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COHERENCE ENTRE OBJ ECTIFS, ENSEIGNEMENT ET EVALUATION DANS LES COURS P ROFESSIONNELS

Frédéric VON BUEREN

COHERENCE ENTRE OBJ ECTIFS, ENSEIGNEMENT ET EVALUATION DANS LES COURS P ROFESSIONNELS

Para ajudar a determinar uma alternativa apontam-se comentários de outros autores em artigos tratando do tema “Avaliação” dentro do contexto de jogos de empresas.

“Não é que o lucro puro e simples não tenha importância, mas é que o período de tempo ao longo do qual os lucros são acumulados é muito curto na maioria das simulações de negócios para utilizá-los para prover uma medida de habilidade gerenciar esclarece TEACH (1990 p. 15). “A ênfase nos rendimentos encoraja perspectivas de curto prazo, apesar ser amplamente conhecido que isto é contraproducente no longo prazo” continua, para acrescentar mais adiante que “produzir rentabilidade no curto prazo as custas de compromissos apropriados para o longo prazo já arruinou mais de uma empresa no mundo real. Porque então colocar os estudantes justamente nesta direção ?” (TEACH op.cit p. 16). Realmente esta questão não tem nenhuma resposta positiva, apenas um pedido de desculpas. Outros dois pontos são ainda destacados por este mesmo autor ao fazer suas críticas à avaliação enfatizando o lucro:

> Por vezes o lucro pode acontecer por mera sorte e uma empresa que aparentemente vinha tendo sucesso no início do jogo é ultrapassada por seus concorrentes e fica perplexa diante do inesperado. Normalmente este tipo de empresa vinha cometendo um erro sistemático no seu processo administrativo que era mascarado por um binômio conjuntura/mercado favorável. Foi observado que estes erros normalmente são estratégicos e/ou de compreensão do modelo. Os erros de compreensão do modelo são particularmente nocivos pois também foi constatado que corrigido o equívoco da compreensão as estratégias erram prontamente corrigidas. Os erros estratégicos que resultam de “apostas” que não deram certo, de previsões que não se concretizaram são parte do jogo e não se tem nenhuma restrição quanto a eles. Erros deste segundo tipo quando descobertos parecem colaborar para a validação da máxima “É errando que se aprende.” Não raro a reflexão para identificar e compreender o porque do erro proporciona os maiores benefícios do processo de aprendizado, conforme depoimentos de treinandos. Em determinado momento os ventos mudam e a sorte acaba o erro revela-se uma catástrofe. As empresas que realmente seriam as melhores conseguem obter resultados para mostrar isto e a justiça é feita. Porém se o jogo termina antes da mudança dos ventos as empresas realmente bem administradas poderão não ter tempo de provar o seu ponto.

> Na tentativa de obter lucro a qualquer custo aparecem as jogadas oportunistas de fim de jogo (MARTINELLI 1988), ou ainda pior, jogadas desesperadas como demitir funcionários para diminuir produção, aplicar preços fora de mercado com esperança de obter um lucro maior,

cortes na compra de insumos ou cortes em investimentos, são alguns exemplos apontados por TEACH (1990) que se mostraram fatos freqüentes nas aplicações acompanhadas. Outra regra que pode ser observada: Sempre houve uma equipe que desejou em algum momento saber quantos períodos duraria sua animação. A justificativa invariavelmente passava por possibilidades de não comprar isto, deixar ocorrer aquilo, tudo colaborando para a maximização do lucro no período final. Decerto que não houve em nenhum momento cumplicidade por parte da animação .inclusive era sugerido que se identificadas, as decisões de fim de jogo seriam penalizadas e cobradas na assembléia, é um jogo, mas existem regras. Estas decisões seriam, em um contexto real, consideradas insanas, mas são totalmente possíveis de serem adotadas em um jogo simulado42. Entretanto existem algumas decisões que também podem ser consideradas insanas mesmo no contexto do jogo ainda que no curto prazo melhorem os resultados financeiros. O jogo vai acabar, pensa o aluno, e minha empresa é avaliada pelo lucro então vamos maximizar este lucro, o futuro da empresa não importa.

Realmente estes não são bons hábitos para ensinar aos jovens. É correto dizer que O JOGO acaba, mas é indispensável assumir que as empresas EPS continuarão43, é mais realista dentro do contexto industrial simulado. É necessário manter em foco o objetivo do jogo:, desenvolver e ensinar nos/aos treinados habilidades e técnicas de engenharia e administração. Se o ensino preconiza uma mudança/formação de hábitos então se deve reduzir a importância dos resultados de curto prazo na avaliação da empresa buscando priorizar a qualidade da administração. Mas antes que um novo modelo fosse desenvolvido foram adotadas duas soluções:

0 A primeira, que sempre fez parte do modelo, é a inclusão formal da assembléia geral na avaliação do desempenho da empresa. O animador assiste as apresentações e dá uma nota para cada empresa. Esta nota é depois ponderada juntamente com o desempenho financeiro para dar a classificação final da empresa.

0 A segunda foi o policiamento das decisões à medida que o jogo se aproximava do final. Esta solução foi utilizada de forma emergencial, onde o animador ativamente chamava atenção para os efeitos nocivos das decisões de fim de jogo mostrando a importância de dar atenção para o longo prazo no planejamento. Com o policiamento evitaram-se muitos finais de aplicações com as empresas lucrativas mas com sérias dificuldades de caixa ou de insumos para produção já no período seguinte. Apesar disto a atitude de “buscar lucro a qualquer custo” permeava a aplicação do começo ao fim. As empresas já não tomavam decisões “insanas”, entretanto não se pode dizer que no fim do jogo as empresas não passavam, repentinamente, a aceitar riscos maiores.

Mas se o lucro é tão inconveniente como parâmetro de avaliação por que é utilizado ? Bem existem alguns argumentos utilizados para justificar o seu uso:

42 A possibilidade de experimentar no mundo virtual coisas que não seriam tentadas no mundo real é uma das vantagens dos jogos e é necessário saber antecipar e contornar eventuais efeitos colaterais nocivos aos objetivos do treinamento.

43 Eternamente, se for perdoado o excesso de otimismo, mas de certa forma correto. Na indústria de bens de consumo simulada pelo GI-EPS não é comum uma empresa ser criada já com data marcada para seu encerramento, evidentemente as estratégias mudam, e as empresas fecham ou são vendidas, mas estes são fatos que decorrem de novas informações, desconhecidas no início, que vão se revelando com o passar do tempo e estas características não fazem parte do modelo.

> Disponibilidade: No universo dos jogos de empresas a administração financeira e a

contabilidade estarão presentes, mesmo se não forem os atores principal, não existe forma mais prática e realista do que avaliar empresas financeiramente. Consequentemente índices que representem desempenho financeiro da empresa podem ser disponibilizados com relativa facilidade e variados propósitos.

> Síntese: Talvez o embasamento esteja certo mas realmente é necessário admitir que o

horizonte temporal é deveras curto. O princípio de síntese afirma que se a empresa está bem e é bem administrada ela dá lucro, tanto maior seria o lucro quanto melhor fosse o desempenho dos administradores. Lamentavelmente vários argumentos e observações em sala de aula mostraram que este é um ponto difícil de sustentar, ao menos em uma avaliação de curto e médio prazo.

> Compreensão: Os conceitos de desempenho econômico são facilmente compreendidos pois

se utilizam critérios de desempenho consagrados, idênticos àqueles utilizados na realidade. Não existe a necessidade de introduzir novos conceitos.

Destes três, talvez apenas a facilidade de compreensão seja um argumento defensável e aceitável. A síntese é uma capacidade que dificilmente se revela de forma eficaz no curto prazo mas, mesmo quando um tempo suficiente já é decorrido, acredita-se que o lucro ainda será limitado. O lucro é entendido com uma olhada por cima do ombro, para trás, buscando quantificar um valor para representar o desempenho passado da empresa. Além de se restringir ao passado o lucro não diz quanto do seu valor foi determinado de forma premeditada, como resultado do planejamento da empresa, e quanto surgiu como obra do acaso ou de um senso de oportunismo apurado, ou ambos. Não se considera de forma nenhuma este senso de oportunismo como um fator negativo, muito pelo contrário, entretanto será mais fácil encontrá-lo em pessoas com experiência prática ou formação em administração. Este fato poderá causar um certo desequilíbrio quando se trabalha com uma turma com alunos com diferentes níveis de experiência e/ou formação. Tal desequilíbrio novamente poderá afetar negativamente a motivação daqueles alunos menos experientes. Naturalmente, é perfeitamente lícito esperar que o sucesso no passado aumenta as possibilidades de sucesso no futuro, mas existem modos de avaliar estas possibilidades de forma mais eficaz e concreta44. A disponibilidade é parcialmente defensável pois assim como o lucro aparece como resultado quase que natural nos jogos de empresas, outros indicadores podem ser calculados com igual facilidade (financeiros ou não) e cálculos os computadores fazem relativamente bem.

Pode ser adicionado a este rol de críticas o comentário de que avaliar uma empresa apenas pelo seu lucro, ou de forma genérica, apenas por um único indicador de desempenho ou capacidade, é irreal. No mundo real empresas são avaliadas dentro de perspectivas mais abrangentes45, isto é,

44 Alguns dos índices que fazem parte do relatório de índices econômicos e financeiros poderiam ser utilizados para tal, isto é, já existem candidatos a disposição no modelo original.

45 O acionista que deseja trocar seu automóvel ou fazer uma viagem talvez queira lucro imediatamente para receber uma polpuda distribuição de dividendos mas o acionista preocupado com sua aposentadoria estará interessado no porvir e, consequentemente garantir que a empresa dure no mínimo tanto quanto ele e , além disto, distribuindo dividendos.

são utilizados múltiplos indicadores nas avaliações realizadas. Por que então deveria ser adotado um procedimento distinto no modelo GI-EPS ? Mais irreal, ou menos justificável pelo menos, toma-se o uso de um único índice uma vez que o GI-EPS é um jogo de administração geral com quatro diretorias/gerências claramente definidas. Administrar cada uma das áreas requer habilidades e conhecimentos específicos em cada uma delas e, a adoção de um único indicador poderá equivocadamente as demais diretorias são de menor importância. Esta percepção errada da" importância das diretorias propaga-se para as atividades administrativas a elas relacionadas e não raro elas são desenvolvidas como seria desejável em uma gestão consciente e equilibrada. Uma das conseqüências desta falsa impressão é a adoção das políticas de curto prazo que beneficiam quase que exclusivamente o item privilegiado. Isto, como já observado, é uma política arriscada, seja no mundo simulado ou real principalmente quando o item privilegiado é o lucro ou outro indicador de rendimento financeiro.

Se um indicador qualquer for compreendido como um avaliador verticalizado46, a devoção a este avaliador estreita a compreensão que o aluno terá da empresa. É o lucro que diz quem é o melhor ? Então vamos gerar lucro ! Calma não é bem assim, um dos objetivos dos jogo de simulação geral e, do GI-EPS em particular, é desenvolver no treinando uma visão da empresa como uma associação de esforços realizados em diferentes áreas coordenados de forma a buscar atingir um conjunto de metas estabelecidas. Convidando o aluno a se deter em um único ponto do cenário talvez o leve a perder o melhor da viagem, digo, treinamento. Um exemplo muito claro disto está na constatação empírica que foi feita na aplicação do GI-EPS: a ênfase dada ao lucro no jogo leva treinandos com conhecimentos de contabilidade e administração financeira (ao menos durante algum tempo) a considerar a mão-de-obra, a propaganda e os investimentos como males que devem ser suportados porque “gasta-se muito dinheiro com estas bobagens e o lucro acaba d i m i n u in d o Naturalmente a familiaridade com os demonstrativos de resultados utilizados faz com que estes treinandos se afeiçoem ao índice que deles se origina buscando defender-lhe a integridade com fervor devocional. Debates inflamados costumam ser observados entre os participantes no começo do jogo, não raro um dos querelantes é um diretor financeiro (normalmente possuidor de conhecimentos na área) e o diretor de produção ou marketing, que via de regra, estará querendo “gastar mais dinheiro”. O litígio é favorável pelo aspecto de desenvolvimento da capacidade de relacionamento e trabalho em grupo, mas não deve ultrapassar um certo nível pois além de representar um desgaste desnecessário de energia poderá afetar a coesão da equipe.

Feitas estas considerações ficou evidente que a necessidade de incluir outros critérios na avaliação. Considerando que esta inclusão aumentará a complexidade da avaliação, deverá ser definido e descrito um modelo para organizar e avaliar os critérios. Este modelo deverá ser passível de execução totalmente automática.

3.6.2 Efeitos “colaterais” da avaliação

Antes de proceder com a modelagem da avaliação é necessário apontar ainda alguns dos efeitos colaterais, por assim dizer, da utilização do índices únicos, os de rentabilidade em particular, na avaliação. Todos os três pontos são citados por TEACH (1990) e os comentários mesclam o texto de referência com observações realizadas ao longo das aplicações do GI-EPS. Os referidos itens são descrito a seguir:

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> Inicialização irreal: Para garantir igualdade de condições no início de cada simulação as empresas iniciam suas atividades nas mesmas condições de mercado, produção, mão-de-obra e finanças. Esta é uma condição nitidamente irreal pois a possibilidade deste tipo de condição ocorrer no mundo real é muito pouco provável47. Apesar de irreal é muito conveniente quando se trabalha com avaliação baseada no desempenho. A necessidade didática de garantir igualdade de condições aos participantes é satisfeita mais facilmente se as empresas iniciam no mesmo ponto. Em tese seria possível criar inicializações onde cada empresa apresentasse características operacionais e financeiras distintas48 e ainda assim possuindo igualdade de condições de competição com os concorrentes. Agora a escolha destas posições, a valoração das variáveis que descreverão as capacidades operacionais da empresa e sua posição inicial no mercado não é uma tarefa trivial, ainda mais porque impõe ao animador um dupla tarefa: i) escolher os valores e validá-los como sendo globalmente equivalentes e, ii) na apresentação do jogo os treinandos deverão ser levados a aceitar/acreditar nesta equivalência global. A segunda tarefa poderá ser mais fácil de realizar do que a primeira, até mesmo pela posição do animador em relação aos treinandos, mas a definição do estado inicial das empresas poderá ser complicado não somente em função da tarefa em si mas também pela complexidade do modelo. Modelos complexos poderão impor uma carga maior de cálculos e avaliação mas poderão oferecer um universo mais rico de alternativas viáveis de inicialização, o oposto ocorrendo com modelos mais simples. No caso do GI-EPS acredita-se que a determinação destas inicializações distintas não se daria de forma direta em função do tipo de mercado simulado. Existe apenas um produto e basicamente um único tipo de consumidor. Existem poucos graus dé liberdade para o animador trabalhar as possibilidades das empresas e todas as variáveis disponíveis estarão afetando o mesmo produto ou mercado sem que a empresa tenha outra alternativa/mercado para buscar recuperação. Certamente é possível determinar estas inicializações de forma a viabilizar o uso de índices de desempenho únicos como avaliadores mas acredita-se que isto seria ainda mais fácil de se obter se a avaliação de índice único fosse abandonada. Os ganhos se dariam em dois pontos: i) inicializações mais realistas e, principalmente, ii) avaliações mais realistas.

> Susceptível a externalidades: TEACH (op.cit, p. 19-20) também aponta que “não é infreqüente que erros na tomada de decisões de uma equipe afetem a rentabilidade de outra equipe. Uma equipe pode sub ou super estimar o preço de um produto demasiadamente de forma que todas as demais empresas na indústria tenham sua rentabilidade afetada, algumas mais do que outras”. Como no modelo GI-EPS existe um único produto e é uma

47 Aqui chama-se atenção para outra discussão que normalmente ocorria com freqüência: "Porque as empresas estão todas iguais ? Nunca vi isto !", perguntavam os treinandos. Invariavelmente a resposta justificava o procedimento na didática da igualdade de condições em função da avaliação.

característica intrínseca do comportamento do consumidor desistir de comprar quando a média de preço das empresas sobe demasiado é evidente que os indicadores de rentabilidade nos jogos de empresas estão sujeitos extemalidades e o GI-EPS isto não é exceção. Realmente guerras de preços podem ser observadas na realidade mas tanto aí, quanto no GI, os efeitos destas “estratégias” são potencialmente destrutivos. Nas aplicações/períodos nos quais ocorreram decisões de preços “arrojadas”49 as equipes que se sentiram prejudicadas pediram punição, na form a,, multa para as empresas praticantes. Argumentando que o mercado é livre e tal procediménto não caberia quando a decisão se dava de forma isolada como ocorreu nas observações realizadas, nunca se penalizou qualquer empresa, mesmo porque suas decisões já haviam causado suficiente dano. O empenho com que as equipes defendiam seus pedidos de punição era fundamentado na premissa de que “se a empresa X não tivesse feito isto e/ou aquilo minha empresa teria obtido um resultado assim, assim e assim”. A motivação não era de ordem estratégica, mas sim uma preocupação em preservar o seu índice de avaliação. Com este relato justifica-se a concordância com este autor quando afirma que “um dos princípios básicos dos métodos de avaliação é que o indivíduo ou equipe em avaliação deve ser julgado com base em variáveis controláveis ou nas decisões que foram tomadas e não em extemalidades”. Embora os indicadores de rentabilidade não sejam propriamente extemalidades, eles são facilmente afetados por elas.

> Avaliação individual inviável: índices de rentabilidade somente permitem avaliações do grupo como um todo onde todos os membros seriam classificados de forma idêntica. E muito difícil especificar notas distintas para cada membro da equipe. Na verdade a possibilidade de avaliação individual do desempenho de cada membro da equipe utilizando única e exclusivamente índices e valores extraídos ou calculados a partir dos dados das empresas não é recomendável. A experiência com o GI-EPS indica que os treinandos não aceitam ser avaliados pelos índices existentes para as respectivas diretorias no modelo original. Os argumentos apresentados pelos alunos invariavelmente referia-se aos conhecimentos específicos de administração financeira ou de gerenciamento de produção, por exemplo, que lhes faltariam e portanto seria injusto avaliar seu desempenho desta forma50. A polarização das discussões era ainda maior quando havia(m) participação de treinando(s) com conhecimento em alguma das atividades envolvidas.

Terminada a exposição da fragilidade de uma avaliação realizada exclusivamente por um único índice voltam à memória os comentários de treinandos dizendo que o lucro, além de não ser apropriado para avaliar o desempenho da empresa tão pouco o é para avaliar o aprendizado.