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Equilibre m´ecanique

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 148-151)

6.2 Mod´elisation de l’hyst´er´esis

6.2.3 Equilibre m´ecanique

O conteúdo das mensagens evangelísticas destinadas à população carcerária é, sobre todos os aspectos, atraente, eficaz e promissora. Tomando por base as diversas pregações assistidas no templo da Igreja da Libertação no PPAB, das mensagens dos evangelizadores no contato face a face com os detentos e através do conteúdo da literatura distribuída nos presídios, foi possível traçar um padrão característico no conteúdo das mensagens.

a) Um Abismo Chama Outro Abismo (Salmo 42, versículo 7, parte primeira)4

O ingresso no mundo do crime é interpretado como um caminho sem volta. No começo são os pequenos delitos, “uma botada numa carteira, o roubo de um trancilim, é um relógio ou um celular, aí o inimigo [satanás] começa a incentivar a pessoa a fazer mais e mais”. A partir de então, uma arma de fogo passa a ser companhia inseparável, o bandido fica mais afoito, mais agressivo, quer provar que é “bom no dedo” (sabe atirar bem com uma arma) e começa a praticar crimes mais graves. Dos assaltos aos transeuntes as investidas são redirecionadas: assaltos às farmácias, postos de gasolina, padarias, mercadinhos e pequenos estabelecimentos locais. Nesse ínterim surge o primeiro embate

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Todas as citações da Bíblia aqui utilizadas foram extraídas de A BÍBLIA SAGRADA: Versão Almeida, Revista e Atualizada, Trad. de: Carlos Oswaldo Cardoso Pinto. São Paulo: Mundo Cristão, 1994.

com a polícia. Troca de tiros, o primeiro homicídio, o primeiro ferimento à bala, a primeira de uma série de prisões.

Agora no presídio, ingressa na universidade do crime. Conhece as piores almas “sebosas do crime” junta-se a elas e aprende novas técnicas e modalidades do crime, amplia o círculo de parceiros e, como réu primário, logo, logo estará de volta às ruas. Um abismo chama outro abismo porque “agora dominado pelo inimigo [satanás] o sujeito não tem mais saída, daí em diante só por livramento divino o indivíduo consegue escapar.”

b) Os Escolhidos (João, cap. 15, vers. 19)

Não é tarefa difícil ao criminoso reconhecer que se escapou com vida dos diversos tiroteios, das operações policiais de limpeza das ruas, das “cruzetas” (traição) empreendidas pelos falsos amigos do crime, pelas diversas entradas e saídas nas delegacias, presídios e penitenciárias e dos grupos de extermínio, alguma coisa ele tem de especial. Sorte? Pacto com o diabo? Corpo fechado? Ainda não chegou sua hora? Não, definitivamente não. Para o militante evangélico todos os livramentos ocorridos na vida daquele criminoso é uma prova irrefutável de que ele é um escolhido de Deus. “Você é um escolhido; Deus tem um plano na sua vida; Deus permitiu que tudo isso acontecesse na sua vida pra você saber que Ele é Deus; Jesus te ama e quer te salvar; Jesus quer tirar você dessa vida e cobrir a sua cabeça de honra; Jesus pode mudar a sentença da sua vida; Deus está querendo lhe transformar; Não importa o que você praticou o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado; Jesus quer te libertar; Deus vai agir contra todos os que se levantarem contra você; O Senhor te dará vitória sobre teus inimigos”, são algumas das

sentenças mais utilizadas como forma de levar o indivíduo à conversão e à mudança de vida.

c) Deus Perdoa a Todos os Pecados (Isaías, cap. 1, vers.18)

O militante evangélico tenta convencer o detento de que, diante de Deus, todo o mundo é pecador. E que o fato de alguém ter cometido vários crimes, sejam quais forem, não representa sua exclusão do plano divino, porque Deus tem o poder de perdoar a todo o pecado. Para ressaltar a seriedade da missão evangelística o militante faz questão de deixar claro a seu interlocutor de que aquele trabalho não é humano, pois o crente é “usado pelo Espírito Santo” e instrumento de proclamação da Palavra de Deus. Alerta o detento de que só existe um pecado que o Senhor não perdoa que é a blasfêmia contra o Espírito Santo (Marcos, cap. 3, vers. 28 e 29). O objetivo deste alerta é deixá-lo ciente de que aquela mensagem pode até ser rejeitada, a conversão adiada e até não recebida, mas o que deve ser evitado é a prática da blasfêmia contra o Espírito Santo5. Além disso, todos os pecados podem ser perdoados.

d)Tudo se Faz Novo (II Carta de Paulo aos Coríntios, cap. 5, vers. 17)

A possibilidade de ter todos os pecados perdoados automaticamente por Deus, representa uma proposta muito significativa aos estigmatizados pela culpa e pelo crime. A oportunidade “de nascer de novo” representa ao indivíduo o recomeço de uma nova

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Em certo momento os adversários de Jesus na tentativa de contestar a sua missão, atribuíram aos demônios a capacidade do Cristo em operar milagres. Esta é a interpretação básica do conceito de “blasfêmia contra o Espírito Santo”. Entretanto, longe de reportar qualquer discussão teológica ou exegética, o termo aparece no texto como forma de descrever como os militantes evangélicos tentam convencer os detentos do caráter sagrado e especial do trabalho de evangelização.

trajetória. Começar de novo, fazer tudo diferente, sem a necessidade de carregar as culpas acumuladas durante a trajetória de uma vida errante no mundo do crime. Estar de volta à casa paterna, gozar do auxílio permanente do Pai e dos irmãos é um estímulo poderoso aos que desejam melhorar de situação. Todas essas possibilidades estão ao acesso daqueles que se arrependem e estão dispostos a aceitar Jesus através da conversão ao Evangelho. Através da mensagem promissora insistentemente anunciada pela militância evangélica nas prisões, cerca de dez por cento da comunidade carcerária já atendeu ao chamado. Mas largar o crime não representa tarefa fácil, nem sempre é possível escapar ileso, como afirma o adágio popular: “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”. Ainda mais, são muitos aqueles que desejam mudar de vida sem a necessidade de “mudar de religião”. Isto merece uma breve consideração.

Se a mudança tem sido possível do lado evangélico, é necessário ao Estado aprender com a lógica que circula entre a militância evangélica (a lógica da solidariedade, a lógica da dádiva) e se esforçar na implementação de políticas públicas que ultrapassem as velhas práticas que impõe ao criminoso, o castigo e a discriminação. Compreender que a população carcerária antes de representar “monstros” ou meros dados estatísticos é formada por homens que caíram e que precisam de uma mão forte, mas amiga, para poder levantar. Caso contrário, rebeliões e massacres, aumento da violência e escalada do terror continuarão povoando os presídios e penitenciárias espalhadas pelo Brasil.

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