LE TRAMWAY DE MONTPELLIER
1. Contexte institutionnel et politique transports Située dans un département à dominante rurale, l'agglomération de Montpellier a connu
5.1 Exemples de plates-formes du tramway de Montpellier
Os trabalhos de Koch, Bentes e Cavalcante (2007) classificam a intertextualidade em lato sensu e em stricto sensu. A intertextualidade ampla encontra- se em todo e qualquer texto e é, portanto, constitutiva; e a intertextualidade restrita, que será analisada nesta pesquisa, constitui-se sempre na presença de um intertexto.
Vale ressaltar que, ao se tratar de intertextualidade stricto sensu, é condição fundamental que o ―texto remeta a outros textos previamente produzidos e com os quais estabelece alguma relação‖ (p. 17).
Devido a essa relação, de acordo com as autoras, a intertextualidade manifesta-se em diversos modos: intertextualidade temática, estilística, explícita, implícita, intergenérica e tipológica.
A intertextualidade temática refere-se a textos ou parte de textos que pertencem à mesma área de conhecimento, de pensamento, que compartilham de conceitos ou valores similares. Para essa manifestação, as autoras citam variados exemplos e entre eles o tema de Medeia, de Eurípedes, de Sêneca e de Chico Buarque /Paulo Pontes.
A intertextualidade estilística manifesta-se quando se imitam variedades linguísticas restritas a uma linguagem, a um estilo de um gênero, ou de um autor. As autoras ilustram essa modalidade com textos que imitam orações da religião cristã, como o exemplo (7)deste trabalho. As autoras ainda comentam:
Descartamos a possibilidade de existência de uma intertextualidade apenas de forma, como por vezes se costuma postular, já que defendemos a posição de que toda forma necessariamente emoldura, enforma determinado conteúdo, de determinada maneira. A intertextualidade estilística ocorre, por exemplo, quando o produtor do texto, com objetivos variados, repete, imita, parodia [sic] certos estilos ou variedades linguísticas: são comuns os textos que reproduzem a linguagem bíblica, um jargão profissional, um dialeto, o estilo de um determinado gênero, autor ou segmento da sociedade. (KOCH; BENTES; CAVALCANTE, 2007, P. 19 )
A intertextualidade explícita ocorre quando a referência ao intertexto vem marcada no próprio texto, por meio de citação, referência. Essa modalidade é muito comum em textos científicos e acadêmicos como recurso para conferir autoria, como em:
Ex. (16)
―É também por meio da linguagem que o homem constrói as suas representações coletivas (os mundos formais de conhecimento) e transmite aos seus descendentes os ―modelos‖ de comportamento social e, por que não dizer, textual? Por isso, assumo com Bronckart que: ‗a linguagem não é (apenas) um meio de expressão de processos que seriam, eles, estritamente psicológicos (percepção, cognição, sentimentos, emoções), mas que é, na realidade, um instrumento fundador e organizador desses mesmos processos, em todo o caso nas suas dimensões especificamente humanas.‘ (BRONCKART, 2005, p.39)‖. (dissertação - Camile Tanto, 2010, p.13-14).
A intertextualidade implícita, por sua vez, ocorre quando não há no texto qualquer menção ao autor do intertexto. .
Koch, Bentes e Cavalcante (2007) estabelecem uma aproximação entre os conceitos de captação e subversão, de um lado, e os de paráfrase e paródia, de outro. Destacam que, no primeiro caso, isto é, se há concordância com o ponto de vista, tem-se o caso de paráfrase, que Sant‘Anna (1985) chama de intertextualidade das semelhanças e que Grésillon e Maingueneau (2004) chamam de captação. No segundo caso, se há refutação do ponto de vista, ocorre paródia, o que é também denominado de
intertextualidade das diferenças, para Sant‘Anna, e de subversão, para Grésillon e Maingueneau.
Não nos parece apropriado, no entanto, fazer esse tipo de equiparação, tendo em conta que a distinção entre captação e subversão reside num aspecto discursivo- argumentativo, como vemos abaixo:
A captação consiste em transferir para o discurso reinvestidor a autoridade relacionada ao texto ou ao gênero fonte: o pregador cristão que imita uma parábola evangélica ou o gênero da parábola, o slogan que imita um provérbio ou o gênero proverbial. Contrariamente, na subversão, a imitação permite desqualificar a autoridade do texto ou do gênero fonte. Reconhecem-se aqui os fenômenos da paródia depreciadora. (CHARAUDEAU; MAINGUENEAU, 2004, p.94)
As noções de paráfrase e de paródia nem sempre são concebidas a partir de um critério polifônico, como em Charaudeau e Maingueneau e como em Koch, Bentes e Cavalcante. Em Genette (2010), essa distinção é, antes de tudo, estrutural. Por isso, vemos com ressalva a equivalência entre esses conceitos. Neste trabalho, estamos propondo, em substituição ao termo paráfrase, o termo parafraseamento, que, a nosso ver, corresponderia às transformações sérias postuladas por Genette (1982).
Koch, Bentes e Cavalcante (2007, p.30) ressaltam que ―o produtor do texto espera que o leitor/ouvinte seja capaz de reconhecer a presença do intertexto, pela ativação do texto-fonte em sua memória discursiva, visto que, se tal não ocorrer, estará prejudicada a construção do sentido, mais particularmente, é claro, no caso da subversão‖.
Embora as autoras considerem que, também no caso de captação, o conhecimento do intertexto seja relevante para a construção de sentido, esta exigência é menor do que no caso da subversão. Acreditamos que a compreensão das paródias e/ ou parafraseamentos seja importante na leitura de um texto literário, por exemplo, que se pressupõe não fazer parte do conhecimento do leitor comum. Mas, em textos que fazem parte da memória social, como nos gêneros da publicidade, da música, os provérbios, ditos populares, bordões de programas humorísticos e outros mais nessa linha talvez possam, em grande medida, ser compreendidos, mesmo que não se entendam bem os sentidos do intertexto.
Expressões como ―quem pariu Mateus que o balance‖, ou ―Freud explica‖, ou ―sair do armário‖ são entendidos, respectivamente, como "esse problema não é meu", "há sempre uma razão complexa(e inconsciente) para nossas ações", e "alguém
assume sua orientação sexual". Dificilmente esse entendimento, que já faz parte da memória discursiva dos falantes de nossa cultura, dependerá do fato de se saber ou não quem foi Mateus, quem foi Freud, ou ainda de que armário se está falando: trata-se de alguém que estava literalmente fechado em um armário? A falta de conhecimento desses dados não impossibilita a construção de sentidos do locutor.
Koch, Bentes e Cavalcante (2007) caracterizam o plágio como um tipo de intertextualidade implícita e como um fenômeno de captação em que o autor do texto espera que o leitor não conheça o intertexto. Como já esclarecemos, não lidaremos, aqui, com o conceito de plágio, nem o incluiremos nos casos de intertextualidade de copresença.
Koch, Bentes e Cavalcante (2007) fazem uma descrição bem fundamentada de um tipo de "paródia" chamado de “détournement”, conceito formulado por Grésillon
e Maingueneau (2004). As autoras sugerem ―a extensão desse conceito às diversas formas de intertextualidade nas quais ocorre algum tipo de alteração - ou adulteração - de um texto fonte que deve ser reconhecido‖ (p. 46). Esse tipo de paródia aconteceria sobretudo a partir de provérbios, ditos populares e frases feitas, assim como em títulos, trechos curtos e pensamentos. Por exemplo: ―penso, logo existo‖ e ―penso, logo hesito‖ (p. 48). As autoras apresentam uma interessante subespecificação dos casos de
détournement, que reproduzimos abaixo:
substituição: a) de fonemas:
E1 : ―Prepare-se para levar um susto‖
E2: ―Prepare-se para levar um surto‖ (matéria relativa ao tema ―Não jogue lixo nas ruas‖, com o qual a MPM Propaganda participou de concurso promovido pelo jornal ―Folha de São Paulo‖ sobre ―Os maiores pecados do brasileiro‖, tendo obtido o primeiro lugar).
E1: ―Penso, logo existo‖
E2: ―Penso, logo hesito‖ ( Luís Fernando Veríssimo, ―Mínimas‖)
b) de palavras:
E1: ―Quem vê cara, não vê coração‖
E2: ―Quem vê cara não vê AIDS‖ (VEJA, 17/2/1988, propaganda do Ministério da Saúde).
E2‘: ―Quem vê cara não vê falsificação‖ (VEJA, 16/03/1988, publicidade dos relógios Citizen)
E1 ―Até que a morte os separe‖
E2 ― Até que a bebida os separe‖ (VEJA, 18/07/1988, mensagem da AAA).
E1: ―Quem espera sempre alcança‖
E2: ―Quem espera nunca alcança‖ (Chico Buarque, ―Bom Conselho‖)
acréscimo:
a) de formulação adversativa: E1: ―Devagar se vai ao longe‖
E2: ―Devagar se vai ao longe, mas leva muito tempo‖. E1: O amor é cego.
E2: O amor é cego. Mas tem o olfato superdesenvolvido. (Publicidade da Aqua de Fiori)
E1: ―É pau. É pedra. É o fim do caminho‖
E2: ―É pau. É pedra. Mas não é o fim do caminho‖ (VEJA, 25/05/1988, anúncio da Coca-Cola). b) outros tipos de acréscimo:
E1: A preguiça é a mãe de todos os males.
E2: A preguiça é a mão de todos os males que não requerem muito esforço. (Luiz Fernando Veríssimo, Todo o Mal, Veja, 22/07/1987)
c) por inversão da polaridade afirmação/negação: E1: ―Devagar se vai ao longe‖
E2: ―Devagar é que não se vai ao longe‖(Chico Buarque, Bom Conselho)
E1: ―Quem vê cara, não vê coração‖.
E2: ―O Instituto de Cardiologia não vê cara, só vê coração‖.(Zero Hora, 07/10/1990, propaganda do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul).
supressão:
E1: ―Para bom entendedor, meia palavra basta‖
E2: ―Para bom entendedor, meia palavra bas.(Luís Fernando Veríssimo, Mínimas)
E1: ―O que os olhos não vêem, o coração não sente‖.
E2: ―O que os olhos vêem o coração sente‖ (VEJA, Suplemento Publicitário, publicidade de Brinquedos Estrela‖
E2‘: ―O que os olhos vêem o coração sente‖ (A RAZÃO, 5/06/1991, publicidade do Clube dos Lojistas, sugerindo a compra de presentes para o Dia dos Namorados).
transposição:
E1: ―Pense duas vezes antes de agir‖
E2: ―Aja duas vezes antes de pensar‖ (Chico Buarque, Bom Conselho)
E1: ―Mais vale um pássaro na mão do que dois voando‖
E2: ―Mais vale um pássaro voando do que dois na mão‖ (Campanha ecológica ―Respeite a Natureza‖, veiculada pela ―Zero Hora‖, em 13/06/1989)
E2‘: ―Mais vale um passarinho na mão do que dois tucanos‖ (VEJA, 02/10/1991, Jô Soares, ―Provérbios do Planalto‖).
Consideramos o détournement não como um tipo à parte da classificação de Genette (2010), mas demonstraremos que essa tipologia intertextual pode ser inserida em um caso de transformação, como a paródia ou como travestimento, dependendo apenas da função (lúdica ou satírica).
A intertextualidade intergenérica é caracterizada por Koch, Bentes e Cavalcante (2007), por sua vez, como uma relação intertextual que se dá entre gêneros discursivos diferentes no que diz respeito a conteúdo, tema e estilo. Ocorre quando se imita o estilo de um gênero com a função de outro. Isso resulta numa mistura muito comum, por exemplo, em charges, anedotas, em textos jornalísticos que abordam ao mesmo tempo, de forma diferente, o discurso político, o discurso humorístico etc.
Essa modalidade intertextual pode ser observada nos exemplos abaixo:
Ex. (17)
Ex.(18)
Bem no alto de uma distante colina, vivia uma princesa de feia linhagem, como sói acontecer¹ com as princesas. Ocupava seus solitários dias, deliciando-se em beijar sapos
(e com que zelo), na esperança – quem sabe! – de que um deles se transformasse (como nas estórias²) num galante príncipe.
Eis que um dia (e qual não foi sua surpresa!), um modesto³ sapo desencantou-se num inesperado4 e enorme príncipe. Príncipe desencantado e princesa prontamente apaixonaram-se, e, com a aprovação do rei5, procedeu-se de imediato6 à cerimônia do casamento.
O momento era solene, sinos glangadangavam, galoonavam e gandongavam: estava assegurada a continuidade de uma linhagem7.
O padre, responsável por tão importante função, arriscou-se àquela perguntinha perigosa8: ―Haverá, no recinto, alguém que de algum impedimento saiba...‖9
Foi perguntar e aparecer uma indignada rã, exigindo o versátil marido de volta.
1
Afinal, estamos no tempo em que ―costuma acontecer‖ era ―sói acontecer‖ 2
Puro eufemismo: na verdade, suas primas só conseguiram desencalhar-se desse modo. 3
Como as aparências enganam! 4
As solteiras que não percam a esperança 5
Ou alívio? 6
As teorias relativas aos processos de transformações ainda são precárias. 7
Eufemismo de novo: a alegria era devida ao desencalhe da princesa 8
Puxa! Que burrada! 9
Por precaução, só estavam no recinto os pais da noiva.
Marli Fantini
Coleção Pitágoras- língua portuguesa e literatura brasileira (2000)
A tirinha da feia princesa beijando o sapo no Ex. (17) é agora contada no gênero narrativo no Ex. (18). Os dois textos estabelecem entre si uma espécie de parafraseamento, mas ambos constituem uma paródia da historinha infantil da princesa que beija o sapo, fazendo com que este se transforme em um belo príncipe. O final da tirinha e da narrativa subverte o ―felizes para sempre‖ do conto infantil dos irmãos Grimm, que será retomado no capítulo 5 desta pesquisa.
Interessante observar que o passado de sapo não pode ser apagado no presente do príncipe e, muitas vezes, o sapo de uma é o príncipe de outra, e vice-versa.
A intertextualidade tipológica ocorre entre sequências ou tipos textuais, como: narração, descrição, argumentação e explicação. Dessa forma, a relação intertextual manifesta-se, comumente, em contos, novelas, documentos oficiais, etc. Um
conto, por exemplo, embora tenha sequência narrativa dominante, apresenta também trechos de sequência descritiva. Essa visão confirma o que Adam (1991) postula ao afirmar que todo texto é heterogêneo, o que por si só garante que a intertextualidade tipológica não deve estar tipificada isoladamente:
Por isso, desde meu artigo da Langue Française, n. 74 (1987b), tenho insistido no fato de que me parece presunçoso falar de ―tipologia de
textos‖. É, a meu ver, a tomada de consciência desta impossibilidade
que desanima geralmente os céticos. Cada texto é, com efeito, uma realidade heterogênea demais para que seja possível circunscrevê-la aos limites de uma definição estrita. As formas narrativas são no mínimo tão variadas quanto as formas argumentativas, e eu compreendo o que J.-B. Grize escreve: ―Se consideramos, quanto aos textos, que o sentido comum é inteiramente preparado para serem reconhecidos como argumentativos, constatamos formas muito diferentes umas das outras e mesmo [...] uma argumentação não
oferece nenhuma homogeneidade‖ (1974, p.186). Quanto à descrição,
ela raramente existe em seu estado puro e autônomo; ela só constitui geralmente um momento de um texto narrativo ou explicativo. Uma narrativa pode ser, do mesmo modo, apenas um momento de uma argumentação, de uma explicação ou de uma conversação, e não existe narrativa sem descrição mínima. (ADAM, 1991, p. 7)
Por entendermos que a intertextualidade tipológica constitui amplamente qualquer texto, não a incluiremos entre os casos de intertextualidade em sentido estrito.
De modo geral, pode-se dizer que as autoras formulam as bases para o entendimento da intertextualidade em sentido estrito, ressaltando, especialmente, que ela contempla a intertextualidade temática, estilística, explícita e implícita, e que esta última abrange paródia, paráfrase, plágio e détournement. A seguir, apresentamos um quadro que sintetiza os tipos intertextuais propostos por Koch, Bentes e Cavalcante ( 2007).
Quadro 7: Quadro intertextualidade adaptado por NOBRE(2014)