CALCUL DES TEMPERATURES DANS LES STRUCTURES
4.2 DIFFERENCES FINIES
colegas e se isola.
4.1.2.5 Concepções sobre as dificuldades de aprendizagens
A característica que Mariana identifica em todos os três alunos com maiores dificuldades de aprendizagem é a timidez que os fazem sofrer, o que acaba por deixá-la muito angustiada. Para ela, o principal aspecto que compromete as aprendizagens está relacionado à falta de incentivo da família que mantém uma cultura de despreocupação com os estudos dos filhos. Ela considera que o contexto social desfavorável não é determinante em relação às dificuldades de aprendizagem. Ao contrário, deveria servir de incentivo para buscar mudar a realidade.
Mariana considera que, sua formação para a carreira do magistério não a preparou para ser professora, assim como há cursos de formação que nada acrescentam. Todavia, reconhece que o curso de formação em alfabetização que está fazendo atualmente, está contribuindo para a melhoria de sua prática docente. Ela defende que o enfrentamento dos problemas de aprendizagem deve ser um trabalho coletivo com o envolvimento de toda a escola.
4.1.3 Joice: a vergonhosa e comportada
4.1.3.1 História familiar
Joice está com 31 (trinta e um) anos, nasceu no Distrito Federal e desde seu nascimento mora em uma cidade do entorno do DF no Estado de Goiás. É a segunda de três filhos. Tem uma irmã mais velha e um irmão mais novo. Diz pertencer a uma família de origem simples na qual viveu sem grandes luxos. Seu pai sempre foi trabalhador autônomo e sua mãe dona de casa, que posteriormente passou a trabalhar em uma escola na área de limpeza. Segundo Joice, ela e seus dois irmãos sempre tiveram como referencial a figura materna, já que seu pai era alcóolatra e ausente. Em decorrência desta problemática, Joice cresceu em meio a discussões, pois sua mãe não aceitava o estilo de vida do esposo. Recentemente, a mãe de Joice faleceu deixando um grande vazio por se tratar do referencial
de maior peso em seu processo de identificação. Joice é casada há quatro anos com um professor o que faz com que o cotidiano da profissão também seja bastante discutido no âmbito familiar.
4.1.3.2 História escolar
Joice entrou pela primeira vez na escola aos 7 (sete) anos de idade e fez todo o ensino básico em escolas públicas no Gama DF, embora morasse no entorno do Distrito Federal. A opção de seus pais em colocar os filhos para estudar no DF foi por causa da má fama da escola pública de sua cidade, a falta de recursos financeiros para mantê-los em escolas particulares e a fama de que as ‘escolas do DF’ eram as melhores Ao entrar na escola, Joice sabia escrever o próprio nome e as vogais. Suas primeiras experiências com o aprendizado da linguagem escrita se deram por intermédio de sua interação com sua irmã mais velha que desde pequena dizia que queria ser professora e dava aula de reforço para outras crianças.
De suas primeiras experiências escolares Joice recorda do primeiro dia que foi para a aula. Foi um dia que fazia frio pela manhã e seu pai foi deixá-la na escola. Estava ansiosa para começar as aulas. Recorda que não teve dificuldades em alfabetizar-se. A professora ia ensinando através de uma cartilha e ela ia aprendendo gradativamente. Não se sentiu entre os mais adiantados da turma, mas sua alfabetização não foi “nenhum bicho de sete cabeças.” Em relação à escola e à primeira professora, Joice não recorda de nada que seja negativo. Recorda apenas que era agradável estar na escola e na sala de aula. Porém, não tem nenhuma lembrança que represente um marco nesta fase de sua escolarização. Também em relação aos seus colegas, Joice não tem nenhuma lembrança em particular. Não se recorda se havia ou não colegas de turma com problemas de aprendizagem em alfabetização, nem se havia colegas mais avançados. Joice atribui essa falta dessas lembranças ao fato de que naquela época (mais de vinte anos atrás), essas questões não eram faladas junto com os alunos. Recorda apenas que para ela foi agradável e que não enfrentou dificuldades em seu processo de alfabetização.
Durante seu processo de escolarização, Joice manteve bom relacionamento com seus colegas. Ela tinha suas preferências, porém, era bem aceita por todos e também não rejeitava nenhum deles. Quanto à relação professor-aluno, um período marcante em sua trajetória escolar foi na 3ª série do Ensino Fundamental. Seu relacionamento com sua professora era distante. Joice vivia sempre receosa com medo de receber uma má resposta ou ser ridicularizada diante dos colegas, já que presenciava tais atitudes da professora com outros colegas. Segundo ela, nessa turma não havia problemas de disciplina devido o medo que os
alunos tinham da professora, que agia sempre com aspereza quando alguém não realizava as atividades escolares, conforme o estabelecido por ela (a professora). Joice sempre teve bom comportamento em sala de aula por medo que seus pais fossem chamados à escola em função de alguma atitude inadequada de sua parte.
Em relação às trocas entre pares com objetivo de aprendizagem, Joice não se recorda de terem ocorrido. Ela recorda bem que até a 3ª série, a disposição das cadeiras nas turmas era sempre em fileiras e individual. Em relação à afetividade, Joice recorda que não havia nenhuma aproximação da professora com os alunos. Os professores mantinham uma postura de quem entra na sala para ensinar e os alunos ocupavam o lugar de quem estava ali para aprender.
4.1.3.3 História da escolha profissional
Para Joice o contexto que a levou a escolher a profissão docente não tem nenhuma ligação com sua trajetória escolar, mas sim com suas relações familiares. Sua irmã mais velha, desde nova gostava de dar aulas de reforço. Quando ela (sua irmã) concluiu o Ensino Médio, abriu uma pequena escola e Joice era sua ajudante. Com o passar do tempo, sua irmã fechou a escola. Sua mãe, que trabalhava na área de limpeza em uma instituição escolar, convidou Joice para que as duas abrissem uma escola em sociedade para aumentar a renda familiar. Joice aceitou para ajudar sua mãe e assumiu uma das turmas. Mãe e filha conseguiram ganhar um bom dinheiro com a escola. Então Joice decidiu fazer pedagogia. Ela atuava como professora durante o dia e a noite ia para a faculdade. Nessa junção da experiência prática com a formação teórica, ela teve certeza que queria ser professora e foi se identificando com a profissão.
4.1.3.4 História da atuação profissional docente
Aos 16 (dezesseis) anos, Joice teve sua primeira experiência profissional como ajudante na pequena escola de sua irmã. No último ano do Ensino Médio, tornou-se sócia de sua mãe em uma escola e assumiu a primeira turma de alunos e continuou lecionando em sua escola até concluir a faculdade de pedagogia. Logo em seguida trabalhou como docente, em escolas particulares e como contrato temporário na Rede municipal de sua cidade no entorno do Distrito Federal. Neste ano (2013), Joice, vinculou-se profissionalmente à SEEDF por via de contrato temporário. Razão pela qual ela não pode escolher a turma de sua preferência,
sendo que ao se apresentar na Regional de Ensino de Santa Maria já havia uma turma de 3º ano do BIA destinada para ela em uma escola localizada na região mais vulnerável da cidade. Essa turma tem 30 (trinta) alunos e no início do ano letivo não apresentavam inicialmente comportamentos desaprovados socialmente. Porém, trata-se de uma turma muito heterogênea em relação aos níveis de aprendizagens, o que para ela é um grande dificultador do processo de ensino-aprendizagem.
Para definir seu comportamento perante a turma, Joice utiliza como parâmetro, o comportamento de sua professora da 3ª série, buscando evitar repetir suas atitudes consideradas por ela, inadequadas. Assim, permite a aproximação afetiva dos alunos em contraposição à frieza e distanciamento de sua professora; permite que seus alunos expressem seus sentimentos, ao contrário da aspereza de sua professora que silenciava a turma pelo medo. Todavia, essa identificação não se manifesta apenas nos aspectos aversivos, sendo que seu estilo de direcionamento do trabalho docente é fortemente influenciado pela forma tradicional de sua professora buscando garantir a disciplina e concentração. Os alunos com maiores problemas nas aprendizagens são separados e recebem atividades diferenciadas dos demais. Essa atitude é contrária à de sua professora que não separava os alunos por diferenças cognitivas, ao contrário, exigia resultados iguais de todos. Os alunos de Joice mais avançados na leitura e escrita desenvolvem mais atividades do quadro ou no livro recebendo explicações mais gerais, tal como fazia sua professora com toda a turma. Já o grupo dos alunos que fazem atividades diferenciadas recebe atividades conforme seus desempenhos cognitivos, diferentemente de sua experiência escolar.
Ao assumir a turma em que se encontra, Joice sentiu-se receosa por tratar de uma novidade, já que é seu primeiro ano de atuação na SEEDF. Com o passar do tempo, ela foi perdendo o receio e hoje se sente totalmente à vontade. Sente prazer em preparar as aulas e passar cinco horas na condução da aprendizagem dos alunos. Contudo, quando se trata dos alunos com maiores problemas nas aprendizagens, seus sentimentos são de impotência, descrença e desânimo. Não acredita que eles possam alcançar o desempenho almejado, pelo menos nesse ano na turma que está sob sua responsabilidade.
No que diz respeito às interações dos alunos entre si, Joice percebe que os alunos com maiores problemas nas aprendizagens sofrem rejeição por parte dos demais que preferem a convivência aproximada com seus iguais. Ela procura fazer essa aproximação solicitando que eles sentem juntos. Mas quando isso acontece, a rejeição é verbalizada e quando sentam juntos é a contra gosto. Durante a entrevista, Joice concluiu que sua atitude de separá-los na sala de aula pode estar contribuindo para essas atitudes dos colegas, mas que assim faz para
facilitar o seu trabalho. No entanto, tenta aproximá-los durante as aulas de artes, mas nesses momentos eles são rejeitados. Porém, ela avalia como sendo positivo o trabalho diferenciado. Isso porque, ao fazer as atividades de acordo com seus desempenhos cognitivos, esses alunos sentem-se mais motivados, o que permite não somente promover aprendizagens como também mantê-los concentrados e disciplinados, já que, os que apresentam problemas nas aprendizagens são os mesmos que apresentam problemas de comportamento. Outro ponto positivo considerado por Joice a respeito do trabalho diferenciado é que essa modalidade também influencia aspectos emocionais desses alunos, uma vez que, ao ser exigido deles atividades além de suas capacidades intelectuais, eles ficam envergonhados e sentem-se diminuídos diante dos demais colegas.
4.1.3.5 Concepções sobre as dificuldades de aprendizagem em alfabetização
Joice identifica como característica inerente aos seus alunos com dificuldade de aprendizagem da linguagem escrita, o desamparo desses alunos em relação às suas famílias. Esse desamparo é pontuado por Joice como falta de suporte familiar; falta de acompanhamento das atividades escolares; falta de interesse pelas aprendizagens dos filhos e realização de suas tarefas escolares; exclusão e rejeição das crianças no ambiente familiar; falta de material escolar dos filhos que são ‘machucados’ por não possuí-los como os demais colegas; pais analfabetos que não são referenciais para os filhos em relação às aprendizagens escolares.
Para Joice, os problemas de aprendizagem escolares podem ter origens diferenciadas. Alguns são questões hereditárias; para outros trata de questões familiares; já outros podem ser causados em função do contexto social com pobres repertórios culturais. Embora a atuação docente não seja pontuada como relacionada às dificuldades de aprendizagens da linguagem escrita, ela declara que, o fator fundamental para enfrentar os problemas de aprendizagens no processo inicial é ter professores alfabetizadores experientes, por se tratar do período de escolarização que mais exige do professor.