• Aucun résultat trouvé

Construction d’un découpage de l’aire urbaine poblanaise plus adapté

territoires urbains

Chapitre 2 : Les typologies résidentielles

A. Construction d’un découpage de l’aire urbaine poblanaise plus adapté

Voltamos hoje, num êxtase de contentamento, a informar ao público – que em entrevista ao nosso diretor com sua Excia. (sic) O Sr. Prefeito, foi-nos por este assegurado, que, em face do seu entendimento em dias da semana finda, com a direção da Cia de Energia da Bahia, dentro de poucos meses teremos a nossa cidade servida por aquela grande e poderosa empresa de eletricidade do norte do país. (...) Consignamos, pois, esta auspiciosa notícia, levando ao povo os nossos parabéns pela era de eletricidade, no despontar feliz de seus raios brilhantes, trazendo aos santo-antonienses um complexo de grandezas, para maior conforto dos nossos labores, elegância das nossas ruas e maiores possibilidades à indústria, ao comércio desta gleba tão justamente elogiada por quantos a visitam (A Luz – Nova Era de Progresso. O Palladio, 21 de março de 1949 apud SOUZA; SOUZA, 2012)

A luz que acende através do disjuntor advém do filamento aquecido que emana um fluxo luminoso que varia de acordo com a potência de energia empregada. Também a temperatura de cor varia de acordo com a temperatura do filamento da lâmpada. É uma luz diferente daquela emanada do fogo. “Um dedo sobre o interruptor basta para fazer suceder ao espaço negro o espaço subitamente claro. O mesmo gesto mecânico provoca a transformação inversa. [...] Com o interruptor elétrico pode-se jogar sem parar o jogo do sim e do não” (BACHELARD, 1989:92-93) – como faz Francisco ao chegar em Goiânia com sua família: há uma lâmpada no teto e uma chave de liga e desliga que convida para brincar com o domínio da luz (Quadro 50). Na iluminação elétrica cotidiana, há basicamente dois tipos de lâmpada: a incandescente e a fluorescente. Aquela que fascina Francisco é incandescente, possui filamento visível e é uma fonte de luz direta, dura, deixando contornos evidentes. Sua tonalidade alaranjada proporciona um clima cálido. Por sua temperatura de cor mais baixa (2.400k – 3.200k), se aproxima também da luz do fogo e da coloração da luz solar em alguns finais de dia. É a lâmpada de dentro das casas e das gambiarras que iluminam espaços públicos noturnos destinados à aglomeração de pessoas, como a sessão de cinema ao ar livre em Cine Holliúdy. É a lâmpada que ilumina cenas de estupro em Baixio das Bestas e fachadas de diferentes igrejas em Três Marias e Central do Brasil. A lâmpada fluorescente, por sua vez, proporcionando uma luz difusa e sua temperatura de cor se assemelha a do Sol no meio do dia (5.400k). É a lâmpada das casas comerciais, das repartições públicas, dos hospitais.

Quadro 50 - O controle do sim e do não em Dois filhos de Francisco, 2006.

Quadro 51 - Cordões de luz iluminam aglomerações de pessoas em Três Marias (2003) e em Cine Holliúdy (2013).

Quadro 52 - Lâmpada incandescente em cena de estupro de Baixio das Bestas, 2006.

Quadro 53 - Luz fluorescente no hospital em Orquestra dos Meninos (2007) e no estabelecimento comercial em O homem que desafiou o Diabo (2006).

3.5.1. Iluminação pública.

A iluminação elétrica multiplica os jogos de sombra e de luz, as fontes de claridade. Ela cria uma nebulosa de estrelas, alinhadas ou distribuídas de maneira mais ou menos coerente: finos cordões das avenidas relativamente pouco animadas da noite (...) ou um mundo estelar dos bairros de diversão ou dos cruzamentos. (...) não é espantoso, cem anos depois do nascimento da lâmpada incandescente, ver tratada de maneira simbólica a lâmpada de Edison, a ‘bolha’ de vidro, como fundadora de uma paisagem urbana. É exatamente o domínio atual das técnicas que permite reatar com o passado, restaurar o monumento, graças ao jogo mais sutil e melhor dosado das iluminações (RONCAYOLO, 1999:99-101).

A iluminação pública, em geral, é de utilidade coletiva. Ilumina as ruas, as praças, os espaços destinados ao trânsito de pessoas e pode ser vista em cenas urbanas de exterior noite de qualquer gênero cinematográfico. Enquanto a luz do fogo é predominantemente privada, particular, destinada ao usufruto de um grupo ou indivíduo específico, normalmente o seu autor, a lâmpada do poste ilumina a presença ou a passagem de pessoas sós ou acompanhadas, em número indefinido. Ela é fixa e não portátil, ao contrário da vela acesa nas mãos do peregrino. Pode ser notada em Céu de Suely, além de A Máquina e À beira do Caminho, como será demonstrado mais adiante. Talvez uma das abordagens mais especiais da iluminação pública, em seu sentido mais extremo, ocorra em Baixio das bestas (Quadro 55) onde, periodicamente, a luz do poste, em meio à escuridão, ilumina o corpo pequeno da jovem que, em função de um controle externo a ela, se expõe como objeto erótico, de desejo para os homens: para tocar, tem que pagar. Temos a exposição e exploração do corpo privado sob a iluminação pública. A iluminação é pontual e situa os espectadores da cena na sombra, na escuridão, sendo distinguidos apenas por resvalos de alguma outra luz, de origem não identificável, que modela os contornos. De frente para essa plateia, iluminada de cima para baixo – como uma atriz em um palco de teatro – Auxiliadora tira a sua roupa.

Quadro 54 - Iluminação pública em O céu de Suely, 2006.

3.5.2. Os faróis dos automóveis

Enquanto a iluminação pública tem caráter coletivo, os faróis dos automóveis têm por função iluminar um caminho. O caminho do próprio veículo e de quem através dele se desloca. Mantendo uma característica de iluminação particular, os faróis são pontos solitários cruzando uma imensidão desértica, em filmes de Sertão. Por vezes, são dois olhos testemunhando cenas particulares, como o estupro em Baixio das Bestas, a chegada de Luiz na casa de seu pai, Januário, no meio da noite ou o instante em que Henrique, em Espelho D’água, envia a cabaça através do Rio São Francisco para que ela chegue em Bom Jesus da Lapa. Os faróis também podem simbolizar um instante, uma situação passageira – ao menos no sentido físico, material, posto que, nos exemplos citados, os resultados desses momentos se estendem na assimilação psicológica dos personagens: a menina irá carregar algum trauma em decorrência do estupro e terá que lidar com ele de alguma forma; a chegada de Luiz provocará alegria em seus pais e, no caso de Henrique, o fotógrafo, não haverá certeza se a cabaça chegará ao destino desejado.

Quadro 56 - Faróis, como 'olhos', testemunhando momentos privados23.

23 1: Baixio das Bestas, 2006; 2: Gonzaga, 2012; 3 e 4: Espelho d’água, 2004.

1 2

Documents relatifs