Muito se discutiu e se discute sobre o ritmo dos avanços tecnológicos. Existem várias teorias sobre o assunto no campo científico e na futurologia. Além disso, o futuro preocupa também as empresas.
Acerca do interesse das empresas em conhecer, hoje, o futuro, interessante o relato de Bruce Sterling:
A coisa mais estranha a respeito de minha relação com o capitalismo é quão próximo o mundo dos negócios ficou da ficção científica. À medida que os anos passaram e que minha carreira evoluiu, os negócios avançaram de modo cada vez mais rápido e agressivo em meu próprio território cultural. A ficção científica sempre foi um mote para o estranho e o improvável, mas a virada do século marcou a primeira vez que comecei a receber das empresas sérias ofertas de emprego. O pessoal do business começou a me convidar para ocupar cargos executivos, para integrar conselhos consultivos e o board de diretores das corporações. De nada adiantou que eu lhes mostrasse que nuca em minha vida estivera numa folha de pagamento, que não tinha experiência como executivo, que não tinha interesse nenhum em corresponder às expectativas dos acionistas. Eles já sabiam de tudo isso. Na verdade, eles gostavam dessa parte. Era por isso que estavam atrás de mim. Eu ganho a minha vida maquiando uma estranha sucata imaginária, e eles consideravam isso um ativo maior no mundo dos negócios.286
Muitos cientistas têm se dedicado ao tema também. Paul Virilio já havia cuidado da velocidade das mudanças. Richard Buckminster-Fuller já havia exposto que a velocidade exponencial do desenvolvimento tecnológico causava mais efeito na maneira de viver e de pensar que a política.
A academia também busca apreender essa nova realidade. A Universidade Singularidade, criada por Kurzweil e Peter Diamandis funcionará em alguns prédios do Centro de Pesquisas Ames, na Califórnia, próximo ao Vale do Silício e deverá
286 STERLING, Bruce. Tomorow now. Disponível em: <www.estado.com.br/editoriais/2007/09/23/
abrir suas portas para os primeiros trinta alunos no verão norte-americano de 2009.287
Como acima aduzido, a confluência de determinados avanços tecnológicos tem permitido à doutrina, notadamente Kurzweil, expressar o entendimento de que há possibilidade real de, em futuro não muito distante, surgirem máquinas realmente inteligentes, a ponto de nos igualar ou mesmo nos superar, como passo seguinte. Algumas dessas tecnologias, como a computação – vista pela capacidade de processamento em relação ao custo - têm se desenvolvido ao longo do tempo em escala geométrica e não aritmética. Isso significa que seu ritmo de crescimento é crescente.
Na verdade, a Lei dos Retornos Acelerados se aplica não apenas à tecnologia, mas, também, é evolução biológica, na medida em que ela é considerada uma fase daquela.
Desde o surgimento do Universo, estimado em dez ou onze bilhões de anos, a evolução se iniciou. Primeiramente não biológica. Para o surgimento da vida foram consumidos cerca de dois bilhões de anos. O mesmo tempo, ou quase, foi gasto para que surgissem os primeiros seres multicelulares, há cerca de 700 milhões de anos.
Para Kurzweil288, o objetivo da evolução, pela seleção natural, não é a complexidade, embora seja evidente que ela se instala, mas buscar melhores respostas para o problema da sobrevivência e perpetuação individual e da espécie. Ele vê na evolução uma ordenação da vida, dando um sentido preciso à ordem:
Ordem não é o mesmo que o oposto de desordem. Se desordem representa uma seqüência aleatória de eventos, o oposto de desordem deveria ser “ sem aleatoriedade”. Informação é uma seqüência de dados que tem significação em um processo, como o código DNA de um organismo ou os bits em um programa de computador. [...] Ordem é a informação que se encaixa num propósito. A mensuração de ordem é a mensuração de quão bem a informação se encaixa num propósito. Na evolução das formas de vida, o propósito é sobreviver. Num algoritmo evolucionário (um programa de computador que simula evolução para resolver um problema) aplicado para, por exemplo, desenvolver o motor de um jato, tem como propósito otimizar a performance desse motor, sua eficiência [...]
287
STERLING, Bruce. Estadão online. Disponível em: <http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid317678,0.htm>. Acesso em: 14 fev. 2009.
288 KURZWEIL, Ray. The Singularity is near: when humans transcend biology. Nova York: Penguim
Embora não afirme expressamente, parece que Gordilho289 vislumbra os efeitos da Lei dos Retornos Acelerados na evolução biológica ao defender, com espeque em Varela que:
Por outro lado, a seleção natural nem sempre representa o aperfeiçoamento da espécie, pois a natureza segue muito mais uma lei proscritiva do tipo ‘o que não é proibido é permitido’, do que uma lei prescritiva do tipo ‘o que não é permitido é proibido’, de modo que as mudanças muitas vezes não ocorrem de forma gradual, mas através de saltos repentinos (grifos nossos).
A partir do surgimento dos mamíferos, a evolução começou mostrar uma aceleração. Esses animais passaram a dominar a terra há cerca de sessenta e cinco milhões de anos, com a extinção dos dinossauros gigantes. Os primeiros primatas surgiram e a unidade de tempo passou a ser de alguns milhões de anos. Segundo algumas estimativas, os primeiros hominídeos surgiram entre quinhentos e trezentos e cinqüenta mil anos atrás. O Homo sapiens data de cerca de cento e cinqüenta a cem mil anos.
A última glaciação ocorreu há cerca de dez mil anos. As primeiras civilizações contam com cerca de sete mil a cinco mil anos. Depois os eventos marcantes são medidos em escala de séculos, depois de décadas e, depois, em anos.
No século 19, o progresso tecnológico se equiparou aos avanços conquistados ao longo dos dez séculos anteriores. Os progressos nas duas primeiras décadas do século 20 foram comparáveis àqueles de todo o século 19. Atualmente, transformações tecnológicas significativas levam apenas alguns anos para acontecer. Basta ver os exemplos do uso do cavalo, carruagens, trem, carros e aviões, no segmento dos transportes. Nas comunicações, partimos da pedra entalhada, para o papiro, pergaminho, imprensa, radio, telefone, televisão, vídeo cassete, celular, DVD, internet, HDDVD (já extinto) e blu-ray. Pinçando-se duas delas, verifica-se que a internet levou apenas cinco anos para atingir o crescimento da televisão.290
Cada uma dessas invenções atingiu o mesmo número de usuários em um tempo cada vez menor em relação à tecnologia anterior. O tempo agora se conta em meses.
289 GORDILHO, Heron José de Santana. Abolicionismo animal. Salvador: Evolução, 2008, p.83-84. 290 CARVALHO, Oswaldo Sérgio de. Educação na sociedade de informação. Disponível em:
Tome-se o exemplo da Lei de Moore291 para perceber que a cada dois anos, a capacidade de processamento dobra para um chip de mesmo preço.
Embora se cogite que a Lei de Moore esteja fadada a ser violada em poucos anos292, dado o limite físico para a criação de transistores componentes dos chips,
que não podem, em tese, ser inferiores ao tamanho de um átomo, alternativas já estão sendo buscadas e mesmo criadas e usadas para fugir do padrão do silício, como é o caso dos estudos com o arsenato de gálio e a construção e venda atualmente de processadores modelo Intel Core 2 duo Extreme, confeccionados com Háfnio (Hf). Ademais, já estão em curso pesquisas com biochips, que se valem das capacidades orgânicas para computação.293
Mas em algum tempo por volta de 2020, tudo irá atingir o fundo do poço. Na proporção do progresso atual, os fios terão a largura de um átomo, as células de memória terão um elétron e a planta da fábrica irá custar o PIB do planeta de modo que ninguém consiga arcar com o custo de sua construção de qualquer forma. Mais melhoramentos não podem vir do atual encolhimento dos circuitos de silício. 294
Por isso a busca por novas tecnologias e novos materiais permitirá superar o limite térmico do silício, de modo que, em uma mesma área, se adense mais transistores, sem que com isso ocorra superaquecimento em virtude da proximidade entre eles e
291 Segundo Gordon Moore, que inventou o circuito integrado e é um dos fundadores da Intel, expôs
em 1965 que a área de superfície de um transistor embutida em um circuito integrado estava sendo reduzida em 30% a cada 12 meses, desde 1958. Em 1975 ele revisou essa análise ampliando o prazo para 24 meses. Em face disso, a cada dois anos, inseria-se duas vezes mais transistores num circuito integrado, duplicando-se, assim, tanto o número de componentes em um chip como sua velocidade, mantendo-se constante o custo de produção.
292
GALVÃO, Ernesto F. O que é computação quântica? Rio de Janeiro: Vieira e Lent Casa Editorial, 2007, p.114.
293
WELBORN, Stanley. Race to create a “living computer”. Disponível em: <http://74.125.47.132/search?q=cache:GkVsrFC5jvIJ:members.fortunecity.com/y2kprepare/livecomp. htm+%E2%80%9CRace+to+Create+A+%E2%80%98Living+Computer%E2%80%99%E2%80%9D&c d=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&client=firefox-a>. Acesso em: 09 de fevereiro de 2009, p.1-3. Já se iniciou a corrida para criar micro supercomputadores utilizando “biochips” orgânicos. Os cientistas estão tentando criar circuitos de computador em laboratórios de biologia a partir de bactérias vivas, produzindo microprocessadores com 10 milhões de vezes a memória das máquinas mais poderosas atualmente.
Os futuros circuitos do “computador orgânico” irão conter grupos de proteínas orgânicas, do tamanho de moléculas, que servem como memória eletrônica e interruptor nos chips. James McLear, presidente dos laboratórios Gentronics explica que, “devido à habilidade das proteínas de se auto- organizar, o computador meio que faria a mesma coisa”. Espera-se que o biochip irá facilitar o desenvolvimento da capacidade do computador para aplicação na vida diária. O biochip permitirá a conexão do computador ao sistema nervoso humano para criar olhos, ouvidos e sistemas de voz artificiais. Implantado na corrente sanguínea, o biochip poderá monitorar o funcionamento do corpo e corrigir desequilíbrios.
Para Forrest Carter do laboratório de Pesquisa Naval, “em algum momento no futuro, o silício pode não ser mais a opção de material a ser utilizado nos chips semicondutores [...]”.
294 GERSCHENFELD, Neil. When things start to think. Nova York: Henry Holt and Company, 1999,
dos elétrons ao passar entre os componentes e trilhas para atender aos ciclos do processador e seus componentes internos.
Pois bem, partindo da Lei de Moore, Kurzweil295 notou que a evolução biológica e tecnológica se desenvolvem a um ritmo crescente. Ademais, a computação na visão de Kurzweil abarca tanto a evolução tecnológica como a Darwiniana. Ele conectou a Lei de Moore à Lei do Tempo e do Caos resultando na Lei dos Retornos Acelerados. A Lei do Caos explica que o caos aumenta exponencialmente à medida em que o tempo diminui, também exponencialmente.
A Lei dos Retornos Acelerados postula que o tempo acelera exponencialmente à medida em que a ordem aumenta, também exponencialmente. Seu desenvolvimento leva à compreensão que essa lei é uma continuidade da evolução das espécies, independentemente da vontade humana, sendo, nesse particular, uma lei natural. Disso resulta que por volta de 2020, uma outra tecnologia computacional, não mais humana se imporá.296 Nesse momento, ocorrerá a singularidade.297
Assim se expressa Kurzweil:
A introdução da tecnologia na Terra não é meramente uma questão particular de uma das inumeráveis espécies da Terra. É um evento fulcral n a história do planeta. A maior criação da evolução, que é a tecnologia. A emergência da tecnologia é prevista pela Lei dos Retornos Acelerados. A subespécie Homo sapiens emergiu apenas dezenas de milhares de anos depois de seus antepassados humanos. De acordo com a Lei dos Retornos Acelerados, o próximo estágio da evolução deveria medir seus eventos relevantes em meros milhares de anos, rápido demais para a evolução com base no DNA. Esse próximo estagio da evolução foi necessariamente criado pela inteligência humana propriamente dita, outro exemplo do mecanismo exponencial da evolução usando suas inovações de um período (seres humanos) para criar o próximo (máquinas inteligentes).298
Pela Lei, à medida que a ordem, cujo conceito foi explicado acima, aumenta exponencialmente, o intervalo de tempo entre eventos relevantes diminui, acelerando os avanços, resultando em que os retornos, os produtos do processo, se acelerem a taxas não-lineares. Sim, como a evolução resulta em uma resposta melhor, gera uma complexidade melhor, embora às vezes reduza a complexidade.
295 KURZWEIL, Ray. The Singularity is near: when humans transcend biology. Nova York: Penguim
Books, 2005, p.56.
296
SANTOS, Laymert Garcia dos. A inteligência das espécies. Disponível em: <http://www.estado.com.br/editorias/2007/09/23/cad-1.93.2.20070923.30.1.xml>. Acesso em 04 de fevereiro de 2009, p.3.
297
KURZWEIL, opus citatum, p.21.
A medida da ordenação é o sucesso da solução engendrada. Assim com a melhora da solução aumenta a ordem. Ora, uma vez configurada a melhor solução, é a partir dela que processo segue, sem necessidade de testar todas as outras soluções anteriores, abandonadas ou superadas. Isso resulta em um feedback positivo que impulsiona o desenvolvimento. Isso ocorre sucessivamente, resultando em ganhos que reduzem o tempo entre os eventos importantes do processo, ocasionando em crescente aceleração da evolução, seja ela tecnológica ou biológica.299
Note-se que os resultados anteriores não são desprezados. Sempre se constrói com base no que já se conquistou, assim, os tempos de desenvolvimento de encurtam e ganha-se velocidade.
Isso implicará que os humanos não participarão do desenvolvimento do estágio seguinte da evolução, substituídos por um outro paradigma, robocêntrico.
Kurzweil300 exemplifica:
Se eu escandir seu cérebro e seu sistema nervoso com uma tecnologia não destrutiva – uma ressonância magnética de alta largura de banda e resolução muito alta -, me certificar de todos os processos relevantes de informação e, em seguida, efetuar um download dessa informação para meu computador neural, terei um pouco de vocês, bem aqui no meu computador pessoal. Se meu computador for uma rede de neurônios301 simulados feitos de material eletrônico em vez de humano, a versão de você em meu computador rodará cerca de um milhão de vezes mais rápido. Então, uma hora para mim será cerca de um milhão de horas para você, cerca de um século.
Da mesma forma, em 1990, dado o ritmo em que ocorria, os críticos previam que levaria milhares de anos para decifrar o genoma, um percentual ínfimo do código havia sido conhecido. Mesmo pelos cálculos de 2003, o tempo efetivamente gasto foi insignificante. Por incrível que pareça todo o resto foi decifrado no tempo restante. O custo de seqüenciamento caiu de dez dólares por par decifrado para alguns centavos. Demorou 15 anos para seqüenciar o DNA do vírus HIV e 31 dias
299 KURZWEIL, Ray. The Singularity is near: when humans transcend biology. Nova York: Penguim
Books, 2005, p.43.
300
KURZWEIL, Ray apud BRESSANE, Renato. Morrer datou. Disponível em:
<http://74.125.47.132/search?q=cache:OO8ERSYUD4MJ:revistatrip.uol.com.br/salada/conteudo.php %3Fi%3D25654+%22morrer+datou%22&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=1&gl=br&client=firefox-a>. Acesso em: 14 fev. 2009.
301
DAWKINS, Richard. O gene egoísta. Trad. Rejane Rubino. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. Entendeu o Autor que o neurônio individual é uma unidade de processamento de dados muito mais sofisticada do que o transistor, embora mais lento, haja vista que em uma dessas células pode haver dezenas de milhares de conexões, enquanto que no semicondutor apenas algumas poucas unidades de conexões. Além disso, a célula tem um nível muito maior de miniaturização.
para a mesma tarefa tendo como objeto o vírus da gripe aviária. A expectativa de vida do americano médio era de 37 anos em 1800, de 48 anos em 1900 e de 78 anos em 2002.302
Interessante notar que as previsões de Kurzweil têm se mostrado realistas e mesmo seus detratores as respeitam. Um exemplo delas foi a previsão feita em 1990, de que um computador derrotaria o campeão mundial humano de xadrez em 1998.303 Ele errou por um ano a previsão, para menos, pois Deep Blue derrotou Gary Kasparov em 1997.
Para que não se diga que apenas exemplos tecnológicos são trazidos. Os corpos humanos estão sofrendo aceleradas transformações. Há pouco mais de um século ou dois os humanos tinham em média três molares, às vezes quatro. Atualmente, poucas pessoas têm os terceiros molares. Outro exemplo mais gritante e visível é o da estatura média. Uma rápida lembrança basta para ver a estatura média dos homens do início do Século XX para a estatura média dos adolescentes de hoje em dia, início do Século XXI.
Sim, a evolução humana tem seguido a passos largos, de modo exponencial. Trata- se de assunto ainda polêmico e recentíssimo na doutrina científica, mas que já começa a ocupar lugar de destaque nas publicações científicas.
Recentemente a revista norte americana Discovery, 304 publicou matéria sob o título “Ainda estamos Evoluíndo? Nossa história está longe de terminar: humanos na verdade estão mudando mais rápido do que nunca.”
Na matéria informa-se que um grupo de pesquisadores observou inúmeras mutações adaptativas presentes no genoma humano, algumas delas têm ocorrido cada vez mais rápidas, como uma avalanche. Dados estatísticos demonstram que a evolução humana tem ocorrido numa velocidade cem vezes mais rápida nos últimos 10.000 (dez mil) anos do que em qualquer outro período da nossa história.
As novas adaptações genéticas, que somam-se cerca de 2.000 (duas mil), estão relacionadas com o cérebro, o sistema digestivo, a expectativa de vida, a imunidade
302 KURZWEIL, Ray. How technology's accelerating power will transform us. Disponível em:
<http://www.ted.com/index.php/talks/ray_kurzweil_on_how_technology_will_transform_us.html>. Acesso em: 22 fev. 2009.
303
Ibidem.
304 MCAULIFFE, Kathleen. Are we still evolving? Our history is far from over: humans are actually
a agentes patogênicos, à produção de espermatozóides e aos ossos – em suma, praticamente com todos os aspectos do funcionamento humano.
Muitos dessas variações do DNA são limitadas ao continente de origem, com certas implicações provocadoras. O antropólogo Henry Harpending da Universidade de Utah, co-autor de uma importante obra sobre a evolução humana, analisa: “É possível que as raças humanas estejam evoluindo em caminhos distintos umas das outras”. Aduz ainda que: “Nós não somos iguais às pessoas que viviam há mil ou dois mil anos atrás” 305.
Até mesmo os céticos, hoje, admitem que ao menos alguns traços humanos estão evoluindo rapidamente, desafiando crenças outrora cristalizadas, inclusive a de que a evolução humana teria estancado.
John Hawks 306, da Universidade de Wisconsin, observa que: “Você não precisa se
esforçar muito para ver que os dentes estão ficando menores, o tamanho do crânio está diminuindo, a estatura está sendo reduzida.” (Quanto a este último aspecto, como se viu acima, não se pode concordar).
A teoria acelerada da evolução humana de Hawks foi influenciada por dados genéticos recém formulados. Graças aos avanços no seqüenciamento e decodificação do DNA nos últimos anos, cientistas começaram a descobrir, um por um, genes que impulsionam a corrida evolutiva. Essas variantes surgiram na Idade da Pedra e parecem ajudar as populações a combaterem organismos contagiosos de forma mais eficiente, sobreviverem a temperaturas inóspitas ou, adaptarem-se às condições locais. E essas variantes têm surgido com uma freqüência elevada.
Hawks e Gregory Cochran 307, físico e professor adjunto da Universidade de Utah, discutiram a matéria pelo telefone. Hawks relembra, “Nós dois percebemos ao mesmo tempo que existem muito mais pessoas no planeta recentemente”. “Numa grande população, você não precisa esperar tanto pela mutação rara que impulsiona a função cerebral ou que faça qualquer outra coisa desejável”.
Há dez mil anos atrás, havia menos que 10 milhões de pessoas na terra. Esse número subiu para 200 (duzentos) milhões ao tempo do Império romano. Desde
305
MCAULIFFE, Kathleen. Are we still evolving? Our history is far from over: humans are actually
changing faster than ever. Discovery Magazine, mar. 2009, p.51.
306
Ibidem, p.52.
1500 que a população global tem aumentado exponencialmente, ultrapassando já 6,7 bilhões. Cochran308 observa: “O próprio Darwin ressaltou a importância de