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Genèses professionnelles des professeurs

O ícone é a figuração simbólica de um objeto ou de uma pessoa, de forma a manter-se uma relação de similaridade com o referente real. Um ícone é uma abstração de algo que é do nosso conhecimento e apresenta pelo menos um traço em comum com o objeto representado.

Uma boa imagem ambiental oferece ao seu possuidor um sentimento de segurança emocional. Ele pode estabelecer uma relação harmoniosa entre ele e o mundo à sua volta. O contrário pode trazer aversão, medo, desorientação. Mas, o que seria uma boa imagem? È nosso hábito antigo nos adaptarmos ao nosso ambiente, discriminando ou não e organizando o que quer que se apresente aos nossos sentidos. A criação da imagem é um processo bilateral entre o observador e observado. O que ele vê é baseado na forma exterior, mas o modo como ele interpreta e organiza isso, e como dirige sua atenção, afeta por sua vez aquilo que ele vê. O organismo humano é extremamente adaptável e flexível, e grupos diferentes podem ter imagens diferentes da mesma realidade exterior.

Analisando a teoria de Peirce, desenvolvida no livro Semiótica (2000), assim como o arquiteto Oscar Niemeyer, elementos aplicados ao disign (2003), ícone leva a denominação de signo e é considerado como a representação de algo ausente para alguém presente, em determinado contexto. Então, a partir desse algo, o objeto (que pode ser objetos, qualidades, idéias, eventos ou serviços) chamado na “semiótica de objeto dinâmico”, pode ser gerado o signo que passa a ser seu mediador, e pelo qual será representado. A representação do objeto pela mediação do signo é diferente do que pela representação direta, pois o signo não é o objeto ou idéia, mas apenas a sua representação. O signo representa o objeto e gera na mente do intérprete outro signo, que traduz o significado do primeiro, chamado interpretante. Dessa forma, nesse processo de representação, o signo é tratado na mente da mesma forma como o próprio objeto é tratado. O objeto, o signo e o interpretante formam a relação triádica de signo.

Para que um objeto possa ser identificado ele tem que ser passível de representação. Essa representação pode ser feita de três modos diferentes, ou seja, três possíveis naturezas de representação possa se dá nesse processo. Índice, símbolo e ícone são as

possíveis maneiras de como o signo pode fazer referência àquilo que representa (NIEMEYER, 2003, p.36).

O índice é uma maneira de representação que aponta marcas que o objeto dinâmico possui; o símbolo é a livre associação entre objeto dinâmico e signo, feita de modo arbitrário, e o signo é uma forma de representação que se dá pela semelhança, ou seja, pela analogia com o objeto dinâmico. Segundo Niemeyer (2003, p. 36), tal característica confere ao ícone (substituindo o signo) uma ampla capacidade de expressão, uma vez que faz referência direta ao objeto representado.

Toda imagem criada pelo homem é sempre carregada de identidade, ou seja, traz um sujeito e que por sua vez, não é atribuído nada de substancial, pois ele só se define em relação ao outro. Esse outro, pai, mãe, ancestral, que é um sistema parental simbólico, determina a posição do sujeito desde a sua existência. Logo, o sujeito ao definir através da palavra do outro é nada é do que um significante do outro. E essa imagem, vista por terceiros, também transcorre o mesmo processo. Como definir o belo, senão como uma abstração, carregada de identidades, apesar de uma imagem única, podendo variar os significados entre observadores diferentes.

No caso do Dique do Tororó, lógico que sua beleza natural é inegável para todos os sujeitos, mas, e quanto às esculturas dos Orixás? Elas trazem consigo a identidade de quem as esculpiu, de quem as contratou sua execução, ou, de um grupo étnico e religioso? Ou serão simplesmente obras de arte, saídas do imaginário de um sujeito?

Essas esculturas podem-nos dar a impressão de ter uma identidade própria devido a características físicas notáveis que sugerem ou impõem seu próprio padrão. E o belo entraria à medida que os observadores estejam agrupados em classes homogêneas de cultura, religião ou grau de familiaridade. Cada indivíduo cria e assume sua própria impressão da imagem.

Indagando sobre essas esculturas no Dique, a fala de três pessoas de religião diferentes, mas com opiniões bastante semelhantes. A primeira delas, o pastor evangélico, Guilhermino Cunha (A TARDE, 1998) afirma que não vê nenhum problema em expor as obras na Lagoa ou em outro qualquer outro lugar público. “Porque é arte em si, para

ser admirada, não adorada. Para ele é como Cristo Redentor e que este é um país com liberdade de expressão e de cultos” (CUNHA, 1998).

Já, Edson Santos (idem op.cit), ex-vereador e autor da lei do Dia da Consciência Negra afirma que é “democrático dar ênfase à multireligiosidade que marca o Brasil, respeitando também a herança africana. Para ele não deve haver espaço só para árvore e papai Noe”l65. Estevão Bittencourt, teólogo, elas “são manifestações culturais do povo brasileiro, não significam culto religioso. Existem outras dessas manifestações que poderiam ser mal entendidas, mas que são neutras do ponto de vista religioso” (1998, p. 10-13).

Todos os três analisam as esculturas do Dique como manifestação cultural brasileira e não exclusividade da Bahia e principalmente os dois declaradamente religiosos, não as vêem como manifestação religiosa, e sim, como obra de arte.

A imagem ambiental pode ser composta em: identidade, estrutura e significados. Uma imagem transitável necessita primeiro; a identificação do objeto, o que implica critério diferencial e relacional de outras coisas, seu reconhecimento enquanto entidade separável. Em segundo lugar, a imagem deve incluir a relação espacial do objeto com o observador e os outros objetos. Por último, esse objeto deve ter algum significado para o observador, seja ele prático ou emocional.

A imagem do Dique do Tororó para o senhor Vitor Menezes Dórea (2008), que trabalha há quase 50 anos no local, é de uma área sagrada do candomblé, tanto que afirma que “para trabalhar ali tem que ser de santo, senão, não fica”. Essa sacralização se dá pelo uso que o povo de santo faz dele desde o século XIX, sua paisagem e território sendo marcadamente palco de manifestação religiosa de matriz africana, pois existem condições naturais necessário à reprodução litúrgica desta religião, consagrando como sagrado.

Porém uma imagem diferenciada pode simplesmente revelar a presença de outros grupos. Uma paisagem desempenha um papel social. Um ambiente conhecido oferece

material para as lembranças e símbolos comuns que unem o grupo e permitem que seus membros se comuniquem entre si. A reforma do Dique em 1989, além de impedir o uso indiscriminadamente pelo povo de santo, trouxe pista de Cooper, que generaliza a população, pois todo povo de qualquer classe o usufrui; trouxe também os dois restaurantes destinada a uma classe social mais alta, ou mesmo turista, diferenciando da classe baixa circunvizinha, e do povo de santo que na sua maioria não tem condições financeira para utilizá-los.

Enfim, cabe perguntar: qual é a identidade do Dique do Tororó, antes e depois da reforma com as esculturas dos orixás de Tati Moreno? Essas esculturas consagraram como espaço étnico (afro-brasileiro)? Pois o espaço desde século XIX já era utilizado pelo o povo-de-santo e o Estado quis fazer esse reconhecimento ou o Estado se apropriou dos simbólicos da cultura negra para fomentar o turismo?

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