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Com o intuito de atingir os objetivos definidos, a pesquisa caracteriza-se como qualitativa com caráter exploratório, por meio do desenvolvimento de um estudo de caso. Em geral, a pesquisa qualitativa busca descobrir achados e reações que não eram antecipados e um dos objetivos comuns é fazer descobertas preliminares sobre os problemas de pesquisa. Outra utilidade é sondar com mais profundidade áreas que a pesquisa quantitativa pode ser superficial demais para acessar (HAIR Jr. et al., 2010).

A pesquisa qualitativa tem como objetivo identificar as opiniões dos indivíduos, sem a preocupação de transformar seus resultados em números, visando, entretanto, entender as associações que os entrevistados fazem entre suas idéias e os aspectos relacionados aos conceitos que se pretende estudar. As técnicas de pesquisa qualitativa são muito importantes quando se pretende entender melhor algum assunto sobre o qual não se tem conhecimento prévio suficiente ou para explorar conceitos pouco estudados, ou ainda, buscar novas ideias (VIRGILLITO et al., 2010).

Marshall e Rossman (2006) comentam sobre os principais desafios vivenciados por pesquisadores que conduzem estudos qualitativos: desenvolver uma estrutura completa, concisa e elegante do estudo; planejar um projeto que seja sistemático e flexível; e integrar os dois primeiros desafios em um documento coerente que convença que o estudo deve ser realizado, pode ser realizado e será realizado.

Assim sendo, uma pesquisa qualitativa compreende uma metodologia de pesquisa não- estruturada, exploratória, baseada em pequenas amostras, que proporciona insights e compreensão do contexto do problema. A pesquisa qualitativa não é estruturada no fato de que as questões feitas são formuladas à medida que a pesquisa progride (MALHOTRA, 2011). Neste sentido, Flick (2009, p.16) argumenta que “a pesquisa qualitativa usa o texto como material empírico, parte da noção da construção social das realidades em estudo, está interessada nas perspectivas dos participantes”, assim, preocupa-se com as práticas do dia-a- dia e em seu conhecimento cotidiano relativo à questão em estudo. Consoante isso, Gummesson (2000) reforça que as pesquisas qualitativas utilizam-se fortemente da análise e interpretação do pesquisador.

É importante destacar que a pesquisa qualitativa pode ter uma abordagem direta ou indireta. Uma abordagem direta não é disfarçada, ou seja, revela-se ao entrevistado o propósito da pesquisa. Em contraste, a pesquisa com abordagem indireta disfarça o verdadeiro propósito do projeto (MALHOTRA, 2011). Nesta pesquisa, a abordagem foi direta, pois,

explicou-se os objetivos do estudo aos participantes. Inclusive, Yin (2010) enfatiza que os entrevistados bem-informados podem proporcionar insights importantes sobre o tema da pesquisa em questão, podem fornecer atalhos para a história prévia dessas situações, ajudando-o a identificar outras fontes relevantes de evidência.

De acordo com Marshall e Rossman (2006), os pesquisadores ao desenvolverem uma abordagem de pesquisa qualitativa geralmente confiam em quatro métodos para coletar informações: participação no planejamento, observação direta, entrevistas em profundidade e pesquisa documental. Neste estudo, para a implementação do estudo de caso, foram utilizadas as entrevistas individuais em profundidade e a pesquisa documental.

Os dados qualitativos são coletados para que se possa conhecer melhor os aspectos que não podem ser observados e medidos diretamente (AAKER; KUMAR; DAY, 2009). Os dados qualitativos representam descrições de situações sem a atribuição direta de números, sendo que geralmente são coletados utilizando-se algum tipo de entrevista não-estruturada (HAIR Jr. et al., 2005).

A pesquisa qualitativa, em geral, proporciona a melhor visão e compreensão do problema e também é apropriada ao existir uma situação de incerteza (MALHOTRA, 2011). Da mesma forma, o caráter exploratório essencial para esta pesquisa. De acordo com Hair Jr. et al. (2005), a pesquisa exploratória é especialmente proveitosa quando o responsável pelas decisões dispõe de poucas informações. Para Collis e Hussey (2005), a pesquisa exploratória é realizada sobre um problema ou questão de pesquisa quando há pouco ou nenhum estudo anterior no qual se possa buscar informações sobre a questão ou o problema.

Tendo este estudo a finalidade de conhecer um fenômeno que não é suficientemente conhecido, analisar a estruturação, o desenvolvimento e a evolução da joint venture JOST Brasil Sistemas Automotivos Ltda., e compreendendo que o objetivo desse estudo é procurar padrões, idéias ou hipóteses, em vez de testar ou confirmar uma hipótese, a pesquisa qualitativa com caráter exploratório é justificável.

Além disso, recorreu-se ao estudo de caso como estratégia de pesquisa, que segundo Yin (2010, p. 32), “é preferido no exame dos eventos contemporâneos, mas quando os comportamentos relevantes não podem ser manipulados”. A pesquisa de estudo de caso foca um ou poucos casos em profundidade, em vez de estudar muitos de modo superficial (HAIR Jr. et al., 2010). Uma vantagem importante do estudo de caso é a oportunidade para uma visão holística do processo (GUMMESSON, 2000).

Yin (2010, p. 71) enfatiza que “uma justificativa para a seleção de um projeto de caso único, em lugar de um de casos múltiplos, é que o caso único pode representar o teste decisivo

de uma teoria significativa”. Sendo assim, o estudo de caso único é análogo ao experimento único, e muitas das condições que justificam um único experimento também justificam um estudo de caso único. Gummesson (2000) complementa, afirmando que metodologias qualitativas e estudos de casos fornecem ferramentas poderosas para pesquisas em gestão e assuntos relacionados aos negócios, tornando-se adequada a sua utilização.

Para Yin (2010, p. 32) “a força exclusiva de um estudo de caso é sua capacidade de lidar com uma ampla variedade de evidências – documentos, artefatos, entrevistas e observações – além do que pode estar disponível em um estudo histórico convencional”. Basicamente, um estudo de caso é uma investigação empírica que pesquisa um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão bem definidos (YIN, 2010). A presente pesquisa utilizou-se do estudo de caso único, dado que o estudo ocorreu em relação ao processo de análise da estruturação e a evolução da joint venture JOST Brasil.

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