IV Les applications analytiques des aptamères
IV.1 Les biocapteurs à base d’aptamères : « aptasensors »
IV.1.3 Les « aptasensors » optiques
IV.1.3.1 Les biocapteurs fluorescents
Costa (1996: 25) refere que a escola como empresa tem a sua origem nos modelos clássicos de organização e administração de Frederik Wiston Taylor e Henry Fayol, baseando-se numa conceção economicista e mecanicista do homem e numa visão reprodutora da educação em que o aluno é a matéria-prima a ser transformada. Neste sentido, a escola utiliza algumas técnicas da área empresarial, tais como:
«estrutura organizacional hierárquica, centralizada; divisão do trabalho e especialização bem definida;
ênfase na eficiência e na produtividade organizacional (máximo rendimento pelo menor custo); planificação e identificação rigorosa e pormenorizada dos objectivos a alcançar;
identificação da melhor maneira de executar cada tarefa;
uniformização dos processos, métodos, tecnologias, espaços e tempos; individualização do trabalho»(Costa, 1996: 25).
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Costa (1996: 31) recorre a Muñoz e Roman (1989: 74) que definem a escola como empresa educativa do seguinte modo:
«A visão produtiva da escola acentua a importância da eficácia (adequação dos resultados aos objectivos previstos) e da eficiência (uso adequado dos recursos): planificação precisa e ajustada, direcção por objectivos, controlo minucioso da qualidade, selecção e promoção do pessoal directivo e docente». (Muñoz e Roman, 1989: 74).
Esta imagem da escola não reúne consenso e é criticada por uns e defendida por outros. Coleman e Húnsen (1990: 55) citados por Costa (1996: 31) referem que a escola perdeu a sua especificidade de prolongamento da família, de ligação ao meio, para se modificar numa administração anónima e numa indústria de transformação, conduzindo a uma crise da escola: «O ensino tornou-se cada vez mais formal e administrativo, e é muitas vezes concebido à maneira da indústria transformadora ou dos serviços, cujo objectivo é fornecer um produto. Daí resulta uma crise na sua organização» (Coleman e Húnsen, 1990:55).
No entanto, Costa (1996) cita autores como Gómez e Jiménez (1992) que consideram que a utilização das técnicas de gestão empresarial na escola é a melhor forma de a gerir. Costa (1996) refere que a escola como empresa está sujeita a diferentes opiniões em função das intenções, dos objetivos e das metas pretendidas.
Martín-Moreno Cerrillo (1989: 24-33) analisou a forte influência que os princípios da teoria da administração científica tiveram na organização dos centros educativos e apresenta onze caraterísticas presentes na organização escolar:
1- uniformidade curricular: os mesmos conteúdos programáticos são obrigatórios para todos os alunos; 2- metodologias dirigidas para o ensino colectivo: métodos de ensino uniformizados, com predomínio para a lição magistral;
3- agrupamentos rígidos de alunos: procura-se a constituição de agrupamentos homogéneos de alunos com base quer na idade cronológica, quer no nível de instrução, de modo a conseguirem-se turmas iguais; 4- posicionamento insular dos professores: como na produção industrial em cadeia, cada professor molda durante um período de tempo (ano, hora) uma faceta do produto (aluno) e envia-o para outro professor, retomando o processo com outro produto63.
5- escassez de recursos materiais: pouca diversificação e utilização de materiais didácticos;
6- uniformidade na organização dos espaços educativos: a mesma localização das salas, o mesmo corredor, a mesma disposição das mesas e dos alunos nas salas (independentemente da diversidade de países e de culturas);
7- uniformidade de horários: divididos ao minuto, os dias mantêm-se inalteráveis depois de previamente e devidamente planeados para todo o ano lectivo;
8- avaliação descontínua: realização periódica de provas ou exames (de preferência escritos) com base nos conteúdos adquiridos, que decidem da passagem ou da repetência para o ano seguinte;
9- disciplina formal: o professor é um agente de manutenção da disciplina a qual não decorre do desenrolar das actividades de aprendizagem mas assume-se como condição prévia a estas (formalismo do cumprimento das regras);
10- direcção unipessoal: organização hierárquica e centralizada da escola na figura do director que, velando pelo cumprimento das normas e disposições da administração central, decide sobre todos os aspectos da vida escolar;
63 De acordo com este posicionamento, o aluno é entendido não como trabalhador mas como matéria-prima, tal como
escreve Drucker (através das palavras de um seu entrevistado). “A escola organiza-se com base na suposição de que o estudante é uma coisa sobre a qual se deve trabalhar, em vez de ver nele um trabalhador. […] A escola não encara o aluno como um trabalhador a quem deve manter ocupado, mas como uma matéria-prima que percorre a linha de produção de uma fábrica” (1994: 144).
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11- insuficientes relações com a comunidade: escola fechada ao meio não permitindo a interferência dos membros da comunidade exterior nas questões escolares (mesmo os pais devem esperar os filhos à porta de
entrada e poderão esclarecer-se com o director)» (Martín-Moreno Cerrillo, 1989: 24-33).
Costa (1996: 34) menciona Gimeno Sacristán (1990: 16), que do ponto de vista pedagógico didático, censura o culto da eficiência na pedagogia por objetivos 64 no que se refere à presença do taylorismo no processo de ensino aprendizagem:
«Os esquemas tayloristas de organização industrial encontram uma tradução directa nos esquemas de organização didáctica do processo de ensino-aprendizagem e podemos encontrá-los ainda hoje nos esquemas de desenho e desenvolvimento curricular, talvez com uma linguagem modificada, como dizíamos anteriormente, talvez como derivados de outros esquemas científicos, porém claramente semelhantes aos princípios que taylor propôs para a gestão rentável e eficiente do processo de produção industrial numa fábrica» (Gimeno Sacristán, 1990: 16).
No que diz respeito à questão da inovação educacional no quadro de uma administração burocrática centralizada (a inovação por decreto), Costa (1996: 35) menciona Lícinio Lima 65 que afirma:
«Com efeito, a tónica na centralização e na hierarquia formal, a divisão das tarefas administrativas em termos rígidos de concepção e implementação, o encadeamento sucessivo das tarefas e dos escalões burocráticos a vencer e, sobretudo, a ideia da máxima rentabilidade e da máxima eficiência, são algumas das conhecidas máximas tayloristas aplicadas à administração do sistema educativo» (Lima, 1988: 59.)
Costa (1996: 35) cita Lima (1991: 94-95) que recorda que a introdução das perspetivas taylorista no contexto educativo português – na sua dimensão prescritiva, como modo de organização da escola e de orientação dos processos pedagógicos – tem a sua influência nos anos cinquenta e sessenta e menciona Planchard 66 que assume a defesa de uma organização taylorista do ensino.
4.2.A Escola como Burocracia
A imagem da escola como burocracia (que se inspira no desenvolvimento da burocracia de Max Weber), mostra uma organização em que as relações entre os seus membros se caraterizam pela estrutura hierárquica. Costa (1996: 39) apresenta os indicadores mais expressivos da imagem burocrática da escola:
64 Apresentando a pedagogia por objetivos como uma “forma de entender a planificação do ensino como um processo que
tem de partir da clarificação prévia dos objectivos que se pretendem alcançar, devendo estes ser especificados o mais concretamente possível e, inclusivamente, preconizar-se a sua realização em termos de conduta” (1990: 9), GimenoSacristán situa as origens deste modelo pedagógico nos Estados Unidos da América, no inicio deste século, qualificando-o como movimento utilitarista da educação que ocorre em sintonia com as perspetivas tayloristas de aumento da quantidade e da qualidade na produção industrial.
65 O recurso aos pressupostos tayloristas na caraterização de situações educacionais tem vindo a ter uso crescente nos
trabalhos deste autor. Apontem-se, entre outras temáticas, a caraterização de diversos processos de organização pedagógica da escola, como as questões relativas à avaliação (Afonso & Lima, 1992), a análise de algumas formas de investigação em Ciências da Educação (Lima, 1992d) e a reflexão sobre as políticas (e as práticas) de reforma educativa em curso entre nós, de modo especial a reforma da organização escolar (Lima, 1992b: 64-80; Lima: 1994)
66 Planchard é um investigador de origem belga, docente da Universidade de Coimbra e autor da obra «A Investigação em