuroticismo. Para além destas, o Otimismo também se mostrou negativamente relacionado com a faceta da Modéstia (A).

Verificou-se, por outro lado, uma correlação positiva entre o Otimismo e o Acolhimento (E), Assertividade (E), Atividade (E), Emoções Positivas (E), Estética (O), Sentimentos (O), Confiança (A), Competência (C), Dever (C), Esforço (C) e

Autodisciplina (C). Salientam-se aqui as correlações com as facetas da Extroversão, marcadas pela afetividade positiva, sentimentos de alegria, felicidade e amor. Por esta razão, este resultado pode dizer-se esperado dadas as caraterísticas semelhantes com o conceito de Otimismo.

As facetas da Depressão (N), Autoconsciência (N) e Vulnerabilidade (N) correlacionam-se de forma negativa com a escala da Proatividade, não sendo

surpreendente já que indivíduos com traços de Neuroticismo terão tendência a ser mais negativos, inseguros, conservadores e com sentimentos de incompetência, provocando possivelmente alguma desmotivação no que diz respeito ao empenho direcionado para a ação, para a produção e para os comportamentos orientados para a empregabilidade (Proatividade).

Por outro lado, as facetas do Acolhimento (E), Assertividade (E), Atividade (E), Emoções positivas (E), Fantasia (O), Estética (O), Sentimentos (O), Ações (O), Ideias (O), Altruísmo (A), Sensibilidade (A), Competência (C), Ordem (C), Dever (C), Esforço (C), Autodisciplina (C) e Deliberação (C), apresentam todas uma correlação positiva com a Proatividade. Destacam-se, uma vez mais, as correlações com as facetas correspondentes à dimensão da Conscienciosidade, justificadas novamente pela vontade

de realização e força de vontade que caraterizam esta dimensão, caraterísticas que direcionam o indivíduo para a proatividade.

Em relação à escala da Autonomia, foi encontrada uma correlação negativa, mais uma vez, com a faceta da Depressão (N), e correlações positivas com a Atividade (E), Emoções Positivas (E), Sentimentos (O), Sensibilidade (A), Competência (C), Ordem (C), Dever (C), Esforço (C), Autodisciplina (C) e Deliberação (C). Mais uma vez, evidencia-se aqui a relação com todas as facetas da dimensão da

Conscienciosidade, potencialmente referente ao espírito de iniciativa caraterístico desta dimensão da personalidade, que, em termos de empregabilidade, poderá traduzir-se na capacidade de atuar sem ter de ser solicitado por terceiros, ou seja, de forma autónoma.

Por fim, os resultados mostram que a Flexibilidade se correlaciona de forma negativa com as facetas da Autoconsciência (N) e Vulnerabilidade (N), e de forma positiva com o Acolhimento (E), Assertividade (E), Atividade (E), Procura de Excitação (E), Emoções positivas (E), Fantasia (O), Estética (O), Sentimentos (O), Ações (O), Ideias (O), Valores (O), Confiança (A), Altruísmo (A), Sensibilidade (A), Competência (C), Dever (C) e Esforço (C). Tendo por base a capacidade de adaptação a situações diversas e a abertura a mudanças ou novas oportunidades, a Flexibilidade está

maioritariamente relacionada com a dimensão da Abertura à Experiência precisamente por serem construtos com alguns pontos de contacto.

De forma geral, pode afirmar-se que, na amostra de estudantes em causa, as facetas da personalidade mais frequentemente associadas às crenças facilitadoras da empregabilidade estudadas são predominantemente correspondentes à dimensão da Conscienciosidade (Competência (C), Dever (C), Esforço (C) e Autodisciplina (C)).

na mesma instituição de ensino, o que poderá ter influenciado os resultados. Dada a extensão do Inventário de Personalidade NEO Revisto, o seu preenchimento poderá ter- se constituído também como um constrangimento, na medida em que se verificaram muitos itens omissos, reduzindo assim o N da amostra final.

Quanto a futuras investigações na área da Psicologia Vocacional, sugere-se, por exemplo, uma réplica deste estudo, mas com uma amostra maior e mais abrangente (e.g. alunos de diferentes áreas, do ensino público e do ensino privado, e de diferentes zonas geográficas).

Ao nível da intervenção no aconselhamento vocacional, destaca-se em primeiro lugar a importância da promoção das crenças facilitadoras da empregabilidade nos estudantes do Ensino Superior, de forma a garantir não só uma maior preparação na transição para o mundo do trabalho, mas também o reconhecimento e desenvolvimento de competências que potenciem o sucesso profissional. Em segundo lugar, o facto de se conhecerem as relações entre determinadas dimensões e facetas da personalidade e crenças facilitadoras da empregabilidade poderá abrir novas portas no que diz respeito a um aconselhamento mais específico, mais orientado para as diferenças individuais, centrado no próprio cliente, e por isso, tendencialmente mais eficaz.

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