Chapitre 2 Une nouvelle technique d’interférométrie : PISTIL
2.6 Les différentes propriétés du pistilogramme
2.6.2 Dynamiques accessibles pour la mesure de piston, tip et tilt relatif
A família na atualidade atravessa uma fase de completa transformação, no entanto, a sua importância, a sua vitalidade, o seu sentido e a sua finalidade não foi perdida.
Em Portugal, assim como nas outras sociedades ocidentais, a família tem sofrido várias mudanças, devido a fatores económicos, sociais, políticos, jurídicos, culturais, religiosas, das mentalidades e da organização do trabalho (Leandro,2001). Estas mudanças refletem-se no modo como os pais e mães se envolvem na parentalidade e como se relacionam enquanto casal parental, na necessidade de conciliarem o afetivo com o profissional, nas opções que realizam na educação das suas crianças, na guarda destas, bem como, nas dificuldades de apoio neste domínio (Mesquita, 2011).
O conceito de família na sociedade atual apresenta-se complexo e multifacetado, com contornos pouco definidos, podendo abarcar vários tipos de família conforme o critério a optar. Podemos definir família como “ uma instituição social que regula grande parte do
sistema de relações entre as pessoas e destas pessoas com o resto do mundo” (Silva,2001, p.21), sendo necessária e insubstituível. É um agregado de pessoas em interação e ligadas por
laços afetivos. É no seio desta que são transmitidos os valores morais e sociais que servirão de base ao desenvolvimento da criança.
Gimeno (2003) citado em Mesquita (2011) refere que se pensarmos em termos de laços biológicos diferenciamos as famílias como família nuclear, alargada, de origem e de procriação, se considerarmos em termos de laços psicossociológicos distinguimos entre família adotiva e família educadora e quanto á sua estrutura podemos falar em família nuclear intacta, monoparental ou reconstruida.
Hanson & Lynch, (2007); Mowder, (1997) citado em Magina (2011) reforçam a multidimensionalidade que se encontra visível na diversidade da família, esta é evidente nos membros da família, nos amigos, no status sociocultural, na linguagem, na cultura, na localização geográfica, na religião, na raça, nos valores e tradição. As famílias diferem, igualmente na sua organização e a complexidade de variáveis familiares que afetam a criança é influenciada pelas mudanças que ocorrem no ciclo de vida da família ao longo do tempo.
Desde o nascimento até á morte que a família sofre uma série de transformações na sua organização, esta sequência de transformações é denominada por ciclo vital. O ciclo vital abarca duas interfaces comportamentais o individuo- família e a família- meio sociocultural (Silva,2001).
A teoria sistémica que forma o modelo preponderante dos estudos da família define-a como um sistema aberto. Sistema porque diz respeito á interdependência de todos os seus elementos e o conhecimento da família só é exequível se for adotada uma visão em conjunto. Nesta perspetiva a família tem de ser observada como um sistema que apoia uma estrutura hierárquica dos seus membros, constituindo subsistemas, ou seja, um sistema dentro de outro sistema e ela própria contendo outros sistemas com normas que regulam o funcionamento, organização e relacionamento entre os membros da família. (Dias, 2011)
A maneira como cada família lida com os acontecimentos diários e promove o crescimento e desenvolvimento da sua família caracteriza o estilo de funcionamento dessa mesma família. Não existem estilos certos ou errados, apenas estilos de funcionamento distintos que resultam da combinação de crenças e valores da família, padrões de interação familiar e competências da família (Dunst et al, 1988 citado em Magina, 2011).
Os estudos realizados na área da família, normalmente, procuram analisar o motivo pelo qual algumas famílias se adaptam à mudança enquanto outras não, analisando fatores psicopatológicos, disfuncionais ou de risco. O conjunto de fatores relativos aos intervenientes no equilíbrio e na funcionalidade da família não têm sido contudo valorizados e a análise da cultura organizacional da família vem combater esse lapso. A cultura organizacional da família caracteriza-se pelo “conjunto de fatores, capazes de fazer variar o funcionamento, a
organização interna, a integração externa e o desenvolvimento das competências familiares…” (Nave,2007, p.3).
Entre o conceito de organização e de família existem aspetos similares, estes parecem complementar-se, tornando possível explicar o conceito de família em termos organizacionais enquanto “um sistema, um conjunto de elementos com esforços e objetivos comuns com
papéis definidos e limites estabelecidos; que são regidos por normas, possuem auto- organização e competências, neles se desenvolvem a aprendizagem e a coevolução, a integração externa, as interações internas, as crenças, os valores, os mitos e os significados. São ainda pautados por diferentes fases ou ciclos de formação, expansão, transmissão e dissolução” (Nave,2007,p.5).
Segundo Nave (2007,p.30) “a cultura, a organização e a família, são entidades socialmente construídas, de ordem simbólica, dotadas de rituais, usos e costumes, de crenças, de mitos, de jogos de poder e formas de comunicação próprias, que em conjunto tecem um padrão de interpretações e significados únicos, que lhe confere identidade e singularidade.” A organização pode ser analisada como cultura e vice-versa, pois estes dois conceitos complementam-se. A cultura é uma das partes que compõem a organização e a organização é cultura, a ênfase é localizada no processo de construção organizacional, implica um quadro de referência de comportamentos desejáveis e aceitáveis.
O tipo de cultura que cada família adopta pode ser analisada através do estudo da sua funcionalidade, podendo de acordo com Nave (2007) considerar-se, mais ou menos rígida, flexível mais virada para os seus membros (internalidade) ou pelo contrário, mais voltada para o exterior (externalidade).
O autor supra citado considera ainda que uma família com uma cultura forte é uma família funcional, admitindo o inverso como verdadeiro. No entanto o autor no seu estudo verificou que, do ponto de vista dos filhos, não é necessário que as famílias apresentem uma cultura forte para que eles percebam nela, funcionalidade. Basta que apresentem uma cultura moderada para que, os filhos tenham uma percepção de funcionalidade. Em contrapartida, não é necessário que uma família adopte uma cultura fraca, para que eles percebam disfuncionalidade, basta a família adoptar uma cultura precária, para que os filhos apontem disfuncionalidade.
O vértice principal da funcionalidade familiar é constituído pela dimensão das relações interpessoais, onde a afectividade e os sentimentos de pertença e identidade representam os principais papéis. Contudo a funcionalidade familiar integra outras dimensões subjacentes à sua cultura como a Heurística que inclui a identidade e autonomia, a criatividade e a capacidade de adaptação e a auto-organização, a cultura da Hierarquia que determina de que forma se estabelecem as relações de poder e controlo, as regras e normas, os papéis e os limites, e por último a Cultura dos Objectivos Sociais que determina de que forma a família promove o seu status, a sua imagem, a sua integração e participação social. (Nave,2007)
O modelo conceptual da Cultura Organizacional da Família pressupõe um equilíbrio entre estes vários construtos, entendendo-se o mau preenchimento de um quadrante como um indicador de risco, principalmente no que respeita às Relações Interpessoais que, teoricamente é o principal e empiricamente, revelou-se o ponto central da funcionalidade familiar.
Não obstante, neste modelo de análise, Nave (2007) defende que a funcionalidade familiar reside no preenchimento mais ou menos uniforme de todos os quadrantes como se de uma rede elástica se tratasse, esticando num quadrante, encolhendo no seu contrastante, sem que isso prejudique a funcionalidade e equilíbrio, uma vez que, ao longo do ciclo vital da família, a ênfase vai variando de quadrante para quadrante, acompanhando às tarefas desenvolvimentais próprias de cada fase.
Neste âmbito, a família é considerada um espaço privilegiado para o desenvolvimento e formação saudável das crianças, sendo os padrões de interação familiar preponderantes para o desenvolvimento e bem-estar destas, o local onde se alicerçam os requisitos para a sua integração plena na sociedade.
Partindo destes pressupostos, a qualidade da comunicação/interação no seio da família e desta para o exterior tem um papel preponderante no comportamento geral da criança e especificamente no seu comportamento alimentar. Pode dizer-se que o contexto alimentar se suporta em factores biológicos inatos mas sobretudo em factores psicológicos e afectivos sujeitos à aprendizagem sobretudo no seio familiar. Por esta razão o ambiente familiar pode facilitar ou dificultar o crescimento e desenvolvimento da criança.