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MONITORING FRAMEWORKS

2.5 THE STRUCTURE OF LOW ENERGY ACCESS IN EASTERN AFRICA

2.5.1 Demand Side Constraints

Pesquisas as quais se propuseram a investigar a construção dos co- nhecimentos e a sistematização dos conteúdos relacionados às práticas cor- porais da Educação Física em áreas de reforma agrária, como Casagrande

(2001), Nonato e Taff arel (2011), Santos Júnior et. al. (2009), Taff arel et. al. (2008) Teixeira (2009), dentre outros, vêm apontando a falta de uma política cultural para a apropriação e a vivência de práticas corporais as quais se diferenciem da perspectiva utilitarista e hegemônica de Educação Física. Ao mesmo tempo, Dalmagro (2011), D’Agostini (2011), Araújo (2007) e Vendramini (2007) reconhecem certo distanciamento entre a edu- cação escolar e as práticas sociais subjacentes nas áreas de reforma agrária. Entendo que a educação escolar pode desempenhar um papel importante nesta construção de uma política cultural envolvendo as diferentes práticas da cultura corporal na Educação do Campo, articulando diferentes saberes e práticas.

Algumas pesquisas, como Lavoura (2013), Taffarel, Schneider e Nonato (2008) e Teixeira (2009) constatam que os professores das escolas do campo também têm tido difi culdades de acesso às produções teóricas e aos materiais pedagógicos da área de conhecimento da Educação Física, o que acaba por difi cultar o trabalho dos mesmos com este componente curricular nas escolas do campo.

No trabalho investigado por Teixeira (2009) relativo ao desenvolvi- mento da cultura corporal num assentamento do MST localizado na região do Recôncavo Baiano, o mesmo encontra um acervo considerável de prá- ticas da cultura corporal as quais são realizadas e vivenciadas diariamente, destacando-se a dança (com a quadrilha, o samba de roda e o maculelê), o esporte (com a manifestação hegemônica do futebol) e a capoeira. Uma quantidade variada de jogos e brincadeiras infantis (como pega-pega, brin- cadeiras de roda, jogos de tabuleiros, jogos com bola e aros – em que pese todo o material escasso e precário) também ocorre, em especial, em virtude da presença de crianças no assentamento.

Para além de problemas relativos à infraestrutura, em decorrência das condições materiais do assentamento, o que traz empecilhos para a mani- festação da cultura corporal, por ausência de espaços e materiais, o autor destaca que não há na escola do assentamento a presença do componente curricular Educação Física, não ocorrendo, portanto, uma sistematização, organização e desenvolvimento dos conteúdos da cultura corporal com os indivíduos daquele local.

Evidencia-se aqui a importância da educação escolar enquanto me- diadora da transmissão do conhecimento elaborado, neste caso, o conheci- mento da cultura corporal, na prática social da vida destes indivíduos, com o trabalho educativo pautado em uma determinada teoria pedagógica a qual possibilite a apropriação, por parte de cada indivíduo singular, de um

conjunto de conhecimentos acerca da cultura corporal os quais perspecti- vem com a emancipação humana enquanto fundamentais para a vivência do tempo livre para além da lógica do capital.

Por sua vez, Nonato e Taff arel (2011), ao realizarem pesquisas em três diferentes assentamentos do interior da Bahia, buscando explicitar a situação das escolas do campo e, no interior delas, o desenvolvimento da cultura corporal, ressaltam:

1) as condições impostas ao jovem do campo, no que diz respeito à edu- cação e à realização de práticas corporais, estão diretamente vinculadas ao trabalho e às práticas festivo-religiosas; 2) a ocupação do tempo livre está destinada, quando existe material, quase exclusivamente ao esporte futebol, impregnado de valores como a individualização e a sobrepu- jança; 3) o tempo livre não está sendo utilizado de forma autônoma e criativa para o desenvolvimento das diversas potencialidades do ser humano, mas na maior parte dos casos é preenchido pela televisão; 4) a separação das práticas esportivas por gênero é evidente – raramente há times femininos (prática quase exclusiva do futebol) e quando há sofre o processo de discriminação e exclusão, pois a realização da atividade está condicionada à disponibilidade de materiais e espaço pelo não uso dos times masculinos; 5) outras práticas como a capoeira, a dança e a natação (em comunidades ribeirinhas) estão presentes na vida de alguns assentados, porém, de forma esporádica; 6) outros conteúdos como es- petáculos de dança, de teatro, de música etc., estão totalmente ausentes da vida destas pessoas (NONATO; TAFFAREL, 2011, p. 3).

Evidencia-se que a cultura corporal se faz presente nestas áreas de re- forma agrária, tal qual evidenciou Teixeira (2009), não obstante, necessita-se de uma intervenção pedagógica, sobretudo no âmbito escolar, com intuito de possibilitar a sistematização destas práticas corporais intencionalmente, de maneira organizada e planejada, as quais não estejam à deriva da espon- taneidade da vida cotidiana destes indivíduos e, mais do que isto, estejam atreladas à perspectiva da emancipação humana.

Em estudo realizado por Taff arel, Schneider e Nonato (2008) por intermédio de práticas de visitação e ações curriculares em áreas de reforma agrária no Recôncavo Baiano, foi possível evidenciar que, embora seja o futebol a prática da cultura corporal predominante nestes assentamentos, existem elementos os quais podem caracterizar contradições acerca da cons- ciência que alguns integrantes dos assentamentos possuem em termos da necessidade de se apropriarem de outras objetivações culturais.

As autoras evidenciaram o interesse e a vontade dos assentados em estarem organizando um grupo de samba de roda, mas os mesmos en- contravam inúmeras difi culdades, em especial, com relação à aquisição dos instrumentos musicais, como pandeiro, cavaquinho, timbau e surdo. Constataram também a mobilização de alguns assentados para que os inte- grantes dos assentamentos pudessem se apropriar das artes de modo geral, em especial, a dança.

As referidas autoras questionam de que maneira a educação escolar sistematizada pode contribuir para que estes integrantes da classe traba- lhadora que, historicamente, vêm sendo impedidos de ter acesso aos bens produzidos pela própria humanidade, possam se apropriar deste conjunto do patrimônio cultural.

A transmissão e socialização dos conhecimentos científi cos, artísticos e fi losófi cos nas suas formas mais desenvolvidas, historicamente produzidos pela humanidade, se constituem nesta contribuição, a qual não poderia ser diferente, pois, esta é a tarefa e a função social da educação escolar.

Após todo este conjunto de trabalhos os quais apontam para a im- portância da escola na sistematização de conhecimentos da Educação Física nas escolas do campo, penso ser importante discutirmos as possibilidades de organização do trabalho pedagógico desta disciplina curricular à luz da pedagogia histórico-crítica.

A organização do trabalho pedagógico com a educação física nas escolas do